ESTUDOS PORTUGUESES
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        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
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O punhal dos corcundas

Frei Fortunato de São Boaventura

O “punhal dos corcundas” é a metáfora usada por Frei Fortunato de São Boaventura para se referir ao poder da razão e da experiência, em oposição à violência e às ameaças dos maçons e liberais. O Autor escreve: “O nosso, isto é, o punhal dos corcundas, é o punhal da razão e da experiência, é o punhal digno do homem estudioso, é o punhal que não sabeis usar...” Ou seja, os maçons usam ameaças e violência (“punhais” literais ou simbólicos), enquanto ele defende que os “corcundas” (termo pejorativo para os defensores da ordem tradicional) usam como arma, não a força física, mas a argumentação racional e o conhecimento.

Um conceito-chave apresentado no primeiro número é o da "soberania do povo" como uma mentira usada para obter benefícios materiais: “nunca o povo se diz soberano para outro fim mais do que para cair toda a soberania nas mãos de um punhado de aventureiros, que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto mui a salvo, e a despeito da moral cristã, e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa”. Ou seja, atira-se com a ideia da "soberania popular" para manipular o povo e transferir o poder para um punhado de oportunistas que, retirando a autoridade aos reis, prejudicam o povo.

Nº 1 - Corja de Pedreiros, hei-de-vos pôr nuzinhos como vossas mães vos pariram.

Advertências aos Pedreiros Livres;
Como deverá refutar-se o Maçonismo;
Liberdade de pensar;
A Soberania do Povo;
Como devem ser castigados os Pedreiros Mestres de loja aberta;
Conclusão.

Advertência aos Pedreiros Livres
Podendo ser que o meu título vos assuste, vos obrigue a vociferar, e talvez a que me chameis Bota-Fogo do Clero, e dos nobres, e Apóstolo do despotismo, e da anarquia, importa admoestar-vos caritativamente que ninguém vos dará crédito, e que feita uma pequena mudança de um refrão antigo, todos vos poderão dizer. Bem o pregou Fr., isto é o Irmão Tomás, se bem o disse pior o fez…. Com que a necessidade de exterminar a ferro e fogo os corcundas, qual se intimou nas Sociedades Patrióticas de envolta com a celebérrima indicação de um mês de anarquia não era nada? Com que as marradas no Congresso (nunca lhe chamei Soberano, porque chamá-lo assim era uma heresia religiosa e política, nem se quer lhe dei a pavonada de nacional porque os tristes povos não metiam para aí prego nem estopa) com que as marradas tendentes para o extermínio dos Corcundas, eram uma brincadeira? Com que o aliciamento feito por miseráveis estudantinhos tão desaforados como ignorantes para que as tropas no seu trânsito por Coimbra matassem os Frades e os Corcundas, era um jogo de crianças? Ora pois calai o bico senão tereis muito que sofrer… e não é muito que zombando eu desses punhais ainda mais curtos do que os do vosso entendimento com que haveis lançado uma espécie de contribuição a toda a casta de ferros e de ferreiros… desse ao meu papel o Soberbo e pomposo título do único santinho que vós adorais, e trazeis ao pescoço; mas cumpre fazer uma e bem especial diferença.

O vosso é propriamente a arma dos cobardes e dos tolos que, não sabendo responder às objeções dos Corcundas, se valem de fanfarrónicas ameaças e de cartéis de desafio, verdadeiros testemunhos de crassíssima ignorância que mui breve hão-de ser postos à Luz do dia… O nosso, isto é o punhal dos corcundas, é o punhal da razão e da experiência, é o punhal digno do homem estudioso, é o punhal que não sabeis usar, porque além disso a natureza foi mesquinha convosco (pois se o Doutor Gall fizesse algum exame dos vossos crânios, apenas descobriria os órgãos da perfídia da impudência, e da incredulidade é de notar que no período de três anos, tereis feito retrogradar séculos à nossa literatura se os vossos escritos servissem de norma para o diante. Meninos, ide para a escola… pois nem sequer de língua portuguesa tendes a mais leve tintura ... e assim mesmo com essas carinhas de pouca-vergonha quereis destruir e aniquilar o trono, e a Fé!!!

