1917-1925 – A Monarquia – Diário Integralista da Tarde
Título - A Monarquia: diário integralista da tarde
Local e propriedade - Lisboa: Sociedade Integralista Editora; em 1920, Empresa do Jornal «A Monarquia»
Numeração - A. 1, n.º 1 (12 de Fevereiro de 1917) – a. 7, n.º 1198 (10 de Fevereiro de 1925)
Periodicidade e formato - Diário da tarde; 4 páginas a 6 colunas; 57 cm
Director - Conde de Monsaraz (Alberto de Monsaraz); Hipólito Raposo a partir de Agosto de 1919; António Sardinha (15 de Maio de 1922 – 26 de Outubro de 1923); Hipólito Raposo no n.º 1198
Redacção - João do Amaral, redactor-chefe (até 9 de Agosto de 1917); António Sardinha, redactor principal (10 de Agosto de 1917 – 1 de Setembro de 1921); Augusto da Costa (a partir de Agosto de 1919); G. de Ayala Monteiro, subdirector (27 de Janeiro – 15 de Maio de 1922)
Sede - Rua de S. Paulo, 20; Rua Serpa Pinto, 39 (desde 1 de Agosto de 1919); Largo do Directório, 8-3.º (n.ºs 1196-1198)
Exemplares - Biblioteca Nacional de Portugal, J. 4131 G.
Fundação e carácter
O jornal A Monarquia – diário integralista da tarde saiu pela primeira vez em 12 de Fevereiro de 1917, com Alberto Monsaraz como director e João do Amaral como redactor-chefe. A partir de 10 de Agosto de 1917, António Sardinha passou a redactor principal. Sucedia à revista Nação Portuguesa, cuja acção pretendia levar a um público mais vasto. [1]
Deveria ser diário, mas em oito anos publicaram-se apenas 1198 números: foram muitas as suspensões, as interdições e as apreensões. A série termina com um número extraordinário, publicado em 10 de Fevereiro de 1925, após a morte de António Sardinha. [2]
O jornal era sobretudo um órgão de doutrina. Leão Ramos Ascensão, que lembra a acusação de ser um «jornal de artigos de fundo», observa que foi o diário, mais do que a revista, que difundiu a doutrina integralista, e que nele se publicaram pela primeira vez alguns dos ensaios de António Sardinha mais tarde reunidos em volume, bem como muitos capítulos de Sob o Pendão Real, de Luís de Almeida Braga. [3]
Suspensões de 1918-1919 e a direcção de Hipólito Raposo
Uma primeira interrupção ocorreu entre o n.º 502, de 25 de Outubro de 1918, e o n.º 503, de 21 de Dezembro de 1918. Durante a agitação político-militar da Monarquia do Norte e de Monsanto (Lisboa), o jornal ficou suspenso de 19 de Janeiro a 17 de Agosto de 1919: o último número antes da suspensão é o n.º 524, de 18 de Janeiro. [4]
Em 1919, as prisões ficaram repletas de monárquicos. Havia feridos nos hospitais, saíram muitos monárquicos para o exílio — António Sardinha, Luís de Almeida Braga, Alberto de Monsaraz —, houve demissões e perseguições. Hipólito Raposo, inicialmente poupado, assumiu a direcção do jornal, com Augusto da Costa na redacção principal, embora os nomes de Monsaraz e de Sardinha se mantivessem no cabeçalho. A Monarquia reapareceu em 18 de Agosto de 1919, submetida à revista prévia da polícia, tal como A Vanguarda (socialista) e A Batalha (anarco-sindicalista). [5]
1920: greve, perseguição e processo
De 9 a 26 de Abril de 1920 não se publicaram diários em Lisboa, devido à greve geral dos tipógrafos. A Monarquia saiu com outros periódicos na Imprensa da Noite e foi hóspede de A Época durante alguns dias, só voltando a publicar-se autonomamente em 12 de Julho de 1920.
Era a época em que se apreendiam os jornais monárquicos à saída das tipografias e, quando conseguiam sair à rua, eram frequentemente retirados das mãos dos ardinas para se fazerem fogueiras na via pública. Para silenciar A Monarquia, começou por se lançar um processo-crime contra o seu director, Hipólito Raposo. O julgamento, por delito de imprensa, começou em 20 de Julho de 1920 no Tribunal Militar de Santa Clara, sendo Afonso Lopes Vieira o advogado de defesa. Condenado em conselho de guerra, Hipólito Raposo cumpria a pena na fortaleza de São Julião da Barra em Setembro de 1920. [6]
O encerramento de Janeiro de 1921 e o regresso
O encerramento de A Monarquia foi preparado nas páginas de A Capital – diário republicano da noite, com peças de relevo publicadas a 3 e 4 de Janeiro de 1921 e, por fim, na edição da noite de 7 de Janeiro [1921-01-07 – Encerramento do diário «A Monarquia»]. No local foram presos Vasco de Sousa Falcão Pacheco, estudante do 5.º ano de Direito; João Camilo Félix Correia, jornalista de A Monarquia; Augusto da Costa, redactor; Carlos Baptista Cardoso de Moura, Firmino Capela e Licínio Miranda, empregados de escritório; e António Maria da Luz, cobrador, antigo clarim de cavalaria, que já respondera como conspirador no Tribunal Militar.
