Mare Nostrum
António Sardinha
RESUMO
Mare Nostrum: O Destino da Civilização Hispânica e a América
- Introdução. O conceito de Mare nostrum serve de ponto de partida para uma reflexão sobre a identidade e o papel das nações de língua espanhola e portuguesa nas Américas. O texto parte de citações e análises de diversos pensadores para desmontar mitos e equívocos históricos, defendendo a necessidade de uma solidariedade peninsular e hispano-americana baseada em raízes comuns.
- A Construção da Identidade Hispânica nas Américas. António Sardinha rebate o uso do termo "América Latina" como designação para as nações do continente, argumentando que tal nomenclatura é historicamente incorreta e injusta. Cita Aurélio M. Espinosa e outros estudiosos para mostrar que a designação correta seria "América Hispânica" ou "Hispano-América", incluindo o Brasil como parte integrante desse espaço pela sua origem, cultura e língua portuguesa, que partilham raízes peninsulares. Destaca que a denominação "latina" foi adotada por influência francesa, italiana e de outros países que não participaram do processo civilizatório do continente, diferentemente de Espanha e Portugal.
- O Debate sobre o Termo "Latino-Americano". A análise crítica de Espinosa e Cebrián salienta que o termo "latino" é vago e cientificamente inadequado. A tentativa de englobar o Brasil sob a designação "América Latina" é falaciosa, pois ignora o papel central de Portugal e Espanha. Sardinha defende que o termo "hispano-americano" é o mais apropriado para abranger todos os países de origem ibérica nas Américas, contrapondo-se à diluição dessa herança em um latinismo artificial.
- Influências Estrangeiras e a Negação das Raízes Peninsulares. António Sardinha denuncia uma conspiração de silêncio e uma adulteração sistemática da história, que busca atribuir às influências francesas e italianas a formação das sociedades sul-americanas, minimizando a importância dos elementos espanhóis e portugueses. Argumenta que a França, por meio do mito da "civilização latina", procura apropriar-se de um património cultural para o qual pouco contribuiu, exceto por episódios marginais. Sardinha refere a influência do Catolicismo e do Direito Romano, mas sublinha que a Península Ibérica, especialmente através dos concílios de Toledo e de instituições próprias, foi a verdadeira construtora da base civilizacional das Américas.
- A Crítica à Superstição do Latinismo e à Influência Francesa. Autores como García Calderón são criticados por neles se perpetuar a ideia de que as Repúblicas sul-americanas se formaram sob forte influência da cultura francesa e italiana, quando, na verdade, o substrato predominante é o hispânico. Sardinha salienta que o "latinismo" é um mito que precisa ser desmontado, pois desvirtua a realidade histórica e cultural das Américas. A influência francesa, especialmente após a Revolução Francesa, é vista como responsável por um processo de instabilidade política e de desnacionalização nas novas repúblicas, afastando-as das suas origens peninsulares.
- A Emancipação das Américas e a Reação à Revolução Francesa. Contrariando a tese de que a independência das nações sul-americanas foi uma consequência direta da Revolução Francesa, Sardinha recorre a autores como Marius André e Luís Alberto de Herrera para demonstrar que o movimento de emancipação foi, na verdade, uma reação contra o jacobinismo e o antirreligiosismo de origem francesa. Foi o impacto negativo das ideias revolucionárias francesas a provocar a instabilidade, as guerras civis e o enfraquecimento dos laços tradicionais com a Península Ibérica.
- A Dependência Externa e a Crise de Identidade. Sardinha apresenta as nações hispano-americanas com uma tripla dependência: literária em relação à França, económica em relação à Inglaterra e política em relação aos Estados Unidos. Cita Rubén Darío e Blanco-Fombona para ilustrar a angústia causada por essa situação e alerta para o perigo da "yankização" e da atração por Paris, que contribuíram para o enfraquecimento dos vínculos civilizacionais.
- Por uma Reconciliação com as Raízes Hispânicas. O ressurgimento do nacionalismo hispano-americano é apresentado como uma reação saudável contra as influências exógenas e a busca de um retorno às suas tradições culturais e espirituais peninsulares. Manuel Gálvez e outros autores defendem que só através da valorização das heranças espanhola e portuguesa será possível restabelecer uma identidade sólida e garantir o progresso material e espiritual das nações da América-Hispânica.
- A Necessidade de Aliança Peninsular e Hispano-Americana. A solução proposta é a construção de uma aliança entre Portugal, Espanha e as suas nações filhas nas Américas, baseada na defesa comum de uma civilização hispânica distinta da norte-americana. Essa aliança é vista como essencial para restaurar a preponderância das nações peninsulares na Europa e para garantir a supremacia e a soberania das pátrias hispânicas nas Américas. As nações de língua espanhola e portuguesa devem reconhecer e cultivar a sua identidade, superando as divisões internas e resistindo à influência de mitos e de ideologias importadas.
- Conclusão. António Sardinha considera que o futuro das nações de língua espanhola e portuguesa depende de um esforço consciente de recuperação das suas raízes civilizacionais. Essas nações, para virem a desempenhar um papel relevante no cenário mundial, terão de preservar a sua independência política, identidade e valores próprios, diante das influências estrangeiras e dos desafios dos imperialismos. A política do Atlântico como mare nostrum e a defesa da civilização hispânica são os caminhos para a sua renovação e grandeza.
No seu elucidativo volume – Reparto de América-Española y Pan-Hispanismo, escreve o ilustre publicista argentino dr. J. Francisco V. Silva que «el espíritu se ensancha cuando mira que desde los Pirineos a Magallanes, y desde Magallanes al Río Grande, se acota en el mundo, y con el Gran Océano como Mare Nostrum, todo el contenido territorial de la civilización hispánica».[1] Em tão curto mas expressivo período se condensa com rara felicidade o alcance da política atlântica que à Península pertence iniciar, indo ao encontro das tendências, ainda instintivas e hesitantes, das diversas nacionalidades da América indevidamente chamada ‘latina’.
E digo indevidamente chamada ‘latina’ porque nada mais contrário à verdade da geografia e da história do que semelhante designação, com a qual se pretende roubar a espanhóis e portugueses um dos seus melhores títulos de glória.
