ESTUDOS PORTUGUESES
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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
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        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
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António Sardinha


​'A prol do comum...'


​Doutrina & História

​Lisboa

​1934

ÍNDICE
Testemunho de uma geração (1918)
Destaca o ressurgimento do tradicionalismo em Portugal através do movimento do Integralismo Lusitano, uma força renovadora não apenas política, mas também intelectual e profissional. Valorizando os exemplos de várias figuras proeminentes, Sardinha mostra como o movimento integra diferentes gerações e áreas de atuação, defendendo a continuidade da tradição nacional como base para o progresso e a unidade do país, em oposição a ideologias utópicas e desnacionalizadoras.
A Rainha Santa
Acerca da importância histórica e espiritual de Santa Isabel de Portugal, realçando o seu papel como mediadora da paz, promotora da justiça social e símbolo de caridade. A Rainha Santa foi fundamental para fortalecer alianças dinásticas, evitar guerras civis e aproximar Portugal da Igreja, sendo reconhecida como “Mãe da Paz e da Pátria”. A sua atuação marcou a política peninsular, inspirou assistência aos pobres e deixou um legado duradouro de santidade, venerado pelo povo português e institucionalizado pela canonização.
Os novos judeus
Texto escrito em 1924, quando o banqueiro Frédéric François-Marsal era ministro das finanças em França, sendo integrado em 1934, sem indicação de data, nesta colectânea de Doutrina e História. Em Julho de 1934, o governo de Salazar proibiu o Nacional-Sindicalismo e prendeu e desterrou para Espanha os seus dirigentes integralistas Alberto Monsaraz e Francisco Rolão Preto; em Dezembro, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do Estado Novo, firmando-se como um regime de partido único e corporativismo de Estado.
A Monarquia de Julho

O direito de revolta
No dia de Camões
António Sardinha propõe uma análise crítica da personalidade de Camões, defendendo que esta deve ser compreendida no seu contexto renascentista, sem mitos ou instrumentalizações políticas. Sardinha rejeita visões romantizadas e interpretações nacionalistas de Os Lusíadas, sugerindo que o poema representa o sacrifício de Portugal pela civilização europeia dentro do ideal universalista da época. Na perspectiva de Sardinha, impõe-se valorizar o contexto histórico e religioso, ligando Camões à Contra-Reforma e ao papel da Europa cristã, e refutar leituras superficiais que reduzem a sua riqueza filosófica, religiosa e cultural. O autor destaca ainda que o protagonismo português nos Lusíadas marca o início da decadência nacional, salientando o universalismo da alma portuguesa.
A Festa do Trabalho
Acerca da festa do Corpo-de-Deus, destacando o papel das corporações de artes e ofícios na valorização do trabalho e na construção da identidade nacional. Critica a industrialização e o avanço do capitalismo, apontando para a perda de valores tradicionais e para a precarização do trabalhador, comparando a situação contemporânea à decadência da Roma antiga. Defende a restauração do regime corporativo, inspirado nos modelos medievais e nos princípios cristãos, para recuperar a dignidade do trabalho, garantir justiça social e evitar os excessos do individualismo económico e da secularização da festa do trabalho, que perdeu o seu sentido religioso e comunitário. Apenas a monarquia cristã e associativa pode assegurar a paz social e proteger os desfavorecidos, propondo um regresso aos valores tradicionais como caminho para enfrentar os desafios da modernidade.
Exército e Tradição (1918)
A epopeia franciscana (1917)
A soberania da fome (1917)
Então porque fugiu? (1918)
​

(acerca da retirada da Família Real para o Brasil)
De quem é a victoria? (1920)

Porque voltámos (1922)

À margem de um livro

A lição do Brasil (1923

As ideias de Duguit (1923)

Nos átrios da Cidade-Nova (1924)
Teófilo Braga (1924)
Mais longe ainda! (1923)
(Com um apontamento sobre o significado dos recentes triunfos de Mussolini em Itália e de Miguel Primo de Rivera em Espanha)
António Sardinha faz um balanço do percurso da revista “Nação Portuguesa” ao encerrar a sua segunda série, refletindo sobre o contexto político e social de Portugal e da Europa no início do século XX. O autor destaca o sentimento de crise e decadência que atravessa o país, agravado pela influência das ideias da Revolução Francesa e pela instabilidade política, mas também aponta sinais de esperança e renovação. Define o Integralismo Lusitano como uma doutrina de regeneração nacional, defendendo o regresso à tradição como o caminho para restaurar a dignidade e o destino histórico de Portugal. Ele vê na recente ascensão de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha exemplos de liderança forte e de reação contra a decadência liberal e revolucionária, sugerindo que Portugal deveria seguir um caminho semelhante, mas com uma doutrina mais orgânica e enraizada nas tradições portuguesas.
Sardinha demarca-se tanto das “direitas” quanto das “esquerdas”, considerando-as herdeiras do individualismo revolucionário e de estarem afastadas dos verdadeiros interesses nacionais. Defende que a solução para Portugal não passa pelo retorno a modelos ultrapassados, mas sim por uma renovação profunda baseada na tradição, na ordem e na justiça social, rejeitando tanto o liberalismo burguês quanto o marxismo. Sardinha termina com uma nota de esperança e de missão: acredita que, apesar das dificuldades e da corrupção do presente, há uma semente de renascimento nacional e espiritual que está a germinar. Exorta os seus companheiros a não desanimarem e a continuarem a lutar por um Portugal autêntico, fiel à sua vocação histórica e cristã, indo “mais longe, muito mais longe ainda” na busca desse ideal.
​​Adiante, por sobre os cadáveres !.. (1924)
​Sardinha analisa a crise das democracias ocidentais no pós-guerra, destacando a ascensão de regimes autoritários como o bolchevismo e o fascismo, que desafiaram a legitimidade da parlamentarismo da partidocracia ao privilegiar a liderança de minorias determinadas a tomar o poder. Argumenta que o verdadeiro poder reside sempre numa elite, sendo fundamental que esta seja orientada por valores morais e espirituais para garantir o bem comum. Defende, por fim, que a renovação da civilização ocidental depende da formação dessas elites e da reconciliação com os princípios espirituais e culturais que lhe deram origem.


