Gustavo Barroso, 1888-1959
Integralismo Brasileiro, Fascismo e Nazismo
Em O Integralismo e o Mundo (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936), Gustavo Barroso colocou em paralelo os Fascismos e o Integralismo Brasileiro.
Dois anos antes, Léon de Poncins tinha publicado as seguintes palavras acerca das promessas da Reforma e da Revolução Francesa de 1789:
"O mundo moderno prometia felicidade por via da prosperidade, e hoje a palavra 'Miséria' pode ser lida em linhas cansadas nos rostos de estranhos com que nos cruzamos diariamente na rua. Não a aboliram com as vossas máquinas, com a vossa produção, com a vossa racionalização, com a vossa tecnocracia. E a crise económica paralisou as máquinas. E os impérios colapsam. E assim termina o imenso e orgulhoso sonho do homem-Deus e do Paraíso na terra. O mundo moderno que emergiu da Reforma e da Revolução de 1789 está a morrer diante dos nossos olhos. Apesar do seu aparente triunfo, um triunfo generalizado pela Grande Guerra, foi espancado até à morte, quase se poderia citar a data exata, foi no dia 2 de agosto de 1914.» (Léon de Poncins, Tempête sur le monde : ou, La faillite du Progrès, 1934).
Em 1936, Gustavo Barroso confia na vitória do movimento espiritualista com que se identifica - o Integralismo Brasileiro - e retira do livro de Léon de Poncins uma epígrafe esperançosa: "Todo movimento espiritualista é, por essência, universalista. A ordem futura, que sairá do caos atual, impor-se-á decerto a todo o Ocidente e, provavelmente, ao mundo inteiro".
Temos hoje a vantagem de estarmos muito para além da Guerra Civil de Espanha (1936-39), da Segunda Guerra Mundial (1939-45), e mesmo para além da Guerra Fria (1947-91). O Integralismo Brasileiro não triunfou e o mundo continua mergulhado no caos e na guerra.
Ao entrarmos no texto de Barroso, salta-nos de imediato à vista um equívoco: no Integralismo Brasileiro havia um "personalismo universalista" que, na sua essência, respeitava "a liberdade e a dignidade da pessoa humana" (pp. 13-14), mas estaria esse "personalismo universalista" também presente nos Fascismos?
Ao abordar o caso de Portugal, entre as páginas 180 e 184, além desse equívoco, Barroso parece também desconhecer que os integralistas lusitanos estavam na oposição ao regime de partido único, tipicamente fascista, do Estado Novo de Oliveira Salazar.
Apesar do equívoco e do desconhecimento, Gustavo Barroso não deixou de assinalar que existiam "diferenças profundas" entre o Integralismo Brasileiro e o Fascismo e o Nazismo (pp. 17-18):
.
"O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua conceção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
No fundo, o Fascismo, entroncando-se na tradição romana, reveste-se de um carácter cesáreo e pagão. Cultua o super-homem nietzschiano, que é a pianta uomo de Alfieri, prendendo-se à hipertrofia dos grandes tipos do Renascimento. Do mesmo modo, o Nazismo, estatuído sobre a tradição racial nórdica, toma um feitio nitidamente odínico. Rende preito à força bárbara da invasão dos godos antigos. O Integralismo traz em si o idealismo de três raças: o sonho das tribos andejas dos tupis em busca de uma terra feliz, o sonho de libertação dos escravos arrancados aos sertões longínquos, o sonho de gloria e riqueza dos conquistadores e bandeirantes audazes. A bênção do jesuíta uniu todos debaixo da mesma cruz. Dos Guararapes ao Aquidaban, o sangue de todos os uniu no mesmo destino. O seu culto é a cruz que juntou as três raças e os três sonhos.
O Estado Corporativo Brasileiro é uma verdadeira democracia orgânica, pois resulta dos sufrágios dos sindicatos, federações e corporações.
A base do Estado reside na família. Das famílias nasce o município. E os sindicatos se organizam nos municípios. A organização vem de baixo para cima, nasce do próprio povo.
O Estado Corporativo Italiano já não é assim. O impulso parte de cima. É o governo quem tudo organiza até o âmbito familiar, de onde o movimento organizador volta novamente ao Estado, como um reflexo. O mesmo se dá mais ou menos no Estado Corporativo Nazista.
