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José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira (1921–1976)

Natural de Esposende, foi um monárquico com afinidade ao pensamento político do Integralismo Lusitano. As afinidades de Correia de Oliveira com o Integralismo derivaram da sua herança familiar e da sua formação intelectual. Era filho de António Correia de Oliveira, um dos mais destacados poetas do século XX e figura associada ao movimento integralista. O seu pai colaborou na revista Nação Portuguesa, o órgão doutrinário do Integralismo Lusitano.

Após o 28 de Maio de 1926, o general Gomes da Costa foi preso e deportado para os Açores, emergindo o general Carmona na chefia da Ditadura Militar. A Junta Central do Integralismo Lusitano logo se mostrou apreensiva com o desenvolvimento dos acontecimentos e, e
m 1927, desvincularam-se da sua obediência José Maria Ribeiro da Silva, Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, Rodrigues Cavalheiro, Marcelo Caetano, Pedro de Moura e Sá; em 1928, Manuel Múrias consumou a sua dissidência; em 1929, deu-se a ruptura definitiva de Teotónio Pereira e Marcelo Caetano, dissolvendo o Instituto António Sardinha; em 1930, deu-se a dissidência definitiva de João do Amaral (a ruptura iniciou-se em 1927 com a publicação do diário «A Ideia Nacional»).

Em Julho de 1930, surpreendendo os mestres integralistas, António de Oliveira Salazar pronunciou um discurso manifestando a intenção de acabar com a ficção das representações políticas através de partidos -  "Princípios Fundamentais da Revolução Política". Não irá durar muito a expectativa benévola dos integralistas. Em 1932, Salazar adopta o projecto de Constituição do grupo da Seara Nova, passando doravante os integralistas para a Oposição ao regime.

Entre 1932 a 1974, houve dois períodos de tréguas políticas: durante a Guerra Civil de Espanha (1936-39) e após a eclosão das guerras no Ultramar português (1961-74). Terminada a guerra civil em Espanha, Hipólito Raposo publicou o livro Amar e Servir (1940) de que resultou a sua prisão e deportação para os Açores. Em 1949, Pequito Rebelo concorreu às eleições numa lista de oposição por Portalegre. Luís de Almeida Braga e Rolão Preto apoiaram a candidatura presidencial do general Humberto Delgado. Em 1961, porém,  logo após a eclosão do terrorismo em Angola, o integralista Pequito Rebelo colocou o seu avião particular ao serviço das formações Aéreas de Voluntários (FAVs) daquela Província.

Em 1944, Correia de Oliveira licenciou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Era muito jovem quando o Estado Novo se estabeleceu (1933-34) e o Integralismo se dissolveu para integrar a Causa Monárquica, após a morte de D. Manuel II. Pertence a uma nova geração de católicos e monárquicos que, sem negar as tradições familiares, se dispõe a prestar serviço público. No seu caso, vem a ser nos anos de 1960 uma figura central na política económica do Estado Novo. 

O Integralismo propunha um Estado baseado em "estruturas orgânicas tradicionais" (municípios e sindicatos/corporações), conceitos que Correia de Oliveira virá a defender na Câmara Corporativa e, mais tarde, no Ministério da Economia. A sua tradição familiar era integralista, pelo que dificilmente seria um conservador.  Em 1959-60, a ele se deve uma arrojada liderança no processo de negociação da entrada de Portugal na EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre). Em 1961, como Ministro de Estado, concluiu um estudo em que defende a unificação do mercado português, visando eliminar barreiras alfandegárias entre as províncias ultramarinas e a metrópole. Tal como Fernando Pacheco de Amorim, considera que a sobrevivência de Portugal depende da criação de um bloco económico auto-suficiente, do Minho a Timor. 

Na luta entre monárquicos pluricontinentalistas e republicanos europeístas no seio do regime, Correia de Oliveira veio a ser um dos vencidos, vindo a ser exonerado do cargo de Ministro da Economia em 27 de Março de 1968. A sua saída ocorreu no contexto da última grande remodelação ministerial de Salazar, sendo substituído por José João Gonçalves de Proença.

