ESTUDOS PORTUGUESES
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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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Poemas castellanos

António Sardinha

​Análise da obra "Poemas Castellanos" do Marquês de Lozoya, destacando a sua profunda ligação com a história, espiritualidade e paisagem de Castela, bem como a sua afinidade com a saudade portuguesa. António Sardinha salienta a autenticidade poética de Lozoya, que se distingue no cenário literário espanhol ao unir sentimento nacional e tradição religiosa, evocando com emoção os valores e figuras do passado castelhano e aproximando, sensivelmente, as culturas portuguesa e espanhola.
Fotografia




​POEMAS CASTELLANOS
 ​Ora aqui temos nós um livro, a cuja leitura não pode ficar indiferente a nossa sensibilidade nacionalista!

Desde que Ganivet morreu, e com ele o espírito cívico que no Idearium Español tão largas perspectivas nos deixava entrever, eu não sei se a leitura em Espanha – com os vários Azoríns, Unamunos & Cia. – constitui, realmente, assunto em que valha a pena demorar um pouco a nossa atenção, sedenta de coisas mais humanas e mais elevadas.

Não passa, em verdade, de uma cópia subserviente do que há de pior nos figurinos estrangeiros. Agora é que Oscar Wilde se traduz! E só por uma avariose bem grave da inteligência e do sentimento se explicam os sucessos editoriais de um Hoyos y Vinent, se os quisermos separar do terreno da genuína pornografia.

​Pobre diabo da feira das letras, sem inspiração alguma de talento, Hoyos y Vinent não é mais que um coleccionador de pontas de cigarros, apanhadas gulosamente entre os objectos de um Jean Lorrain ou de um Claude Farrére. E o seu caso nos basta para marcar o grau de consciência artística em que se estagna o mundo literário espanhol.

Neste fundamentado desinteresse que, naturalmente, me suscita a literatura em Espanha, o pequeno volume do Marquês de Lozoya, Poemas Castellanos, assinala uma inesperada excepção, digna, por isso, de todo o registo e de todo o aplauso. Trata-se de alguém que na emoção da história encontra o segredo da sua própria emoção. Evocador admirável da poeira morta da sua não menos admirável Segóvia, impressiona-nos fortemente a nobre intenção castelhanista do livro de D. Juan de Contreras, que nos acentua e define um poeta destinado a abrir roteiros seguros no meio da incrível anarquia intelectual do seu país.

Conheço e aprecio o marquês de Lozoya, para quem a fisionomia moral e mental da nossa pátria é sempre um exercício de constante e enternecida devoção. Peregrino apaixonado das duas Castelas, por um dia de Julho ardente, em que o sol era como ouro derretido, eu devo a Lozoya, erudito meticuloso e sugestionador, o enlevo incomparável da minha visita a Segóvia.

Canta-me ainda nos olhos a visão torreada da velha cidade de Henrique IV de Trastâmara, onde se guarda o mais precioso e mais inconfundível românico de toda a Espanha. Pelo braço atento de Lozoya, lhe passeei as ruas solitárias, adormecidas entre os jardins solarengos e os muros centenários dos conventos. Na catedral, assombrosa maravilha alada, comovi-me diante da cruz de Avis, insculpida no coro sobre a cadeira da rainha D. Joana, mãe daquela triste Beltraneja, a quem outros chamavam "Excelente Senhora", talvez por discretaironia... E logo as Quinas e os Castelos de Portugal iluminaram a minha saudade de exilado, avultando, impetuosos e inolvidáveis, o pontifical preciosíssimo do bispo D. Vasco Manuel.

Mas a recordação mais profunda agradeço-a ao Cristo dito 'de Lozoya', por haver pertencido à casa do meu ilustre amigo. Assombrosa escultura em madeira, data do século XVI – e é obra de um português, o imaginário Manuel Pereira, inteiramente ignorado na sua e nossa terra.