O jornal voltou, no entanto, a publicar-se; a data do reaparecimento está por apurar. Em 7 de Janeiro de 1922 saía o n.º 1096 e, até ao n.º 1194, de 5 de Maio de 1922, a publicação foi diária. [7]
O Pacto de Paris e os últimos números (1922-1925)
Assinado o Pacto de Paris (17 de Abril de 1922), a Junta Central do Integralismo Lusitano recusou obedecer-lhe e, «para que não se dissesse que os integralistas embaraçavam a restauração da Monarquia», suspendeu a sua actividade política, «bem como a publicação do jornal a Monarquia». [3] O n.º 1194, de 5 de Maio de 1922, publicou a nota oficiosa da Junta Central e a carta em que Alberto de Monsaraz se demitia de director. António Sardinha assumiu a direcção em 15 de Maio de 1922. Seguiram-se apenas números esparsos:
N.º / Data / Conteúdo
1096 / 7 de Janeiro de 1922 / Inclui «Para além do Integralismo», de José Pequito Rebelo.
1194 / 5 de Maio de 1922 / Nota oficiosa da Junta Central sobre o Pacto de Paris; carta de demissão de Alberto de Monsaraz.
1195 / 15 de Maio de 1922 / Reunião dos organismos integralistas de 14 de Maio. [8]
1196 / 10 de Dezembro de 1922
1197 / 5 de Abril de 1923 / Número «para registo do título», em pequeno formato e com mais páginas; publica a fórmula de adesão ao Integralismo, de José Pequito Rebelo. [9]
1198 / 10 de Fevereiro de 1925 / Número extraordinário, na morte de António Sardinha; director Hipólito Raposo.
Os números de 1923 e de 1925 já não correspondem a um diário em publicação regular: o de 5 de Abril de 1923 saiu, segundo Leão Ramos Ascensão, «para registo do título», e o de 10 de Fevereiro de 1925 foi uma homenagem a António Sardinha. A Junta Central só regressou à actividade política em Março de 1926, depois de denunciado o Pacto de Paris (Novembro de 1925), e o jornal não voltou a publicar-se.
Exemplares e transcrições
Transcrições realizadas a partir dos exemplares da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa (J. 4131 G.):
- 1918-01-04_j-4131-g.pdf … Germanófilos, de G. de Ayala Monteiro
- 1918-01-05_j-4131-g.pdf … Preghiera pela Itália em perigo, de Afonso Lopes Vieira
- 1918-01-08_j-4131-g.pdf … Nas vascas da morte; A insurreição da Armada
- 1918-01-09_j-4131-g.pdf … O Sr. Sidónio Pais, de António Sardinha
- 1918-01-10_j-4131-g.pdf … [D. Carlota Joaquina — continuação do artigo de António Sardinha]
- 1918-01-21_j-4131-g.pdf … Balanço agrícola, de Júlio de Melo Matos
- 1918-01-22_j-4131-g.pdf … Trabalhemos!, de Ruy Ennes Ulrich
- 1918-01-23_j-4131-g.pdf … As relações com Roma, de Luís de Almeida Braga
- 1918-01-26_j-4131-g.pdf … «Verdade Integralista», de M. Vieira da Silva
- 1918-01-28_j-4131-g.pdf … O Sr. Sidónio Pais no Norte, de Júlio de Melo Matos
- 1918-01-29_j-4131-g.pdf … Um Vereador [António Lino Neto], de António Sardinha
- 1918-01-30_j-4131-g.pdf … O direito de revolta, de António Sardinha
- 1918-02-01_j-4131-g.pdf … El-Rei D. Carlos, de António Sardinha
- 1918-02-03_j-4131-g.pdf … A transformação do Estado, de António Sardinha
- 1918-02-05_j-4131-g.pdf … O caminho do Céu, de João do Amaral
- 1918-02-08_j-4131-g.pdf
- 1918-02-14_j-4131-g.pdf
- 1918-02-16_j-4131-g.pdf
- 1918-02-27_j-4131-g.pdf
- 1918-02-28_j-4131-g.pdf
- 1918-03-02_j-4131-g.pdf
- 1918-03-04_j-4131-g.pdf
- 1918-03-05_j-4131-g.pdf
- 1918-03-09_j-4131-g.pdf
- 1918-03-11_j-4131-g.pdf
- 1918-03-12_j-4131-g.pdf
- 1918-03-13_j-4131-g.pdf
- 1918-03-15_j-4131-g.pdf
