ESTUDOS PORTUGUESES
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        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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O Poeta do Amor-Morte

Hipólito Raposo

CONFUNDEM-SE em negrume de mistério, a vida e a morte de Guilherme de Faria; a definir-se em vão uma pela outra, abrem e fecham um ciclo de dor.

Filho-família bem-amado, irmão e companheiro leal, menino que se fez homem a beber fel de desventura, homem-menino por força e graça dos vinte anos, metade da vida passou a gemer no naufrágio do seu sonho na terra, indo viver na morte o sonho de ser amortalhado em espuma do mar.

Fiel à graça do amor, o amor e a morte em sua alma viveram abraçados, para mais cedo e mais fortemente renegarem a vida sepultando-lhe nas frias àguas a coroa de poeta e o coração ardente de português. Ficou de luto e amargurada a nossa família espiritual, ao calar-se a voz do mais alto e puro amor à Esperança, e ao ver partidas as asas de um génio bom da nossa Vitoria.

Aos nossos 
olhos fica eternamente acenando o seu adeus triste em folhas de versos, como lenço saudoso de cantigas de quem se embarca e se perde em palpitações de luz roxa; em nossos ouvidos estremece e plange o marulho soluçante da sua lira.

Não profanemos o silencio para saber a razão da sua desgraça; não perguntemos à dor porque foi dor... Se alguma alma de mulher ficou na vida com o segredo da morte deste Poeta, sagre em relicário o próprio coração e cumpra o destino de guardar nele, amargamente, a essência imortal de uma saudade que mata...

E vós, amigos, irmãos de alma e de juventude de um Poeta grande e desgraçado, se quereis glorificá-lo com amor, levantai-lhe, sobre a dura pedra dos seus últimos passos, o padrão de uma coluna votiva: coluna que seja a cruz de Cristo, abraçada de saudades em flor, e nela venha cativar-se, trazida na voz das águas, a ultima vibração da sua voz, o suspiro em que a Deus pediu perdão de morrer, depois de ter chorado:

Ondas marinhas,
Ondas, dizei-me,
Saudosamente,
Saudades minhas, de um bem ausente...

E adormecei-me 
Na pura graça
D
e sonho e morte.
......................................................
......................................................
......................................................
- 
Saudades minhas... Sonho da morte...
- Oh meus amores!...


H. R.

Hipólito Raposo, "O Poeta do Amor-Morte", Política, nº 1, 15 de Abril de 1929, p. 13.
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]