Para que em tudo tivesse na dourada Lozoya a sensação do perfume ausente de Portugal, só me faltou reler, à sombra do parreiral vergiliano da horta de Segóvia, certo conto de Eça de Queirós – esse impressionante «Defunto», passado ali mesmo que é uma das mais vincadas páginas do glorioso escritor. Mas Lozoya proporcionou-me, dentro do tempo que voava, um prazer infinitamente maior, levando-me, do outro lado do rio em frente do Alcáçar, ao humilde mosteiro das Carmelitas, em que viveu e morreu São João da Cruz. Por momentos, contemplando, junto ao cipreste que o próprio santo plantou, a paisagem suspensa do entardecer – paisagem para Profetas e Soldados –, eu senti curvar-se-me a alma à rajada íntima da noche oscura. E Segóvia me apareceu, como numa tábua primitiva se nos apresentaria Jerusalém – cidade a um tempo de redenção e de tristeza! Pois é assim que Segóvia se recorta e estiliza nos versos do marquês de Lozoya, tão impregnados do aroma único daquilo que não volta mais. Há saudade, há uma lusitaníssima saudade nas rimas de Juan de Contreras. E, porque não dizê-lo? – com alegria descubro nelas um secreto parentesco, que mas faz amar, como se houvessem saído da minha pena, em honra à terra em que nasci. Compreende-se, de resto, porque nada existe de mais parecido com o
descampado alentejano do que o descampado soleníssimo de Castela, do que os horizontes sem fim dos grandes páramos da Meseta.

Quando as rimas de Lozoya me embalam na sua cadência severa, eu quase me surpreendo a rezá-las baixinho, como se estivesse invocando Estremoz, a das pedras claras, ou Elvas, chave do Reino, ou Arraiolos, vila dos nobres teares. Respira-se a melancolia da minha estepe natal no livro de Lozoya. E são os castelos cadaverizados, espreitando do alto dos cômoros, é a epopeia esquecida da Reconquista – é, no luar coalhado e vítreo, a fixidez alucinante das longas estradas intermináveis, por onde o vento galopa. Povoam-se de fantasmas essas solidões majestosas. E com o arremesso emplumado de Mío Cid Ruy Díaz de Vivar desliza a teoria lenta dos guerreiros e dos sacerdotes. Castela anima-se, desperta da cinza confusa dos túmulos. Milagre estranho da Raça numa segunda anunciação... Mas oiçamos o Poeta:

Caminos de Segovia, de Olmedo y Tordesillas!
Sendas de Peñafiel, de Roa y de Ontiveros!
Bajo la faz del polvo, yo busco busco de rodillas
La huella de los santos y de los caballeros,

[36] Caminos de Castilla, cintas de blanca plata
Que os perdéis a los lejos en los campos desiertos
En las noches de luna rotica la cabalgata
De los Reyes caídos de los ginetes muertos.
…………………………………………….
Han pasado los siglos; por el camino un día,
Van los mozos, enchidos los pechos de ilusión,
Los lleva su miseria, su orgullo, y su hidalguía
Al puerto de Sanlúcar do espera un galeón.
En las claras estrellas quieren leer su suerte
Y las estrellas dicen, temblando en el azur,
Que domarán imperios y que hallarán la muerte
En ignoradas costas, bajo la Cruz del Sur.
La lluvia de noviembre golpea los caminos;
Ahúllan los lebreles del viento en la llanura;
La Reina Doña Juana, de los tristes destinos,
Pasea por Castilla la Muerte y la Locura.
En la noche sombría brillan los cuatro hacheros
Que alumbran vagamente, con su luz funeral,
El ataúd, cubierto de niegros reposteros
Donde explaya sus alas el águila imperial.
El chapeo sin plumas y el bolsillo sin blanca,
Arrastando las capas, como manto de Reyes,
Caminan los sofistas que van a Salamanca.
Buscando amores nuevos, mejor que viejas leyes.
Tal vez riñen dos de ellos al salir de la venta
Y juegan ágilmente de espada y de broquel
En sus brazos abiertos, una cruz no lo cuenta:
«Mataron aquí un hombre, rogad a Dios por él.»
………………………………………………….



