ESTUDOS PORTUGUESES
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia - Uma Alternativa Nacional (Livro de Mário Saraiva)
    • Município
    • OUTRA DEMOCRACIA - REFLEXÕES ACTUAIS
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1911 - A revolução de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • No dia de Camões
      • A Elvas, chave do Reino
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • A Rainha Santa
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A Soberania da Fome
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959 >
      • 1911 - Alberto Monsaraz - SOL CREADOR
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983 >
      • Pela liberdade... contra o totalitarismo - O bom e o mau fascismo
      • Pluralismo e Integralismo
      • Integralismo hoje?
      • A direita e o direito
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Perguntas Frequentes
  • Quem somos
  • Actualizações
  • 2026 - José Manuel Quintas - António Sardinha, Maçonaria e Tradição Popular
  • 2026 - José Manuel Quintas - O Fosso Intransponível: António José de Brito e o Integralismo Lusitano
  • 2026 - Gonçalo Sampaio e Mello - Das Leis Fundamentais do Reino de Portugal
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia - Uma Alternativa Nacional (Livro de Mário Saraiva)
    • Município
    • OUTRA DEMOCRACIA - REFLEXÕES ACTUAIS
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1911 - A revolução de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • No dia de Camões
      • A Elvas, chave do Reino
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • A Rainha Santa
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A Soberania da Fome
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959 >
      • 1911 - Alberto Monsaraz - SOL CREADOR
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983 >
      • Pela liberdade... contra o totalitarismo - O bom e o mau fascismo
      • Pluralismo e Integralismo
      • Integralismo hoje?
      • A direita e o direito
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Perguntas Frequentes
  • Quem somos
  • Actualizações
  • 2026 - José Manuel Quintas - António Sardinha, Maçonaria e Tradição Popular
  • 2026 - José Manuel Quintas - O Fosso Intransponível: António José de Brito e o Integralismo Lusitano
  • 2026 - Gonçalo Sampaio e Mello - Das Leis Fundamentais do Reino de Portugal
Search by typing & pressing enter

YOUR CART

1933 - Erich Müller - Nationalbolschewismus
Fotografia
Edição Hanseatische Verlagsanstalt, 1933.
Fotografia
Edição "Ars Magna", 2003.
Nationalbolschewismus é um ensaio político e histórico da autoria do escritor e publicista alemão Erich Müller (também citado como Erich Müller-Gangloff, 1907–1980), publicado originalmente na Alemanha em 1933. A obra constitui uma síntese teórica sobre a corrente ideológica do nacional-bolchevismo no contexto da República de Weimar e da chamada Revolução Conservadora (Konservative Revolution).

1. Tese Geral da Obra Original (1933)

A tese central de Müller articula a necessidade de superar tanto o capitalismo liberal ocidental como o marxismo internacionalista, propondo uma aliança estratégica e ideológica entre o nacionalismo radical e a revolução social.

Eixos conceptuais principais:
  • Antioccidentalismo geopolítico: Müller defende que o verdadeiro inimigo da Alemanha é o sistema ocidental (incorporado pelas potências liberais vencedoras da Primeira Guerra Mundial e pelo Tratado de Versalhes). A salvação geopolítica da Alemanha residiria numa aliança de leste com a União Soviética (Ostorientierung).
  • Apropriação do modelo revolucionário: Embora rejeite o materialismo dialético e o ateísmo do marxismo-leninismo, Müller elogia o bolchevismo como um método eficaz de mobilização total, de destruição da ordem burguesa e de edificação de um Estado forte e disciplinado.
  • Socialismo Nacional e Anticapitalismo: O autor defende um "socialismo prussiano" ou nacional, onde a economia é subordinada ao Estado e à coletividade nacional, combatendo a burguesia e o capital financeiro internacional.
  • O Prussianismo como ponte: Müller estabelece uma linha de continuidade histórica entre o espírito ascético, militar e comunitário da Prússia e a disciplina de quadros do bolchevismo soviético.
​

2. Histórico de Edições e Transmissão Editorial

1933
Nationalbolschewismus
Hanseatische Verlagsanstalt (Hamburgo)
Edição original em alemão. Publicada no ano da ascensão de Hitler ao poder, pouco antes da supressão das correntes nacional-bolcheviques independentes do NSDAP.

2003
National-bolchevisme
Éditions Ars Magna (Nantes, França)
Primeira edição em francês. Preparada sob a direção editorial de Christian Bouchet. Contém estudos complementares e um prefácio/introdução alargado com contextualizações sobre movimentos terceiristas/nacional-sindicalistas na Europa (incluindo um ensaio sobre Portugal e Rolão Preto). Tradução coletiva associada aos meios da Ars Magna / Nouvelle Résistance.