Como deverá refutar-se o Maçonismo.
In illo Tempore = Vogou por todos os Reinos da Cristandade um desalmado furor a que se deu o nome de Cavalaria andante. Matavam-se uns aos outros por “dá cá aquela palha” quem bem pouco mais era a questão se Dulcineia excedia em formusura a Floripes ou esta a Rosalunda… Depois de se empregarem inutilmente as próprias armas da Igreja, sem tornarem a si aqueles doidos rematados, aparece o melhor dos Romances antigos e modernos, isto é “D. Quixote de La Mancha”… e logo meteu pernas a Cavalaria andante, que intimidou de que as próprias crianças e mulheres da rua se pusessem a gritar quanto passasse algum desses heróis de lança enristada: “aí vai o cavaleiro da triste figura!”

Já em tempos mais vizinhos do nosso, apareceu outra doença mortal mais funesta e assoladora que todas as pragas do Egipto, e que obrigou os que pensam atiladamente a terem saudades da Cavalaria andante. Esta quando muito era uma Sarna ou tinha sim contagiosa, porém felizmente não chegava senão a meia dúzia de entusiastas em cada um dos Reinos da Europa, nem consta que se derramasse pelo povo miúdo nem que conduzisse os Reis ao patíbulo, nem que menoscabasse ou desprezasse a verdadeira Religião, sintomas estes que anunciam o simples começo de nova pestilência. É esta a

Liberdade de pensar
Que foi posta em cena pelos heróis, e campeões do que então se chamou tão pomposa como falsamente = REFORMA =, sempre o nome predileto, e a gavadinha dos que se querem engrandecer, ou fazerem-se célebres à custa alheia. Concebida nas entranhas de um Frade soberbo, inteligente, e revoltoso a quem os da sua quadrilha trataram logo de Santo em carne porque mui Liberal na satisfação dos desejos da carne, dava largas aos monges para desertarem do Claustro, às Freiras para abandonarem os seus Conventos, aos Príncipes para terem mulher proprietária e mulher substituta, aos Reis para devorarem o património dos Mosteiros, e lançarem mão aos turíbulo decidindo, e legislando em matérias Eclesiásticas... não deixou nem podia deixar de ter inúmeráveis criaturas, e deitando raízes por toda a parte (excepto em Portugal e suas conquistas o que se deve ao Santo ofício que só ele nos livrou de sermos Luteranos Calvinistas, Anabatistas, e Socinianos) a poucos passos de sua existência, e para se desassombrar de alguns Reis que bem aconselhados não estiveram pelos autos, e disputaram aos novos Reformadores esta prerrogativa  que nem Deus, nem os homens lhe dão, e que só eles de motu proprio assumiam, e exerciam, espalhou um dogma político das mais infaustas, e desastrosas consequências, a saber:

A Soberania do Povo
De que na antiguidade sagrada, ou profana por mais que se busque, não aparecem vestígios, antes pelo contrário quanto mais perto da origem da sociedade chegam os trabalhos, e a exames históricos, vai-se para constantemente em algum Rei ou juiz ou magistrado supremo... o que é tão certo, que o ditado vulgar "Haja um que nos governe... já era mil anos antes que Jesus Cristo viesse ao mundo..."

Foi a soberania do povo quem levou ao cadafalso o Rei Carlos I de Inglaterra e em nossos dias o malfadado Luís XVI, e acabaria infalivelmente por fazer a todos a mesma gracinha, se lhe não forem à mão, e cortarem os herpes muito radicalmente de maneira, que nunca mais pegue tal doutrina quer seja de sementeira, quer de enxertia quer de estaca... Assentemos por uma vez que nunca o povo se diz soberano para outro fim mais do que para cair toda a soberania nas mãos de um punhado de aventureiros, que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto mui a salvo, e a despeito da moral cristã, e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa, e por certo que não há coisa melhor nesta vida....