II

Leva Lozoya consigo, não só o sentimento das ruínas venerandas, como o próprio sentido místico da poesia de São João da Cruz. O seu primeiro livro, Sonetos Espirituales, já o tinha revelado como uma alma aberta às supremas inquietações do Divino. É desse livro o soneto que segue, tão rico de uma recatada e serena harmonia:

A la memoria de don Juan de la Pezuela, Conde de Cheste
Yo conocí un anciano, tan anciano,
Que en los profundos surcos de su frente,
Vislumbrábase un siglo en la ingente
Barba, y en el cabello undoso y cano
Yo he besado una flaca y larga mano
Siempre leal, que peleó valiente,
Y que volvió, muy suave y doctamente
Rimas del Dante en verso castellano.
Alguna tarde que en el huerto umbroso
Paseaba tranquilo y despacioso,
Le dio mi brazo reverente auxilio;
Era yo un niño y por la vez primera
Llegóme al alma, de su boca austera,
La plácida cadencia de Virgilio.


Não me contento, que não transponha para aqui mais outros cipos dos Sonetos Espirituales, para que se apreenda bem a firmeza com que Lozoya vai traçando as suas jornadas de Poeta e de Contemplativo. Recorda-nos um deles, não deslindo porque recatadas afinidades, alguma coisa como um retrato filipino do Greco, uma daquelas empenumbradas fisionomias do Enterro do Conde de Orgaz, onde o Castelo de Alma de Santa Teresa alonga a sua alta morada misteriosa e a Divindade se torna familiar, quase tangível. No segundo, mais pessoal, mais água de fonte
doméstica, Lozoya entrega-nos a chave do seu drama interior, do drama que a todos nós nos tortura, quando nas encruzilhadas da vida o Demónio Meridiano do Salmista nos envolve no seu hálito tentador e persuasivo. Ei-los:

Canto una noble, generosa mano,
Por la que el oro, pródigo, corría;
Consuelo de indigentes, bella y pía,
Mano de gran Señor y de cristiano.
Un anillo ostentaba, gaje vano
De un muerto amor, que floreció en su día,
Y las calladas guardas oprimía
De una espada de acero toledano.
Su dueño fue español y caballero;
Al servicio del Rey, dio placentero
Su sangre, su quietud y su tesoro:
Y derrotado en cortesana intriga,
Sin tener ya que dar, dió a una mendiga
La limpia espada y el anillo de oro.


*

Soñé que con Virgilio recorría
Los ignotos abismos, como Dante,
Y que, al pie de un camino serpeante,
Hallaba una inscripción, que asi decía:
Atrevido mortal, aquesta vía
Lleva a la patria del dolor constante,
Y ella también conduce a la triunfante
Morada de la mistica alegría.
Maestro, pregunté, que senda es ésta
Que el Orco lleva y al Eden? Dudosa,
La mente queda ante el profundo arcano.
[39]Y, con voz apagada y despaciosa,
Moduló el claro vate por respuesta:
Es el camino del amor, hermano.




*

Sonetos espirituales se intitula também um ramilhete. Igual saído debaixo do nome do poeta Juan Ramón Jiménez e Juan Ramón Jiménez desfruta de largos favores na opinião espanhola. Sem que seja, porém, indigno de os merecer, atenta a mediocridade do ambiente, nem de longe nos seus Sonetos espirituales possui a transparência emotiva de forma do marquês de Lozoya. Lozoya, no claustro do silêncio que é Segóvia, vive constantemente os grandes líricos religiosos, seus compatriotas, do Século de Ouro. Deles recebeu Lozoya o claro senso das realidades delicadas da psicologia humana, mirando decerto, nas noites profundas do estio, sobre a extensão imensa da Meseta, a escada de Jacob, suspensa das Alturas. Os Sonetos espirituales no-lo dizem, com a discreção de uma nascente oculta entre a folhagem, à sombra apaziguadora de qualquer retiro franciscano. Escutemos ainda mais um arranco da comovida fé de Lozoya – fé de cavaleiro
castelhano, como aquele que deu à mendiga o anel e a espada, herdeiro de tantas e tantas gerações de cavaleiros:

Amor que en el silencio sufre y vela,
Es de muy alto precio y hermosura;
Es la gracia de amor, más noble y pura,
Si en soledad y en sombra se recela.
Dichoso aquél que por pudor anhela
Hundir sus penas en la noche oscura!
Al ánima que esconde su amargura
Dios mismo en su regazo la consuela!
Vidas llenas de amor y doloridas
Que relumbrais entre las otras vidas
Como gemas dispersas en el lodo!
Vuestro manto de gloria resplandece
Con el dolor, que todo lo ennoblece;
Con el amor, que lo embellece todo!


Assim é Lozoya nos Sonetos espirituales. No mesmo aspecto militante do seu ser, os Poemas Castellanos vieram traduzir-nos agora a ideia heróica que lhe canta no sangue e lhe põe estremecimentos rudes de gesta nas rimas fortes e bem cunhadas. Leia-se «El Rey», leia-se «La hembra del gavilán». Na poesia «El Rey» acorda o sabor agreste e primitivo dos cronicões medievos, com toda a sua inocência bárbara, com todo o seu contacto directo dos homens que fizeram a Espanha. Na «Hembra del gavilán», o texto enregelado de uma enregelada doação enche-se para nós de vida súbita na singeleza da sua gótica religiosidade, há centenas de anos adormecida entre as folhas pergaminhosas de um ignorado cartulário. Aplicam-se a Lozoya as palavras de Joaquín Gasquet no seu recente ensaio de crítica L’art vainqueur, ao afirmar que a obra do historiador se encontra com a obra do poeta. Gasquet cita o exemplo de Heredia, a quem chama «élève inspiré de l‟École des Chartes». Para Gasquet, Heredia pôde ressuscitar, ressuscitando o senso obliterado dos vocábulos, os sentimentos e as crenças de outras idades.

É isso o que sucede com Lozoya nos Poemas Castellanos:

En el Santo Nombre de Dios, uno y tres;
Porque a los que luchan se dé en encomienda,
Yo, Tenda Fernández, entrego mi hacienda.
A vos el muy noble maestro de Uclés.
……………………………………….
A mis hijos mando que cumplan mi ley;
Su herencia es Castilla, su campo la guerra.
Y si hacienda quieren, ganen otra tierra
Luchando como hombres, al lado del Rey.
Yo Tenda Fernandes invoco al Señor,
Porque mis palabras lo que el mundo quiere,
Sean perdurables y el que las volviere
Valga en los infiernos como Judas traidor.


Eis como Lozoya descobre na emoção da história o segredo da sua própria emoção. Tem assomos de epopeia no «Canto a los villanos de Castilla antigua»: «Los de
manos sarmentosas que esparcieron la semilla / Los que bailan viejas danzas de dulzaina e a tambor».

Comove-se e ajoelha diante de Segóvia na magnificência hierática do Outono, «Cual los Santos que adoran a la Virgen / En las ingenuas tablas primitivas».

E espiritualiza por fim as aventuras de «La judería vieja» com Don Mosé debruçado para o saco precioso do seu tesouro: «Guarda, guarda, viejo, que yo vi al Amor / que te desgranaba tu perla mejor!» E aludirei ainda a «El Rey», maravilha de evocação e de sobriedade. Um ligeiro fragmento nos basta, para que Castela desperte dentro de nós, ao ritmo nobre dos ritmos de Lozoya:

Como no soy cronista, no sé si este hombre rudo
Que lleva uno león rojo pintado en el escudo,
Se llama Don Ordoño, Don Sancho o Don Bermudo.
Solo sé que es el Rey, en una Catedral
Guardar los fueros viejos juró sobre un misal
Y un anciano arzobispo le ungió la frente real.
………………………………………….
Sus gestas generosas divulga la leyenda,
Juglares sabidores las cantan en la senda
A los que en romería llevan devota ofrenda.
Las mozas le imaginan cuando piensan en él,
Rubio el cabello, de oro la espada, y el broquel
Como el Señor San Jorge y el Arcángel Miguel.
Yo vos lo pintaría como un gran sembrador
Que ha sembrado los yermos en todo su redor
Con villas y lugares y templos del Señor.



