ESTUDOS PORTUGUESES
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      • Almeida Garrett, 1799-1854
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    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
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      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
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        • Assentando posições (conversa preliminar)
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O Punhal dos Corcundas

Nº 2


Ostendam gentibus nuditatem tuam.                    
Silveira

Os Transmontanos

RESUMO
  • O general Silveira é aqui apresentado como herói nacional português. É também referido o seu irmão, o 1º Conde de Amarante, responsável por resistir a invasões estrangeiras sem apoio externo, bem como o 2º Conde, seu filho, que herdou não só o título, mas também a lealdade ao trono português.
  • Resistência e fracasso: A resistência heróica do primeiro Conde de Amarante fracassou por falta de recursos e cansaço, não por falta de coragem. O segundo Conde também viu o malogro da sua causa devido a intrigas políticas, influência maçónica e traições internas.
  • Crítica à Regência do Porto: O texto critica a Regência do Porto e suas promessas não cumpridas, responsabilizando-a por males como a separação do Brasil, crise financeira, corrupção e decadência moral e religiosa, além da influência de ideias revolucionárias e maçónicas.
  • Silveira como símbolo de resistência: o general Silveira é apresentado como o responsável por resgatar Portugal de um grande opróbrio, sendo visto como o herói português do século XIX, capaz de despertar o patriotismo nacional.
  • Exaltação dos Transmontanos: Os naturais de Trás-os-Montes são enaltecidos como sinónimo de probidade, honra e coragem, com exemplos históricos de bravura em batalhas como Godinha e Montes Claros. O texto destaca a resistência, disciplina e firmeza dos soldados transmontanos, mesmo diante de adversidades extremas.
  • Comparações históricas: O autor compara feitos dos transmontanos a episódios militares clássicos como as Termópilas e a retirada dos Dez Mil, ressaltando o valor e o sacrifício desses soldados e suas famílias.
  • Apelo ao reconhecimento: O texto conclui defendendo que os heróis transmontanos merecem reconhecimento e gratidão do rei, da pátria e dos concidadãos, para que não sejam esquecidos ou desvalorizados.
 



Nº 2
 
SILVEIRA [1]
 
Quis a Providencia cuidadosa do bem, e felicidade dos seus queridos Portugueses, suscitar um herói deste Apelido nas maiores tormentas porque tem passado em nossos dias a Monarquia Portuguesa. Foi o primeiro Conde de Amarante, quem destituído de cooperação estrangeira deteve, e repeliu um inimigo audaz, e vitorioso, que conseguiu o passo livre pela ponte de Amarante, nos fizera um dano irreparável, ferindo-nos em o próprio coração da opulência nacional. É o segundo Conde de Amarante, que herdando de seu ilustre, e saudoso Pai, não tanto os foros de uma antiga, e sempre esclarecida nobreza, como a lealdade ao Trono Português de que ele fora vítima; quem ergue a primeira voz que se ouviu neste Reino contra os novos Franceses, tanto piores, que os do Exército da Gironda, quanto foram mais hipócritas, refalsados, e até mais sedentos de oiro que os primeiros. Malogrou-se afinal a heroica resistência do primeiro só por falta de braços, e não de valor, e mais por fatigados de uma peleja que durara trinta dias contínuos, do que por abatidos, e desanimados, não puderam obstar a que um inimigo superior em forças se apoderasse por estratagema daquela mesma posição que à viva força não pudera conseguir. Também se malogrou a empresa do segundo Conde de Amarante, depois que os seus briosos, e esforçados guerreiros, se cansaram de matar, e de vencer, e malogrou-se porque os infames cálculos sobre a primazia que havia de competir a Silveira no caso de se efetuar a projetada restituição do Trono ao seu antigo resplendor que fora apagado no infausto dia 24 de Agosto de 1820, e talvez porque os juramentos sobre as nefandas aras do Maçonismo, pesaram mais na balança de certos........Portugueses, que sem o mais leve remorso, ajudaram um punhado de faciosos na execrável ousadia de assumirem, e usurparem a autoridade suprema, e que tão despojadamente se mostraram sacrílegos quebrantadores do primeiro juramento que haviam prestado ao seu Rei, e à sua pátria.
 
