ESTUDOS PORTUGUESES
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia
    • Município
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • No dia de Camões
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • A Rainha Santa
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Quem somos
  • Actualizações
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia
    • Município
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • No dia de Camões
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • A Rainha Santa
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Quem somos
  • Actualizações
Search by typing & pressing enter

YOUR CART

Arquivo de José de Campos e Sousa

O REVERSO DA MEDALHA

Alberto de Monsaraz e Francisco Rolão Preto
[ O Reverso da Medalha, Novembro de 1934, ass. "Nós, Portugal..." - José de Campos e Sousa atribuiu a autoria deste documento a Alberto de Monsaraz e Francisco Rolão Preto, então no desterro em Espanha, após terem sido presos e expulsos de Portugal, em Julho de 1934.] 
O REVERSO DA MEDALHA


À POLÍTICA DA VERDADE
 
PORTUGAL RESPONDE COM VERDADES SEM POLÍTICA
Mais uma vez, diante da indiferença resignada e glacial da Nação, o atual Chefe do Governo retomou o fio interrompido do seu disco-monólogo para repetir, à maneira do costume e a par do próprio elogio habitual, as mais precisas afirmações de respeito pelas liberdades públicas, justiça social e defesa da personalidade humana - afirmações estas que, através de uma compacta e cínica tirania, ele se tem comprazido sistematicamente em desmentir, dia a dia, no campo dos factos.
 
Sossegado de antemão pela impossibilidade de qualquer crítica ou justo reparo, que a sua arbitrária e vexatória censura impediria por certo; seguro de uma posição superior, que aliás não resistiria a oito dias de liberdade de imprensa; convencido de uma impunidade, a que o seu orgulho sem limites espera garantir eterna duração - o Presidente do Ministério reedita agora algumas criações do seu fácil humorismo, que fariam rir ou sorrir toda a gente se não ecoassem, por esse pobre País fora, entre angústias, aflições e desesperos.
 
Eis, seguindo a sua própria ordem, a clara verdade que as suas palavras encobrem:
 
 
I - POSIÇÃO NACIONAL
 
Politicamente - o caos
Economicamente - a ruína
Socialmente - o pré comunismo
 
Calando, num ingrato silencio, a ação dos seus antecessores e tomando em bloco a obra da Ditadura para a fazer passar como sendo toda sua aos olhos dos incautos, o atual Chefe do Governo confunde voluntariamente aquilo que se deve à energia e heroísmo de quantos resolveram na rua o problema da Ordem Pública com a sua tão decantada restauração das finanças nacionais.
 
Todos os que fizeram o 28 de maio e, há nove anos, o têm logrado manter, conhecem, porém, sobejamente, os nomes de tantos bravos - alguns hoje presos e exilados - que souberam arriscar-se e bater-se na batalha onde se jogaram os destinos da Revolução Nacional, enquanto certos políticos se mantinham em discreta e prudente reserva quando se não prestavam a escutar, complacentes, as propostas tentadoras dos adversários...
 
Para aquém do problema da Ordem Pública, resolvido pelos governos anteriores aos da presidência do Dr. Salazar, a posição nacional resume-se, em síntese, neste panorama confrangedor: politicamente, o caos, isto é a «União Nacional» onde se disputam, sem descanso, na conquista dos logares públicos e regedorias locais, todas as clientelas e todos os caciques democráticos e talassas, contra os quais se fez precisamente o 28 de maio; - economicamente, a ruína da pequena fortuna, abandonada, sem defesa alguma, às devastações da usura, vitima de reformas atrabiliárias e impotentes, como a criminosa organização vitícola, a injusta absorção moageira, etc.: - socialmente, a marcha acelerada para o Comunismo, através da derrocada económica e do esmagamento sistemático de todos os direitos, de todas as liberdades individuais e coletivas.
 