3. Contexto dos Intervenientes na Transmissão do Texto
  • Erich Müller (Autor original): Intelectual da Revolução Conservadora e colaborador próximo de Ernst Niekisch (a figura tutelar do nacional-bolchevismo alemão e editor da revista Widerstand).
  • Christian Bouchet (Editor da versão francesa): Publicista e ensaísta francês ligado a correntes da "Terceira Via", "National-Bolschevismo" e "Geopolítica Eurasiana" na França pós-1990. Através da sua chancela editorial Ars Magna, republicou obras clássicas do radicalismo político europeu, acrescentando-lhes aparatos críticos e notas de recepção regional (como a análise sobre o Movimento Nacional-Sindicalista de Rolão Preto em Portugal, aqui transcrita a partir da tradução de Bruno Dias).

NOTA sobre algumas imprecisões do texto sobre Portugal

O Integralismo Lusitano rejeitou a influência neo-clássica da Action Francaise - Sardinha demarcou-se logo em 1914; Monsaraz, em 1921, explicou o motivo em polémica com Raul Proença; e Hipólito Raposo fez mesmo uma conferência, em 1925, dedicada às suas diferentes tradições políticas.

Rolao Preto não estudou em Coimbra e não privou com Oliveira Salazar, de quem nunca foi aliás amigo. O contacto entre ambos foi muito escasso e indireto, por intermédio de Alberto Monsaraz (ver entrevista de 1975 a João Medina, sob o título “Não, não e não”).

Quando o Estado Novo foi estabelecido em Portugal (1933-34), o Estado Fascista tinha já sido plebiscitado em Itália (1929). Salazar copiou dois elementos essenciais: o modelo de partido único e o corporativismo de Estado. A lei eleitoral de 1934 expõe aliás, no seu preâmbulo e sem sofisma, a doutrina do Estado totalitário de Mussolini.

Aldo Bizzarri (Origine e caratteri dello "Stato Nuovo" portoghese, 1941) e Maurice Bardèche (Les fascismes inconnus, 1969) não incluiram Rolão Preto e o seu Movimento Nacional Sindicalista - os "Camisas Azuis" -  entre as organizações fascistas europeias dos anos de 1930, o que muito abona a favor do rigor das obras referidas. No texto seguinte, porém, parece "explicar-se" a omissão de Rolão Preto entre os fascistas europeus pela ausência de mártires do MNS. É uma explicação bizarra que se distancia de um possível motivo levando os neofascistas a não se reconhecerem no nacional-sindicalismo português: em Janeiro de 1933, em entrevista à United Press, Rolão Preto demarcou-se do totalitarismo divinizador do Estado, cesarista, do fascismo e do hitlerismo.

22.07.2026
​
​J. M. Q.

​Portugal 


Com a cumplicidade de uma esquerda ignorante e de má-fé, os autores neofascistas trouxeram para si (para a sua ideologia) movimentos revolucionários alheios à ortodoxia fascista, dos quais apenas retiraram e transmitiram algumas características. No entanto, não surpreenderá a omissão, nas suas publicações, de qualquer referência ao movimento nacional-sindicalista português. Pois, ao contrário da Falange e da Guarda de Ferro, os Camisas Azuis portugueses não contam com mortos ilustres tombados pela justa causa. Falta-lhes o herói a quem prestar uma homenagem fúnebre mítica, um herói aureolado por uma morte mística (fuzilado ou caído no campo de honra) e que se pudesse invocar e celebrar.

Perguntem aos intelectuais pós-comunistas quem foi o primeiro a opor-se ao ditador português Salazar. Perguntem-lhes ainda se conhecem Rolão Preto e o seu percurso cultural. Por razões óbvias, é provável que nenhum deles sequer se lembre da sua existência.

E não terão mais sorte à direita. Os Camisas Azuis e o seu chefe não são citados no livro de Bardèche [1], que, contudo, aborda todos os movimentos fascistas, incluindo os mais marginais, como os fascismos luxemburguês, americano, grego, holandês, búlgaro, albanês ou suíço. E na sua obra Origini e caratteri dello Stato nuovo portoghese [2], Aldo Bizzani arranja maneira de não citar os nacional-sindicalistas lusitanos uma única vez.

Quem foi, então, Rolão Preto?

Francisco Barcelos Rolão Preto nasceu a 12 de Fevereiro de 1893. O seu envolvimento político foi precoce. Em 1913, figura como secretário de redacção do primeiro órgão de imprensa do Integralismo Lusitano, a Alma Portuguesa, expressão de uma nova tendência política que influenciaria as suas próprias convicções e as suas escolhas na Universidade de Coimbra.

