ESTUDOS PORTUGUESES
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        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
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Sebastianismo e Quixotismo

António Sardinha

RESUMO
António Sardinha aborda o Sebastianismo como uma expressão da esperança e do lirismo português, em oposição ao Quixotismo castelhano, destacando as diferenças e complementaridades entre as identidades portuguesas e castelhanas na formação da civilização hispânica.

Sebastianismo e Quixotismo na Formação da Identidade Portuguesa e Castelhana
  • Introdução. António Sardinha discute as particularidades do desenvolvimento histórico e cultural de Portugal em comparação com Espanha, especialmente com Castela, utilizando como eixos centrais os conceitos de Sebastianismo e Quixotismo. Ao longo do ensaio, Sardinha recorre a referências eruditas, análises históricas e comparações literárias para ilustrar as singularidades do ethos português, estruturando a argumentação a partir de anotações que agora se expandem em uma exposição coesa.
  • O Elemento Psíquico na Determinação das Nacionalidades. Sardinha destaca que, embora não existam fronteiras naturais marcantes entre Portugal e Espanha, a existência de Portugal como nação independente se justifica pelo elemento psíquico — ou seja, pelas suas condições psicológicas e sociais características. Citando Bullón y Fernández, enfatiza-se que a verdadeira individualização de uma nacionalidade reside mais na sua fisionomia psíquica do que em acidentes geográficos. Portugal, enquanto zona atlântica situada no extremo ocidental da Europa, assume uma missão histórica de povo descobridor, comercial e colonizador, comparável à antiga Fenícia.
  • O Lirismo e Estrutura Social Portuguesa. A seguir, o texto associa o lirismo estrutural da alma portuguesa à sua aptidão bucólica, relacionando a expressão lírica com uma vivência rural e sentimental. Sardinha recorre à análise de Menéndez Pelayo sobre o “Amadis”, cuja atmosfera lírica e sentimental remete ao noroeste peninsular, mais galego ou português do que castelhano. Assim, o mito do Encoberto, símbolo de esperança e de sonho, emerge do lirismo e da “ternura portuguesa”, consolidando a diferença psicológica entre portugueses e castelhanos.
  • Linha Genealógica: Do Amadis ao Encoberto. Sardinha destaca que o Amadis do Mar, personagem lírico e amoroso, antecede diretamente o mito do Encoberto, símbolo maior do Sebastianismo. Enquanto o Romanceiro castelhano gera o patético do Cavaleiro da Triste-Figura, D. Quixote, a tradição portuguesa encontra no Amadis a sua matriz sensível. Essa diferença reflete-se na literatura — onde a lírica galaico-portuguesa privilegia a sentimentalidade e monotonia doce, e a castelhana, a variedade e o desenvolvimento narrativo — e na própria constituição social dos povos.
  • Formação Histórica: Da Vila à Freguesia. Sardinha aprofunda a análise histórica, recorrendo a Alberto Sampaio para demonstrar como, no noroeste peninsular, a sociedade se organizou em vilas romanas, posteriormente transformadas em freguesias com a cristianização. A freguesia em Portugal torna-se símbolo de uma forma rudimentar de autogoverno local, distinta do modelo espanhol, onde a administração urbana precedeu a rural. Essa estrutura comunitária agrícola favoreceu a coesão social e o surgimento de uma nacionalidade independente, baseada na ligação à terra e à tradição.
  • O Sebastianismo como Filosofia Inata Portuguesa. Dentro deste contexto sociocultural, o Sebastianismo surge como condensação da filosofia portuguesa: a Esperança, nutrida pela experiência bucólica e pacífica de uma raça sedentária. O mito do Encoberto, herdeiro do Amadis, traduz o sentimento de espera confiante, ligada tanto à terra quanto à miragem do mar, reforçando o papel do lirismo e da esperança como traços distintivos da identidade nacional.
  • Comparação entre Sebastianismo e Quixotismo. Em contraponto, o Quixotismo personifica o ethos castelhano, marcado pelo estoicismo e pela ação heróica, conforme ilustrado na figura de D. Quixote, herdeiro das verdades “carpetovetónicas” e do pensamento de Séneca. Assim, Sebastianismo e Quixotismo representam éticas diversas, resultantes de diferentes experiências históricas e sociais, sendo o primeiro ligado à esperança lírica e comunitária, e o segundo à bravura individual e conquista.
  • Complementaridade das Identidades Peninsulares. Por fim, Sardinha conclui que a individualização de Portugal e Castela reside nas suas filosofias de vida, refletidas nos seus mitos fundadores e na literatura: Portugal é o Cancioneiro, a poesia lírica, o Encoberto e a vocação marítima; Castela é o Romanceiro, D. Quixote e a vocação terrestre. A civilização hispânica só se completa pela coexistência e colaboração dessas duas personalidades distintas, que, juntas, garantem a vitalidade e o legado cultural da Península Ibérica.​​