- 1918-04-02_j-4131-g.pdf
- 1918-04-10_j-4131-g.pdf
- 1918-04-11_j-4131-g.pdf
- 1918-04-12_j-4131-g.pdf
- 1918-04-15_j-4131-g.pdf … Aníbal de Azevedo
- 1918-04-18_j-4131-g.pdf … Os Integralistas nos campos de batalha
- 1918-04-19_j-4131-g.pdf … Os Integralistas nos campos de batalha
- 1918-04-22_j-4131-g.pdf … Os Integralistas nos campos de batalha
- 1918-04-27_j-4131-g.pdf … Monárquicos, votai
- 1918-04-29_j-4131-g.pdf … A execução dos demagogos
- 1918-05-07_j-4131-g.pdf
- 1918-05-11_j-4131-g.pdf … Realidades políticas, de Alberto Monsaraz
- 1918-05-14_j-4131-g.pdf … Reformas de Instrução, de Hipólito Raposo
- 1918-05-16_j-4131-g.pdf … Secretários de Estado, de Hipólito Raposo
- 1918-05-20_j-4131-g.pdf … Alexandre Cabeças
- 1918-06-05_j-4131-g.pdf … Sindicalismo e democracia
- 1918-06-12_j-4131-g.pdf … O nosso germanofilismo
- 1918-06-14_j-4131-g.pdf … Monarquia e sindicalismo
- 1918-06-27_j-4131-g_0000.pdf … Associações de classe
- 1918-07-04_j-4131-g.pdf … O discurso de Elvas, de António Sardinha
- 1918-07-06_j-4131-g.pdf … Subsistências
- 1918-07-09_j-4131-g.pdf … Alexandre Cabeças, com poema de António Sardinha
- 1918-07-12_j-4131-g.pdf … Um decreto
- 1918-07-16_j-4131-g.pdf … Revista de imprensa
- 1918-07-19_j-4131-g.pdf … O Feminismo na Justiça, de Hipólito Raposo
- 1918-07-26_j-4131-g.pdf … A acção da[s] classes [?], de Eduardo Pinto da Cunha
- 1918-07-27_j-4131-g.pdf … Direitos em ouro, de Fernando Campos
- 1918-07-29_j-4131-g.pdf … Revista de imprensa
- 1918-07-30_j-4131-g.pdf … D. João VI no parlamento
- 1918-07-31_j-4131-g.pdf … António Sardinha no Parlamento
- 1918-08-01_j-4131-g.pdf … «Então, porque fugiu?», de António Sardinha
- 1918-08-08_j-4131-g.pdf … Mercantilismo e Exibicionismo
- 1918-08-10_j-4131-g.pdf … Pátria e Monarquia, de António Sardinha
- 1918-08-12_j-4131-g.pdf … Economismo democrático, de José Pequito Rebelo
- 1918-08-19_j-4131-g.pdf … Louvor da violência
- 1918-08-28_j-4131-g.pdf … Quatro anos depois, de António Sardinha
- 1918-09-04_j-4131-g.pdf … Política de profissão
- 1918-09-13_j-4131-g.pdf … Um exemplo!
- 1918-09-17_j-4131-g.pdf … Colonização do Sul
- 1918-09-19_j-4131-g.pdf … No regime do arbítrio! A censura arvorada em encobridora de escândalos e de loucuras!; Antero, filósofo
- 1918-09-20_j-4131-g.pdf … Antero, político, de António Sardinha
- 1918-09-30_j-4131-g.pdf … A volta do rei, de Augusto da Costa
- 1918-10-03_j-4131-g.pdf … Os operários e a ordem
- 1918-10-05_j-4131-g.pdf … Oito anos depois, de Augusto da Costa
- 1918-10-07_j-4131-g.pdf … A paz?, de Armando da Silva
- 1918-10-09_j-4131-g.pdf … Os vícios da República Nova, de José Adriano Pequito Rebelo
- 1918-10-10_j-4131-g.pdf … Os vícios da República Nova — II, de José Adriano Pequito Rebelo
- 1918-10-19_j-4131-g.pdf … Peço a palavra!, de António Sardinha
- 1918-10-21_j-4131-g.pdf … Lucros de guerra, de José A. P. Rebelo [José Pequito Rebelo]
Notas
[1] Numeração, local, propriedade e formato segundo o registo da PORBASE. Direcção, redacção, sede e formato (4 páginas a 6 colunas) segundo Mário Matos e Lemos, Jornais Diários Portugueses do Séc. XX, Coimbra, Ariadne, 2006, pp. 432-435. Em Folhas do Meu Cadastro (vol. I), Hipólito Raposo dá Sardinha como redactor principal desde o primeiro número; no n.º 1 figura, porém, João do Amaral como redactor-chefe (Carlos Ferrão, O Integralismo e a República, vol. II, 1964).