As Corporações na Itália e na Alemanha refletem o Estado; no Brasil, produzem o Estado.
Estudando-se bem as três doutrinas, verificar-se-á que o Integralismo está num ponto em que se não pode aproximar do Fascismo e do Nazismo sem perda de expressão; mas em que ambos podem evoluir até ele."
Era infundada a sua expectativa ou esperança, baseada afinal num outro equívoco. O pensamento político totalitário de Mussolini tinha uma matriz moderna, vendo-se a si mesmo como um aperfeiçoamento da herança da Revolução Francesa de 1789. Eis as palavras que Benito Mussolini subscreveu no verbete "Fascismo" da Enciclopédia Italiana, em 1932: "A doutrina fascista não elegeu seu profeta De Maistre. (...) O fascismo dos escombros das doutrinas liberais, socialistas e democráticas, extrai aqueles elementos que ainda têm valor de vida." Segundo Mussolini, havia elementos com "valor de vida" a retirar dos escombros da Revolução Francesa. A raiz e o horizonte do pensamento político de Mussolini insere-se na modernidade pós-revolucionária, concebendo-se como uma "democracia organizada, centralizada e autoritária". Tal como o Marxismo-Leninismo, o Fascismo vê-se a si mesmo como uma nova etapa da Revolução, um seu desenvolvimento e aperfeiçoamento. O Fascismo não constitui uma Revolução... para além da Revolução. Os fascistas não diziam - como os integralistas lusitanos - que queriam realizar uma Revolução com base na Tradição, que era necessária um Revolução... para além da Revolução.
Dois anos antes, Léon de Poncins tinha publicado as seguintes palavras acerca das promessas da Reforma e da Revolução Francesa de 1789:
"O mundo moderno prometia felicidade por via da prosperidade, e hoje a palavra 'Miséria' pode ser lida em linhas cansadas nos rostos de estranhos com que nos cruzamos diariamente na rua. Não a aboliram com as vossas máquinas, com a vossa produção, com a vossa racionalização, com a vossa tecnocracia. E a crise económica paralisou as máquinas. E os impérios colapsam. E assim termina o imenso e orgulhoso sonho do homem-Deus e do Paraíso na terra. O mundo moderno que emergiu da Reforma e da Revolução de 1789 está a morrer diante dos nossos olhos. Apesar do seu aparente triunfo, um triunfo generalizado pela Grande Guerra, foi espancado até à morte, quase se poderia citar a data exata, foi no dia 2 de agosto de 1914.» (Léon de Poncins, Tempête sur le monde : ou, La faillite du Progrès, 1934).
Em 1936, Gustavo Barroso confia na vitória do movimento espiritualista com que se identifica - o Integralismo Brasileiro - e retira do livro de Léon de Poncins uma epígrafe esperançosa: "Todo movimento espiritualista é, por essência, universalista. A ordem futura, que sairá do caos atual, impor-se-á decerto a todo o Ocidente e, provavelmente, ao mundo inteiro".
Temos hoje a vantagem de estarmos muito para além da Guerra Civil de Espanha (1936-39), da Segunda Guerra Mundial (1939-45), e mesmo para além da Guerra Fria (1947-91). O Integralismo Brasileiro não triunfou e o mundo continua mergulhado no caos e na guerra.
Ao entrarmos no texto de Barroso, salta-nos de imediato à vista um equívoco: no Integralismo Brasileiro havia um "personalismo universalista" que, na sua essência, respeitava "a liberdade e a dignidade da pessoa humana" (pp. 13-14), mas estaria esse "personalismo universalista" também presente nos Fascismos?
Ao abordar o caso de Portugal, entre as páginas 180 e 184, além desse equívoco, Barroso parece também desconhecer que os integralistas lusitanos estavam na oposição ao regime de partido único, tipicamente fascista, do Estado Novo de Oliveira Salazar.
