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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
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        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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Paixão de Espanha

António Sardinha

António Sardinha analisa a controvérsia espanhola sobre o abandono de Marrocos, destacando a importância estratégica da região para toda a Península Ibérica e advertindo que decisões apressadas, como a proposta de troca de Gibraltar por Ceuta, podem comprometer o futuro de Espanha e Portugal. Critica o liberalismo e o derrotismo predominantes, lamentando a perda da grandeza histórica peninsular e apelando a uma reflexão profunda sobre o destino comum dos povos ibéricos.

Não podem ficar sem comentário as gravíssimas afirmações do general Primo de Rivera sobre o abandono de Marrocos. Dia a dia, hora a hora, tenho acompanhado o drama emocionante que se passa além do Estreito com reflexos desencontrados na opinião espanhola.

A questão de Marrocos não é apenas uma questão que importe ao futuro da nação vizinha. O futuro da Península depende do rumo que se imprimir a esse momentoso problema. Há quase quarenta anos que num comício público D. Joaquín Costa declarava: «Yo tengo para mí que la línea estratégica de ciudades y de fortalezas que poseemos al otro lado del estrecho, desde Ceuta a las Chafarinas, nos es tan necesaria, hoy por hoy, y forma parte tan integrante de nuestro territorio, como la línea estratégica de fortalezas que se extiende por la cuenca del Ebro, desde Montjuic hasta Pamplona.»

De maneira que o problema de Marrocos já então se formulava para as inteligências cultas em Espanha como um simples e elementar problema de defesa nacional. Dar-lhe-ia depois um sentido mais amplo entre nós o malogrado Moniz Barreto, ao escrever – num estudo seu, notabilíssimo, da Revista de Portugal – que a questão marroquina prende-se de tal modo com a questão da integridade nacional espanhola, que não é mais que um dos aspectos desta. Um ilustre historiador inglês – continua Moniz Barreto – pôde afirmar ser uma lei da história que as populações da península dominem ou sejam dominadas pelas que estanciem na região africana que lhes fica fronteira. Assim, de espanhol o problema se torna peninsular, participando consequentemente Portugal dos seus benefícios ou dos seus resultados funestos.

Compreende-se bem porquê. Enfeudados como país pequeno que não sabe valorizar a sua posição geográfica por medidas sensatas de governo, àqueles colossos, que possuam o império do Mar, nós acabaríamos de ser com a Espanha uma pobre terra de passagem se, separados da Europa pelos Pirenéus, nos víssemos separados do resto do mundo pelo imperialismo que houvesse de triunfar no norte de África. «Seria mais um capítulo a ajuntar à crónica lamentável da decadência peninsular – pondera com razão Moniz Barreto – se essa região marroquina, aberta à acção dos dois povos cristãos pela espada de D. João I e dos conquistadores de Ceuta, ilustrada pela valentia dos fronteiros de África, dourada pela fama robusta de D. Afonso V e pela glória nascente de D. João II, consagrada pelo apostolado de Raimundo Lulio, pelo martírio do Infante Santo, pelo sangue de D. Sebastião, venha a cair como Tunes, arrancada por nós, aos bárbaros, das mãos daqueles que no século XVI se ligavam aos inimigos da cultura europeia em proveito das suas conveniências políticas e dos seus interesses comerciais no Levante.»

Ora parece-me a mim que o receio de Moniz Barreto se começa a revestir de apreensivas linhas proféticas! Indicia um estado de espírito desanimador a atitude de um militar, como Primo de Rivera, não corando de propor em pleno Senado que se abandone Marrocos e se troque Gibraltar por Ceuta. Irredentismo por irredentismo, antes el peñón em poder de estrangeiros do que uma bandeira, que não fosse a espanhola, flutuando em Ceuta. O perigo e o sarcasmo que Gibraltar representa desdobrar-se-ia em infinitas ‘Gibraltares’ ao longo do Rif, arrancando para sempre à Espanha a hegemonia que de direito lhe pertence, como senhora das bocas de dois Mares.