Debatendo tão importante tema, pondera o considerado hispanista norte-americano Aurélio M. Espinosa: «En los últimos cuatro siglos, es decir, desde el descubrimiento del Nuevo Mundo hasta fines del siglo XIX, ningún escritor, historiador o filólogo de importancia usó los nombres ‘América latina’, ‘latino-americano’. Los franceses han usado por cuatro siglos el nombre ‘Amérique espagnole’, los ingleses y norteamericanos el nombre ‘Spanish America’, los italianos el nombre ‘America Spagnuola’, etc. Nosotros hemos dicho siempre, y todavía decimos, ‘The Spanish Península’. El nombre ‘América latina’, por consiguiente, es un nombre nuevo, un intruso, y debe probar su derecho a existir.» «La facilidad con que lo han adoptado algunos distinguidos escritores de nuestros días es sorprendente» – prossegue o dr. Aurélio Espinosa. «El nuevo nombre es no sólo vago, insignificante e injusto, sino, lo que es peor, anticientífico. Algunos han argüido que el nombre ‘América latina’ se introducía por razón del Brasil. Es una falacia; porque el Brasil es portugués por origen, por cultura y por lenguaje, y proviene de Portugal, una parte integrante de la península española, Hispania, España; por consiguiente, la ‘América española’ incluye el Brasil lo mismo que la Argentina y los demás países sudamericanos. Todos los chicos de la escuela saben que la América del Sur fue descubierta, colonizada y desarrollada por España, incluyendo Portugal, del mismo modo que la región conocida ahora por los Estados Unidos fue, en su mayor parte, descubierta, colonizada y civilizada por Inglaterra o gentes procedentes de Inglaterra, incluyendo Escocia y Gales. Los nombres que se han usado en los últimos cuatro siglos, ‘América Española’, ‘hispano-americano’, son, por lo tanto, correctos. ¿Qué necesidad hay de adoptar nombres nuevos e incorrectos?» [2]
Não avançaremos no exame da questão, exame absolutamente imprescindível para o nosso fim, visto que da confusão das ideias nascem – tanto na vida individual, como na vida coletiva, os erros de conduta –, sem que se retifiquem certas afirmações do testemunho transcrito. Por um equívoco que até no nosso Garrett se produziu, o dr. Aurélio Espinosa identifica ‘España’ com ‘Hispânia’, ‘espanhol’ com ‘hispânico’. Será assim filologicamente. Não o é, porém, dentro das realidades sociais e políticas. Já acentuámos aqui com sobejada argumentação os motivos por que os portugueses são ‘hispânicos’. Isso não obriga a que sejam ‘espanhóis’, dada a circunstância de ‘Hispânia’ ser um apelativo geográfico, enquanto ‘espanhol’ é um apelativo nacionalista. De modo que nunca poderemos admitir que a ‘América espanhola’ compreenda o Brasil e que a colonização portuguesa no Novo Mundo esteja em relação para com a Espanha atual como a colonização escocesa, nos Estados-Unidos, estaria para com a Inglaterra. Quando Portugal descobriu o Brasil, a sua existência como pátria de maneira alguma se assemelhava em cultura e capacidade criadora à Escócia acantonada nos refegos montanhosos da Grã-Bretanha. Corrijam-se, pois, as asserções do dr. Aurélio Espinosa. E seja no sentido de se substituir a denominação ‘América-espanhola’ por ‘Hispano-América’, ou ‘América-hispânica’. Feita essa corrigenda, convém que escutemos agora sobre o mesmo apaixonante assunto um dedicado apóstolo do Hispano-americanismo, o senhor J.C. Cebrián, que se aproxima mais do sentido exato do problema quando observa: «Además de las 18 repúblicas españolas, tenemos el Brasil, creado por Portugal, en donde se habla el portugués, y se rige por leyes, usos y costumbres portugueses. Pero hay que notar – acrescenta – que ese país es también hispano, porque Hispania, como Iberia, comprendía Portugal y España, nada más. De suerte que el apelativo ‘hispano-americano’ comprende todo lo que proviene de Portugal y de España.» [3]
E o senhor Cebrián continua em termos merecedores do mais cuidadoso registo: «Examinemos francamente la cuestión: hasta hace poco los países hispano-americanos eran el hazme-reír de Europa: el teatro francés del siglo XIX está lleno de chascarrillos desagradables contra los hispano-americanos; entonces encontraban natural llamarlos por su apellido verdadero: español. Pero últimamente se ha notado que eses países han crecido, se han enriquecido, han cobrado fuerzas, y prometen ser factores importantes en la historia futura; y en estas circunstancias ya les duele llamarlos ‘españoles’; y para evitar borrarse ese nombre apelan al adjetivo ‘latino’. Cada vez que se dice o se imprime ‘América-española’, o ‘hispano-americano’, o ‘Spanish American’ o ‘Spanish America’, etc., se anuncia el nombre de España; y nótese que es un anuncio legítimo, justo, verdadero. Cada vez que se dice o se imprime ‘América latina’, ‘Latin America’, etc., se deja de anunciar el nombre de España, y en cambio se anuncia el nombre ‘latino’, que equivale a Francia, Italia, etc.; de modo que se anuncian dos nombres – Francia e Italia – ilegítima, errónea e injustamente, puesto que ni Francia ni Italia han producido aquellas naciones; y al mismo tiempo se mata el anuncio legítimo de España.»
Comenta em seguida o dr. Aurélio Espinosa: «Poco podremos añadir al anterior examen. ‘Latino’ significa hoy francés, italiano, provenzal, rumano, sardo, español, portugués. Pero, como el Sr. Cebrián clarísimamente señala, la América española es española y portuguesa – espanhola, hispânica, elucida o publicista norte-americano, caindo, afinal, em si –, y no francesa, italiana, rumana, o sarda. La civilización española es el elemento civilizador de la América española. España conquistó, colonizó, civilizó los países de Sudamérica. Francia, Italia y Rumania no tuvieron parte en esta gran labor. Hoy estos florecientes países hispánicos están desarrollando una civilización que tiene por base lo mejor de la sangre y del cerebro de la antigua España. Los elementos de la tradición índia no han dado frutos apreciables. Los españoles trajeron el Cristianismo a Sudamérica, civilizaron a los índios, fundaron ciudades, iglesias, escuelas, desarrollaron la agricultura. Cerca de cincuenta millones de personas hablan hoy español en la América española; unos veinte millones hablan portugués. Estos son pueblos hispánicos, o españoles, puesto que hasta el erudito portugués Almeida Garrett cree que el nombre de ‘español’ puede muy propiamente usarse para incluir a los portugueses.»
Que não pode, já nós vimos porquê, explicado como anteriormente fica o sincero equívoco de Garrett. Mas não se invalida com esse detalhe a lógica cerrada das razões de Aurélio Espinosa. É de alta conveniência reproduzi-las totalmente, porque, em questão tão magna, como é a das relações da Península com as nacionalidades americanas, suas filhas, nunca seremos prolixos, esforçando-nos por iluminá-la com o maior número de dados de que disponhamos. Insiste o aludido publicista: «Como el Sr. Cebrián admirablemente indica, no podemos llamar ‘América teutónica’ a la ‘América inglesa’. Esto sería, sin embargo, un exacto equivalente de ‘América latina’. Hay en los Estados Unidos más alemanes, suecos, noruegos y holandeses que franceses, italianos y rumanos en la América española. Más propio sería, por lo tanto, el llamar a los Estados-Unidos ‘América-teutónica’ y a los habitantes de este país ‘teutones’ o ‘teutónico-americanos’, o ‘germano-americanos’, que el llamar a nuestros vecinos meridionales ‘latinoamericanos’ y a su tierra ‘América latina’. Pero ninguno de los dos casos estaría justificado. Los Estados-Unidos representan un desarrollo de la civilización anglosajona y hablan el idioma inglés, y los países de Sudamérica representan un desarrollo de la civilización española y hablan español y portugués. No hay, por consiguiente, justificación ninguna para el nuevo nombre ‘América latina’ y sus derivados. Por razones históricas la justicia pide que los nuevos nombres sean relegados. Si España merece la gloria de haber civilizado y desarrollado esas comarcas meridionales, ¿qué diremos de las poderosas naciones que quieren privarla de esta gloria? ¿No sería uno de los crímenes de la Historia llamar en adelante a los países de habla inglesa de Norteamérica, Canadá y los Estados-Unidos, ¿‘América teutónica’ o ‘germánica’? ¿No es, por lo tanto, un crimen histórico llamar a los países de habla española y portuguesa de Sudamérica, ‘América latina’? Dad al César lo que es del César.»[4]
Depois de tão prolongada e metódica conspiração de silêncio contra a obra civilizadora das duas pátrias peninsulares (não pergunta o enciclopedista Masson de Morvillers o que é que a Espanha fizera de grande ou útil para a humanidade?!), a campanha mudou de rumo, ao procurar-se envolver num latinismo suspeito, de transparente marca revolucionária, o que de gigantesco e imortal Portugal e Espanha haviam criado. Pena é que inteiramente fascinados pela superstição da França, mãe da Latinidade, superstição só própria de arrivistas ou de mestiços intelectuais, escritores de valor inegável, como, por exemplo, o peruano. F. García Calderón no seu livro Les démocraties latines de l’Amérique,[5] concedam foros de verdade a um mito que é preciso reduzir quanto antes à sua vã inconsistência. Entristece, com efeito, ver um espírito brilhante e claro abandonar-se ao romantismo arcaico dos Imortais Princípios e rematar um suculento volume de trezentas e tantas páginas, onde há penetração crítica, agudeza psicológica e sentido das relatividades, com uma apologia daqueles sofismas que são exatamente as forças negativas que até agora têm incapacitado a América-Hispânica de assumir no mundo a supremacia que lhe cabe!