​António Sardinha - "A Prol do Comum..." - Doutrina & História. Lisboa: Ferin, 1934.
Fotografia

Uma breve análise do livro “A Prol do Comum”

1. Contexto e Enquadramento
  • António Sardinha defende as doutrinas do Integralismo Lusitano, movimento monárquico tradicionalista e católico, crítico da República e do liberalismo.
  • Estes textos refletem especialmente sobre a crise de identidade nacional, o papel da juventude, e a necessidade de restauração dos valores históricos e espirituais de Portugal.
2. Ideias-Chave e Argumentos Principais

a) Crítica à República e ao Liberalismo
  • Sardinha acusa a República de ter afastado a juventude e de não ter conseguido criar estabilidade ou assegurar a preservação da identidade nacional.
  • O liberalismo e o individualismo são apresentadas como causas da decadência nacional, defendendo que só a tradição e a continuidade histórica podem restaurar Portugal.
b) Defesa do Tradicionalismo e do Integralismo
  • O tradicionalismo é apresentado como a resposta à crise nacional, defendendo a restauração da monarquia, da religião católica e das estruturas sociais históricas.
  • O Integralismo Lusitano é um movimento não só político, mas também intelectual e cultural, agregando figuras de várias áreas (literatura, música, agricultura, etc.).
c) Valorização da Herança e da Identidade Nacional
  • Sardinha valoriza a herança dos antepassados, defendendo que a tradição não é um ponto fixo no passado, mas uma continuidade viva que deve ser adaptada às necessidades do presente.
  • A identidade nacional é vista como inseparável da fé católica e da monarquia.
d) Crítica à ao Parlamentarismo da Partidocracia e à Plutocracia
  • Associa o parlamentarismo dos partidos políticos à corrupção, à plutocracia e à perda de valores espirituais, defendendo que só uma monarquia tradicional, com representação municipal, pode garantir justiça social e ordem.
  • Critica a influência do capitalismo financeiro na sociedade portuguesa e europeia.
e) Reflexão sobre o Trabalho e a Questão Social
  • Defende a restauração das corporações de ofícios e do regime corporativo como solução para a crise do trabalho e para a dignificação do proletariado.
  • Critica o individualismo económico e o industrialismo, propondo uma ordem social inspirada na Doutrina Social da Igreja.
f) Nacionalismo e Universalismo Cristão
  • O nacionalismo defendido por Sardinha é sempre temperado pelo tradicionalismo e pelo universalismo cristão, rejeitando tanto o cosmopolitismo revolucionário como o nacionalismo chauvinista.
  • António Sardinha vê Portugal como tendo a missão histórica de restaurar a Cristandade e contribuir para uma civilização cristã maior.
g) Crítica à Cultura e à História Oficial
  • Critica a visão da história promovida por autores como Teófilo Braga, acusando-os de deturpar a identidade nacional e de promover um laicismo anti-patriótico.
  • Valoriza a cultura clássica, o humanismo e a tradição católica como fundamentos da verdadeira cultura portuguesa.
3. Estilo e Estratégia Argumentativa
  • O texto é fortemente argumentativo, recorrendo a exemplos históricos, citações de autores nacionais e estrangeiros, e à análise crítica de acontecimentos contemporâneos.
  • Utiliza uma linguagem rica, por vezes erudita, e um tom de apelo à ação e à mobilização da juventude e das elites.
4. Conclusão e Atualidade
  • “A Prol do Comum” foi publicado em 1934, quando o Estado Novo de Oliveira Salazar executava as últimas acções de repressão do Integralismo Lusitano que, através do Nacional-Sindicalismo, estabeleceu uma firme oposição à Salazarquia e ao estabelecimento de um regime de partido único e de corporativismo de Estado.  Os organizadores desta obra póstuma, companheiros de ideário, reuniram aqui um manifesto do pensamento tradicionalista, em defesa da restauração da ordem social, política e espiritual baseada na tradição, na monarquia e na fé católica.
  • Este livro reflete as tensões da época, mas também oferece uma visão coerente e articulada de um projeto alternativo ao liberalismo e ao regime republicano, que então iniciava o seu segundo capítulo dominado por uma oligarquia política e financeira.
.
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]