António Sardinha
'A prol do comum...'
Doutrina & História
Lisboa
1934
ÍNDICE
Testemunho de uma geração (1918)
Destaca o ressurgimento do tradicionalismo em Portugal através do movimento do Integralismo Lusitano, uma força renovadora não apenas política, mas também intelectual e profissional. Valorizando os exemplos de várias figuras proeminentes, Sardinha mostra como o movimento integra diferentes gerações e áreas de atuação, defendendo a continuidade da tradição nacional como base para o progresso e a unidade do país, em oposição a ideologias utópicas e desnacionalizadoras.
Acerca da importância histórica e espiritual de Santa Isabel de Portugal, realçando o seu papel como mediadora da paz, promotora da justiça social e símbolo de caridade. A Rainha Santa foi fundamental para fortalecer alianças dinásticas, evitar guerras civis e aproximar Portugal da Igreja, sendo reconhecida como “Mãe da Paz e da Pátria”. A sua atuação marcou a política peninsular, inspirou assistência aos pobres e deixou um legado duradouro de santidade, venerado pelo povo português e institucionalizado pela canonização.
Texto escrito em 1924, quando o banqueiro Frédéric François-Marsal era ministro das finanças em França, sendo integrado em 1934, sem indicação de data, nesta colectânea de Doutrina e História. Em Julho de 1934, o governo de Salazar proibiu o Nacional-Sindicalismo e prendeu e desterrou para Espanha os seus dirigentes integralistas Alberto Monsaraz e Francisco Rolão Preto; em Dezembro, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do Estado Novo, firmando-se como um regime de partido único e corporativismo de Estado.
A “Monarquia de Julho” foi o regime político instaurado em França após a Revolução de Julho de 1830, que derrubou Carlos X e colocou Luís Filipe de Orleães no trono. Este período durou até 1848 e ficou marcado por maior poder para a burguesia e limitação da influência aristocrática. O regime expandiu o sufrágio censitário (voto restrito aos mais ricos), deu prioridade ao desenvolvimento industrial, desprotegendo as classes trabalhadoras e provocando descontentamento, do qual surgiram movimentos republicanos e socialistas. A Revolução de 1848 levou à abdicação de Luís Filipe e à proclamação da Segunda República.
António Sardinha faz aqui uma análise crítica da queda dos Bourbons, destacando a visão de Balzac sobre a legitimidade monárquica e a importância dos princípios tradicionais para a estabilidade da França. Refere que a restauração dos Bourbons trouxe prosperidade e estabilidade financeira ao país, mas também aponta as limitações estruturais do regime, nomeadamente a dificuldade em descentralizar o poder e a persistência do modelo centralizador napoleónico.
Defende que os ultras (ultrarrealistas) foram injustamente responsabilizados pela queda da monarquia, argumentando que, apesar de antiliberais, defendiam as liberdades tradicionais e a descentralização administrativa. Aborda também a influência externa, especialmente da Inglaterra, no desfecho da Monarquia de Julho, e critica o papel do liberalismo e do capitalismo emergente na desestabilização do regime monárquico.
Por fim, Sardinha faz uma reflexão sobre o impacto da Monarquia de Julho em Portugal, nomeadamente na vitória do liberalismo e na intervenção francesa, e conclui defendendo a necessidade de restaurar as virtudes da realeza e da tradição para garantir a continuidade histórica e a prosperidade nacional.
António Sardinha faz aqui uma análise crítica da queda dos Bourbons, destacando a visão de Balzac sobre a legitimidade monárquica e a importância dos princípios tradicionais para a estabilidade da França. Refere que a restauração dos Bourbons trouxe prosperidade e estabilidade financeira ao país, mas também aponta as limitações estruturais do regime, nomeadamente a dificuldade em descentralizar o poder e a persistência do modelo centralizador napoleónico.
Defende que os ultras (ultrarrealistas) foram injustamente responsabilizados pela queda da monarquia, argumentando que, apesar de antiliberais, defendiam as liberdades tradicionais e a descentralização administrativa. Aborda também a influência externa, especialmente da Inglaterra, no desfecho da Monarquia de Julho, e critica o papel do liberalismo e do capitalismo emergente na desestabilização do regime monárquico.
Por fim, Sardinha faz uma reflexão sobre o impacto da Monarquia de Julho em Portugal, nomeadamente na vitória do liberalismo e na intervenção francesa, e conclui defendendo a necessidade de restaurar as virtudes da realeza e da tradição para garantir a continuidade histórica e a prosperidade nacional.
