ESTUDOS PORTUGUESES
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      • Martins Sarmento, 1833-1899
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        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
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Fotografia
João Pinto Ribeiro, 1590-1649


​(Princípios essenciais do pensamento político português adoptado pelo Integralismo Lusitano encontram-se no livro Usurpação, Retenção e Restauração de Portugal, 1642).

João Pinto Ribeiro, partindo do princípio de Ptolomeu de Luca, segundo o qual regnum non est propter rex, sed rex propter regnum, vem considerar que os Reys não foram criados, & ordenados para sua utilidade, & proveito, senão em benefício & prol do Reyno.

Nestes termos, adopta a teoria da soberania popular alienável: 
está nos Povos a eleyção, & criação dos seus Reys, & nela contratão com eles haverem-nos de administrar em sua conservação, & utilidade.

As relações entre o rei e o povo são concebidas segundo o regime de duplo contrato: 
o que significa fazerem os Reys primeiro juramento aos Povos, de lhes guardarem seus foros, usos & costumes, de lhes administrar justiça, & depois se obrigarem esses Povos por juramento a lhes obedecer & guardar fidelidade.

Os povos conservam sempre o direito de resistência, podendo praticar actos de desobediência civil: 
todas as vezes que os Reys lhes faltão com a obrigação do ofício, que lhes deram de defensores & conservadores da República, os podem removeer, como pessoas que lhes faltão à condição do seu contrato, & ficam os Vassallos desobrygados de lhes obedecer, ou acudir ao seu serviço, & lhes podem como tyrannos negar obediência.

Partindo destas premissas adopta uma visão comunitária e pactista do político, entendendo o Estado como uma federação de municípios: 
no ajuntamento de cortes as cidades e vilas, que nelas têm voto, fazem com o mesmo Rey um corpo em nome dos povos, que representam.

E 
esta união e parentesco significa aquela correspondência, e reciprocidade do juramento que os Reis fazem aos estados, e os estados aos reis.

Para João Pinto Ribeiro 
todas estas Repúblicas particulares concorrerão juntas para que representando-se nos três estados do Reino...fizessem uma República.

Desta República maior, e universal deram ao Principe o governo, e senhorio, pera que lhes administrasse justiça, e os regesse em paz, e concórdia com os melhores deste todo, sobre que havia de reprtir parte do melhor governo, que dele se prometiam, e esperavam.



Refs.

1642 - João Pinto Ribeiro - Usurpação, retenção & restauração de Portugal  Original (pdf)

​1642 - João Pinto Ribeiro - Usurpação, retenção & restauração de Portugal, in Papéis da 
Restauração, 80 páginas impressas - (11.1 Mb - pdf )

​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]