Se pegou a lábia ficaremos verdadeiramente Soberanos, e o povo terá de obedecer a muitos que só curam de esmagá-lo, e saqueá-lo, em lugar de um só que nenhum interesse tinha de o vexar e de o oprimir. Se o tiro falhou, e não acerta no alvo não falharão as louras que vão na algibeira e que darão para comer e viver folgadamente em qualquer parte do mundo. São pois os heróis deste jaez inimigos do povo a quem esbulham de todo o fruto dos seus suores e fadigas; são inimigos dos Reis cuja autoridade aviltam a ponto de fazerem sensível para experiência de alguns anos, que um Rei é traste supérfluo, e que se todas as suas funções se devem reduzir a assinar de cruz em todos os papeis que lhe arrumarem, será melhor que o não haja... pois um Rei assim que custa um conto de réis por dia, sai muito caro à Nação (expressão de um ilustre deputado às Cortes Ordinárias, que de certo não podiam ser mais ordinárias). Ora têm saído a lume refutações sem conto desses puritanos, liberais, pedreiros carbonários etc. etc. etc. mas quem deu chiste foi o autor de Hudibras.

Ainda que o restabelecimento de Carlos II no trono de Inglaterra sufocou os partidos, e restituiu a paz, e a tranquilidade ao próprio Reino que nessa parte mais feliz do que acaba de ser o nosso, não fora roubado sob a proteção de Cromwel e que à primeira voz que soltou o General Monck (mais feliz do que o nosso ínclito Silveira) gritou em altas vozes pela monarquia; nem por isso deixou de haver uma chusma de descontentes, que sem embargo de que todas as classes tinham aceitado cordialmente a mudança de governo, mordiam-se de raiva, e não perdiam de todo a esperança de tornarem a subir...

Apareceu o Hudibras, ficaram todos metidos num chinelo, e nunca mais ninguém piou, e o que não chegaria a fazer toda a severidade de um Rei, que desagravava o trono de seu desgraçado Pai, consegui-o pena de um escritor, que sem nomear pessoas, ainda que designando-as mui claramente pelas suas artes, prendas, e manhas, triunfou daquela emperrada teima de reformar a torto e a direito, e por certo mais esforçado que Alcides livrou a sua ditosa pátria destes verdadeiros leões de Nemeia... Apareça entre nós um Hudibras - e sem pão nem pedra daremos cabo dos pedreirinhos, que conseguirem escapar ao desterro, e à morte, e a qualquer outra pena, que lhes infligir a junta severidade das leis.


Como devem ser castigados os Pedreiros Mestres de loja aberta.
Não é da minha competência endereçar conselhos aos Reis sobre a linha de procedimento, que devem guardar com os seus figadais, e irreconciliável inimigo os pedreiros. Quem veste púrpura, e cinge uma coroa tem obrigação de exaurir todo os meios de os conhecer, e de os punir logo que sejam conhecidos, sob pena de que cedo ou tarde pagará ou com a vida, ou com a mais insultadora, e afrontosa deposição, toda a condescendência, que tiver com eles... e não é este o menor perigo que os ameaça... Um Rei deve ser clemente, e já dizia um filósofo antigo (Séneca) que era tão indecoroso a um Rei o perdoar a todos como o castigar a todos; há porém muitos lances em que uma desmesurada clemência é um crime de que o Rei dos Reis lhe tomará uma estreitíssima conta.

Confundir os bons com os maus, é animar a impunidade, e com ela todos os crimes, poupar cegamente os criminosos é sacrificar os bons, é perturbá-los na fruição dos seus direitos, é pô-los numa perpétua desconfiança de serem outra vez enxovalhados, e perseguidos: o que é tão certo que nestes casos importa mais ao cidadão probo e leal, esconder-se, ou antes mudar de pátria do que viver no meio de tigres que porventura açaimados um só instante pelo irresistível poderio da opinião pública, já estudam, e se afanam por desfazer com seus próprios dentes amordaçam que os refreia, e que apenas conseguirem tirá-la encheram tudo de estragos, de mortes, e de sangue ... E será feliz uma suspirada mudança de coisas visivelmente feita, e concluída pelo "braço omnipotente" se o primeiro e principal cuidado dos que afrontaram o desterro o cárcere, e a morte em obséquio a Fé Católica, e à Dignidade Real, deverá ser a aquisição dos meios indispensáveis para fugirem quanto antes em demanda de algum reino onde os carbonários, e os pedreiros nem subam, nem possam nunca subir aos primeiros lugares do Estado?

E serão acaso estes princípios alheios da Santa religião que nós professamos? Terão acaso o mínimo ressabio de desejo de vingança tantas vezes proscrito, e abominado pelo supremo legislador?