​Sebastianismo e quixotismo


 
Mas nem todos em Espanha pensarão como eu penso, encostado a factos insofismáveis, não obstante os preciosos reforços que a cada hora a moderna erudição espanhola está trazendo à minha tese. Porém, esses mesmos, pouco inclinados a conceder a Portugal fronteiras que nos individualizem como nação à parte e uma raça que nos distinga no concerto dos nossos irmãos peninsulares, não hesitam em declarar com uma nobre isenção, como, por exemplo, o ilustre professor e publicista, senhor Bullón y Fernández: «No han faltado quienes, para dar uma demostración de que Portugal carece de condiciones que explíquen su existencia como nación independiente, han alegado que no existen entre Portugal y España límites naturales; pero, aun suponiendo que eso sea exacto, y lo es casi en absoluto, siquiera no falten en algunos espacios de zona fronteriza accidentes físicos que pueden considerarse como algo más que líneas meramente convencionales de separación; pero aunque ello fuera exacto, con una absoluta y completa exactitud, ese argumento demostraría todo lo contrario de lo que pretenden sus autores, porque a las naciones no tanto las constituye el elemento psíquico, y si a pesar de no haber líneas naturales de separación, ha mantenido Portugal durante tantos siglos una personalidad independiente, será porque hay allí condiciones psicológicas, modalidades sociales, diferentes y características.»[1]
Efectivamente, o elemento psíquico, mais determinante de uma nacionalidade que o elemento natural ou físico, já nós o indicamos, ao ocupar-nos do lirismo estrutural da alma portuguesa e da sua expressão máxima no mito do Encoberto. No entanto, o elemento psíquico é sempre antecedido, quando não condicionado, pelo elemento natural ou físico. E ainda que o senhor Bullón y Fernández nos não reconheça fronteiras naturais acentuadas, não se recusa a acrescentar, sempre com a mais louvável sinceridade, que «lo que caracteriza territorialmente a las naciones es la manera especial como en determinada región del globo se agrupan y combinan los elementos geológicos, orográficos, hidrográficos, marítimos, climatológicos, etc., la fisionomía particular y cómo el temperamiento que de aqui resulta para aquella zona terrestre, su modo de ser propio y peculiar. Y considerado Portugal desde este ponto de vista – prossegue o senhor Bullón y Fernández – no hay duda alguna que tiene una fisionomia especial inconfundible, porque es una zona litoral atlántica situada en el extremo occidental del mundo antiguo... Y esto daba a el pueblo que viviese en esa zona atlántica, cuyas condiciones marítimas están además avaloradas por ríos navegables y puerto tan excelente como Lisboa, una misión semejante a la que tuvo Fenicia en la antiguidad, la de ser un pueblo descobridor, comercial y colonizador».[2]
Mas o senhor Bullón y Fernández aludiu, principalmente, ao elemento psíquico como sendo o que melhor baptiza e conforma uma nacionalidade. Se conseguirmos mostrar como no ethos lusitano o Lirismo se prende ao localismo pela ingénita aptidão bucólica da nossa raça, fácil será reconhecer que a ‘ternura portuguesa’, de que fala o cardeal Cienfuegos, biógrafo de São Francisco de Borja, quando nos conta as lágrimas de Carlos V pela imperatriz Isabel sua esposa, justifica plenamente as reflexões de Menéndez Pelayo, ao buscar no noroeste da Península o berço do Amadis. «No por estas fútiles presunciones, sino por motivos algo más hondos, aun sin contar con los indicios históricos y documentales, se siente inclinado el ánimo a buscar en el Oeste o Noroeste de España la cuna de este libro» – pondera o eminente crítico. «Domina en él un idealismo sentimental que tiene de gallego o de portugués mucho más que de castellano: la acción flota en una especie de atmósfera lírica que en los siglos XIII y XIV sólo existía allí. No todo es vago devaneo y contemplación apasionada en el Amadis, porque la gravidad peninsular imprime su huella en el libro, haciéndolo mucho más casto, menos liviano y frívolo que sus modelos franceses; pero hay todavía mucho de enervante y muelle que contrasta con la férrea austeridad de las gestas castellanas. Todo es fantástico, los personajes y la geografía. El elemento épico-histórico no aparece por ninguna parte, lo cual sería muy extraño en un libro escrito originalmente en Castilla, donde la epopeya reinaba como soberana y lo había penetrado todo, desde la historia hasta la literatura didáctica.»[3] Ora se nos fosse aqui possível examinar os componentes morais que do Amadis transitaram para o Encoberto, nós veríamos como na linha genealógica do segundo o Donzel do Mar figura decerto como o seu principal e mais directo antepassado.
O mito do Encoberto, como um alerta permanente de esperança, só do Lirismo brotou e só pelo Lirismo se mantêm ainda agora. De este modo, compreende-se perfeitamente que a ternura («tengo los ojos niños y portuguesa el alma!» – lá dizia na Doroteaaquele ‘D. Fernando’ de Lope de Vega), gerando em Portugal o sentimento da saúdade, tornou ali mais aclimatável a ‘matéria-bretã’, enquanto em Castela, com a Gesta, são os heróis carolíngios que inspiram e contornam os próceres galhardos do Romanceiro. Do Romanceiro descende, por seu turno, o patético imenso do Cavaleiro da Triste-Figura. Contrariamente, a feição emotiva da grei moradora nas ribeiras ocidentais da Península, ser-nos-ia dada pelo coração esforçado e sensível do donairoso Amadis.
«Trás-os-Montes, en tierras galaico portuguesas, entre ondas y brumas, reaparece, figura inmortal también, el doncel del mar, el meigo fidalgo. Contrasta con el hidalgo castellano, al que, sobretodo, perturbó la vigilia. Es locura de sueño, la del amoroso Amadis; en su vida, en su poema, vence a la épica la lírica; pasaron las aventuras, pero no pása la memoria de las cuitas: llegan a través de los Cancioneros y van indefinidamente prolongándose, los ecos de tan sentidas quejas.»[4] Assim testemunha algures o meu ilustre amigo senhor Marquês de Figueroa.
A lírica suplantou a épica, efectivamente. E é essa circunstância que nos revela o traço próprio da psicologia portuguesa. Não que o lirismo falte ao temperamento castelhano – o qual imprimiu à Espanha actual o seu carácter definitivo. Anda, sem dúvida, na lembrança de todos a tese sustentada a tal respeito pelo senhor Menéndez Pidal no seu magnífico Discurso acerca de la primitiva poesia lírica española.[5] Para o abalizado filólogo, a primitiva lírica peninsular assumiu duas formas típicas, uma, peculiar à lírica galaico-lusitana, a outra, peculiar propriamente à lírica castelhana. A primeira determina-se pelo emprego das estrofes paralelísticas, rematadas por um como que estribilho, ao passo que a segunda é fixada por um vilancico inicial, glosado em estrofes, que no final, à maneira de estribilho, repetem o vilancico inicial no todo ou em parte. Não é inútil a notação das duas diferenciais, porque, na forma usada pela poesia galaico-portuguesa, a expressão, pela sua doce monotonia, acusa uma sentimentalidade profunda, ao passo que a forma castelhana, mais rápida e mais variada, permite um desenvolvimento que pode, sem dificuldade, chegar até ao narrativo. Acentuando o particularismo arreigado da primeira forma no noroeste peninsular, o senhor Menéndez Pidal reconhece implicitamente a existência ali de um meio especial e inconfundível, a cuja influência, como já se registou, o grande Menéndez Pelayo atribuía a génese do Amadis.