Desfeitos, pelo suborno e pela violência, os vários sectores da opinião pública, e não se tendo criado em substituição uma força consciente e forte em que se apoie o Estado Novo a construir; arruinada a economia nacional em holocausto à megalomania dos "portos sem navios e dos institutos sem alunos"; quebrada toda a independência e dignidade dos Portugueses, a posição nacional é na realidade, por trás de falsos cenários e ilusórias fraseologias, a mais instável e mais precária das posições.
 
II - POSIÇÃO INTERNACIONAL
 
Propagandas custosas
Realidades diplomáticas

 
Para aqueles que acreditam sinceramente na espontaneidade dos artigos laudatórios de certas gazetas estrangeiras, desconhecendo como desconhecem o que eles representam de oiro desbaratado pelo Secretariado da Propaganda e pelos fundos secretos do Ministério dos Estrangeiros, o bom nome de Portugal e do seu Presidente do Ministério em especial é, lá fora, indiscutível. Podem ver nisso, é claro, uma permanente razão de desvanecimento.
 
Não se nutre desgraçadamente de ingénuas ilusões a grande maioria do País.
 
Este sabe bem à custa de que concessões se conquistou finalmente um lugar de Conselho na aliás desacreditada e inútil Sociedade das Nações; conhece de sobejo como se cota, lá fora, a nossa moeda e desafia por isso o Governo actual a conseguir no Estrangeiro, apesar da fama do Ministro das Finanças, qualquer empréstimo com que se restaure um pouco a economia nacional das sangrias periódicas, compensadoras de deficits orçamentais e mantenedoras, para servir a bazofia do Poder, das suas custosas obras pombalinas; não ignora também o País o que significa, em face da independência da sua economia ameaçada, os acordos sobre o diferencial de bandeira, negociados e assinados há meses com duas grandes potências europeias.
 
Neste capítulo manda o patriotismo que não se entre em demasiados esclarecimentos. 
Adiante...
 
 
III - POLÍTICA INTERNA
 
A reeleição Presidencial
Dar por amor de Deus...


Ao som de festivos acordes e aliás justificáveis elogios anuncia agora o Presidente do Ministério a candidatura oficial de Sua Excelência o Senhor General Carmona à sua próxima reeleição.
 
Motivos imperiosos decidem enfim o atual Chefe do Governo a esta resolução inesperada, cuja transcendência é sem dúvida da mesma ordem dos que o levaram a não se instalar, desde já, na Pasta da Defesa Nacional...
 
Com efeito toda a gente compreende como está longe de ser espontâneo este gesto do Dr. Salazar.
 
Ainda não há muito, em 15 de abril passado, quando a guarnição de Lisboa na sua totalidade pedia ao Senhor Presidente da República que aceitasse a ser reeleito, a bem do Paiz, o atual Chefe do Governo não conseguiu esconder nem disfarçar um bem visível e insólito amuo...
 
Conforma-se agora o Presidente do Ministério e é com manifesta alegria que vem dar à Nação a boa nova. Já porém, na verdade, o País a conhecia através de certo comunicado de Jornais que há dias anunciava ter a Força Armada, pela mão do Senhor General Vicente de Freitas, conseguido do Chefe do Estado a única e indispensável aquiescência...
 
 
IV - CONSELHO DE ESTADO
 
Uma antiga omissão... ... agora reparada
 
Segundo o Art. 83. ° da Constituição, plebiscitada vai para dois anos, devia ter-se logo criado (o que se não fez) um Conselho de Estado que, nas horas difíceis da vida publica, assistisse o Presidente da República.
 
Alega o Dr. Salazar que apesar dessa grave falta por omissão, não foram seguramente violados os preceitos constitucionais. Razão: - foi desnecessário até hoje, que se consultasse e ouvisse semelhante Conselho! E se tivesse sido necessário?... É impossível mostrar pela inteligência dos Portugueses um mais completo e expedito desprezo.
 
