Carlos de Mesquita, 1870-1916
Carlos Fernando de Mesquita Henriques, fixou-se em Viseu em 1897, onde colaborou em Ave-Azul: Revista de Arte e crítica (1899 -1900) e Serões. Revista Mensal Ilustrada (1901-1911), revistas fundadas pelo casal Beatriz de Lemos e Carlos Pinheiro, com a colaboração internacional de Rafael Altamira (1866-1951), Philéas Lebesgue (1869-1958) e Tommaso Cannizzaro (1838-1921). Entre os portugueses, cumpre destacar, entre muitos outros, Afonso Lopes Vieira, Camilo Pessanha, Ana de Castro Osório e Maria Velleda. Carlos de Mesquita foi professor no Liceu de Viseu e, a partir de 1911, de Literaturas Inglesa e Francesa na Universidade de Coimbra.
1916 - António Sardinha - "Carlos de Mesquita" , 10 de Maio de 1916.
Carlos de Mesquita é apresentado por António Sardinha como uma figura marcante e singular, cuja morte lhe deixou um impacto profundo e doloroso. Sardinha relembra o mestre que foi o primeiro a influenciar o seu espírito, destacando a semente reaccionária que depositou nos seus entusiasmos juvenis. Por meio de Mesquita, Sardinha conviveu com ideias críticas sobre a Revolução Francesa e reconheceu o tradicionalismo latente em si.
1918 - António Sardinha, "Testemunho de uma geração":
Nesta ligeiríssima ementa eu não tenho outro fim senão mostrar como a força coletiva de um princípio torna coletiva uma geração, abalada pelas influências mais contraditórias e mais dissolventes. À experiência dolorosa de um Oliveira Martins e de um Antero de Quental sucede-se a nossa, já aquecida pelos ensinamentos terminantes do positivismo contemporâneo. É bom acentuá-lo, e acentuá-lo com vigor, numa hora em que, derradeiro lampejo de uma época que passou, a mitologia política do século findo encontra no Presidente Wilson a sua anacrónica e pitoresca encarnação. E para que não seja tomada como um fogacho passageiro a bela atitude da geração integralista, recordemo-nos que ao seu apelo e na mais animadora unidade de pensamento, outra vem acudindo, irmãos mais velhos na idade, com tanto fogo e com tão esperançada certeza na nossa fé nacionalista. Lembrarei Afonso Lopes Vieira, o mais lusitano de todos os lusitanos, que, no remoçamento da nossa sensibilidade, é um preceptor a seguir-se e um poeta a decorar-se; lembrarei Júlio de Melo e Matos, dos mais denodados e dos mais persistentes defensores da agricultura portuguesa; lembrarei Armando Vieira de Castro que, como Carlos de Mesquita, é um dos espíritos mais cultos e mais brilhantes da nossa terra, tão culto e tão brilhante como, infelizmente, ignorado e retraído. Não me quero esquecer de António Jorge de Almeida Coutinho e Lemos Ferreira, autor desse breviário de crença nacionalista que é o Ideal Português, nem do escritor publicista Alves de Morais, republicano do tempo em que o património mental da juventude se conformava nas ideologias apaixonadas de Michelet, Victor Hugo & C., mas hoje servidor da monarquia tradicional, que o seu espírito encontrou seguindo unicamente o caminho da reflexão e do estudo. Figura dominante no meio universitário de Coimbra, o ilustre teólogo doutor Bernardo de Madureira trouxe ao Integralismo, com o seu nome aureolado de virtude e erudição, o peso de um depoimento que é preciso não olvidar quando o catolicismo romântico procura reeditar contra o movimento integralista a mesma campanha insidiosa que o Sillon desenvolveu contra a Action française.