Discute o conceito de direito de revolta, tomando como exemplo a figura de Paiva Couceiro, que foi considerado traidor por se insurgir contra o regime, mas cuja ação é defendida como legítima quando o governo trai os valores fundamentais da pátria. A pátria é apresentada como património moral e coletivo, para além do território, e o patriotismo implica respeito pelas tradições e pela herança dos antepassados. O texto argumenta que o direito de revolta, reconhecido por teólogos, juristas e pela própria Igreja, é comparável ao direito de legítima defesa, sendo justificado em situações de tirania, corrupção ou violação dos princípios essenciais da sociedade. A legitimidade da revolta é sustentada por autores como Vareilles-Sommières e pela doutrina cristã, desde São Tomás de Aquino até Leão XIII, e pode ser exercida mesmo por uma minoria, sempre que esteja em causa a defesa da pátria e dos seus valores.
António Sardinha propõe uma análise crítica da personalidade de Camões, defendendo que esta deve ser compreendida no seu contexto renascentista, sem mitos ou instrumentalizações políticas. Sardinha rejeita visões romantizadas e interpretações nacionalistas de Os Lusíadas, sugerindo que o poema representa o sacrifício de Portugal pela civilização europeia dentro do ideal universalista da época. Na perspectiva de Sardinha, impõe-se valorizar o contexto histórico e religioso, ligando Camões à Contra-Reforma e ao papel da Europa cristã, e refutar leituras superficiais que reduzem a sua riqueza filosófica, religiosa e cultural. O autor destaca ainda que o protagonismo português nos Lusíadas marca o início da decadência nacional, salientando o universalismo da alma portuguesa.
Acerca da festa do Corpo-de-Deus, destacando o papel das corporações de artes e ofícios na valorização do trabalho e na construção da identidade nacional. Critica a industrialização e o avanço do capitalismo, apontando para a perda de valores tradicionais e para a precarização do trabalhador, comparando a situação contemporânea à decadência da Roma antiga. Defende a restauração do regime corporativo, inspirado nos modelos medievais e nos princípios cristãos, para recuperar a dignidade do trabalho, garantir justiça social e evitar os excessos do individualismo económico e da secularização da festa do trabalho, que perdeu o seu sentido religioso e comunitário. Apenas a monarquia cristã e associativa pode assegurar a paz social e proteger os desfavorecidos, propondo um regresso aos valores tradicionais como caminho para enfrentar os desafios da modernidade.
Exército e Tradição (1918)
Crítica a escassez de estudos militares especializados em Portugal, que expliquem as batalhas para além da simples narrativa, destacando a importância do pensamento organizador por trás das vitórias. Valoriza obras como a Defesa de Portugal e a História orgânica e política do exército português, bem como o trabalho de Satúrio Pires – Os Caçadores do exército de Dom Miguel - que alia experiência militar a cultura intelectual. Por fim, sublinha a missão social do exército na preservação da honra nacional e no fortalecimento das energias do país perante os desafios dos imperialismos modernos.
A epopeia franciscana (1917)
O texto apresenta Santo António como uma das figuras maiores do franciscanismo português e enquadra a sua importância na grande renovação espiritual iniciada por São Francisco de Assis no século XIII. Destaca-se o franciscanismo como movimento de simplicidade, pobreza, alegria, fraternidade e amor universal à criação, com forte impacto religioso, social, artístico e literário. A epopeia franciscana é vista como força regeneradora da Igreja e da sociedade medieval, cuja influência atravessa os séculos, inspirando pensadores, escritores e convertidos modernos. A perspectiva de Antero de Quental, que o viu como precursor do espírito moderno e do panteísmo espiritualista, é contestada por via da resposta de Joergensen, que defendeu a ortodoxia cristã do santo. O franciscanismo é apresentado como uma força salvadora tanto para a sociedade medieval como para a contemporânea, sendo Santo António invocado como patrono e símbolo de esperança para Portugal. final, Santo António surge como herdeiro e intérprete exemplar desse ideal, símbolo de esperança e renovação para Portugal.
A soberania da fome (1917)
Reflete sobre a instabilidade social e política provocada pela república, destacando como a ideologia republicana, ao prometer soberania ao povo, acabou por incitar a anarquia e, em seguida, reprimi-la de forma violenta. Critica a propaganda democrática e a forma como a multidão foi manipulada por ambiciosos do poder, levando a episódios de rebelião e violência nas ruas de Lisboa. Esta situação é vista como resultado de uma liberdade mal compreendida e de um ateísmo oficial que incentiva o egoísmo e o desregramento social.