No jornalismo europeísta, um escândalo sexual de projecção internacional - o chamado "Ballet Rose" - teria sido o motivo ou o pretexto para a remodelação do governo. Um jornalista de escândalos britânico veio a Portugal encontrar-se com Mário Soares. O nome de Correia de Oliveira passou a ser ventilado, mas este não foi sequer constituído arguido. 
O julgamento ocorreu de forma discreta ao longo de 1967 e início de 1968, resultando na condenação de três pessoas — uma modista, um administrador bancário e um proprietário hoteleiro. O escândalo acabou por envolver indirectamente, entre outras, destacadas personalidades, como Oliveira Salazar, Antunes Varela, Correia de Oliveira, Mário Soares e Richard Barry O'Brian. É um "caso" a merecer um estudo que vá para além do sórdido e do escandaloso, da miséria oculta da alma humana.

​Da contenda política, sairam imediata e claramente vencedores Dias Rosas, Adriano Moreira e Marcelo Caetano. A saída de Correia de Oliveira do governo, vem a ocorrer meses antes da substituição de Salazar por Marcelo Caetano na presidência do Conselho de Ministros em Portugal.


Serviço Público de Correia de Oliveira:

Iniciou a carreira de serviço público como técnico do Conselho Técnico Corporativo (CTC) de cujo Gabinete de Estudos foi nomeado director (1948) e vice-presidente (1949). Entre 1953 e 1957, serviu como Procurador à Câmara Corporativa (VI Legislatura) por designação do Conselho Corporativo.

Apesar da oposição de Adriano Moreira e de Marcelo Caetano, exerceu funções governativas durante cerca de 15 anos:​
  • Secretário de Estado do Orçamento (1955–1958).
  • Secretário de Estado do Comércio, onde foi o principal negociador de Portugal na entrada e fundação da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre).
  • Ministro de Estado Adjunto da Presidência do Conselho (1961–1965), funcionando por vezes como "vice-primeiro-ministro".
  • Ministro da Economia (1965–1968).

O seu espólio e intervenções públicas, incluindo conferências sobre a livre circulação de mercadorias, encontram-se documentados nos RTP Arquivos. 

1961-09-05 - Conferência de imprensa de José Gonçalo Correia de Oliveira. Lisboa, Palácio de São Bento, conferência de imprensa de José Gonçalo Correia de Oliveira, ministro de Estado Adjunto do Presidente do Conselho, sobre a livre circulação de mercadorias e o sistema de pagamento inter-regionais no espaço económico português.
​
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/conferencia-de-imprensa-de-jose-goncalo-correia-de-oliveira/#:~:text=Confer%C3%AAncia%20de%20imprensa%20de%20Jos%C3%A9%20Gon%C3%A7alo%20Correia%20de%20Oliveira%20%E2%80%93%20RTP%20Arquivos.

Bibliografia
  • Portugal e o Mercado Europeu, SNI, Lisboa, 1963
Bibliografia passiva
  • 1993 - Jaime Nogueira Pinto (Org.) Salazar visto pelos seus próximos. [S.l.], Bertrand Editora S. A. Testemunhos de Domingos Rosado Vitória Pires, Manuel Rafael Amaro da Costa e Fernando Manuel Alves Machado
  • 2006 - Elsa Santos Alípio. Salazar e a Europa. História da Adesão à EFTA (1956-1960), Livros Horizonte.
  • 2008 - Vasco Silvério Marques e Aníbal Mesquita Borges - Portugal - Do Minho a Timor
  • 2010 - Filipe Ribeiro Meneses, Meneses, Salazar , Biografia Política, Dom Quixote.
  • 2015 - Manuel de Lucena. Os Lugar-Tenentes de Salazar. Lisboa, Aletheia Editores.
  • jose_goncalo_da_cunha_sottomayor_correia_de_oliveira.pdf  [ Parlamento ] 

Morreu Correia de Oliveira - Faleceu no último dia do ano em Paris, onde residia desde 1974, o antigo ministro-adjunto da Presidência do regime salazarista, dr. José Gonçalo Correia de Oliveira. De acordo com informações obtidas ao fim da manhã, Correia de Oliveira, teve uma trombose em sua casa e ainda foi transportado para o hospital de Versalles onde, porém, já chegou morto. Natural de Esposende, onde nascera em 1921, o antigo ministro iniciou a sua carreira política no Ministério da Economia e foi escolhido por Salazar para seu adjunto, em 1961. [ Diário de Lisboa, Director, António Ruella Ramos; Director Adjunto, Fernando Piteira Santos, 3 de Janeiro de 1977, p. 18. ]
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

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