Apesar do equívoco e do desconhecimento, Gustavo Barroso não deixou de assinalar que existiam "diferenças profundas" entre o Integralismo Brasileiro e o Fascismo e o Nazismo (pp. 17-18):
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"O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua conceção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
No fundo, o Fascismo, entroncando-se na tradição romana, reveste-se de um carácter cesáreo e pagão. Cultua o super-homem nietzschiano, que é a pianta uomo de Alfieri, prendendo-se à hipertrofia dos grandes tipos do Renascimento. Do mesmo modo, o Nazismo, estatuído sobre a tradição racial nórdica, toma um feitio nitidamente odínico. Rende preito à força bárbara da invasão dos godos antigos. O Integralismo traz em si o idealismo de três raças: o sonho das tribos andejas dos tupis em busca de uma terra feliz, o sonho de libertação dos escravos arrancados aos sertões longínquos, o sonho de gloria e riqueza dos conquistadores e bandeirantes audazes. A bênção do jesuíta uniu todos debaixo da mesma cruz. Dos Guararapes ao Aquidaban, o sangue de todos os uniu no mesmo destino. O seu culto é a cruz que juntou as três raças e os três sonhos.
O Estado Corporativo Brasileiro é uma verdadeira democracia orgânica, pois resulta dos sufrágios dos sindicatos, federações e corporações.
A base do Estado reside na família. Das famílias nasce o município. E os sindicatos se organizam nos municípios. A organização vem de baixo para cima, nasce do próprio povo.
O Estado Corporativo Italiano já não é assim. O impulso parte de cima. É o governo quem tudo organiza até o âmbito familiar, de onde o movimento organizador volta novamente ao Estado, como um reflexo. O mesmo se dá mais ou menos no Estado Corporativo Nazista.
As Corporações na Itália e na Alemanha refletem o Estado; no Brasil, produzem o Estado.
Estudando-se bem as três doutrinas, verificar-se-á que o Integralismo está num ponto em que se não pode aproximar do Fascismo e do Nazismo sem perda de expressão; mas em que ambos podem evoluir até ele."
Era infundada a sua expectativa ou esperança, baseada afinal num outro equívoco. O pensamento político totalitário de Mussolini tinha uma matriz moderna, vendo-se a si mesmo como um aperfeiçoamento da herança da Revolução Francesa de 1789. Eis as palavras que Benito Mussolini subscreveu no verbete "Fascismo" da Enciclopédia Italiana, em 1932: "A doutrina fascista não elegeu seu profeta De Maistre. (...) O fascismo dos escombros das doutrinas liberais, socialistas e democráticas, extrai aqueles elementos que ainda têm valor de vida." Segundo Mussolini, havia elementos com "valor de vida" a retirar dos escombros da Revolução Francesa. A raiz e o horizonte do pensamento político de Mussolini insere-se na modernidade pós-revolucionária, concebendo-se como uma "democracia organizada, centralizada e autoritária". Tal como o Marxismo-Leninismo, o Fascismo vê-se a si mesmo como uma nova etapa da Revolução, um seu desenvolvimento e aperfeiçoamento. O Fascismo não constitui uma Revolução... para além da Revolução. Os fascistas não diziam - como os integralistas lusitanos - que queriam realizar uma Revolução com base na Tradição, que era necessária um Revolução... para além da Revolução.
Tradição e Saudosismo
"Tradição é uma coisa; saudosismo, outra. A tradição vivifica; o saudosismo mata. A tradição é um olhar que se deita para trás, a fim de buscar inspiração no que os nossos maiores fizeram de grande e imitá-los ou superá-los. O saudosismo é o olhar condenado da mulher de Lot, que transforma em estátua de sal. A tradição é um impulso que vem do fundo das idades mortas dado pelas grandes ações dos que permanecem vivos no nosso culto patriótico. O saudosismo é um perfume de flores fanadas que envenena e enerva. A tradição educa. O saudosismo esteriliza.
Amar as tradições da terra, da raça, dos heróis é buscar nos exemplos do passado a fé construtiva do futuro. Mergulhar dentro delas para carpir a pequenez do presente diante de sua grandeza é confessar a própria impotência e a própria incapacidade.
Da tradição nos vêm gritos de incitamento. Do saudosismo nos vêm lamentos e jeremiadas. Uma nação se constrói com aqueles gritos e se perde com essas lamentações. Por isso, o Integralismo é tão tradicionalista quanto é "antissaudosista".
Gustavo Barroso. Espírito do século XX, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira S/A, 1936, pp. 263-264.
Amar as tradições da terra, da raça, dos heróis é buscar nos exemplos do passado a fé construtiva do futuro. Mergulhar dentro delas para carpir a pequenez do presente diante de sua grandeza é confessar a própria impotência e a própria incapacidade.