Desejará porventura lavar suas mãos no sangue dos pedreiros quem se atreve a insinuar ou lembrar a necessidade do castigo para uma seita que é jurada e implacavelmente inimiga dos tronos, e dos altares do Cristianismo? Que fácil é jogar contra a seita pedreiral esses mesmos princípios fantásticos, e cerebrinos com que ainda hoje trata de embair os crédulos, e os ignorantes? Agora é a força armada que cedendo às perfídias sugestões dos corcundas conseguiu ditar a lei ... e a 24 de Agosto de 1820 dia de infausta, e execranda memória nem sombra ou resto de gente armada se viu na Cidade Regeneradora, e talvez que o Regimento Nº 18 que vós tratastes de perverter e desencaminhar, mas que tão gloriosamente volveu ao lugar, que por sua antiga reputação de lealdade, e de valor lhe competia, vos assistisse e apoiasse então só para decência, e formosura do ato. Então foi virtude conceber, e executar o mais nefando ato de desobediência, e rebelião, que por miserando que fosse o estado a que nos chegara a lastimosa ausência D’El-Rei nunca seria legítima ou valiosa, porque nós os Cristãos pela graça de Deus respeitamos e seguimos a doutrina do Apóstolo S. Paulo, doutrina verificada nos melhores dias da Igreja, ou nos primeiros séculos, em que aparecendo tantos Neros, não apareceu um só cristão que se revoltasse contra os maiores abusos da autoridade que os regia com vara de ferro, e os esmagava: e agora, que estranha incoerência dos tais pedreiros, e agora depois de tantas infrações, do áureo - rapidamente sistema constitucional, que há mais de dois anos fugira para o globo de Saturno, agora sim que é perjúrio, e um crime irremissível qualquer resistência, por mínima que seja à autoridade pública! Não há coisa melhor que este pau de dois bicos, pois desta maneira tudo se aplana, e justifica.