Pois a semelhante condicionalismo, mais dos Cancioneiros que do Romanceiro, queremos nós pedir com o senhor Marquês de Figueroa a linhagem moral do esforçado cavaleiro que, se não tremia diante de dragões e gigantes, desmaiava, no entanto, de penas de amor. Ninguém se surpreenderá por isso que no mito lusitano do Encoberto se evidencie com pureza indubitável a ascendência dos personagens simbólicos do ciclo-bretão. Não por feliz invenção literária, achada – como no Quijote – ao cabo de gerações sucessivas de Lizuartes, Clarimundos, Florisseis e Palmeirins; mas como produto ansiado da crença colectiva, apelando para as incertezas do futuro no momento de provação que descia sobre todos. Há que importar-nos, realmente, com o Sebastianismo, para que melhor se entenda e sinta o que é Portugal nos recursos assombrosos do seu espírito de resistência e de sonho. Foi esse espírito que concebeu no Amadis o enternecido Donzel do Mar, «amando a Oriana desde la infancia en tal guisa, que una hora nunca de amar se dejaron».
Sendo assim, não se estranhará, pois, que o Sebastianismo marque, em relação à alma lusitana, o que o Quixotismo, no mesmo alto e dramático sentido, marca em relação à alma castelhana.[6] Eis onde reside a grande e fundamental característica que nos distingue a nós, portugueses, como individualidade à parte, das restantes famílias peninsulares – a Galiza exceptuada, é claro. E porquê? Porque, no conjunto das suas preferências comuns, traduzidas pelos costumes, pelas instituições, pela literatura, etc., cada povo, cada nacionalidade, possui a sua filosofia – não a filosofia que anda a retalho na feira das ideias por mão de sofistas de aluguer, mas a que representa, por uma lentíssima e inconsciente criação secular, o seu conceito, a um tempo experimental e místico, da existência. No Sebastianismo se condensa, pelo exposto, a filosofia inata da alma portuguesa, como a da alma espanhola se consubstancia na essência dolorida do Quixotismo, toda imbuída de um extraordinário e comovedor patético.
Se Ganivet teve razão ao escrever de Séneca que, se viesse ao mundo um pouco mais tarde, haveria de nascer em Castela, é o estoicismo do filósofo andaluz, «natural e humano» – como o qualifica o chorado autor do Idearium español – a fibra oculta de que se socorre a íntima coragem iluminada daquele pobre senhor Alonso Quijano. «Não te deixes nunca vencer por nada estranho a ti mesmo, e mantém-te sempre de tal forma erguido que se diga de ti que foste um homem» – eis em vulgar resumo a ideia-madre do pensamento de Séneca. Porque na mente do triste fidalgo manchego reinavam, numa sobriedade primitiva, as desdenhadas verdades ‘carpetovetónicas’, que fizeram gloriosa a Espanha de outros tempos, em que se via mais Acção e menos Análise, não hesitemos em reconhecer que nelas e só nelas habita ainda agora a lição esquecida do autor enigmático e quase cristão da Medeia. No senequismo entronca, desta forma, a genealogia um tanto emaranhada de D. Quixote. E aqui está como, por conselho de Séneca, aos que a todo o instante clamam a necessidade urgente de se ‘europeizar’ a Espanha, Ganivet responde – e com Ganivet, D. Quixote, seu parente bem próximo – que é preciso mas é ‘espanholizá-la’...
Tomados, por conseguinte, o Sebastianismo e o Quixotismo como éticas diversas, necessariamente que temos que tomar como diversos os dois génios, filho de raça e de meio que assim encontraram expressão imortal. Estamos em frente do elemento psíquico, que o senhor Bullón y Fernández, e com o senhor Bullón y Fernández todos os sociólogos e todos os historiadores, considera como primacial na determinação de uma nacionalidade. Pela já tantas vezes invocada predisposição emotiva que nos levaria a interpretar melhor a poesia do coração e da mágoa do que a gesta heróica da Conquista (de Camões, um lírico, nasceu a nossa Epopeia), o Lirismo supõe, antes de tudo, como já dissemos e nunca é demais repetir, uma grei agrícola disseminada por entre águas correntes, numa bucólica constante. Ora a nacionalidade portuguesa, na sua formação histórica, iniciou-se entre o Douro e o Minho com o velho condado portucalense. Como essa célula originária do futuro Portugal era povoada e cultivada, Alberto Sampaio no-lo conta nos seus trabalos memoráveis. A terra lavrava-se – lavrava-se à sombra do verde-pino, entre as trovas descuidadas que se aprendiam na volta das romarias. «La romería tiene en el norte de la península una importancia especial: el fuerte espíritu religioso que allí domina, y el ser la población espesa y estar muy repartida en lugarcillos y aldeas, favorecen la costumbre que busca en los santuarios famosos el punto de reunión y de mercado de muchos pueblecillos de los alrededores» – elucida o senhor Menéndez Pidal.[7] «No puede sorprendernos que todos los santuarios mencionados en las cantigas de amigo que tienen como fondo la romería sean santuarios pertenecientes a la región ocidental del Duero, es decir, a la Galicia en su máxima extensión romana...»
Preciosíssima, na verdade, a observação do ilustre publicista! Porque, apesar de certas prevenções castelhanistas, aliás muito explicáveis, do senhor Menéndez Pidal, o seu testemunho insuspeito só confirma as minhas asseverações – e é que o Lirismo corresponde no noroeste da Península a um trato largo de terra, onde o povo vivia mais do sacho que da besta, curvado para o rêgo florente, em que o seu suor se misturava com o aroma verde de uma cantiga sempre esparsa no ar. Delimita-nos bem o senhor Menéndez Pidal esse rincão previlegiado, que só à superfície conheceu o tropel das invasões sem que, pelo menos, se alterasse a autoctonia secular do habitante. É – repetindo as palavras do senhor Menéndez Pidal – a «região ocidental ao norte do Douro», ou seja a Galiza, «na sua máxima extensão romana». Está claramente incluida a área do antigo condado portucalense. E nós sabemos como, na região indicada, a cultura dos campos se desenvolvera e prosperara desde que Roma obrigou os moradores das citânias a descerem para o vale, até que os descendentes deles, algumas centúrias de anos depois, se agruparam em torno de um príncipe, alçando-o como seu soberano independente. É, afinal, como se exprime com todo o peso da sua autoridade o insigne Alberto Sampaio, que foi bem o nosso Fustel de Coulanges. Ouçamo-lo:
«No esboço do largo período de quase treze séculos... os factos examinados mostram-nos o desenvolvimento social, marchando sempre numa filiação historica, desde quando a civilização romana, após a conquista pelas armas (14 depois de Cristo) se impoz à população vencida, imprimindo-selhe no espírito, de modo a tornar-se a base da sociedade, que ainda hoje subsiste» – depõe Alberto Sampaio. «Fundam-se então as villas; nelas os chefes citanienses, instruidos pelos conquistadores, instalam em parcelas os clientes pobres, conforme o grau de dependência, e tomam para si uma secção, agricultada por servos... Coberto o país de prédios rústicos, sistematicamente organizados para a exploração agrícola, jamais se interrompeu o aproveitamento do solo e o alargamento da gente. Fixou-se a terminologia rural, da qual o neo-dialecto derivou a de uso corrente. A romanização, apagando a língua, os costumes e o direito indígenas, criou uma nova sociedade...»[8] E logo Alberto Sampaio prossegue: «Em 409 chegam os suevos, mas o seu advento não provocou mudanças radicais; se ocasionou no primeiro instante uma confusão, sobretudo política, a ordem facilmente se restabeleceu, unindo-se invasores e invadidos para formarem na península um reino à parte até 585, ano em que os visigodos o absorveram. Consoante se vê do Código Visigótico, conservaram-se nas duas épocas as demarcações das propriedades. Nos sexos e costumes e na organização social, uma das poucas novidades foi a adopção pelos hispanos de nomes germânicos, abandonando os romanos que tinham suplantado os das citânias.»
Continua falando Alberto Sampaio: «Com a invasão Sarracena em 712, a desordem foi maior e mais prolongada. Os recém-chegados não conseguiram firmar-se no norte da península, nem um pouco ao sul do Douro; mas a resistencia cristan não pode também estabelecer em acto contínuo a segurança publica das regiões tomadas. Apesar da incerteza, do terror do inimigo e decadencia das cidades, as Vilas permaneceram; dentro delas, guiado pela pratica, o povo perseverou no cultivo da terra, muito embora, na falta de governo, a visse frequentes vezes talada, e tivesse de a defender, ou esconder-se, emquanto passavam os exercitos indisciplinados. Com o trabalho agrícola manteve também as tradições do domínio espiritual.»[9] De onde devemos concluir logicamente com Alberto Sampaio que «o fundamental antigo permanecia então, como transparece ainda hoje».
Pois o florescimento magnífico das cantigas-de-amigo dos Cancioneiros galaico-lusitanos, em que a romaria aparece como fundo preferido, abrange sem tirar nem pôr a extensa zona geográfica, que tanto e tão amoroso interesse mereceu à erudição de Alberto Sampaio.[10] É certo que o senhor Menéndez Pidal pretende encontrar também em Castela o mesmo tema lírico. Mas encontra-o mais tarde e «sin aquel lánguido discreteo de las cantigas gallego-portuguesas».[11] Seja como for, e em abono das próprias afirmações do senhor Menéndez Pidal, o modo de ser social que a ‘romaria’ representa justifica plenamente a base agrária que, quanto a mim, o Lirismo pressupõe.
É esta a altura de recordarmos que a romanização organizara a propriedade no noroeste peninsular segundo o tipo latino da villa. Fragmentaram-se as ‘vilas’ por exigências e necessidades saídas da transformação sucessiva dos tempos. Mas já então para os colonos das vilas havia um outro vínculo mais forte: o da Igreja, que os tomou como filhos. De filius-ecclesiæ vem freguesia – vem freguês. O que é a Freguesia em Portugal? É, como já acentuamos, uma forma rudimentar de governo e administração local. Na sua origem, engendrou-a a ‘igreja’ – muitos dos ‘santuários’ das ‘romarias’ célebres dos Cancioneiros – tornada depressa paróquia, em razão das conveniências do culto, e mais tarde com funções distintas dessas, quais eram a de presidir à repartição, entre os vizinhos, das glebas pertencentes ao património colectivo.
Surgindo ao lado das ‘vilas’ com a cristianização da sociedade, «as duas instituições sucedem-se – esclarece Alberto Sampaio – mas não se confundem: as ‘vilas’ foram propriedades em todo o rigor da palavra; a ‘freguesia’ é uma espécie de comuna sem carta, que se forma em volta do campanário. Precisar a data em que uma deixa de existir e começa a outra, é impossível; transformações destas efectuam-se lenta e parcialmente; ao lado da instituição moribunda, vai despontando a nova, ora balbuciante, ora quase na juventude, até se efectuar a evolução por completo».
E o historiador remata: «Todavia, em ambas o perímetro é em geral o mesmo, e idêntica a população proveniente da estirpe antiga das clientelas, que desceram das citânias acasteladas.»[12]
Acompanha-se perfeitamente na exposição de Alberto Sampaio a passagem da ‘vila’ à ‘freguesia’, enquadrando na sua massa populacional os descendentes dos íncolas primevos das citânias e castros da época pré-romana. A constituição social que semelhante regime de propriedade importava consigo, traduz-se depois em modalidades muito suas dentro do quadro das instituições tradicionais do povo português.
Não conheceu a Espanha, antes do ayuntamiento – ao que suponho –, outro grau na escala do seu sistema administrativo. Só na Galiza deparamos com a paróquia no sentido de que administrativamente se reveste a freguesia em Portugal. «La parroquia es denominación jurisdicional eclesiástica, pero tiene en el país tanta importancia como la denominación civil del ayuntamiento.»[13]De nada mais se carece para concordarmos que as romarias do noroeste peninsular, ao acusarem na lírica dos Cancioneiros uma nota psíquica inconfundível, significavam simultaneamente a feição típica de uma sociedade estabelecida em condições bem diversas das que se verificavam no resto da Península.
Efectivamente, Castela fundou-se e dilatou-se pela guerra – pelo acto sistemático da conquista. Ao longo dos infindáveis páramos do coração da Península, por extensões e extensões despovoadíssimas, só à roda das fortalezas vigilantes as póvoas se desenham com tranqüilidade relativa. Eis porque a composição de Castela é mais urbana do que a de Portugal. Em Portugal a fortaleza, antecedendo a povoação, apenas aparece quando a nacionalidade entrou de se estender ao sul do Mondego. Até então, onde existia, existia somente para salvaguarda dos vilares e aldeamentos anteriores. Graças à rija e miuda rede das nossas mancomunidades agrícolas é que o feudalismo não conseguiu aclimatar-se na faixa ocidental da Península. E tanto assim que, por virtude dessas obscuras confrarias de lavradores e pequenos proprietários, em Portugal a nacionalidade antecedeu sensivelmente o Estado. Não é fácil explicar-se de outro modo que D. Afonso Henriques e D. Sancho I se intitulassem ‘reis dos portugaleses’. O que não sucedia em Castela, onde a terra pertencia ao monarca em direito patrimonial, porque a achara deserta ou porque a ganhara para si e para os seus barões. Era, pois, com assombrosa vidência que Menéndez Pelayo atribuía o primitivo lirismo dos Cancioneiros a «un pueblo de pequeños agricultores, dispersos en caseríos, que tienen por principal centro de reunión santuarios y romerías».[14]