«L’Amérique, aujourd’hui déserte et divisée – declara García Calderón –, sauvera la culture de France et d’Italie, l’héritage de la Révolution et de la Renaissance, et aura ainsi justifié jusqu’au bout l’heureuse audace de Christophe Colomb.» Apregoa-se esta enormidade em que todo o antagonismo estrutural da América-Hispânica com o vento solto do 89 é alvarmente negado, em seguida a uma confiada visão do futuro, condensada por Calderón em termos dignos de se arquivarem. « Si, dans une Europe dominée par les Germains et les Slaves, les peuples de la Méditerranée sont forcés de reculer dans un exode pénible vers la mer bleue peuplée d’îles grecques et de symboles anciens comme le monde, il est probable que le mythe antique se réalisera de nouveau et que le flambeau qui contient l’idéal de la civilisation latine, passera de Paris à Buenos-Aires ou Rio de Janeiro, comme de Rome à Paris dans l’époque moderne, comme de Grèce à Rome dans l’époque classique». Sem dúvida, se a catástrofe se consumar, à América-Hispânica reserva Deus o enorme destino de ajudar a salvar a ‘civilização ocidental’ – e não ‘civilização latina’, desde que desta expressão se exclui o Catolicismo, para abranger a Renascença e a Revolução, o que, em síntese, significa a negação absoluta do referido tipo de civilização. Mas, enconchado definitivamente no Atlântico o que existe de vivaz e eterno na civilização ocidental, a América-Hispânica encontrará ao seu lado, para a mesma cruzada, as duas pátrias da Península, que deram o seu sangue pela dilatação da lei do Espírito, e ‘espiritualizar’ é ‘civilizar’, não o olvidemos! Tornando-se, assim, à imagem do Crucificado, em verdadeiros Cristos insulados, difamados e supliciados.
Vítimas, precisamente, dos falsos ideais que García Calderón saúda como património da ‘civilização latina’, a ressurreição de Portugal e Espanha para as cenas da História coincidirá, ao inverso do que supõe o autor de Les démocraties latines de l’Amérique, com a guerra sistemática a quantas metafísicas bastardas se abrigam no lugar-comum, tão desacreditado, do ‘latinismo’. E o desvio ideológico que perturba o pensamento, aliás brilhantíssimo, de García Calderón, é tão amplo e tão profundo que, persistindo em confundir ‘hispanismo’ com ‘latinismo’, não hesita em escrever, contra a razão evidente dos factos e a propósito da convergência incessante da emigração mais variada para os países do Novo-Mundo: «Cette confusion de races, du Nord au Sud, laisse en présence deux traditions: l’anglo-saxonne et l’ibéro-latine; leur force d’assimilation transforme les races nouvelles. Anglais et Espagnols disparaissent ; seuls, subsistent les deux héritages moraux.» Logo o escritor peruano adita: «On découvre facilement cette tradition latine chez les Américains du Sud. Ils ne sont pas exclusivement des Espagnols ou des Portugais : au legs reçu d’Espagne se sont unies de tenaces influences originaires de France et d’Italie.» Quais essas influências? Indubitavelmente, as do Catolicismo e, antes, as da cultura jurídica de Roma, como se, para o enriquecimento de tão alto património humano, a Espanha, no declinar da Idade-Antiga, não tivesse contribuído, pelo menos, tanto como a velha Gália ou a velha Itália!
Basta lembrar-nos que já o imperador Cláudio II proclamava as Gálias e as Espanhas sustentáculos do Estado: Gallias et Hispanias vires Reipublicae. Séneca, Lucano, Marcial, Trajano e Teodósio são nomes que documentam a riqueza do esforço levado pela Espanha ao labor comum do Império. Depois, no alastramento do Cristianismo, ninguém desconhece como a entranhada feição apostólica do génio hispânico contribui para que se difunda e vigorize o universalismo da sementeira. O Credo – fórmula suprema da Fé – saiu da pena de Ósio, bispo de Córdova e ‘Pai dos Bispos’, a quem os últimos defensores do Paganismo atribuem com insultos a conversão de Constantino. Anteriormente, se Roma nos legara moldes de sociabilidade superior, não é menos certo também que dos costumes e instituições dos primitivos peninsulares bastantes elementos transitaram para a síntese jurídico-social condensada na miragem, já suficientemente diluída, do ‘latinismo’. O notável publicista D. Joaquín Costa nos seus Estudios ibéricos levantou a ponta do véu. E, segundo o parecer de catedráticos doutíssimos, como os professores espanhóis Ureña e Saldaña, do tesoiro consuetudinário das antigas populações hispânicas derivam, entre outras curiosas e úteis manifestações do direito tradicional, o regímen comunal, que sobrevive ainda em diversas localidades de Castela-a-Velha (Tierra-de-Campos); as beetrias, a comunidade doméstica de Galiza, Portugal e Aragão, hoje extinta entre nós; o próprio concelho medieval, mais aparentado com a aljama ou yemaa berberisca, de que propriamente com o município de importação latina. Mais tarde, a imposição violenta do Direito Romano destruiu todas essas ricas e fecundas experiências sociológicas, radicadas pelo correr dos séculos, e em cuja prática nós descobrimos agora soluções inesperadas para muitos dos atormentados problemas da nossa época. Como quer, pois, García Calderón que a América, debaixo do ponto de vista da civilização, porque é ‘latina’, seja tanto, ou quase tanto, espanhola e portuguesa, como francesa ou italiana?
