Fernando Klautau Campos, 1891-1958
Fernando Klautau Campos (Lisboa, 1891 - Lisboa, Setembro de 1958). Dissidente do Integralismo Lusitano (com arrependimento no final da sua vida).
Jornalista e historiador. Filho de Augusto César de Campos e Adelaide Klautau. Inventariou e publicou uma importante colecção de pensadores contra-revolucionários, bem como um estudo e antologia dos escritos de reacção contra a tragicomédia constitucional, de autores como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Luz Soriano e Aragão Morato, e outros autores ainda, que não se alistavam nas hostes da Reacção, como Oliveira Martins, Silva Cordeiro, Fialho de Almeida, Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Eça de Queirós. Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Publicou em A Monarquia, Nação Portuguesa, A Voz, Acção Realista.
Jovem comerciante de Lisboa, autodidacta, frequentava já na Primavera de 1914, com Luís Pastor de Macedo, a tertúlia de António Sardinha no Café Martinho, ao Rossio — «dois jovens comerciantes de Lisboa, ambos auto-didactas, ambos estudiosos e escritores», que se distinguiam «pelo seu vivo interesse e pela sua devoção incondicional à nova doutrina», na recordação de Alberto de Monsaraz. Em 1918, António Sardinha contava-o, em «Testemunho de uma geração», entre os novos que «comungam connosco na mesma fé»: «Fernando Campos, comerciante dotado de uma excepcional cultura».
Foi um admirador de António Sardinha e dos mestres do Integralismo Lusitano, mas veio a entrar em dissidência com a sua Junta Central, em 1919, quando esta se afastou da obediência a D. Manuel II. Acompanhou Alfredo Pimenta na Acção Tradicionalista Portuguesa (1921) e integrou a Acção Realista Portuguesa (1923) onde, apesar da dissidência, estabeleceu pontes de ligação entre os dois agrupamentos. Não acompanhou os mestres integralistas Alberto de Monsaraze Rolão Preto na luta do Nacional-Sindicalismo contra o estabelecimento da Salazarquia, seguindo Alfredo Pimenta e Manuel Múrias na adesão ao Estado Novo. Em 1935, dedicou a Manuel Múrias o livro No saguão do Liberalismo. Integrava então os serviços de imprensa do Secretariado da Propaganda Nacional, recebendo nesse ano o prémio António Enes daquele Secretariado.
Na década de 1940, reaproximou-se dos mestres do Integralismo Lusitano. Em 1953, no enterro de Hipólito Raposo, diante do caixão coberto com «a bandeira branca do Integralismo Lusitano, esquartelada por uma grande Cruz de Cristo, sobre o centro da qual avultava o Pelicano simbólico», pediu a Alberto de Monsaraz que, se lhe sobrevivesse, lhe facultasse também «o estandarte impoluto do Movimento da nossa Juventude» para lhe cobrir a urna mortuária. Repetiu o pedido em cada encontro — «Era uma autêntica obsessão», escreveu Monsaraz — e, à hora da morte, fê-lo lembrar pelo telefone: «Lembre-lhe a bandeira, pede-lhe a bandeira». Foi sepultado sob a bandeira do pelicano, «recoberta em parte pelo pavilhão, azul ferrete de Olivença».
Foi Correspondente no Instituto de Coimbra e sócio da Academia Portuguesa da História e da Associação dos Arqueólogos Portugueses, secretariou a secção de História desta instituição.
Bibliografia
- 1924 - Os Nossos Mestres ou Breviário da Contra-revolução: juízos e depoimentos sobre a Revolução Francesa, a Democracia, a Liberdade, o Parlamento, a República, a Religião, o Nacionalismo, a Tradição, a Monarquia, o Rei, a Família e a Organização Económica, Portugália.
- 1925 - Camilo contra-revolucionário, Lisboa, Portugália.
- 1928 - D. Fr. Fortunato de S. Boaventura - Mestre da Contra-Revolução.
- 1930 - A genealogia do pensamento nacionalista, Gil Vicente, 6, 1-2, 1930, pp. 35-38; 5-6, 1930, pp. 78-87; e 7-8, 1930, pp. 107-118.
- 1931 - No centenário de José Agostinho de Macedo, Gil Vicente, 7, 3-4, 1931, pp. 108-114.
- 1931 - O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal (Século XIX) - Volume I, Lisboa, Edição de José Fernandes Júnior.
- 1932 - O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal (Século XIX) - Volume II, Lisboa, Edição de José Fernandes Júnior.
- 1934 - “Um livro de João Ameal «No Limiar da Idade – Nova»”, Nação Portuguesa, Vol. IX.
- 1935 - No saguão do Liberalismo. O desengano de Garrett. A desilusão de Herculano. A descrença de Soriano. O pessimismo de Oliveira Martins. A penitência de Ramalho. A ironia de Eça de Queiroz. O testemunho de Antero. A contrição de Fialho; Concerto de acusações. Ed. de José Fernandes Júnior.
- 1941 - Páginas Corporativas, Lisboa.
- 1943 - “O Visconde de Santarém. Mestre do Nacionalismo Português”, in Trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses, vol. VII, 1943, pp. 87-126.
- 1944 - No saguão do Liberalismo, 2ª ed., Lisboa, Edições GAMA.
- 1946 - José Acúrcio das Neves, O Historiador, o Economista, o Panfletário. Antologia, selecção e notas por Fernando Campos, V. N. de Famalicão.
Sobre Fernando Campos
- 1918 - António Sardinha, «Testemunho de uma geração», prefácio a Caetano Beirão.
- 1958 - Alberto de Monsaraz, «Integralismo — 1914. A propósito da morte de Fernando Campos», O Debate, Lisboa, 6 de Dezembro de 1958, pp. 1 e 11.
Refs:
"Integralismo - 1914 / A propósito da morte de Fernando Campos", O Debate, Lisboa, 6 de Dezembro de 1958.