Ganivet chamou ao Romanceiro a Súmula-teológica castelhana. Com intenção bem diferente, mas não com menor realidade, os Cancioneiros são a Súmula-teológica de Portugal. Prova-o a interpretação da existência que no Sebastianismo se condensa como filosofia inata da alma lusitana. É a Esperança a razão sentimental e mística do Sebastianismo. Ora a Esperança traduz, palpavelmente, o convívio resignado de uma raça sedentária e pacífica que, pelo comunitarismo das suas instituições e pela crença naturalista das Estações e das Sementes, se sabe sobreviver a si mesma no momento que passa, aguardando, serena, a promessa do dia seguinte. Assim a Esperança cresceria forte, com as amplas asas desdobradas, ao occidente da Península, entre a Montanha e o Mar, denunciando a grande capacidade lírica que fôra capaz de concebê-la e de amamentá-la. Da Esperança, transfigurada já em fonte de energia nacionalista, derivou o Sebastianismo. E o Encoberto não é mais que a personificação das tendências anónimas e ainda avulsas que já no Amadis se revelam.[15] Mas, em face da sua linhagem bucólica, de nenhuma maneira nos desoriente o facto de no mito do Desejado predominar tanto a influência do Oceano, com a miragem constante da Ilha-Afortunada onde o Encobertoaguarda que se cumpram, para a sua volta, o ano e dia das Profecias. Já no Amadis o Donzel do Mar nos deixa entrever essa inclinação instintiva para o enigma das ondas que vão e vêm no seu fadário sem repouso.
Sugestão da ‘matéria-bretã’, dir-se-á. Mas a matéria bretã floresceu e proliferou, sobretudo, numa zona geográfica, a que etnicamente respondia a mesma identidade de populações, demorando pelas proximidades do Atlântico. Já Artus, retido na sua brumosa Avalon, não era mais que o Saturno das recuadas tradições ocidentalistas das idades proto-históricas, refugiado além do limite máximo das águas, e também num lugar de depuração e de mistério. Sucede ainda, particularizando mais o caso, que o lirismo característico das gentes do noroeste peninsular não se manifestava unicamente campesino.[16] Ao lado das ‘cantigas-de-amigo’, celebrando os encantos do ‘verde-pino’ ou o louvor de São Simeon, surgem-nos igualmente as ‘barcarolas’ de um João Zorro ou de um Martim Codax em frente ao ‘mar de Vigo’. O sentimento do mar é, por vezes, tão intenso e tão fundo nos nossos antigos cancioneiros, que Paio Gomes Charrinho, ainda que por sátira, compararia à ira do mar a ira do rei de Leão e Castela: «De quantas coisas no mundo son, / non vejo bem qual poden semelhar / Al rey de Castela e de León / Se (non) ua, qual vos direi: o mar!»
Eis porque o Sebastianismo se nos evidencia agarrado por todas as suas raízes àquela rara delicadeza emotiva – de lánguido discreteo a qualifica o senhor Menéndez Pidal – que distingue galegos e portugueses, insisto, de entre os outros grupos nacionais da Península. Seria esforçar-nos baldadamente se procurássemos surpreender no Romanceiro a linha genealógica do Encoberto. O Encoberto, produzido como criação colectiva em condições de anonimato análogo ao das diversas gestas castelhanas, guarda consigo inalteravelmente a fisionomia vincadíssima do espírito social que o gerou e tornou possível. É um herói da lenda, sim, resplandecendo bravura e vitórias, mas um herói paternal que vem somente para restituir ao seu povo em desgraça a grandeza e a liberdade perdidas. Nele se expressa, e em termos de identificação imediata, aquela modalidade psicológica que no Amadis tanto impressionava o ilustre Menéndez Pelayo, ao reconhecê-lo tão diverso dos férreos guerreiros da epopeia medieval do centro da Península. É essa uma outra fibra – a fibra de uma raça conquistadora, partindo para a derrota do inimigo, através dos ermos infinitos, onde a luz crua do sol faz alucinações. São já as caminhadas que D. Quixote ao depois galoparia.
Contrariamente, no Encoberto palpita a aspiração nativa de uma grei, fortemente apertada ao solo, a cuja imagem e semelhança deseja viver e morrer. Resgatador dos Lares e Altares, eis a missão assinalada ao Encoberto, que não vagueia pelas estradas sequiosas e ardentes atrás de um ideal abstracto de justiça e magnanimidade. Comparem-se bem de perto as duas figuras – D. Quixote e o Desejado.[17] Notar-se-á desde logo que o primeiro é um espectro de cavaleiro-andante, só compreensível debaixo do céu esbraseado – no braseiro vivo dos páramos intermináveis da Meseta –, enquanto que o segundo, recebido em manhã de bruma sobre as areias doiradas de Portugal, transpõe a curva misteriosa das águas, embebido talvez no enlevo místico da Demanda do Prestes-João. Em conformidade com o exposto, dois ethos se nos denunciam assim, definindo as diferenciais que individualizam, quer ideativa, quer historicamente, a Portugal e a Castela. Que individualizam, mas não separam – acentue-se. E não separam, porque da justa colaboração de ambas as pátrias, cada uma na plena autonomia da sua personalidade, é que resultou o que, sem desprimor para nenhuma, se pode e deve chamar ‘civilização-hispânica’.
Entendidos de este modo o Sebastianismo e o Quixotismo como regras de sentir e de pensar, prontamente se apossa de nós a visão da unidade peninsular naquele superior significado moral e cultural em que é imperioso tomá-la. Não se nega com isso – energicamente o repito e afirmo – o que é próprio e inalienável tanto da alma castelhana, como da alma portuguesa. Portugal é o Cancioneiro, é a poesia lírica, é o Encoberto, é a vocação marítima, é a novela de Amor. Por sua parte, Castela é a vocação terrestre, é o Romanceiro, é D. Quixote, é a novela de costumes, eternizada nos seus vários Lazarillos, Alfaraches & Companhia. Histórica e ideativamente correspondem, pois, a uma unidade ultranacionalista, que não existiria nem se completaria nunca sem a independência desses seus dois aspectos inconfundíveis. Neles reside o segredo[18] imortal da alma da Península, gotejando sempre, como romã simbólica de Granada, o seu forte e generoso sangue, para que da face do mundo não desapareçam nem os supremos arrojos nem as grandes aspirações!
 