Acresce, porém, ainda mais: «e é a transformação que os Concílios de Toledo introduziram na vida moral e política dos povos ocidentais havidos como ‘latinos’. Só por este aspecto a Península conseguiu ser a grande e diligente obreira da única ‘latinidade’, possível, a que nasce da Igreja». Não o quer entender assim García Calderón. E ei-lo floreteando com perícia extrema uma argumentação, em que o excecional é apresentado como geral – argumentação capciosa de sofista que bem sabe o fundo das coisas, mas a quem convém desvirtuá-lo. Oiçamo-lo: «Des lois d’origine espagnole régissent l’Amérique; elles tracent le rigide de la vie civile. Et ces lois, en dépit de forts éléments féodaux, c’est de Rome qu’elles viennent. Sous l’influence du droit latin, Alphonse X unifie la législation espagnole, durant la première moitié du XIIIe siècle ; trois siècles après les Espagnols colonisent l’Amérique. Les Partidas, vaste encyclopédie de droit et recueil des lois castillanes, sont un code romain. » E sempre na mesma toada, do Direito Romano ao Absolutismo, García Calderón procura despojar a Península dos seus traços originais, para a desfazer na uniformidade do molde que ele classifica de ‘latino’, terminando por estender as suas generalizações – e outro não é o seu fim! – à América-Hispânica.
Reconhece, é certo, ao Catolicismo uma ação fundamental na génese das pátrias sul-americanas. «Le catholicisme est aussi une religion sociale», pondera com pretensiosa condescendência. «En Amérique, il créa la patrie brésilienne contre le danger hollandais ; il fonda des Républiques chez des Indiens hostiles à toute vie organisée ; répandit l’énergie latine, favorisa du Nord au Sud la constitution de sociétés et de gouvernements nouveaux ». E concedendo aqui o que logo adiante retira, o autor de Les démocraties latines de l’Amérique agrega, sem rebuço nem disfarce, na sua bem marcada prestidigitação verbalista: «Sous la double pression du catholicisme et de la législation romaine, l’Amérique se latinisa. Elle apprend à respecter les formes et les lois, à subir une discipline tant dans la vie religieuse que dans la vie civile. Les idées françaises, s’ajoutant à ces influences, préparent d’abord la Révolution, puis gouvernent les esprits américains, depuis l’époque de l’indépendance. »
Mas o cúmulo da escamoteação – perdoem-me os leitores, se perco a serenidade! – não se atingiu ainda. «Ces idées – as ideias francesas, como vimos – constituent une nouvelle pression latine. La France est dans les temps modernes l’héritière du génie de la Grèce et de celui de Rome : en l’imitant jusqu’à l’excès, les Ibéro-Américains s’assimilent les éléments essentiels de la culture antique. Nous trouvons dans l’esprit français – prossegue García Calderón – le sens du goût et de l’harmonie, le lucidus ordo des classiques, l’amour des idées générales, des principes universels, des droits de l’homme, la répulsion pour les brumes du Nord et la lumière trop violente du Midi, le rationalisme, la vigueur logique, l’émotion devant la beauté et le culte de la grâce. La France a été une maîtresse de sociabilité et de littérature pour les démocraties américaines : son action est déjà séculaire. Voltaire et Rousseau furent les théoriciens de la période révolutionnaire ; Lamartine fit connaître le lyrisme et la mélancholie romantique ; Benjamin Constant, la théorie de la politique, et Verlaine, les lamentations de la décadence.» E como se prelecionasse a um auditório de semianalfabetos, o publicista peruano resume-se com a maior naturalidade num período que é expressivo em tudo – nas intenções e na insubsistência: «Soit indirectement par l’influence de la pensée et de la littérature de l’Espagne et du Portugal, soit directement, ces Républiques ont vécu d’idées françaises.»
Encontra-se bem patente o processo de sistemática adulteração, tanto histórica como política, que se empenha em roubar à Península – à madre Hispânia – o florão mais rutilante da sua coroa de glória. A França, que na hora em que nós defendíamos a civilização europeia, não hesitava em se aliar ao Turco quase senhor do Mediterrâneo, esforça-se agora por se apoderar, graças a um ‘latinismo’ de fabrico duvidoso, daquele património cultural em que nada lhe cabe, a não ser, por exemplo, as expedições de presa do calvinista Villegagnon às costas do Brasil. E o que entristece é que haja inteligências, a quem devia iluminar o sentido superior do Hispanismo, que não titubeiem em mutilar o passado da sua raça, para o sujeitarem às exigências de um transitório sucesso literário! Podia bem preguntar-se a García Calderón se a penetração do espírito francês na Península corresponde, ou não, a um sinal de decadência, tanto de Portugal, como de Espanha propriamente dita. Podia bem preguntar-se-lhe, se, pelo contrário, não recebeu a França do seu grande século, do século XVII, as inspirações e os exemplos sociais e artísticos da Espanha sua contemporânea. Não negaria, certamente, o autor de Les démocraties latines de l’Amérique que nos sentimentos e nos costumes a França, tão sua predileta, é filha da sensibilidade lusitana, como o documenta a sugestão da Diana, de Jorge de Montemor, na Astrée, de Honoré d’Urfé, como o prova a ditadura emotiva das Lettres de la religieuse portugaise, de que Jean-Jacques Rousseau recolheria o veneno subtil, para o universalizar depois com a psicose romântica. E se García Calderón, que deixa de ser para nós um nome individual para se volver num símbolo – o símbolo de quantos ‘afrancesados’ andam agora a repetir esse anacrónico figurino mental da ‘França, mãe do género-humano’ –, se García Calderón folhear os trabalhos notabilíssimos de Gilbert Chinard, professor da universidade da Califórnia (L’exotisme américain dans la littérature française au XVIe siècle (d’après Rabelais, Ronsard, Montaigne, etc.,[6] L’Amérique et le rêve exotique dans la littérature française au XVII et au XVIIIe siècle,[7] e, finalmente, L’éxotisme américain dans l’oeuvre de Chateaubriand [8]) aprenderá que a mesma América, que ele encara como redimida do pecado original da selva pelo milagre do génio gaulês, perturbou, ao inverso, grandemente a França dos seus encantos, a ponto de Ronsard e de Malherbe, longínquos avós da ‘Bondade-Natural’ de Rousseau, excitados pela presença de índios brasileiros nas margens do Sena, exclamarem, entre langorosos e meditativos, que não se alterasse a doce inocência desse «peuple inconnu d’habits tout aussi nu, qu’il est nu de malice», porquanto, «ils vivent maintenant en leur âge doré».
Montaigne, sobre todos, mostra-se um panegirista inflamado do ‘estado selvagem’ – para ele, espécie de ‘estado de graça’. E apurando as impressões apaixonadas do século XVI francês acerca de um tema tão novo como enleante, Gilbert Chinard condensa-se no seguinte juízo: «Nous ne rechercherons pas où était la vérité dans les opinions si diverses et si contradictoires sur les sauvages américains qui avaient cours au XVIe siècle. Nous avons vu comment deux théories radicalement opposées s’étaient établies : l’une considérant des habitants du Nouveau Monde comme des animaux à peine supérieurs, l’autre au contraire voyant en eux des êtres plus heureux, plus vertueux et aussi plus raisonnables que les Européens. Dès cette date se pose le problème qui devait diviser pendant plus de deux siècles nos écrivains et nos philosophes; c’est le procès de la civilisation qui commence.»
Acrescenta Gilbert Chinard: «La Renaissance de l’antiquité avait contribué pour une grand part a la formation de cet état d’esprit, mis sans la découverte de l’Amérique, qui vint mettre le feu aux esprits, jamais il n’aurait pu subsister et se développer, à un tel point qu’il mettra un jour toute la société en péril avec J.-J. Rousseau et ses trop ardents disciples.»