Cumpre, todavia, notarmos, que os serviços do segundo Conde de Amarante à sua e nossa pátria, à sua e nossa Religião excedem muito os que fizera o primeiro Conde; senão lancemos um rápido volver de olhos sobre a longa cadeia de males a que vivíamos sujeitos.
 
Que bens, que imensas venturas nos anunciou o doloso, e abominável Manifesto da chamada Regência do Porto, que se erigiu em arbitro dos destinos do Reino, e suas conquistas? Se as promessas tiveram algum efeito, que o digam o Brasil desmembrado da Monarquia, e entregue à hedionda fúria das guerras civis, que o digam os cofres públicos exauridos para sustentarem o luxo oriental de um bando de harpias, que o diga o credito nacional perdido, que o diga o comércio estagnado, e a ponto de acabar inteiramente, que o diga o crescimento de divida pública subida ao maior auge pelos mesmos, que seguindo o rasto de seus preceptores os Revolucionários Franceses, ostentavam o mais vivo empenho de restabelecerem o credito, e de remediarem quanto neles fosse, os erros dessa administração do Real Erário, que eles atropelando as Leis Divinas e humanas, taxaram de infiel e usurpadora, sem nunca terem dado provas de tão séria acusação? Que o digam as odiosas preferências aos indigníssimos afilhados, em que a licença dos costumes, e a entrada nas Lojas Maçónicas, fazia as vezes desse tantas vezes apregoado merecimento? Que o digam ........ mas que tentava eu ....
 
Nem correndo, nem voando eu poderia incluir no estreito âmbito de menos de uma folha de papel, uma ideia tosca, e muito imperfeita das rapinas, violências e atrocidades, que desacreditaram as promessas do dia 24, e anularam toda a força dos juramentos prestados a uma constituição, que afinal se convertera no interesse particular de cinco, ou seis indivíduos. ..... E que posso eu dizer agora dos muitos, e desapiedados golpes que acinte, e em virtude dos asteriscos Maçónicos se descarregaram sobre a veneranda e antiga crença dos nossos Maiores? Quando esquecerá neste Reino o impulso dado por quantas artes se podiam excogitar aos Catecismos do Deísta, ou do Ateu Volney[2], ou dos Pedreiros Livres, e as inumeráveis proposições temerárias, e heréticas de que o próprio Diário do Governo era o impuro, mas sobremaneira contagioso veículo?
 
E por este impio e desmoralizado Governo, é que nos importava derramar o sangue, e dar a vida? É Portugal o Reino por extremo fiel aos seus Príncipes, o Reino Católico, que rejeitara sempre as lições empestadas dos Revolucionários Franceses, havia de ficar mudo, insensível de todo ao desabar das ruínas assim do Trono, como do Altar? Seria necessário que os Soberanos da Santa Aliança, nos viessem trazer com o último desengano, a suspirada restituição do nosso legitimo Governo? Que vergonha seria esta para nós, e para todas as gerações futuras se nos acompanhasse mais esta nódoa, mais este argumento de se terem extinguido as heroicas virtudes dos nossos Maiores?
 
SILVEIRA É QUEM RESGATA A NAÇÃO PORTUGUEZA DE UM OPROBRIO, QUE SERIA DE TAMANHO VULTO COMO SE FOSSEMOS RISCADOS DA LISTA DAS NAÇÕES INDEPENDENTES.
 