O círculo dirigente do integralismo sofria as influências de Maurras, da Action Française e de Sorel. Quanto a Rolão Preto, diplomado em ciências sociais na Bélgica logo em 1917, estabeleceu-se em Toulouse, onde prosseguiu os seus estudos de Direito, e depois em Paris, onde frequentou Charles Maurras e Léon Daudet, nos quais se inspiraria mais tarde.

Os integralistas lusitanos assumiam-se como os arautos de um Estado unitário, mas fortemente descentralizado (conferindo uma ampla autonomia às cidades, províncias e regiões), sendo a descentralização equilibrada por uma estrutura corporativa que reatava com a tradição portuguesa. Uma espécie de futurismo do passado.

António Sardinha (1889-1925) foi, simultaneamente, a figura carismática do movimento e o seu líder mais qualificado. Não o envolveu na oposição parlamentar nem nas estruturas de poder, mas fez com que o integralismo exercesse uma influência assinalável sobre a sociedade portuguesa, cujas tendências conseguiu orientar, de tal forma que os governos que se sucederam tiveram de a ter em conta.

Durante a ditadura republicana de Sidónio Pais (1917-1918), a influência dos integralistas foi determinante em questões de fundo, como a autoridade e o corporativismo.


Importa sublinhar que a breve experiência corporativa de Sidónio Pais, devida à inspiração e à colaboração dos integralistas, antecipou outras experiências na Itália fascista e em Espanha, sob a ditadura de Primo de Rivera (pai de José António). Ao contrário do que se possa ter escrito, a república corporativa nascida da Constituição portuguesa de 1933 não se inspirou em nenhum exemplo estrangeiro [3].


Rolão Preto tomou parte no levantamento do general Gomes da Costa, a 28 de Maio de 1926, e foi o autor do manifesto-programa em 10 pontos [nota: o original francês diz 10, embora o manifesto continha 12 pontos, que foram afixados nas paredes de Braga, no qual se formulavam as bases programáticas do movimento militar] promulgado pela junta militar:


«1. Publicação de uma lei fundamental que preserve no essencial o regime republicano proclamado em 1919 [nota: o original francês diz 1919, embora a República Portuguesa tenha sido proclamada em 1910] e reconhecido pelas Potências, mas introduzindo as modificações necessárias ao seu bom funcionamento;


2. Reorganização dos serviços públicos através de uma lei que determine a responsabilidade penal e civil de todos os funcionários do Estado;


3. Redução das despesas públicas;


4. Verificação das contas públicas e simplificação do regime fiscal;


5. Aumento da riqueza nacional;


6. Reforma e coordenação dos métodos de ensino e de educação;


7. Implementação de uma justiça independente, de procedimentos rápidos e eficazes para restaurar o direito e sancionar as infracções;


8. Reorganização imediata dos serviços e coordenação dos programas coloniais de desenvolvimento com vista a acelerar o progresso económico e financeiro nas colónias;


9. Reorganização militar e naval através do recurso aos conhecimentos mais recentes e da aquisição do material moderno indispensável;


10. Garantia absoluta e indiscutível do direito dos cidadãos à vida, à propriedade e ao bom nome.


Todos aqueles que amam verdadeiramente a pátria e querem que a república recupere a sua dignidade trabalharão com lealdade e fidelidade por este movimento de regeneração política, económica, administrativa, financeira, intelectual e moral, num país chamado pelas suas qualidades, pelo seu espírito de iniciativa e de sacrifício a favor da humanidade a ocupar um lugar de destaque no concerto das nações.»


Este manifesto poderia parecer pouca coisa, se esquecêssemos: a) a situação de Portugal antes da tomada de poder por Gomes da Costa; b) o seu estatuto de potência colonial, sujeita por conseguinte às gravíssimas ingerências dos comerciantes e dos banqueiros na sua vida política.


Questionado sobre este ponto [4], à pergunta: «Que reformas administrativas tem em vista?», Gomes da Costa responde: «Em primeiro lugar, pôr de parte as leis criadas para fins particulares, e que servem os interesses de alguns em detrimento do interesse geral da nação. Estas leis atentam contra a moral e devem ser absolutamente suprimidas.
​
Imediatamente a seguir, pôr fim aos escândalos administrativos que se sucedem há anos, sem que os responsáveis alguma vez tenham sido punidos.»


Mais adiante, declara: «Correndo o risco de surpreender os adversários do regime português, afirmo que a revolução teve por objectivo definir claramente e garantir efectivamente o direito de cada cidadão. Antes de 1926, ele não tinha qualquer garantia real, e podemos dizer que as liberdades essenciais do povo português foram confiscadas, subtraídas ou espezinhadas pelos nossos regimes liberais. A palavra é pouca coisa, é preciso considerar a realidade dos factos. Não, a revolução nacional não custa nada ao nosso povo, se exceptuarmos os especuladores e os exploradores da política, que não interessam hoje à nação portuguesa. À desordem endémica e à tirania dos piores interesses da nação, substituímos um Estado de direito, de legalidade e de ordem, sem os quais não há liberdade.»