[1] Conferencia en la Real Academia de Jurisprudencia y legislación, já cit., pp. 14-15.

[2] Obr. cit., pp. 15-16.

[3] Orígenes de la novela, tomo I, p. CCXXI.

[4] Discurso leído ante la Real Academia Española en la recepción pública del Excmo. Señor D. Gabriel Maura Gamazo... Contestación del Excmo. Señor Marqués de Figueroa, Madrid, 1920, pp. 112-113.

[5] Madrid, 1920.

[6] Veja-se sobre o Quixotismo o belo estudo de Eloy Luís André, Ética Española. Surpreende-me que o autor da Ética Española não tenha dos seus compatriotas o apreço que dispensam, pelo menos, a qualquer Ortega y Gasset ou a qualquer Unamuno.

[7] Menéndez Pidal, obr. cit., pp. 66-67.

[8] Edição em separata, cit., Porto, Imprensa Moderna, 1903, p. 150.

[9] Obr. cit., pp. 150-151.

[10] Veja-se no Cancioneiro da Ajuda, vol. II, edição crítica e comentada por D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, a pp. 882ss., a lista dos santuários mencionados nos Cantares de amigo».

[11] Obr. cit., p. 68.

[12] Obra cit., pp. 151-152.

[13] Citação de Domingo Villar Grangel na conferência El Municipio en Galicia, Barcelona, 1919. 