Muito embora a negra, e atraiçoada inveja de mãos dadas com o sórdido interesse, mola real dos pérfidos Mações contribuísse muito para se desvanecerem as lisonjeiras esperanças - que o afortunado êxito da Batalha de 13 de Março, infundira nos bons Portugueses...... Mais valia tentar uma obra de tão requintado merecimento, do que concluir outras das que mais avultam em a nossa História...... Não me aterram, nem os latidos da sátira, nem os bramidos da inveja sopeada, e confundida...... Roma não admirou menos Regulo escravo de que Cipião triunfante, e se aquele herói desligado dos ferros, como da sua palavra conseguisse voltar à Cidade, por certo que o seu triunfo excederia o dos Mários, e dos Metelos, visto que os corações nesta parte governam mais que a autoridade pública...... É tão evidente ser o General Silveira, o herói Português do século 19, que se enfadariam os bons Portugueses para os quais somente escrevo, se eu tratasse agora de amontoar provas do que se lê escrito nos semblantes de imensa população que se abala para dar vivas ao seu Libertador...... Limito-me por fim a uma simples advertência aos nossos historiadores presentes e futuros, que depois de recensearem, e lastimarem o profundo letargo em que jazíamos devem concluir. Foi Silveira quem nos acordou, quem nos fez lembrar de que eramos Portugueses. Se ele não fosse estaríamos agora todos caracterizados, ou de Cobardes ou de Pedreiros.
 
 
OS TRANSMONTANOS.
 
Desde tempo imemorial que este nome passa em todo os Reinos, e Domínios Portugueses, por sinónimo de probo, honrado e valoroso. = Seria infinito quem se propusesse coligir as
provas da justiça com que lhes são concedidos estes nobres, e gloriosos epítetos, ou se quer nomear os varões assinalados que saíram da Província de Trás-os-Montes para encherem os lugares mais honoríficos da Igreja, e do Estado.
 
No tocante aos exercícios da guerra, e ao valor e coragem; que ali se demandam, creio que ninguém apresentará maior copia de títulos autênticos para uma inquestionável primazia, e se alguma dos nossos Conterrâneos, ou por mal informado, eu por invejoso, me quisesse disputar o que ousadamente afirmo, bastaria lembrar-lhe os memoráveis campos da Godinha onde os Transmontanos Dragões de Chaves, quiseram antes ser cortados e feitos em postas desde o Chefe até ao ultimo Soldado, que renderem-se ao inimigo, ação esta que os Escritores Portugueses censuram, e taxam de indiscreta, mas que os Estrangeiros têm querido chamar e revindicar para os seus concidadãos.
 
Quando este grande exemplo por ser único deixasse de o abalar então lhe faria ver em os nossos Historiadores; quando tratam da portentosa Victoria de Montes Claros decisiva da sorte de Portugal, onde as Terços e Esquadrões Transmontanos fizeram a principal figura, mais outro irrefragável monumento daquela bem fundada primazia. “Estas (explica-se deste modo uma Relação Castelhana impressa em Lisboa, poucos dias depois daquela gloriosíssima vitoria) “Estas bravas gentes de Trás-os-Montes parece que em todos lugares se reproduziam para vencer.”
 
Concedido, porém, que faltasse a nuvem de argumentos do valor Transmontano, que enche, e enobrece todas as páginas da nossa História, que é o que nós temos visto, e admirado, senão uma pleníssima demonstração, do ingénito valor, que não cede ao que nesta parte, ou referem os Historiadores, ou cantam as antigas Musas?
 
Reparemos na Continência desses animosos Soldados que não pode ser minguada, ou escurecida por uma serie de privações, e de trabalhos, que porventura custariam a própria vida a quem não fosse Transmontano.
 
Admiremos a invencível firmeza com que depois de reprovada a sua causa pelos que se reputavam Deuses da terra, e depois de se verem abandonados de uma grande parte dos seus Chefes, ‹pois houve Regimento fiel ao grande Silveira, ou à causa da razão, e da justiça em que somente dois Oficiais, quiseram participar dos trabalhos, que se antolham sempre no caminho da honra, e da virtude! |) assim mesmo foram Catões preferindo os desastres que pareciam amontoados sobre a boa causa, às aliciações, recompensas, e vantagens de que se ataviava a má causa para os fascinar, e iludir.
 