A explicação do facto é, sem dúvida, bem diferente. Se o Conselho de Estado ainda não fora constituído é só porque assim convinha aos receios do mesmo Dr. Salazar, visto essa alta engrenagem pública, ao ter de jogar, poder, em certa altura, jogar contra a sua nefasta tirania política e derrubá-lo. Organiza-se agora, tarde e a más horas, por de todo não poder deixar de ser e porque, daqui às eleições, (assim o supõe o Chefe do Governo) já naturalmente não terá tempo nem ocasião de o ameaçar.
 

V- ASSEMBLEIA NACIONAL
 
Deputados por nomeação
Novo Congresso da «União Nacional»
 
Quando há anos o Coronel Lopes Mateus, então Ministro do Interior, proclamou, numa inflamada sessão de propaganda, que se iam fazer eleições gerais, mas não se perderiam em nenhum caso, ingénuos houve que protestaram contra a crueza de tão insólitas palavras. Ao menos tinham elas o mérito de ser claras e desassombradas.
 
As declarações sibilinas do atual Chefe do Governo, neste capítulo, vêm corroborar as de Lopes Mateus e mostram sobejamente, embora sob a capa dessa costumada hipocrisia que serve de timbre à "Política da Verdade", quais os propósitos com que, depois de tantos anos, se vai finalmente enfrentar o sufrágio popular. Já era sabido, por famosos precedentes, que todo aquele que se abstivesse de votar, votava sempre com o Poder. Fica-se agora sabendo também que não basta terem-se votos para ser-se eleito: — só será deputado quem possua igualmente as boas graças do Santo Ofício governativo. Desta maneira, não só se vai para uma consulta popular com toda a imprensa amordaçada e impedida por completo toda a propaganda oral, como ainda, e para cúmulo, à sombra desta inqualificável enormidade: - todos os votos "contrários" serão nulos, de pleno direito, em "nome da Nação".
 
Sabido como em Portugal só quem for salazarista é que tem direitos políticos (seja ou não nacionalista, seja ou não um leal servidor do Estado) assim, desde já, determinado o valor positivo da tal pseudo assembleia nacional, ressurreição caciqueira em honra do Estado Novo; congresso partidário, convocado pelo mais sinistro homem público da História Nacional Contemporânea. Mesmo quem seja por doutrina antiparlamentarista, não poderá deixar de sentir-se indignado em face de uma farsa tão completa e tão degradante.
 

VI - CAMARA CORPORATIVA
 
Um nobre ideal falseado
Sindicatos? Não: simples rebanhos
 
Entre todos os atentados que o Chefe do atual Governo tem cometido, por desconhecimento ou por ódio à doutrina, contra o espírito de 28 de maio, o maior é, de certo, a chamada "Organização Corporativa".
 
Ao destruir-se o Liberalismo Económico, que gerou os excessos capitalistas impunha-se substitui-lo, prontamente, por uma organização económico-social em que o Homem, o Cidadão, encontrasse apoio seguro para o seu maior desenvolvimento moral, intelectual e material. Num País, como o nosso, que, em cem anos de guerra civil, se veio tornando ferozmente individualista, quase anárquico, refratário a tendencias associativas, era sobretudo urgente insuflar-se lhe, por uma intensa propaganda, o forte espirito da vida sindical, vida nova em que se achasse ressuscitado e fortalecido o sentimento de auxilio mutuo e de solidariedade coletiva. Assim, pouco a pouco, ir-se-iam conquistando sucessivas e seguras posições dentro de um verdadeiro plano nacional de realizações sociais.
 
Em vez disto que se tem feito?
 
Em primeiro logar, sacrificou-se, aniquilando-a, a pouca vida sindical existente, pela confiscação de bens às associações operárias, desses fundos acumulados durante anos graças às cotas arrancadas aos seus pobres salários de martírio. E realizada esta proeza, esboçou-se então a organização de vagos sindicatos e nebulosas corporações, que não tendem a servir - bem pelo contrário - os interesses exclusivos da Produção e da Justiça.
 
Teve-se apenas em mira a fundação de centros políticos do salazarismo, em que os operários, com direitos sempre inferiores aos dos patrões, lhes ficassem eternamente subordinados, como assalariados submissos e eleitores indiscutíveis.
 