E terminarei. Um admirável poeta se levanta com Lozoya, já seguro de uma fórmula de Arte, que é a fórmula de Arte de Amanhã. Lozoya inicia com virilidade o nacionalismo literário em Espanha. A Raça lhe deverá alentos sagrados, para a hora já próxima de uma nova anunciação. Olhando o céu profundo da Meseta, o marquês de Lozoya desvenda o rumor atávico que perturba de vozes indistintas as veias da mocidade peninsular. Segóvia lhe ensinará o canto do Resgate, o canto que há-de soar do coração de Castela de entre as campas dos Reis e dos Prelados, como se fosse o pregão de uma maior glória comum para todas as Espanhas, de um ao outro lado do Mar.

Há que querer a Lozoya como nosso. Disse eu que o embebe e repassa uma lusitaníssima saudade. De verdade, como definir, senão assim, a asa palpitante que se agita em todos os Sonetos espirituales?

Oíd, madre abadessa, como canta
el ruiseñor que en el rosal posa!


​Pois é o rouxinol que canta à Senhora Abadessa nos rosais do seu convento o sinal inconfundível da poesia de Lozoya. Ele lhe transmite o seu tom saudoso – tom de que Lozoya talvez se não deu conta, mas que a mim me embala e enternece, quando o convivo nas horas sem fim do meu isolamento de expatriado. É essa a minha dívida de sensibilidade ao autor dos Poemas Castellanos. Aqui lha confesso e agradeço, apresentando-o como um mestre salutar à gente nova do meu país. E deixe-me Lozoya que eu repita ainda e sempre as estrofes inolvidáveis dos
«Caminos de Castilla», em que perpassa tanto da minha estepe natal, em que tanto se reconhece e justifica a minha permanente interrogação de homem da Planície, por todas as suas raízes ancestrais!

Una tarde de Junio, bajo el cielo de fuego,
Que reseca los campos y que dora el trigal,
Recogido en sí mismo, marcha um fraile andariego,
Camino de Medina, de Aranda o Madrigal.
En las sierras azules hay reflejos de ocaso;
Humean los hogares; una campana suena,
Las yuntas, fatigadas, tornan con lento paso
Va cayendo la noche, sosegada y serena.
En los campos del cielo, sobre la tierra oscura,
Se encienden las estrellas, como flores de luz.
Noches esplendorosas de estío en la llanura,
Que ponéis en las almas el fervor de la Cruz!
Todo canta en la tierra, todo brilla en el cielo
Para el viajero humilde, que de la paz va en pos.
Su alma tan fatigada, siente un dulce consuelo,
Y en soledad escucha la palabra de Dios.
………………………………………………
Caminos de Segovia, de Olmedo y Tordesillas!
Sendas de Peñafiel, de Roa y de Ontiveros!
Bajo la faz del polvo yo busco de rodillas
La huella de los santos y de los caballeros!


(1920)

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Guilherme de Faria, 1907-1929
1905_-_ed_-_angel_de_ganivet_-_idearium_español.pdf
1920 - Juan Contreras y López de Ayala, marqués de Lozoya, Poemas castellanos, compuestos en la ciudad de Segovia - https://archive.org/details/poemascastellano00lozo/page/n9/mode/2up 
1965 - Marquês de Lozoya, Santiago apóstol, patrono de las Españas, 2ª ed. - https://archive.org/details/santiagoapostolp00lozo/page/n5/mode/2up
2025 - José Manuel Quintas - António Sardinha e os "Azoríns, Unamunos & Cia."
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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