À sombra dos Pórticos
António Sardinha
À sombra dos Pórticos - Novos ensaios
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Lisboa, Livraria Ferin
1927
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Lisboa, Livraria Ferin
1927
Livro dedicado a Afonso Lopes Vieira, 1878-1946
Nota prévia
Enfeixam-se no presente volume alguns dos estudos de António Sardinha publicados nos últimos anos da sua prodigiosa actividade literária. Ensaios de história, de crítica, de filosofia política, acham-se três deles, infelizmente, por completar: - A música das «Cantigas», a Teoria do Município e A «Religião da Beleza». Tais como a gloriosa pena do grande escritor os deixou, nós os recolhemos agora das revistas onde primeiramente foram impressos: - a Lusitania e a Nação Portuguesa.
O Sul contra o Norte, estudo que reputamos fundamental para a avaliação das concepções históricas de António Sardinha, as Questões de História e o Significado do «Amadis», lúcida teoria da tendência lírica da nossa Raça, apareceram na segunda das publicações acima citadas, então dirigida pelo seu autor.
Em apêndice vão insertas as teses que António Sardinha, como Presidente da Camara Municipal de Elvas, tencionava apresentar ao Congresso Nacional Municipalista do Porto, projectado para 1924, mas que não chegou a efectuar-se.
Tal é a matéria do quarto volume póstumo de António Sardinha, que, por intenção declarada do autor, sai dedicado a Afonso Lopes Vieira (1878-1946), seu grande camarada espiritual no bom combate nacionalista.
Abril, 1927
H. R. [Hipólito Raposo, 1885-1953]
R. C. [António Rodrigues Cavalheiro, 1902-1984]
O Sul contra o Norte, estudo que reputamos fundamental para a avaliação das concepções históricas de António Sardinha, as Questões de História e o Significado do «Amadis», lúcida teoria da tendência lírica da nossa Raça, apareceram na segunda das publicações acima citadas, então dirigida pelo seu autor.
Em apêndice vão insertas as teses que António Sardinha, como Presidente da Camara Municipal de Elvas, tencionava apresentar ao Congresso Nacional Municipalista do Porto, projectado para 1924, mas que não chegou a efectuar-se.
Tal é a matéria do quarto volume póstumo de António Sardinha, que, por intenção declarada do autor, sai dedicado a Afonso Lopes Vieira (1878-1946), seu grande camarada espiritual no bom combate nacionalista.
Abril, 1927
H. R. [Hipólito Raposo, 1885-1953]
R. C. [António Rodrigues Cavalheiro, 1902-1984]
ÍNDICE
"Não há Norte contra o Sul, - nem Sul contra o Norte! Há na sua bela homogeneidade moral e social o Portugal de todos nós" - António Sardinha destaca a continuidade da identidade cristã e linguística dos moçárabes no atual território português durante a ocupação islâmica, colocando ênfase na unidade cultural entre Norte e Sul, na importância dos mosteiros como centros de resistência e cultura, e no papel do cristianismo e da língua como fundamentos da nacionalidade portuguesa, contrariando ideias de divisão regional e reforçando a noção de coesão histórica do povo português.
A música das "Cantigas" (1922)
António Sardinha destaca a continuidade da identidade cristã e linguística dos moçárabes no atual território português durante a ocupação islâmica, colocando ênfase na unidade cultural entre Norte e Sul, na importância dos mosteiros como centros de resistência e cultura, e no papel do cristianismo e da língua como fundamentos da nacionalidade portuguesa, contrariando ideias de divisão regional e reforçando a noção de coesão histórica do povo português
Questões de História (1922)
Análise critica ao primeiro volume da História de Portugal de Fortunato de Almeida, reconhecendo os seus méritos como manual de ensino, mas apontando limitações metodológicas, bibliográficas e de abordagem. Destaca a ausência de síntese histórica, de visão interna dos processos nacionais e de inovação interpretativa, destacando omissões importantes sobre a formação e desenvolvimento da identidade portuguesa. Sardinha defende que uma história nacional deverá ser capaz de revelar a unidade profunda da Nação e de discernir a ideia-diretriz que orienta o seu desenvolvimento e persistência.
Teoria do Município (1924)
António Sardinha analisa a importância histórica e sociológica do município como elemento fundamental da organização social e política, destacando o papel do localismo e do municipalismo na formação das nações e na promoção das liberdades cívicas. Contrapõe a centralização burocrática herdada da Revolução Francesa e dos regimes liberais ao modelo descentralizado de países como a Inglaterra e a Suíça, salientando que o florescimento das instituições locais é essencial para a vitalidade nacional e a participação dos cidadãos na vida pública. Por fim, defende que o renascimento do espírito localista é indispensável para o fortalecimento da nação portuguesa e de uma autêntica democracia.
Significado do "Amadis" (1922)
Analise do significado do "Amadis de Gaula", defendendo a sua forte ligação à sensibilidade e tradição portuguesa, em contraste com a herança castelhana, sustentando que o idealismo amoroso e o protagonismo feminino inovador da obra refletem valores galaico-portugueses, afirmados tanto por fontes documentais como por críticas literárias. Destaca a influência árabe e galaico-portuguesa na formação do lirismo peninsular e a originalidade social e jurídica portuguesa, ilustrada pela comunhão de bens. Atribui a autoria do "Amadis" a Vasco ou João de Lobeira, ligando-o ao contexto histórico de Elvas e à tradição trovadoresca. Salienta o impacto da obra na cultura europeia e na história da afetividade ocidental.
A "Religião da Beleza" (1922)
Analisa o conceito de “religião da Beleza”, mostrando como o culto da forma e o esteticismo desvinculado da espiritualidade levou a um desvio do verdadeiro papel da arte. Explorando o conflito entre heranças clássicas e o Cristianismo, Sardinha destaca o papel das ordens religiosas, especialmente dos dominicanos, na integração do legado antigo na tradição cristã. Opondo-se ao individualismo e ao hedonismo promovidos pelo Humanismo e pela Renascença, Sardinha defende que a arte deve elevar o espírito e servir ao bem comum. Em harmonia com a tradição cristã, a superação do esteticismo exige o resgate do sentido espiritual e comunitário da arte.