Pela transcrição produzida avalia-se decerto da importância deste problema do ‘indianismo’, literário e da sua influência na insurreição individualista, de que resultou o vento doido do Romantismo. É legítimo quase concluir, embora com desgosto para publicistas e devaneadores género García Calderón, que a França – a França da Renascença e da Revolução – deve mais à América, acabada então de sair do mistério estonteante do seu primitivismo, do que a América a essa França, que uma retórica desbotada e usada teima em nos apresentar como o grande e nunca exausto úbere da Latinidade. De sorte que, em face do alegado e do exposto, cuido suficientemente convencidos os meus leitores de que não há uma ‘América latina’ e de que na América designada como tal abusivamente, o fundo social e cultural é o fundo comum da raça – é o fundo hispânico.
Como depoimento terminante, apelemos em instância última para o insigne uruguaio José Enrique Rodó, tão eminentemente representativo das tendências intelectuais da América-Espanhola. «No necesitamos los sudamericanos – confessa ele no seu Ariel –, cuando se trate de abonar esta unidad de raza, hablar de una América-latina; no necesitamos llamarnos latino-americanos para levantarnos a un nombre general que nos comprenda a todos, porque podemos llamarnos algo que signifique una unidad mucho más íntima y concreta: podemos llamarnos iberoamericanos, nietos de la heróica y civilizadora raza que solo políticamente se ha fragmentado en dos naciones europeas; y aun podríamos ir más allá y decir que el mismo nombre de hispanoamericanos conviene también a los nativos del Brasil; y yo lo confirmo con la autoridad de Almeida Garrett; porque siendo el nombre de España, en su sentido original y propio, un nombre geográfico, un nombre de región, y no un nombre político o de nacionalidad, el Portugal de hoy tiene, en rigor, tan cumplido derecho a participar de ese nombre geográfico de España como las partes de la Península que constituyen la actual nacionalidad española; por lo cual Almeida Garrett, el poeta por excelencia del sentimiento nacional lusitano, afirmaba que los portugueses podían, sin menoscabo de su ser independiente, llamarse también, y con entera propiedad, españoles.»
Labora-se igualmente num erro grosseiríssimo quando, através dos critérios refletidos pelo autor de Les démocraties latines d’Amérique, se considera a emancipação da América-Hispânica uma consequência da Revolução-Francesa. Mais avisadas, indubitavelmente, são as opiniões do ilustre uruguaio Luís Alberto de Herrera no seu conhecidíssimo livro A Revolução Francesa e América do Sul,[9] anterior ao volume de García Calderón. Aí se assevera significativamente que a América do Sul derramou caudais de sangue, em homenagem ao Contrato-Social, definindo-se por ‘plagiato pernicioso’ a aclimatação ao Novo-Mundo das ideologias saídas da inspiração dementada de Rousseau. Insurgindo-se nobremente contra a ‘fascinação-francesa’, Luís Alberto de Herrera nota com incisão que na América do Sul, debaixo da mentira tão explorada da soberania do Povo, dezenas de vezes as suas frações territoriais se viram negramente tiranizadas, à exceção do Chile e do Brasil, salvos do esfacelamento intestino – «o primeiro em virtude da sua organização aristocrática, e o segundo pelo refúgio que encontrou na monarquia constitucional».
Mas não se ficam por aqui as retificações à tese que, sendo de tantos, reaparece com singular relevo no livro de García Calderón. Não decorreu ainda muito tempo sobre a aparição de um estudo que provocou celeuma. Refiro-me ao trabalho de Marius André – La fin de l’empire espagnol d’Amérique, com prefácio de Charles Maurras. Acreditava-se, como se fosse coisa dogmática, que a emancipação dos vice-reinados espanhóis no Novo Mundo resultara do prestígio libertador da Revolução-Francesa. Pois Marius André demonstra-nos o contrário. «Pour que le mouvement d’émancipation ébranle les masses, réussisse et aboutisse a la république, il faudra que le peuple d’Espagne se lève contre Napoléon et que les sujets d’outre-mer refusent aussi de se soumettre à l’usurpateur» – explica Marius André. « L’indépendance et la république naîtront, en Amérique, des manifestations unanimes de fidélité au régime déchu et à la religion catholique. La révolution hispano-américaine sera non pas une fille de la Révolution française, comme l’affirment de nombreux historiens européens, mais, au contraire, une réaction contre cette révolution, surtout en ce que celle-ci avait d’anti-religieux. »
A influência da Revolução-Francesa veio – é certo. Mas veio nos termos em que a história Luís Alberto de Herrera, quando as pátrias sul-americanas, saídas do período colonial, careciam de assentar em bases sólidas a sua unidade moral e política. As dissensões constantes, a guerra civil por hábito permanente, o caudillismo – passe a palavra! – com todos os vícios da sua improvisação pretoriana, eis em que se desentranhou para a América-Hispânica o contágio do 89 gaulês, ou seja o ‘plagiato pernicioso’, na expressão inolvidável de Herrera.
Não se contentou, porém, em promover a desordem, como um bacilo crónico de anarquia, essa importação dos Imortais-Princípios. Caracterizada pelo ódio mais frenético às raízes santas do Passado, cavou entre as novas pátrias que, tenras ainda na sua ossatura de Estados recentes, se entregavam sem reservas à embriaguez do vento democrático, e a sua antiga e tutelar metrópole, um abismo tão fundo e tão rasgado, que durante quase um século nem uma simples aproximação espiritual se tornou possível. Quem perdia com isso, no fim de contas? Perdiam as próprias nacionalidades que tão insensatamente renegavam os seus antecedentes históricos, de maneira a não ficarem mais, despojadas como se despojavam dos laços tradicionais, do que um revolto e confuso borrão de mestiços tripudiando à solta. Ora, nessa parte negativa, é que a América-Hispânica é devedora à França de uma dívida que só a enegrece e deprime perante si mesma.
Tão funesto período corresponde, segundo o dr. J. Francisco V. Silva, à desnacionalização das nações hispano-americanas. Por um lado, o que o caloroso publicista argentino consubstancia num só vocábulo: ‘yankización’; por outro, a atração de Paris – tais os fatores que mais contribuíram para que na América-Hispânica se enfraquecessem por completo os vínculos que a prendiam à unidade fecunda da sua civilização. Aos que se vão banhar a Paris nas águas-sujas de uma suposta capital do orbe culto, atira o escritor colombiano Blanco-Fombana um golpe de morte a que não resistem. «Pero nadie inspira más risa y más desprecio a este país de buen humor (França) que los latino-americanos, a quienes engloba con el simpático y popular epíteto de rastacueros. Nos desprecia y tiene razón. Sus puntapiés ¿no los pagamos con sonrisas? ¿No admiramos a los franceses en la forma más vil de la admiración, imitándolos? O, mejor dicho, parodiando su talento con nuestra mediocridad, su gracia con nuestro amaneramiento, ¿su ironía con nuestros chistes de cien kilos?»