É de semelhante caricatura de sindicatos e corporações que o Chefe do Governo pensa extrair, com eficácia e proveito para uma genuína representação orgânica e nacional, a chamada Câmara Corporativa. Este crime sem nome, friamente calculado, contra o futuro e indispensável sindicalismo português, jamais encontrará perdão nas novas gerações conscientes de amanhã.
 
 
VII- O ESTADO NOVO E O EXÉRCITO
 
Um antimilitarista
Obra de dissolução
 
O Político que maior desprezo tem manifestado pela Força Armada, não perdendo ocasião de a achincalhar em público, de constantemente a ofender, nas variadas manifestações, oratórias e escritas, do seu orgulho ferido pelo natural limite que essa Força representa para as suas ambições do poder discricionário - esse político antimilitarista acha agora oportuno referir-se ao Exército com tardias palavras de louvor e de justiça.
 
Depois da transferência e perseguição de tantos oficiais nacionalistas, a quem a atual Situação tudo deve, surgem agora as conhecidas fórmulas de captação, que sempre fazem parte do programa salazarista em certos momentos de apuro.
 
O Exército não se ilude: bem lhes conhece o verdadeiro objetivo oculto; e, cônscio da sua dignidade militar, contenta-se, por agora, cont, sorrir, mas não responder. É sem dúvida curioso observar o poder que certos problemas de ordem política têm sobre p animo do Chefe do Governo. Apesar de haver descoberto nesta altura (seis anos perdidos inutilmente) a extensão das nossas fronteiras onde quase vêm bater as ondas revolucionarias que ameaçam a Europa e os perigos de toda a sorte erguidos contra a integridade do nosso território europeu e ultramarino, que urge defender; apesar das vantagens certas que adviriam, segundo frisa, dele próprio se abalançar a tomar em suas mãos a Pasta da Defesa Nacional - a solução completa do importantíssimo problema militar, por causa dos tais problemas absorventes de ordem politica, vê-se adiada sine die para momento mais oportuno.
 
A explicação deste duplo enigma o Exército por armar no meio de tão graves perigos e a necessidade de ser adiada a criação da Pasta da Defesa Nacional para o Dr. Salazar - deduz-se naturalmente das conhecidas razões que têm orientado a sua política de ambição e prestígio pessoal, a que sempre tudo e todos sacrifica.
 
Coerente com essas normas e esse plano, foi o Dr. Salazar negando, por sistema, as possibilidades materiais necessárias à reorganização técnica do Exército, a fim de que, queimados todos os Ministros da Guerra vindos da Tropa, esta acabasse, resignada e sem reagir, por aceitar a direção e a tutela de um simples paisano, desse mesmo paisano que, no fundo, tanto a odeia, mas pretende fazer dela, da nobre Força Pública, um instrumento a mais do seu Poder arbitrário e sem limites.
 
Ora, foi isto precisamente que o Dr. Salazar constatou não ser agora possível. Até que um dia o seja, tentará, se puder, quebrar e desfazer a unidade do Exército, atirando os velhos contra os novos, os coronéis contra os tenentes, no mesmo desvario de destruição e pulverização com que lançou católicos contra católicos, monárquicos contra monárquicos, republicanos contra republicanos, nacionalistas contra nacionalistas, portugueses contra portugueses numa palavra, para que, uma vez tudo esfacelado e tudo desfeito, tudo automaticamente vencido, e perdido, ele possa enfim proclamar-se Senhor único e absoluto desta pobre Nação, desta triste terra de escravos.
 
 
VIII - VALORES MORAES
 
Três nomes
Três símbolos
 
Temos de reagir cada vez mais contra a aberração moderna de se considerar exclusiva ou principalmente progresso das nações o que se traduz na melhoria das vantagens materiais... ... .... ... O Estado Novo tem de iluminar todas as manifestações extrinsecamente boas, uteis ou admiráveis com a luz de espiritualidade superior que norteie a civilização e dê corpo, consistência e lustre à Nação Portuguesa.
 