[14] Importante será registar a este respeito mais uma passagem bastante expressiva do grande Menéndez Pelayo. Diz ele: «El descubrimiento de este lirismo tradicional, que pertenece al pueblo por sus orígenes, aunque sufriese sin duda una elaboración artística, es el más inesperado, así como el más positivo resultado, de las últimas investigaciones sobre nuestra literatura de la Edad Media. Hoy no es posible negarlo: hubo en los siglos XIII y XIV una poesía lírica popular de rara ingenuidad y belleza, como hubo una poesía épica aunque en lengua diferente. ¿Quién podrá llegar hasta las más escondidas raíces de ese lirismo? ¿Quien podrá sorprender sus primeros infantiles pasos? ¿Se trata de un fondo étnico común a todos los pueblos del Mediodía de Europa, o de algo propio y característico del pueblo gallego? Por qué amaneció allí la poesía lírica con carácter más popular que en Provenza y con un cierto fondo de melancolía vaga, misteriosa y soñadora? A todas estas cuestiones se ha procurado dar respuesta, pero hasta ahora com más fuerza de ingenio y de agudeza que rigor crítico. Cuando los datos faltan, toda generalización ha de ser temeraria y prematura. La hipótesis céltica no satisface del todo ni está exenta de reparos, pero algunas dificuldades allana y es hasta ahora lo más admisible. Buscar soñados orígenes germánicos, tomando por pretexto el hecho de la conquista sueva que sólo pudo ejercer una influencia superficial y exterior, y de ningún modo penetrar las capas más hondas de la población galaica, parece tan fuera de propósito como remontarse, según otros hacen, a los mismísimos pueblos turanios y al lirismo de los himnos acádicos. Todo esto puede ser materia de paradojas y ameno discreteo, pero conviene conservar a la historia la severidad de su método y dar siempre lo cierto por lo cierto y lo ignorado por lo ignorado. Qué población antecediese en Galicia a los celtas, ni lo sabemos hoy, ni quizá lo sabremos nunca a punto fijo. Pero de los celtas galaicos sabemos por testemonio de Silio Itálico que alulaban cantos bárbaros en su patria lengua, y consta asimismo por varios cánones de concilios y por un libro de San Martín de Braga (De correctione rusticorum) que conservaron, después de convertidos al cristianismo, supersticiones más o menos poéticas y canciones profanas. Puede disputarse en que lengua estarían; lo verosímil es que fueran en latín bárbaro, en lengua rústica, y que de ellas se pasase por transición gradual a los cantos en lengua vulgar. Que éstos son indígenas, no cabe duda; lo demuestra su misma ausencia de carácter bélico (o normando é nosso), la suave languidez de los afectos, el perfume bucólico, que nos transporta a una especie de Arcadia relativamente próspera en medio de las tribulaciones de la Edad Media (Historia de la poesía castellana en la Edad Media, Madrid, tomo I, cap. IV, 1911-1913, pp. 229-231).
Pelos trabalhos já mencionados do senhor Ribera y Tarragó, especialmente, a maior parte das interrogações de Menéndez Pelayo ficaram desfeitas. Quanto ao fundo étnico a que Menéndez Pelayo constantemente recorre, pondo de parte a miragem erudita, ou do celtismo ou do ligurismo é já sem maiores desconfianças o velho substracto propulacional, que no Lusitano encontrou o seu expoente máximo. Assinala Menéndez Pelayo, como prova do indigenato da poesia lírica do noroeste peninsular, a total ausência que ela nos manifesta de temas de carácter bélico. Aí reside, com efeito, se não o reconhecimento implícito de uma completa autoctonia, pelo menos o de uma indiscutível anterioridade do habitante da vertente ocidental da Península sobre o dos desolados páramos do centro. Na mesma sua Historia de la poesía castellana en la Edad Media, observa Menéndez Pelayo, a p. 133 do volume: «Creemos firmemente que la epopeya castellana nació al calor de la antigua rivalidad entre León y Castilla (rivalidad que ocultaba otra más profunda, la del elemento gallego y el elemento castellano) y que este es su sentido histórico primordial.» Outro não é o dualismo que, debaixo do aspecto privado de uma luta senhorial, ganhou expressão inolvidável na lenda e cantar «de los Infantes de Lara». Num seu precioso estudo, o sr. Ramón Menéndez Pidal (Leyenda de los Infantes de Lara) prova-nos a existência histórica de Gonzalo Gustios, pai dos infantes, e a particularidade da origem galega de Ruy Velázquez – seu inimigo. Não teremos, pois, na rivalidade entre Castela e Leão, que Menéndez Pelayo indica como sendo a força criadora da epopeia castelhana e que o Cantar dos infantes de Lara de algum modo reflecte, a sobrevivência atávica dos dois ethos primitivos que inspiram, desde a história à literatura, a vida superior da Península?