Quanto ao progresso material da América-Hispânica, são do dr. J. Francisco da Silva os informes que recortamos. «Nuestra América está mediatizada por los enemigos europeos y tradicionales de la raza hispánica desde 1810. No fabrica ni sus cañones, fusiles y armamentos, ni buques de guerra, acorazados y torpederos; ni locomotoras, turbinas y artefactos. Esto es pobreza en países de tierras ricas, es dependencia del extranjero aun proclamando vanas libertades, es atraso en países de hispánicos impulsos; sin embargo, todos quieren explotarles porque bajo su cielo el oro se centuplica, todos envidian su riqueza que un día será magnífica, y son el pasto de la humana ambición.» Assim se compreende que o dr. J. Francisco V. Silva corajosamente declare que o patriotismo, ao outro lado do Oceano, seja um «patriotismo absurdo, impuesto por burguesías hispanófobas y extranjeras que han secuestrado el Poder en América española, desnacionalizándola».
Todo esse longo giro de decadência se reduz, pois, a uma sujeição humilhante, sujeição literária em relação à França; sujeição económica em relação à Inglaterra; sujeição imigratória, em relação à Itália; e sujeição política em relação aos Estados Unidos. Claro que é o caso do argentino o caso especialmente encarado pelo nacionalismo ardente do dr. J. Francisco V. Silva. Mas as suas reflexões, por desgraça, estendem-se e abrangem toda a América-Hispânica!
Na verdade, se meditamos um pouco no estado de anarquia crónica em que o liberalismo mantém as viçosas nacionalidades hispano-americanas, iludindo-as com os falsos fulgores de um equívoco progresso material, acodem logo à lembrança as estrofes doloridas de Rubén Darío:
Desdeñando a los reyes nos dimos leyes
al son de los cañones y los clarines,
y hoy al favor siniestro de negros reyes
fraternizan los Judas con los Caínes.
Bebiendo la esparcida savia francesa
con nuestra boca indígena semi-española,
día a día cantamos la Marsellesa
para acabar danzando la Carmañola.
Las ambiciones pérfidas no tienen diques,
soñadas libertades yacen deshechas:
Eso no hicieron nunca nuestros caciques,
a quienes las montañas daban las flechas.
Ellos eran soberbios, leales y francos,
ceñidas las cabezas de raras plumas;
¡Ojalá hubieran sido los hombres blancos
como los Atahanalpas y Moctezumas!
Cuando en rientres de América cayó semilla
de la raza de hierro que fue España,
mezcló su fuerza heróica la gran Castilla
con la fuerza del índio de la montaña!
…
Duelos, espantos, guerras, fiebre constante
en nuestra senda ha puesto la suerte triste:
¡Cristóforo Colombo, pobre Almirante,
ruega a Dios por el mundo que descubriste!
Tal é a angústia alucinada do poeta, tocado do calvário patético da sua América, enquanto, «la canaña escritora mancha la lengua en que escribieron Cervantes y Calderones». Esse alarme ampliou-se com o tempo e procura resposta às suas ansiosas interrogações num grupo cada vez maior de pensadores e artistas, estudando com afinco o regresso à tradição hispânica, de que o estrangeirismo desnacionalizador, para melhor as dominar, conseguira desenraizar quase totalmente as pátrias hispano-americanas. Servindo a necessária reação contra o baixo ideal utilitarista da vida, traduzido nas sugestões aliciantes da plutocracia contemporânea, Manuel Gálvez proclama abertamente, com um nobre heroísmo de inteligência: «Contra las ridículas modas, contra las influencias extrañas que nos descaracterizan, pretende reaccionar el actual nacionalismo argentino. ¡Feliz y oportuna aparición la de este noble sentimiento! Él nos exige dejar a un lado las tendencias exóticas y nos invita a mirar hacia España y hacia América. No odiamos a los pueblos sajones, a los que tanto debe el progreso argentino; no odiamos a la dulce Francia, cuyo espíritu elegante y armonioso tanto ha influido en nuestras cosas; no odiamos a esa ferviente Italia que nos ha dado una parte de sus energías. Pero ha llegado ya el momento de sentirnos argentinos, y de sentirnos americanos, y de sentirnos, en último término, españoles, puesto que a la raza pertenecemos.»
Já antes o inspirado tradicionalista de El solar de la raza comentara: «Los restos de hispanofobia en la Argentina no desaparecerán mientras dure el huracán de esnobismo que nos tiene enfermos. La moda es la ley suprema. Un libro ‘vale’, si es moda leerlo; una ciudad es ‘bonita’, si la moda exige que la visitemos; la Argentina es una gran nación, porque está de moda... Nada tan típico, sobre el esnobismo, como el consejo que me dio una vez cierto joven abogado, profesor y orador argentino. Me decía el excelente sobrino de Homais que hiciera imprimir y editar mis libros em Francia, pues los que se hallaban en tal caso ‘hasta parecían mejores’.» E anunciando com inflamações de crente e de visionário os tempos que vão chegar, Manuel Gálvez remata o belo prefácio – «El espiritualismo español» – do seu citado livro num como que hino, que é preciso fixar aqui: «Nosotros poseemos el secreto de la energía. Pero no será la nuestra una energía bárbara y automática como aquella que hierve sin cesar en los Estados Unidos de Norteamérica. La nuestra es y será una energía armoniosa, una fuerza atemperada de elegancia latina, un impulso inteligente, un brazo de un ser en quien la acción no ha destruido el ensueño. En consecuencia, el poeta de nuestra estirpe no será un Walt Whitman; los ritmos bárbaros, el tono bíblico, la inelegancia, el desorden del poeta yanqui, serían cosas extrañas a nuestra idiosincrasia.» E sem moderar o seu otimismo iluminado, o escritor insiste: «Trabajemos para que llegue cuanto antes el día de las espléndidas realidades que soñamos. La grandeza material ya comienza. Ahora debemos en labor paralela crearnos la otra. Aprovechemos, pues, los dones espirituales que nos hacen nuestros hermanos de Europa. Recojamos los viejos ideales latinos que ellos van perdiendo y adaptémoslos a nuestra vida. Y, finalmente, dejemos que templen de espiritualidad a nuestras energías materiales los efluvios de la España vieja. La decadencia del solar de la raza debiera ser para nosotros una fecunda fuente de ideales. En las ruinas suntuosas y tristes de la España vieja podemos hallar los grandes bienes que faltan a nuestra riqueza ascendente. Hasta las cumbres opulentas de oro llegan a veces, para atenuar su materialidad, vaguedades de aromas en que expresan su misterio los profundos valles.»
No meio de tamanha, mas de tão simpática exaltação, adivinha-se bem a volta que a América está sofrendo nas suas mais profundas razões de pensar e de sentir. Isso não basta, porém, para que os seus íntimos males se remedeiem! Há que ir, e com perseverança, além e muito além! Quem repassar esse rude e sincero livro de Eduardo Prado, A ilusão americana, verá sem dificuldade que o alastramento da doutrina de Monroe representa para a América anglo-saxónica uma pertinaz aspiração de imperialismo desorganizador e absorvente. A queda do império no Brasil significou a primeira investida séria de Washington, temerosos os norte-americanos de que na parte sul do Novo Mundo se constituísse um poder mais forte que o da sua plutocracia crescente, graças às magníficas e incontestáveis virtudes do princípio monárquico. A consciência do perigo entrevisto por Eduardo Prado, em relação à sua pátria, ganha já hoje as melhores inteligências hispano-americanas. Socorramo-nos do exemplo do ilustre mexicano Carlos Pereira, de cuja pena saíram dois expressivos volumes: El mito de Monroe e El crimen de Woodrow Wilson. Basta percorrê-los para que nos convençamos de que, na decomposição política do México e nas dissídias, tanto internas como externas, das outras repúblicas da América-Hispânica, é sempre o dedo yankee que diligentemente manobra.