Quem morre nas Termópilas, ainda consegue mais frondosos Louros do que haviam de ser os conseguidos nas planícies de Mantineia...... A retirada dos dez mil é o feito de armas por certo o mais brilhante, e sinalado da História antiga, e que leva a palma aos triunfos do Granico, e de Arbelles...... E que é a penosa marcha dos Transmontanos ao través da Espanha subi modo inquieta, e agitada senão numa viva imagem da famosa retirada dos dez mil? Que suave e gostosa é para mim, e para os bons Portugueses, que só os maus pensarão de outro modo, a lembrança das alturas de Santa Barbara, e dos ilustres Generais, Vahia, Teixeira, e Corrêa de Moraes, Inseparáveis da sorte, e destinos do novo Xenofonte!! A povoação da Trindade é outra Numancia e Sagunto...... As Mães, e as Esposas Transmontanas, são as heroínas de Lacedemónia, e também excitam os seus filhos, e os seus Esposos com o decantado Aut cum hoc, aut in hoc...... Ou morrer combatendo sob as ordens do Conde de Amarante, ou voltar com ele já vencedor, e triunfante...... Ah! Estas heroínas ainda fizeram mais, querendo expulsar de suas casas, os prófugos que desertaram das bandeiras da honra, e da Fé!!!
 
Que mais falta para a gloria dos heróis Transmontanos, cujos nomes deveriam abrir-se em laminar de ouro, como se decretou relativamente aos heróis das Termópilas? Que sejam remunerados...... e que nunca se chegue a dizer que o seu Rei, que a sua Pátria, e que os seus Concidadãos lhe foram ingratos.

Fotografia
1º Conde de Amarante
Fotografia
1º Marquês de Chaves e 2º Conde de Amarante ..."de tal pai tal filho se esperava".
Fotografia
António da Silveira Pinto da Fonseca, 1770-1858 , irmão do 1º Conde de Amarante.
Notas desta edição:

[1] No texto são referidos três Silveiras:
  • Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira (1763-1821), 1.º Conde de Amarante;
  • António da Silveira Pinto da Fonseca (1770-1858), irmão do 1º Conde de Amarante, presidente da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino (1820), Visconde de Canelas;
  • Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira (1784-1830), 1º Marquês de Chaves e 2º Conde de Amarante.
As batalhas e campanhas afirmaram o general Silveira, Visconde de Canelas em 1823 (agraciado pelo rei D. João VI), como um dos principais líderes militares portugueses da época, sendo reconhecido pelo seu papel na defesa da independência nacional e na expulsão dos invasores franceses. Em 1820, o general Silveira surge como Presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino na revolução do Porto, seguindo para Lisboa onde se formou também um junta governativa sob a presidência de Gomes Freire de Andrade. O objetivo dos revoltosos civis era a expulsão do marechal William Carr Beresford e das tropas inglesas que auxiliaram Portugal na guerra contra os franceses, e o regresso do rei João VI do Brasil. O general Silveira discordou e tentou dissuadir a Junta de Lisboa. Fundidas as Juntas do Porto e de Lisboa, o general Silveira ficou como vice-presidente do Governo. Em 11 de novembro de 1820, o general Silveira participou na revolta conhecida por Martinhada, sendo em 16 de Novembro afastado do governo e obrigado a residir na sua quinta em Vila Real. Neste texto, publicado em 1823, o general Silveira é apresentado como herói. Tinha aderido à causa miguelista. Foi nesse agraciado por D. João VI com o título de Visconde de Canelas.


[2] Constantin-François Chassebœuf, mais tarde conhecido como “Conde de Volney”, ou apenas Volney, nasceu em 3 de fevereiro de 1757, em Craon, uma cidade na província francesa do Maine. Era filho de Jacques-René Chassebœuf de Boisgirais, advogado, e de Jeanne Gigault de la Giraudais, que faleceu tragicamente em 1759, quando Volney tinha apenas dois anos. A perda precoce da mãe terá contribuído para uma infância conturbada, marcada por um difícil ambiente doméstico e experiências abusivas na escola. O “Ateu Volney” aqui referido é hoje uma figura pouco referida na história do pensamento político, mas teve influência durante os anos de formação dos Estados Unidos da América, sendo então considerado um proeminente líder da ala materialista do movimento deísta, contrário às instituições religiosas e políticas tradicionais

in Frei Fortunato de São Boaventura - O Punhal dos Corcundas, 1823-24.
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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