Da tradição nos vêm gritos de incitamento. Do saudosismo nos vêm lamentos e jeremiadas. Uma nação se constrói com aqueles gritos e se perde com essas lamentações. Por isso, o Integralismo é tão tradicionalista quanto é "antissaudosista".
Gustavo Barroso. Espírito do século XX, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira S/A, 1936, pp. 263-264.
A Questão Judaica
“O anti-semitismo é muito mais antigo que o cristianismo. Nem foi creação dêste. Porque o judaísmo foi o problema mais dificil e perigoso de todos os tempos, não como problema racial ou religioso; porém como problema político e económico”
Gustavo Barroso, “Brasil, Colonia de Banqueiros. 2ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934.
O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
Gustavo Barroso, O Integralismo e o Mundo. 1ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
Entre nós, o anti-semitismo não pode provir dum sentimento racista, porque o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo; porém, desse sentido exatamente anti-racista. O que traz o mundo nos sobressaltos contínuos atuais, minado pelo revolucionarismo e pelo terrorismo, é justamente o racismo judaico. O judeu não se mistura com outros povos, mantém através dos séculos a pureza de sua raça, e, dentro das outras nações, alicerçado nesse racismo, conserva a sua nacionalidade, feito um Estado dentro do Estado.
Gustavo Barroso, Judaísmo, Maçonaria e Comunismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, p. 10.
Não somos racistas e encontramos apesar de natural simpatia pelo Nazismo, graves defeitos no racismo germânico, os mesmos que brilhantemente aponta Pierre Lucius no seu livro “Les Révolutions Étrangéres”. Um brasileiro profundamente brasileiro e ao mesmo tempo descendente de raças as mais diversas só por um contrasenso seria racista. Aliás, o estudo constante e amoroso de nossa história mostra que a Nação brasileira é o produto de um espirito de continuidade, de um sentimento e de um pensamento comuns, sem cor de pele ou indagação de procedencia.
Então, por que combate sem coerencia o judaismo? Perguntarão os abelhudos. E responde-se, serenamente: Combate-se o “racismo judaico” em nome da ausencia de racismo brasileiro. Não se pode admitir que o povo de Israel entenda de se não misturar com os outros, de ser um quisto irredutível no seio de todos os povos; não se pode admitir que os judeus nascidos no Brasil pertençam a “colónias israelitas” e a toda a espécie de organizações israelitas públicas e secretas.
Gustavo Barroso. Judaísmo, Maçonaria e Comunismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, p. 128.
Gustavo Barroso, “Brasil, Colonia de Banqueiros. 2ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934.
O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
Gustavo Barroso, O Integralismo e o Mundo. 1ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
Entre nós, o anti-semitismo não pode provir dum sentimento racista, porque o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo; porém, desse sentido exatamente anti-racista. O que traz o mundo nos sobressaltos contínuos atuais, minado pelo revolucionarismo e pelo terrorismo, é justamente o racismo judaico. O judeu não se mistura com outros povos, mantém através dos séculos a pureza de sua raça, e, dentro das outras nações, alicerçado nesse racismo, conserva a sua nacionalidade, feito um Estado dentro do Estado.
Gustavo Barroso, Judaísmo, Maçonaria e Comunismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, p. 10.
Não somos racistas e encontramos apesar de natural simpatia pelo Nazismo, graves defeitos no racismo germânico, os mesmos que brilhantemente aponta Pierre Lucius no seu livro “Les Révolutions Étrangéres”. Um brasileiro profundamente brasileiro e ao mesmo tempo descendente de raças as mais diversas só por um contrasenso seria racista. Aliás, o estudo constante e amoroso de nossa história mostra que a Nação brasileira é o produto de um espirito de continuidade, de um sentimento e de um pensamento comuns, sem cor de pele ou indagação de procedencia.
Então, por que combate sem coerencia o judaismo? Perguntarão os abelhudos. E responde-se, serenamente: Combate-se o “racismo judaico” em nome da ausencia de racismo brasileiro. Não se pode admitir que o povo de Israel entenda de se não misturar com os outros, de ser um quisto irredutível no seio de todos os povos; não se pode admitir que os judeus nascidos no Brasil pertençam a “colónias israelitas” e a toda a espécie de organizações israelitas públicas e secretas.
Gustavo Barroso. Judaísmo, Maçonaria e Comunismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, p. 128.
Os Jacaúnas, A Offensiva, RJ, nº 47, 6 de Abril de 1935.