Prefaciando El crimen de Woodrow Wilson, pondera um outro hispano-americano não menos representativo, Blanco-Fombona: «Cuando Colombia se queja de Roosevelt por la secesión y rapto de Panamá; cuando Nicaragua maldice de Taft por escalamiento con fractura de la soberanía nicaragüense; cuando Méjico increpa a Wilson por el desencadenamiento y mantenimiento de la anarquía en suelo mejicano; cuando Santo Domingo acusa al mismo sonreído y castilaginoso luterano de que hable de libertad, de derecho, de vida, mientras dispone expediciones militares que llevan a esa Antilla la esclavitud, la barbarie y la muerte, prueban Santo Domingo, Méjico, Nicaragua y Colombia, que no conocen el problema de que son víctimas, y que mientras no lo conozcan y comprendan, los Estados Unidos de la América sajona invadirán, descuartizarán y reducirán a coloniaje a los Estados desunidos de la América latina.» Os ‘Estados desunidos’ da América, que Blanco-Fombona apelida ‘latina’, sacrificando ainda a um falso conceito! Não sei, na verdade, de expressão que melhor defina a ausência total de irmandade que dilacera e vai entregando à sapata do inimigo comum as nacionalidades hispano-americanas... Reflete avisadamente o mencionado autor, continuando as suas considerações sobre tão pungente e momentosíssimo tema: «Cuando la Argentina, por estar un poco más distante del ogro, cree – Zeballos es legión allí – que nada le va ni le viene con lo que hagan los yanquis en el resto del continente, prueba Argentina que su visión política es limitadísima, y que no tiene derecho a vivir dentro de medio siglo pueblo que no columbra su destino con medio siglo de antelación.» A raiz de tudo o que palpita então, que problema é esse tão mal conhecido pelas nações enumeradas por Blanco-Fombona e por isso mesmo vítimas do despotismo financeiro dos Estados Unidos? Responda-nos o próprio Blanco-Fombona.
«La gran lección de este crimen de Woodrow Wilson consiste en divulgar lo que nunca debemos perder de vista en la América latina, que no es Wilson, ni Taft, ni el ridículo Roosevelt, ni ningún presidente, ni los republicanos, ni los demócratas, ni ningún partido presente o futuro, el enemigo da América, sino que el enemigo tradicional, presente y futuro, de América, es la República de los Estados Unidos. Están frente a frente dos razas: la de origen latino y la de origen sajón; dos Américas: la que nació de la Europa meridional y la que nació del Norte europeo; dos concepciones de la vida: la idealista y la sanchopancesca; dos sectas: el catolicismo y el protestantismo; dos ideas sociales: el individualismo y la solidaridad; dos civilizaciones: la del Mediterráneo y la de mares y tierras hiperbóreas.»
E não avançamos mais! Produziram-se os elementos suficientes para que se abrace em toda a sua amplitude a estreita relação que existe entre o Hispanismo, como fórmula de aproximação peninsular, e o Hispano-Americanismo, como convergência necessária para o mesmo ponto de defesa e de desenvolvimento comum das diversas nacionalidades hispânicas do Novo-Mundo. Padecem essas nacionalidades, principalmente no seu ódio romântico à Península – sua grande madre, as consequências de uma longa e persistente infiltração estrangeira. Se nas nações de origem, espanhola, mercê de uma ativa campanha intelectual, o regresso aos caminhos da verdade começou já a acentuar-se, o ‘nativismo’ no Brasil, desprezando, entre outros avisos, o do insuspeito Sílvio Romero, não hesita em quebrar todas as agarras que prendem a pátria brasileira ao passado – e glorioso passado! – de Portugal. Chega-se até a uma extremidade de aclamar como um puro tipo de brasileirismo nascente a Calabar, traidor, que não trepidou em abandonar seus irmãos de armas, passando-se para o holandês, para o inimigo!
Nunca o Brasil deve esquecer os aplausos que a colonização portuguesa arrancou a Eduardo Prado, colonização católica, criadora de povos – tal como a espanhola –, e não simples ocupadora de territórios, onde a caça ao indígena se tornava processo sumário de domínio, tal como a Inglaterra. Cremos bem que a tendência mental no Brasil se modificará sensivelmente, com mais justiça e mais meditação sobre as lições da história. O esforço de Elísio de Carvalho, com as páginas fortes e sinceras dos seus Bastiões da nacionalidade, representa já uma sensível modificação do ambiente. Mas a Elísio de Carvalho e aos seus colaboradores da América Brasileira, que o querido e ilustre camarada nos perdoe a franqueza, talvez um tanto desabrida! – falta-lhes uma doutrina– uma filosofia. Como nacionalistas, a sua doutrina, a sua filosofia, teria de ser iniludivelmente antidemocrática, ou, melhor dizendo, contrarrevolucionária. É, de resto, a filosofia que o Brasil já possui nas belas campanhas de Jackson de Figueiredo, meu irmão na mesma dupla fé religiosa e tradicionalista. Mas, ai de nós!, Jackson de Figueiredo participa um tanto da lusofobia dos nativistas, como, com mágoa, concluo da leitura do seu opúsculo Do nacionalismo na hora presente. Aponta justamente aí Jackson de Figueiredo a diferença que há para um americano na revolução, ou seja, na violenta separação que estabelecemos entre nós e a as metrópoles – diz o autor eminente de Pascal e a inquietação moderna –, e a Revolução quando, facto moral e ideológico, importa a negação dos dogmas nacionais, «paralela quase sempre à negação religiosa». O desacordo começa, porém, quando, assinalando ao ‘português’ a sua qualidade de ‘estrangeiro’ no Brasil, o considera no mesmo pé de igualdade que o «francês, o alemão, ou o japonês». Eis onde nos distanciamos profundamente, entendendo que o ‘nacionalismo’ de Elísio de Carvalho, neste aspeto do problema, se coloca mais dentro dos princípios tradicionalistas que o patriotismo alarmado de Jackson de Figueiredo. Explicamos já porquê.
No seu mencionado estudo Reparto de América-Española y Pan-Hispanismo, repara J. Francisco V. Silva que uma coisa são os ‘argentinos étnicos’ e outra coisa os ‘argentinos legais’, sendo o ‘hispanismo’ dos primeiros estrutural, enquanto o dos segundos é meramente formal. A Grande-Guerra demonstrou bem que não passavam, com efeito, de uma ficção perigosa as faculdade da naturalização consignadas nos códigos contemporâneos. Ora conceder no Brasil ao português a situação que se concede ao alemão ou ao francês é cair num lamentável vício de perceção – bastante para surpreender em espíritos tão tocados das realidades interiores como Jackson de Figueiredo! Ninguém pede no Brasil, para o português, privilégios que ponham em risco de ofensa a dignidade e o melindre dos naturais. Mas não se fundindo com a massa dos cidadãos brasileiros, o português é menos ameaçador do que o alemão, ou o japonês, ou o norte-americano, que, disfarçando-se pela naturalização na qualidade de ‘brasileiros legais’, não se acomodarão jamais àquilo que constitui o essencial da pátria brasileira, a sua língua, a sua tradição, a sua cultura. Os Estados do Sul que o digam com a experiência bem viva do Deutschtum...!