Exactamente, o motivo por que Isabel-a-Católica mandava em seu testamento «a los Reyes que después... sucedieren en los dichos mis reinos, que siempre tengan en la Corona y Patrimonio Real de ellos... la Ciudad de Gibraltar» – exactamente por esse alto motivo é que, uma vez perdida Gibraltar, se não deve trocar Ceuta por ela. Ceuta, na posse de Espanha, fincando o pé da Península no território africano, é uma garantia permanente de que Gibraltar, cedo ou tarde, volverá à Espanha. Mas Ceuta alienada por uma política de reles comodismo suicida, é a Espanha despedindo-se da sua grandeza vindoira e lavrando por seu punho o próprio termo de óbito.

Se como estrangeiro me é vedado apreciar com o azedume que me merecem as afirmações do marquês de Estella, como peninsular não me considero de forma nenhuma alheio a uma contenda que toca de perto o coração de Portugal. Quando no horizonte se destaca, com a largada para a América, a nova idade da Península, eis que as duas grandes pátrias hispânicas, desviando os olhos desta promessa de maravilha, porfiam em se negar a si mesmas, como se nada lhes coubesse nos frutos da admirável civilização que outrora souberam criar.

Penetra-me então um fundo pessimismo – não o pessimismo dos fracos e dos incrédulos, mas um pessimismo heróico, à maneira do de Ganivet, ao confessar que «en presencia de la ruina espiritual de España hay que ponerse una piedra en el sitio donde está el corazón, y hay que arrojar aunque sea un millón de Españoles a los lobos, si no queremos arrojarnos todos a los puercos».

O que apodrece em Espanha, impedindo que a nação verdadeira se manifeste, é o seu liberalismo arcaico e caricatural que aprisiona a monarquia e que permite a um general prégar da sua cadeira de senador uma doutrina de ignominioso derrotismo. São os sofistas de ínfima espécie – genuínos palhaços da Inteligência, como Unamuno e Ortega y Gasset – quem rouba à nação irmã a flama épica em que ela estremece até à medula dos ossos. É um bando de invertebrados e desnacionalizados que preparam para a sua terra o abismo moral e social em que a nossa abala perdida.

É a conjura secreta dos partidos, degladiando-se sem idealidade nem finalidade naquele recorte de pompa sonora e vazia com que Eça de Queiroz estigmatizou as doiradas mediocridades do nosso Constitucionalismo. E, no entanto, além do estreito, como que obedecendo a um ditame imperativo da Raça, os soldados vão tombando, de alma ingénua e contente, traídos pelos ‘moiros’ da retaguarda. Porque moiros são, efectivamente, os que quiseram que a Espanha inteira sucumba devorada pelos porcos, a vê-la, como Guzmán el Bueno, sacrificando às gerações que hão-de vir, num grande holocausto, a seara florida de uma geração que nasceu destinada já por Deus para o resgate da pátria tradicional!
​
Paixão de Espanha, paixão tão dolorosa e tão demorada! Começou com Cervera, marchando em navios de madeira, ao encontro dos couraçados norte-americanos. E desde essa hora a alma magnânima que gerou o Cid, que inspirou Cisneros e vibra ao longo de uma literatura sem par, continua sentada no Pretório, entre o ulular ignaro dos fariseus que a leiloam. Juntou-se-lhes agora a retórica ensebada do Marquês de Estella. E perante um general que discursa, enquanto há soldados que morrem, como parece de outro tempo e de outra raça aquela passagem de uma carta de Cervera, o glorioso vencido: «No por mí tanto como por la pobre España, diré: Señor, si es possible, pase de nosotros éste cáliz!»
​
(1921)

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1924 - António Sardinha - A Aliança Peninsular - Assentando posições (conversa preliminar)
1943 - António Sardinha - À Lareira de Castela
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

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​2011-2025
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