Na "Selva Escura"
António Sardinha
Vejamos sempre na república a consequência última do conúbio imoralíssimo dos banqueiros e dos políticos inaugurada em 1834 sobre a orgia larga dos bens das Ordens Religiosas. Aí se entronca, sobretudo, a causa primária do cancro que está destruindo entre nós as derradeiras fibras do sofisma imposto pelos aventureiros desembarcados no Mindelo.
- António Sardinha
- António Sardinha
António Sardinha defende a restauração da ordem social-cristã em Portugal sob a liderança legítima de D. Duarte Nuno de Bragança, contrapondo-se ao regime republicano, visto como o resultado da aliança corrupta entre banqueiros e políticos desde 1834. Argumenta que a verdadeira renovação nacional depende do resgate dos valores históricos e espirituais da Pátria, propondo uma "segunda fundação de Portugal" que una o povo em torno de um destino grandioso e coletivo.
NA «SELVA ESCURA»
Sem responsabilidade alguma para com a sociedade existente e entregando apenas a sua vitória às forças da Inteligência e do Trabalho, o Senhor D. Duarte Nuno de Bragança tem, apenas, o único compromisso de restaurar dentro da Pátria Portuguesa, tão dividida e dilacerada, as direções imortais da sua história. Quando, na serenidade simples dos grandes acontecimentos, pisar a terra sagrada dos seus Antepassados, ninguém como o Senhor D. Duarte Nuno poderá encarnar e chamar a si, com mais autoridade aquelas nobres palavras do Conde de Chambord: «O meu princípio é tudo e só por ele é que a minha pessoa vale!»
Efetivamente no princípio que O Senhor D. Duarte Nuno encarna é que existe a razão central da reconquista da Pátria. O Senhor D. Duarte Nuno não é um partido que regressa, condicionado pelas exigências torpes dos esfomeados do Poder, tal como sucederia com o regime deposto em 1910.
Chefe natural da Inteligência e do Trabalho pelas leis imprescritíveis do sangue, só ao Senhor D. Duarte Nuno é possível, com os elementos sãos da Nacionalidade, intentar essa indispensável revolução que, no fim de tudo, não passa de uma instauração – a instauração da ordem social-cristã.
Porque o seu direito vem da legitimidade, e a legitimidade não é senão o produto do sufrágio dos séculos, só Ele, perante uma mentira que se esfacela, putrefacta de todo, nos ajudará a restituir a Portugal as suas feições de outrora, abrindo-lhes os caminhos definitivos da libertação e da grandeza.
Vejamos sempre na república a consequência última do conúbio imoralíssimo dos banqueiros e dos políticos inaugurada em 1834 sobre a orgia larga dos bens das Ordens Religiosas. Aí se entronca, sobretudo, a causa primária do cancro que está destruindo entre nós as derradeiras fibras do sofisma imposto pelos aventureiros desembarcados no Mindelo. Perfeita «Selva Escura – como num rasgo de alta inspiração dantesca o definiu Afonso Lopes Vieira – é num baile macabro de espectros sem dignidade nem dor que em Portugal se vai afundando o Estado plutocrático e parlamentarista.
Mas, obra de Deus, porque tudo se apaga como debaixo de uma esponja implacável, o terreno prepara-se magnificamente para aquilo que, na exata compreensão do momento, nós deveremos chamar a «segunda fundação de Portugal». Na vertigem fatal em que parecemos perdidos, acudamos nós, antes de mais nada, ao que resta ainda da alma coletiva da Raça!
É sobre os alicerces espirituais da Pátria que o nosso esforço carece de se firmar quanto antes, e energicamente. E como, em melhor tempo, quando a disciplina distinguiu os homens, mas os unia a mesma irmandade forte de origem e de pobreza na frase inolvidável de Alberto Sampaio – que o Rei apareça a unificar as nossas vontades e a dar-lhes o destino glorioso que nasce das páginas da História e a elas regressa, em aumento da Grei e seu prestígio imorredouro.
1922.
Efetivamente no princípio que O Senhor D. Duarte Nuno encarna é que existe a razão central da reconquista da Pátria. O Senhor D. Duarte Nuno não é um partido que regressa, condicionado pelas exigências torpes dos esfomeados do Poder, tal como sucederia com o regime deposto em 1910.
Chefe natural da Inteligência e do Trabalho pelas leis imprescritíveis do sangue, só ao Senhor D. Duarte Nuno é possível, com os elementos sãos da Nacionalidade, intentar essa indispensável revolução que, no fim de tudo, não passa de uma instauração – a instauração da ordem social-cristã.
Porque o seu direito vem da legitimidade, e a legitimidade não é senão o produto do sufrágio dos séculos, só Ele, perante uma mentira que se esfacela, putrefacta de todo, nos ajudará a restituir a Portugal as suas feições de outrora, abrindo-lhes os caminhos definitivos da libertação e da grandeza.
Vejamos sempre na república a consequência última do conúbio imoralíssimo dos banqueiros e dos políticos inaugurada em 1834 sobre a orgia larga dos bens das Ordens Religiosas. Aí se entronca, sobretudo, a causa primária do cancro que está destruindo entre nós as derradeiras fibras do sofisma imposto pelos aventureiros desembarcados no Mindelo. Perfeita «Selva Escura – como num rasgo de alta inspiração dantesca o definiu Afonso Lopes Vieira – é num baile macabro de espectros sem dignidade nem dor que em Portugal se vai afundando o Estado plutocrático e parlamentarista.
Mas, obra de Deus, porque tudo se apaga como debaixo de uma esponja implacável, o terreno prepara-se magnificamente para aquilo que, na exata compreensão do momento, nós deveremos chamar a «segunda fundação de Portugal». Na vertigem fatal em que parecemos perdidos, acudamos nós, antes de mais nada, ao que resta ainda da alma coletiva da Raça!
É sobre os alicerces espirituais da Pátria que o nosso esforço carece de se firmar quanto antes, e energicamente. E como, em melhor tempo, quando a disciplina distinguiu os homens, mas os unia a mesma irmandade forte de origem e de pobreza na frase inolvidável de Alberto Sampaio – que o Rei apareça a unificar as nossas vontades e a dar-lhes o destino glorioso que nasce das páginas da História e a elas regressa, em aumento da Grei e seu prestígio imorredouro.
1922.
[ In Glossário dos Tempos, 1942 ]
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