Assim fala Salazar.
 
Resposta do País:
 
Padre António José Marques - Pureza e Espiritualidade.
Dr. Simões Neves - Lealdade e Lisura.
António Ferro - Isenção e Desinteresse.
 
Um confidente. Um conselheiro. Um condutor dos valores morais do Estado Novo. Atrás deles, seguindo-lhes a trajetória gloriosa, vão ascendendo, em pleno voo de espiritualidade superior, todas as elites ansiosas de luz, de verdade, de abnegação que, dentro dos Ministérios, da Polícia, do Secretariado da Propaganda Nacional, da Alta Finança, das Corporações e outros duros lugares de sacrifício, tem conquistado, para a Pátria e para a Civilização do Mundo, triunfos sem par que farão a admiração e espanto dos vindouros!
 
 
IX - AOS PORTUGUESES
 
Hoje, "Política de Verdade"
Amanhã, Verdade sem Política
 
Ao analisar esta nova peça oratória de Salazar, em que a manobra rasteira, a permanente simulação, a politiquice nefasta tão mal se escondem, por trás da celebre tabuleta: "Política de Verdade", pretende-se apenas mostrar bem ao País como, logicamente, se vai definindo a ampla curva de governo por onde a vaidade monstruosa de um homem pensa conduzir a Nação Portuguesa até subordina-la inteiramente ao seu jugo absoluto de político "parvenu".
 
A indiferença, a frieza sem remédio, com que o País, de norte a sul, acolhe toda a propaganda mercenária do Poder e todas as inúteis e capciosas palavras do chefe do Governo são por certo, a par de tantos outros sintomas de reação, a prova segura de que o Povo Português, depois de oito séculos de liberdades, áspera e ciosamente defendidas se não submeterá nunca, numa passividade que degrada e avilta, à tutela tirânica de ninguém.

Pelo contrario:

À parte aqueles que, descaradamente, se apropriam de ideias alheias, deturpando-as e envilecendo-as, por as desconhecerem ou pelo ódio ciumento de outros as terem primeiro servido e por elas se haverem sacrificado;  à parte aqueles que se acomodam com todos os regimes e aceitam, de bom grado, todas as tiranias, desde que essa servidão incondicional lhes permita usufruir bastos e opíparos proventos;  à parte aqueles para quem as ideias e os princípios não passam de tabuletas de negócio, prontos sempre a venderem por bom preço consciências, serviços e homenagens -  à parte essa turbamulta de mercenários indesejáveis, todos os portugueses de boa vontade reconhecem, dia a dia, mais e mais, a necessidade urgente de se congregarem, no mesmo impulso, em torno da única bandeira salvadora: - a da reconquista de todas as suas liberdades oprimidas, a do resgate final e definitivo de uma nobre e generosa Nação, convertida em roça de politicantes, a soldo dos mais nocivos feudais do capitalismo.
 
Lisboa, novembro de 1934
 
NÓS, PORTUGAL...


[ negritos acrescentados ]
Fotografia
O Reverso da Medalha, 25 de Outubro de 1934, Nós, Portugal...
Fotografia
Fotografia
Fotografia
Fotografia
O Reverso da Medalha, Novembro de 1934, Nós, Portugal... ////José de Campos e Sousa atribuiu a autoria deste documento a Alberto de Monsaraz e Rolão Preto, então no desterro em Espanha, após terem sido presos e expulsos de Portugal, em Julho de 1934.



​Relacionado
1934-06-20 - Francisco Rolão Preto - Representação ao Presidente da República em Junho de 1934
1934-07-14 - Carta de Rolão Preto e Alberto Monsaraz
1934-07-29 - Salazar e a proibição do Nacional-Sindicalismo
1934-11 - O Nacional-Sindicalismo em período eleitoral desafia o Governo a fazer eleições livres
1934-12-24 - O Nacional-Sindicalismo após a Farsa Eleitoral
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]