[15] O próprio Menéndez Pelayo o reconhece: «Pero no son estas solas las curiosidades literarias con que nos brinda el espléndido hallazgo de los Cancioneros lusitanos. Aparte de la poesía tradicional e indígena del Noroeste de España, que allí por primera vez se afirma y manifiesta con sus propios caracteres étnicos, y aparte de la imitación provenzal directa y visible en los serventesios y en las tensones; comienza a abrirse paso, favorecido quizá por la comunidad de orígenes célticos, un nuevo influjo destinado a crear, andando los tiempos, una forma de narración novelesca, que todavía en pleno Renacimiento fue como el último estertor de la caballería decadente y moribunda. Así como en Castilla, pueblo heróicamente enamorado de las grandezas de la acción y de las realidades de la vida, prendió fácilmente la semilla de las narraciones del ciclo carolingio, así en el pueblo gallego inclinado de suyo (no obstante el contrapeso de muy visibles propensiones satíricas) a la soydade, a la melancolía y al devanear inquieto y fantástico, arraigaron antes que en otra parte alguna las historias y los lays del ciclo bretón. No es vana la antigua tradición que pone en Portugal o en Galicia la cuna del Amadis y de la mayor parte de los primitivos libros de caballerías; derivación muy libre y muy españolizada de los cantos galeses y armoricanos, allí debieron nacer: por la misma ley de misterioso atavismo céltico que llevó a los portugueses a la conquista del Mar Tenebroso, fascinados por el espejismo de las islas encantadas y de la leyenda de San Brandam; y que através de los siglos renueva hasta en sus mínimos pormenores el mesianismo del rey Artús, rex quondam resque futurus, en la esperanza nunca desfallecida y siempre renaciente, de los que todavía aguardan ver entrar en día de niebla por la foz del Tajo al rey Don Sebastián, redentor de su raza e fundador del sexto imperio apocalíptico. (Obra cit., vol. I., pp. 251-252.)
            Ponhamos de parte a constante preocupação celtista de Menéndez Pelayo, e logo o seu depoimento valerá como um sólido reforço para as ideias medulares do presente estudo. Acentuemos, principalmente, o íntimo parentesco que Menéndez Pelayo descortina entre o nosso Encoberto e o mito ocidental do Rei Artur. Afasta-se assim o ilustre crítico da versão corrente que atribui o Sebastianismo a profundas influências judaicas sofridas pela alma portuguesa. Para quem deslinde a linhagem psíquica do Encoberto, verá, efectivamente, que ele nada tem de comum com o messianismo israelita, subindo talvez a sua origem à lenda mitológica de Saturno e ao seu refúgio numa ilha encantada, onde a Primavera é eterna e de onde volverá com a Idade-de-oiro restaurada. Ninguém procure, portanto, afinidades entre o nosso Encoberto e «el Encubierto» da germaníade Valência. Este não passava de um impostor, explorando em seu proveito o judaísmo esparso no levante espanhol. O nosso, entrando na dignidade da história pela sua personalização no monarca vencido e morto em Alcácer-Quibir, é o índice supremo da resistência lírica das povoações do oeste peninsular. Tema largo, que não se contém dentro de uma ligeira nota, sublinhemos-lhe desde já, em todo o caso, a sua completa identificação com as linhas que lhe consagra Menéndez Pelayo, o qual se equivocou ao referir a D. Sebastião a fundação do ‘sexto império’, e não do ‘quinto’.

[16] Escreve a este respeito o sempre ouvido Menéndez Pelayo: «Pero no es sólo la Galicia rural la que dejó impresa su huella en este lirismo bucólico de nuevo género. Azotada de mares por Norte y Occidente, y predestinada a grandes empresas marítimas, la región galaico-portuguesa tuvo desde muy temprano lo que clásicamente llamaríamos sus églogas piscatorias, si la brava costa del Atlántico recordase en algo la diáfana serenidad que envuelve a los barqueros sicilianos en los idílios de Teócrito y Sannazaro. Son frecuentísimas en el Cancionero, hasta en las villanescas y en los versos de ledino, las alusiones a cosas de mar, y aun hay juglares como Martín Codax, que parece haberse dedicado particularmente a la composición de estas marinas: «Ondas do mar de Vigo / Se vistes o meu amigo? / E ay, Deus, se verrá cedo? / Ondas do mar levado, / Se vistes meu amado? / E ay, Deus, se verrá cedo? / Se viste o meu amigo, / E porque eu suspiro? / E ay, Deus, se verrá cedo?»
Assim se exprime Menéndez Pelayo na sua Historia de la poesía castellaña en la Edad Media, tomo I, pp. 237-38. Alude ainda o ilustre crítico ao que ele chama as barcarolas de João Zorro. São dele, entre outras, aquelas duas que começam: «Em Lisboa sobre lo mar / Barcas novas mandey lavrar, / Ay, mha senhor velida!» e «El-rey de Portugal / Barcas mandou lavrar / E lá iram nas barcas sigo / Mha filha e voss’amigo!»
Salientando esta tendência marítima que já se enuncia nos Cancioneiros, não vem fora de propósito deixar aqui uma reflexão de maior importância ainda acerca do fundo étnico, a que parece corresponder em toda a sua extensão esse magnífico florescimento poético do lirismo galaico-lusitano. Para Estrabão, a Lusitânia ia desde o Tejo até à costa norte da Península, abrangendo a Galiza actual. E para o geógrafo clássico, os seus limites eram: além do Tejo ao S., do Oceano ao N. e Oeste, a Oriente os vetões, carpetanos, vaceus e galaicos. De modo que, segundo Estrabão, os galaicos, ou galegos, não tinham o seu poiso no território que é hoje a Galiza, mas conlindavam a ocidente com ele na parte mais montanhosa que viria a ser depois, mais ou menos, o coração da terra leonesa. Como se estendeu, porém, o nome de Galiza a uma parte sensível do território lusitano? O próprio Estrabão no-lo diz por estas palavras: «Vêm, por fim, os Calaicos, que ocupam uma grande parte das montanhas e que, tendo sido por esta razão mais difíceis de submeter, mereceram dar o seu nome ao vencedor dos lusitanos, acabando depois por se estender e se impor ao maior número dos povos da Lusitânia.» (Estrabão, Geografia, tradução francesa de A. Tardieu, livro п, cap. 1, § 2.0.)
Registando simplesmente o facto, verificamos que a região galaico-duriense, ou seja a Galiza em toda a sua extensão da província romana, coincidia, afinal, com metade da verdadeira e antiga Lusitânia. Será, portanto, galaico-lusitano o génio lírico dos Cancioneiros, ou lusitano unicamente?

[17] O Conde de Gobineau, preocupado com os seus etnicismos místicos, considerava o Amadis a mais alta flor da idealidade humana.

[18] Olhando a maneira como no Quijote é tratado o Amadis, podemos admitir que o fidalgo manchego é uma projecção castelhana do cavaleiro português.


1924 - António Sardinha - A Aliança Peninsular
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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