No seio da junta militar (tão aberta à circulação de ideias e de teorias políticas que acaba por as absorver) surge um homem de um talento inegável, professor de economia, António de Oliveira Salazar. Ministro da Economia [nota: na realidade, assumiu a pasta das Finanças] em 1928, assume também o Ministério das Colónias dois anos mais tarde. É aí que se inicia a elaboração das ideias e dos princípios políticos que fundarão o Estado Novo quando, em 1932, Salazar for nomeado Presidente do Conselho.


Nesse mesmo ano de 1932 surgem os Camisas Azuis do Movimento Nacional-Sindicalista, dirigido por Rolão Preto. Um movimento que, desde o seu nascimento, conhece um certo sucesso com cinco mil militantes, dezoito jornais, entre os quais se destaca um diário, o Revolução, e numerosos militantes entre os quadros do exército, operários, professores universitários, profissões liberais e industriais.

Num primeiro momento, o movimento parece querer apoiar a junta militar na sua curiosa evolução para uma estrutura política de governo que, com Salazar, introduz as características económicas que marcaram as novas teorias corporativas. Abstém-se, em vão, de qualquer oposição frontal e de qualquer antagonismo para tentar influenciar a maturação política da junta. À medida que o movimento cresce na estima do povo português, as suas relações com esta degradam-se. A ruptura está próxima. Severas restrições abatem-se sobre os Camisas Azuis e os seus dirigentes, submetidos a fortes pressões, bem como sobre os meios de propaganda e sobre a actividade editorial do movimento. Em Junho de 1934, Rolão Preto, o antigo amigo de Salazar que tomou parte na Revolução Nacional, é condenado ao exílio. Em Agosto, no final de uma forte depuração, o comité executivo do Movimento Nacional-Sindicalista decide a dissolução da organização e apela aos seus aderentes para se juntarem à União Nacional, o partido institucional de Salazar.


Apesar deste desaparecimento forçado do Movimento Nacional-Sindicalista, que antecipa a muitos níveis o destino em breve reservado à Falange Espanhola, Rolão Preto não desiste. Em 1958, apoiará a campanha presidencial do general Humberto Delgado, que obterá 23% dos votos, antes de ser também ele forçado ao exílio, e depois assassinado em Espanha, em 1965.


O slogan caro ao nacional-sindicalismo português: «Nem esquerda nem direita, em frente!» permanece de uma actualidade candente. A ideia que tinham da estrutura do Estado era herdada do integralismo lusitano: um poderoso reforço do poder municipal e regional, mais orgânico e melhor estruturado do que o federalismo, tal como habitualmente o entendemos, algo que se aproximaria da ideia do comunitarismo; uma autonomia disciplinada e harmonizada num sentido nacional pelas concepções do sindicalismo revolucionário. Embora reconhecendo o papel fundamental das elites, o nacional-sindicalismo é populista, na medida em que «a revolução só é eficaz se emanar do povo».


É por isso que Rolão Preto se oporá ao poder de Salazar. Ele suscita a eclosão de uma elite no seio dos movimentos de massa, projecta a criação de uma milícia armada que coloque a tónica na necessidade da violência sistemática no processo revolucionário, e na sua tentativa de mobilizar a classe operária opõe-se abertamente à burguesia e ao capitalismo.


Preto considera que «o socialismo e o comunismo são a quintessência da moral e da inclinação económica do capitalismo feito Estado». Por isso mesmo, é fundamental que «todos os trabalhadores tomem consciência da futilidade que seria querer substituir a tirania do capitalismo feito Estado por um Estado tornado capitalista.»


A implantação das teorias nacional-comunistas (que, na sua justa acepção, se opõem tanto ao nacionalismo de Estado de tipo burguês como ao comunismo colectivista de inspiração marxista) num terreno a-fascista e a-comunista, justificaria que se retirasse o movimento nacional-sindicalista do esquecimento em que se pretendeu encerrá-lo.


[1] Les fascismes inconnus, 1969.


[2] In Documenti di storia e di pensiero politico, colecção dirigida por Gioacchino Volpe para o Instituto de Estudos de Política Internacional, 1941.


[3] De resto, Portugal não se encontrava alheado do debate cultural europeu daqueles anos. Disso é testemunho a obra de Pessoa ou a efervescência futurista nacional. A este propósito, leia-se, de Marco Pasi, A proposito di Fernando Pessoa, Orion n.º 125, Fevereiro de 1995, e também Il futurismo portoghese, Orion n.º 130, Julho de 1995.


[4] Diário de Lisboa, 29 de Maio de 1926, citado por Aldo Bizzarri, op. cit.
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]