É certo que, num desconhecimento total de todas as dificuldades que rodeiam o delicado problema da aproximação luso-brasileira, se fala cá e lá, a cada momento, na Confederação – nada menos de que na Confederação, meus senhores! – de Portugal e Brasil.[10] É certo que se ignora inteiramente que o Brasil, na outra margem do Oceano, repetiu, com elementos próprios, o processo de desmembração histórica que Portugal efetivou na Península para com o bloco astur-leonês-castelhano. Enganam-se – e enganam-se torpemente! – os que nos julgam ‘eterna metrópole’, julgando o Brasil ‘colónia perpétua’! Mas por semelhante e abominável conceção terá de se verificar somente que em Portugal o Estado em nada representa a ação e que os intelectuais, marca-Júlio Dantas, exportados diariamente para o Rio nos anúncios telegráficos das grandes agências de informação, não dispõem da menor raiz no sentimento e na consciência coletiva em Portugal. O que pode e há-de aproximar o Brasil de Portugal é o que pode e há-de aproximar da Espanha as nacionalidades hispano-americanas: a guarda e o prestígio de um tipo de civilização que a todos os hispanos igualmente pertence e que, sendo a base fundamental da sua razão de ser como pátrias livres, é, simultaneamente, como simples ‘programa de conservação’ – o ‘programa de conservação’, em que Moniz Barreto insistia pelo que tocava a Marrocos a afirmação de um natural e irresistível supernacionalismo.
Por esse supernacionalismo, traduzido numa aliança, ou espécie de liga ou anfictionia, Portugal e Espanha recobrarão na Europa a preponderância que em direito lhes cabe, ao passo que na América as pátrias, que da Península derivam, sanadas as chagas que internamente as laceram, aplanadas as arestas que externamente as suscetibilizam e trazem num estado de desconfiança permanente, não demorarão a atingir o esplendor e a supremacia para que Deus as convocou. Outro não é o conteúdo da civilização hispânica, outra não é a política do Atlântico mare nostrum.
De contrário, divididas, cultivando constantemente a dissidia e a mediocracia, vítimas do erro democrático e de um ‘latinismo’ mentiroso, só nos apressaremos, peninsulares e hispano-americanos, a tornar possíveis os agoiros de Sánchez Toca no seu livro Del poder naval en España. Ei-los: «No queda para los destinos de nuestra linaje más que la siguiente alternativa: o que todos los elementos de nuestra nacionalidad a una y otra margen del Océano tomen vigorosa constitución económica o política y se concierten en íntima solidaridad de nuestra ayuda para mantener el nombre, la lengua, los intereses, el respeto de la personalidad internacional, la independencia y soberanía de la raza creadora del mayor poder y majestad y de la más intensa acción civilizadora que ha conocido la tierra desde los días de la grandeza romana; o bien que estos elementos de nuestra raza se resignen a no figurar ya sino como restos descompuestos y cadáveres de naciones que los nuevos Imperios devoren o sotierren a título de sanear la superficie del planeta.» Tal é, inevitável e ignóbil, a nossa certidão de óbito! Se se lavrar, por nossas próprias mãos a lavraremos.
Mas, se unida a nossa vontade – vontade, no fim de contas, de uma minoria esclarecida e audaz, porque de um exclusivo labor de inteligência se trata! – à vontade evidente de Deus, nos atirarmos resolutamente ao encontro do futuro, de novo os hispanos prepararão uma nova idade do Mundo. Idade neocristã, idade restauradora do Espírito, é a idade que Oliveira Martins já entrevia de entre as névoas do seu pessimismo filosófico, quando epilogava a História da civilização ibérica. «Nós acreditamos firme e diremos até piamente – exprimindo por este advérbio a nossa fé na ordem universal – na futura organização das nações da Europa; cremos, portanto, em uma vindoura Espanha, mais nobre e mais ilustre ainda do que foi a do século XVI. Acreditamos também que já hoje navegamos na viagem para esse porto, embora os nevoeiros conturbem as vistas dos nautas agora que apenas acabamos de largar as costas do velho Mundo. Que papel destina o futuro à Península, e qual será a fisionomia dessas idades vindouras? A história não é profecia; mas o estudo das idades passadas deixa entrever muitas vezes as probabilidades futuras; e quando, através de todas as crises, no meio dos ambientes mais sistematicamente adversos, observámos que o heroísmo peninsular soube vencer tudo com a sua indomável energia, somos levados a crer que o papel de apóstolos das futuras ideias está reservado aos que foram os apóstolos da antiga ideia católica.»
Assim falou Oliveira Martins. Mais felizes do que ele, já pressentimos bem onde nos conduz a força secreta do nosso génio, do génio imortal da grande-madre Hispânia. Eixo da civilização pelo íntimo e completo consórcio de todas as suas tendências para o Absoluto, com a labareda sagrada do Cristianismo, pela Cruz e pela Espada, a Hispânia salvou outrora a humanidade de uma noite profunda e quase sem esperança. A mesma noite se condensa tragicamente sobre as nossas cabeças. Acima, hispanos de ambas as margens do Atlântico! É que as estrelas do Céu e as ondas do Mar vejam outra vez a gesta de uma raça que nasceu para se dar a Deus e aos homens num sacrifício ardente e jubiloso!
FINIS LAUS DEO
[1] Madrid, Beltrán, p. 26.
[2] América Española o Hispano América. El término ‘América latina’, es erróneo... Traducción de Filipe M. de Setiérs, Madrid, 1919.
[3] Transcrição do opúsculo citado, América-Española o Hispano-América.
[4] Ver também a opinião do doutíssimo Bonilla y San Martín, no capítulo «América Española» do seu livro recente Los mitos de la América precolombina, Barcelona, 1918.
[5] Paris, Flammarion, 1912. Prefácio de Poincaré.
[6] Paris, Hachette, 1911.
[7] Paris, Hachette, 1917.
[8] Paris, Hachette, 1918.
[9] Não conheço o original, servindo-me da 2.ª edição da tradução francesa por Sebastien Etchebarne, Paris, Grasset, 1912.
[10] Escrita esta página antes do aparecimento do notável livro do doutor Bettencourt-Rodrigues, claro que não nos referimos a tão elevada manifestação de patriotismo.
Refs.
- Recensão de Reparto de América-Española y Pan-Hispanismo, de J. Francisco V. Silva, por G. Maura. Boletín de la Real Academia de la Historia, Tomo 77 (1920), pp. 18-21.
- https://www.estudosportugueses.com/uploads/1/1/3/4/113423301/1919_-_am%C3%A9ruica_espa%C3%B1ola_o_hispano_am%C3%A9rica_-_aurelio_m_espinosa.pdf
- https://www.estudosportugueses.com/uploads/1/1/3/4/113423301/garcia-cald%C3%A9ron-_democraties_latines_de_lamerique.pdf
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- 1921_-_jackson_de_figueiredo_-_do_nacionalismo_na_hora_presente.pdf