Então foi um auto de extrema lealdade o grito Viva a Constituição, que devia lançar por terra a Monarquia Portuguesa, e adiantar o império das trevas, o império do maçonismo, e agora é aleivosa é perjúrio, é ser insurgente, e faccioso vindouros de serem todos uns infames adeptos da pedreirada! Então os coronéis eram uns homens dignos da imortalidade, uns heróis merecedores de estátuas, e padrões; e agora um herói, filho de outro herói sim de outro herói ... que apraz de inveja foi um português que verdadeiramente se distinguiu na expulsão dos frades invasores de Portugal em 1809, sim de outro herói que antes queria morrer, que aderir aos planos das sociedades maçónicas, sim de outro herói, que estalou de pena quando soube que El-Rei aprovara a constituição; este herói porque lhe servem no peito os sentimentos de lealdade, que seu grande Pai lhe infundira, e tanto lhe recomendara em seus últimos momentos, este herói porque deseja acudir a Fé quase expirante, pois eu mesmo viajando na Província de Trás-os-Montes ouvi, e estremeci de ouvir as mais execrandas blasfémias na própria cadeira da verdade, porque deseja impedir que venham os estrangeiros dar-nos lições de fidelidade aos nossos Reis, porque então os vivas ao Rei como era dantes (Legítimo, e verdadeiro sentido da palavra absoluto) porque lastimando, e enfurecido de ver preza, e desterrada a espora de um Rei, Filha, Mãe, e Irmã de outros Reis, trata de lhe espedaçar os ferros ... é o faccioso e rebelde, e infame Ex-Conde de Amarante!!!
​
Conclusão
Ah! Pérfidos, e traidores por certo os mais vis, e os mais ignorantes, que tendes enxovalhado a história das nações, infelizes de vós se a palavra "Rei absoluto", que tanto vos incomoda e fere tivesse aquele sentido que vós quereis dar-lhe para semeardes astutamente a desconfiança entre El-Rei, e um povo que o venera, e que a despeito de vossos estratagemas, e ardis, quer agora indemnizá-lo dessa espécie de agonia, a que vós o tínheis reduzido... Se El-Rei fosse despótico, e usasse daquele estilo oriental com que o Déspota de Bizâncio manda vir dentro do saco fatal as cabeças dos que lhe têm desagradado, por certo que nenhum de vós, já existiria. Não quereis meter-lhe à cara o exercio de uma autoridade que ele não deseja nem pretende usar convosco. Novos Catilinas já acabou o tempo dos insultos a El-Rei, à decência, à virtude, e ao Cristianismo, purificai ao menos, livrai da vossa hedionda presença o nosso território onde pesais com tanto excesso que o povo todas as vezes que lhe é necessário encarar convosco, e que repara no sangue frio que vós ainda quereis ostentar com sacrílego arremedo dos privilégios da inocência, por certo que se vê nas circunstâncias de citar imediatamente as vistas num Deus, que manda amar os inimigos, e que também morreu por vós todos que de contínuo o desconheceis e ultrajais... É muito apurar o já cansado sofrimento de uma nação generosa, que antes quisera sumir-se toda no fundo dos mares, por efeito de alguma dessas revoluções físicas, que já tem feito desaparecer ilhas, e cidades populosas do que ser governada a sabor do maçonismo... Ninguém vos pede contas desses tesouros que possuís, nem do escandaloso salário de 4800 rs. por dia em quanto cercáveis todos os outros salários fazendo consistir a urgência das necessidades públicas em tirar aos outros os que era seu, para que vós embolsásseis sem a mínima quebra o que nunca foi vosso... Ide gozar o fruto da rebelião, e de atrocidade em países estranhos... pregai embora contra o despotismo, que será o mesmo que pregar contra as abominações que ousada, e sistematicamente haveis praticado. Ide ensinar os direitos do homem pelos vossos evangelistas Paine, e Rousseau, e Constant, e Pradt às nações errantes, e selvagens, sob os auspícios de outras nações vossas antigas mestras, e protetoras. Subiu de ponto a aversão nacional às esquadrias às trolhas, aos aventais, às mitras, e bigodes postiços, e a toda essa perlenga maçónica de que tanto se embaíram os tolos, e os ambiciosos... respeitai a fraqueza humana, pois ainda que seja uma verdade incontestável que apenas é lícito ao cristão refutar os vícios, sem perseguir, e doestar o criminoso, máximas estas que o Evangelho nos deu, e que só ele nos poderia ensinar completamente, é todavia facílimo que se passe em tais assuntos das coisas às pessoas, e que o vosso descaramento acenda em vingança pública... Nenhum interesse me resultará de que sejais inquietados, e vos torneis o fito a que atire a vingança popular, mas terei o maior interesse, e toda a nação me acompanha nestes sentimentos, de que por estes seis meses ao mais tardar não haja em Portugal nem fumos de pedreirada, visto que assim o exige a felicidade, e a segurança de todos quantos amam deveras o trono, e a Fé. Vós mesmos levastes as coisas à força de extorsões, de injustiças, e de todo o género de violências a um extremo daquele que nem admitem nem podem admitir meio termo... Ou a nação toda o que é impraticável há de expatriar-se para os sertões da África deixando-vos este belíssimo e fecundíssimo território por Capital do maçonismo... ou vós todos saireis de uma pátria, que não mereceis de uma pátria que vos enjeita, e que vos reprova. Agora é tempo de seguir o que mais vos importa, se vos demorais, se quereis tomar a pele de mansas ovelhinhas, quando há pouco éreis lobos famintos, e devoradores, asseguro-vos em nome de todos os bons portugueses que talvez choreis sem remédio, a vossa indiscrição, e a vossa temeridade...

P. S. - O nº 2º da Tripa Virada que no meu conceito é obra-prima de um engelho peculiar em tais assuntos, e que outro qualquer, debalde pretenderia imitar, já me anuncia, que dentro em poucos meses teremos a certos respeitos coisa muito superior ao Hudibras..." 


LISBOA: NA OFFICINA DA HORROROSA CONSPIRAÇÃO. Rua Formoza N.° 42. Com licença da Comissão da Censura.
 
[ negritos acrescentados ] 

Índice

​(Continuação)


Nº 2 - Silveira

a) Os Transmontanos.

Nº 3 - A Primeira Revolucionária

a) Aparição;
b) Adoração contínua;
c) Aniversário.

Nº 4 - Morra a Constituição. Morra a Constituição. Morra a Constituição.