[2] PORBASE: «A. 1, no 1 (12 fev. 1917) – a. 7, no 1198 (10 fev. 1925)». Não se encontrou fonte para a data de 15 de Maio de 1925, que por vezes se indica como a do último número; resulta provavelmente da confusão com o n.º 1195, de 15 de Maio de 1922.
[3] Leão Ramos Ascensão, O Integralismo Lusitano, Lisboa, Edições Gama, 1943, pp. 28-29 e 47. A nota oficiosa da Junta Central de 4 de Maio de 1922 (ibidem, Apêndice V) fala apenas da suspensão da «actividade de organização política».
[4] PORBASE (suspensão); Matos e Lemos, op. cit., pp. 432-435 (n.ºs 502, 503 e 524).
[5] Matos e Lemos, op. cit.; Leão Ramos Ascensão, op. cit., p. 36; José Manuel Quintas, «Os combates pela bandeira azul e branca, 1910-1919», História, 1999.
[6] Hipólito Raposo, Folhas do Meu Cadastro, vol. II (1926-1952), Lisboa, Comissão do Centenário de Hipólito Raposo, 1986, p. 25, nota.
[7] O n.º 1096 é citado por Leão Ramos Ascensão (op. cit., Apêndice III, p. 109). Entre os n.ºs 1096 e 1194 saíram 98 números em quatro meses. G. de Ayala Monteiro foi subdirector entre 27 de Janeiro e 15 de Maio de 1922 (Matos e Lemos).
[8] Segundo Matos e Lemos, o que saiu a 15 de Maio de 1922 foi um suplemento de duas páginas ao n.º 1194, já dirigido por António Sardinha; o n.º 1195 seria de Dezembro de 1922.
[9] Leão Ramos Ascensão, op. cit., p. 54, n. 17, e Apêndice VIII, p. 118. Matos e Lemos numera de outro modo os números posteriores a Maio de 1922: n.º 1196, de 5 de Abril de 1923 (6 pp.); n.º 1197, de 26 de Outubro de 1923 (8 pp.); n.º 1198, «de 5 de Abril», sem ano. A sequência dos n.ºs 1195 a 1197 deve ser confirmada nos exemplares da Biblioteca Nacional.
Fontes e bibliografia
- A Monarquia: diário integralista da tarde, Lisboa, 1917-1925. Biblioteca Nacional de Portugal, J. 4131 G.
- PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos, registo de A Monarquia: diário integralista da tarde.
- A Capital – diário republicano da noite, Lisboa, 3, 4 e 7 de Janeiro de 1921.
- ASCENSÃO, Leão Ramos — O Integralismo Lusitano. Lisboa: Edições Gama, 1943.
- FERRÃO, Carlos — O Integralismo e a República: autópsia de um mito. Lisboa: Inquérito, 1964, vol. II.
- LEMOS, Mário Matos e — Jornais Diários Portugueses do Séc. XX: um dicionário. Coimbra: Ariadne, 2006, pp. 432-435.
- QUINTAS, José Manuel — «Os combates pela bandeira azul e branca, 1910-1919». História, 1999.
- RAPOSO, Hipólito — Folhas do Meu Cadastro. Vol. I (1911-1925), 1945; vol. II (1926-1952), Lisboa, Comissão do Centenário de Hipólito Raposo, 1986.
- O Integralismo Lusitano e D. Manuel II [ver A Questão Dinástica]
- O Integralismo Lusitano e o Senhor Dom Manuel II – Para salvar os princípios monárquicos, liquida-se um Rei, que apenas tem servido a República em nove anos de exílio – O Relatório da Missão a Londres – «O fraco Rei faz fraca a forte gente» – CAMÕES - 1919-09-28 – Luís de Almeida Braga e José Pequito Rebelo – O Relatório da Missão mandada a Londres, junto de Sua Majestade El-Rei, o Senhor Dom Manuel II, pela Junta Central do Integralismo Lusitano, em Setembro de 1919 (in A Monarquia, Lisboa, n.º 616, 6 de Dezembro de 1919, [Conclusão])
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