Nº 5 - Mais Liberal que a Espanhola

Nº 6 - O Silogismo

Nº 7 - O Segredo dos Pedreiros

Nº 8 - As Ruínas

Nº 9 - Os Macacos

Nº 10 -  A Perseguição das Ordens Religiosas

a) Causas gerais que reduzo somente a uma;
b) Brevíssima enumeração, ou indicação dos serviços pelas Ordens Religiosas à Monarquia Portuguesa: 1º Antes da Monarquia, 2º Fundação da Monarquia até ao reinado do Senhor D. João I,

3º Desde o Senhor D. João I até à perda do Senhor D. Sebastião nos campos de África, 4º Desde a perda de África até ao ano de 1668, 5º De 1668 até ao presente, Conclusão;
c) Utilidades Religiosas, e Políticas que provêm actualmente dos Mosteiros: 1º Letras humanas, 2º Agricultura, 3º Socorro aos pobres, aos mendigos, aos enfermos, e a toda a conta de infelizes,

4º Ciências, Conclusão;
d) Informação do sobredito Corregedor de Lamego Joaquim Manuel de Faria Salazar, sobre a acusação de Maceira Dão;
e) Resultado da Consulta do Desembargo do Paço depois desta Informação;

Nº 11 - As Duas Soberanias

Nº 12 - O Juramento da Constituição futura

Nº 13 - Catecismo de Volney

Nº 14 -  Bens Eclesiásticos: 1º Igreja primitiva; 2º Paz da Igreja; 3º Resumo histórico das tentativas contra os bens temporais da Igreja ( 1º Bens do Clero Secular e Regular neste Reino [Dízimos; Foros, quartos, e rações, etc. etc.; Conclusão do exposto], 2º) Arrenega aos Pedreiros); 4º [3º] Carta do Cristão Velho ácerca das Ordens Religiosas.

Nº 15 - As Saudades da Constituição

Nº 16 - Educação Pública: Livros, Mestres.

Nº 17 - Prelúdio: 1º Padres dos três primeiros séculos, 2º Padres do IV e V século, [etc... difícil e longa esquematização]

Nº 18 - Quem como Deus?; Quem há sido como o nosso Infante?; Paralelo do Sereníssimo Senhor Infante D. Miguel, e do Senhor Infante D. Henrique, filho d'ElRei D. João I; Conclusão deste Paralelo.

Nº 19 - [não tem título]

Nº 20 - Extinção do Tribunal do Santo Ofício.

Nº 21 - O Cão de Fila. 

Nº 22 - Bula Anti-Carbonária: Origem da seita dos Pedreiros Livres; 1º Aparição em 1734; Aparição na França em 1736; Aparição na Itália em 1736; Aparição em Viena de Áustria correndo o ano de 1743. Efeitos das Bulas Pontifícias dos SS. PP. Clemente XII e Bento XIV na Espanha; Efeitos das Bulas Pontifícias neste Reino de Portugal; 

Nº 23 - 1º Digressão sobre os Pedreiros Livres tirada de uma autora constitucional (Mad. Stael De L' Allemagne T. 3ed. de Lond. 1813 pág. 359);  2º Digressão sobre os Pedreiros Livres tirada da História das Seitas Religiosas do século XVIII, por Mr. Gregoire Bispo Constitucional (Tom. 1 pág. 401 e seguintes, Ed. de Paris 1814); 

Nº 24 - Harmonias da razão com as Bulas condenatórias do maçonismo, ou paralelo da antiga seita Bacanal, e dos Pedreiros Livres. 

Nº 25 - Não está morta, está dormindo!!!: Que coisa é um Pedreiro Livre?; Aos pretendidos Senhores da terra; 

Nº 26 - Homilia do Bispo de Imola

Nº 27 - O Juramento das Constitucionais, ou o Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca

Nº 28 - O Juramento da Constituição, ou a Mui Alta e mui Poderosa Rainha a Senhora D. Carlota Joaquina: O dia 4 de Dezembro; A Indicação; Doa 24 de Dezembro; Novas Injúrias; Conclusão; Adição; A Dúvida; 

Nº 29 - Que Tirania!! 

Nº 30 - A Lógica dos Mações Portugueses

Nº 31 - O Axioma dos Pedreiros, ou o Povo Soberano

Nº 32 - História do Maço Férreo Anti-Maçónico

Nº 33- O axioma destruído
Fotografia
O Punhal dos Corcundas, Declaração (final), p. 504. Lisboa, Impressão Régia, 1824.

1824 - O Punhal dos Corcundas  [pdf ]

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