Aborda também as consequências económicas e sociais do liberalismo, apontando que, apesar de salários elevados em algumas áreas, as classes pobres continuam a sofrer devido à livre-concorrência e ao fortalecimento dos monopólios. Sardinha argumenta que as democracias tendem a ser plutocráticas e que, historicamente, apenas as monarquias conseguiram resolver de forma duradoura os problemas económicos dos mais desfavorecidos. São evocadas práticas antigas de regulação dos mercados e de apoio aos pobres, contrastando com a situação contemporânea, em que o Estado já não cumpre esse papel.
Sardinha conclui com uma reflexão sobre a fraternidade, ironizando o descrédito da palavra e lamentando a perda de valores e instituições que, no passado, protegiam os mais vulneráveis. Sugere que a fraternidade proclamada pela república é ilusória, pois está manchada por sangue, mortes e prisões, e que a verdadeira solidariedade desapareceu com o advento da liberdade e dos chamados “Imortais-Princípios”.
Aborda também as consequências económicas e sociais do liberalismo, apontando que, apesar de salários elevados em algumas áreas, as classes pobres continuam a sofrer devido à livre-concorrência e ao fortalecimento dos monopólios. Sardinha argumenta que as democracias tendem a ser plutocráticas e que, historicamente, apenas as monarquias conseguiram resolver de forma duradoura os problemas económicos dos mais desfavorecidos. São evocadas práticas antigas de regulação dos mercados e de apoio aos pobres, contrastando com a situação contemporânea, em que o Estado já não cumpre esse papel.
Sardinha conclui com uma reflexão sobre a fraternidade, ironizando o descrédito da palavra e lamentando a perda de valores e instituições que, no passado, protegiam os mais vulneráveis. Sugere que a fraternidade proclamada pela república é ilusória, pois está manchada por sangue, mortes e prisões, e que a verdadeira solidariedade desapareceu com o advento da liberdade e dos chamados “Imortais-Princípios”.
Então porque fugiu? (1918)
Análise critica do episódio da retirada da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1807, liderada por D. João VI. António Sardinha contesta a ideia de que o monarca teria fugido, defendendo que a decisão foi estratégica e fundamental para a preservação da independência de Portugal. Utiliza fontes históricas, como o Diário de Junot e depoimentos de historiadores, para demonstrar que a aproximação das tropas francesas só foi conhecida em Lisboa quando já era tarde para organizar uma resistência eficaz. Destaca-se que a retirada não foi uma fuga, mas sim uma resposta ponderada diante da ameaça de Napoleão, que pretendia capturar a família real e a esquadra portuguesa. O texto também critica a forma como a história portuguesa tem sido contada, muitas vezes marcada por difamação dos seus protagonistas, e defende um patriotismo baseado no respeito pelo passado. Salienta as reformas e avanços promovidos por D. João VI, bem como a sua capacidade política, frequentemente ignoradas. Conclui que a decisão de partir para o Brasil foi essencial para garantir a continuidade da dinastia e, consequentemente, a possibilidade de restauração da independência portuguesa, contrariando a visão simplista de que se tratou apenas de uma fuga.
De quem é a victoria? (1920)
Reflete sobre a crise da civilização materialista e defende que o momento de aparente catástrofe é, na verdade, uma oportunidade para o ressurgimento de uma ordem baseada em princípios cristãos e tradicionais. Critica o individualismo e o materialismo, apontando o bolchevismo como consequência, mas reconhecendo que até mesmo os erros do comunismo trazem lições e elementos positivos que pertencem à tradição cristã. Conclui que a vitória pertence às doutrinas que defendem a restauração da ordem natural e cristã, vendo o momento de crise como uma etapa necessária para a renovação e fortalecimento desses valores.
Porque voltámos (1922)
Foi neste texto que António Sardinha proclamou uma famosa fórmula: "uma nacionalidade é sobretudo uma alma, um valor espiritual, um génio". Defende um nacionalismo português enraizado no tradicionalismo, argumentando que apenas a combinação entre ambos pode renovar e fortalecer a nação. Critica o individualismo económico e a influência da plutocracia, exalta o papel da inteligência e da ordem social, e destaca a missão espiritual e civilizadora de Portugal como restaurador da Cristandade. Inspirando-se nos Lusíadas, afirma a vocação apostólica do país e conclama à ação guiada pelo Espírito, com a esperança de um futuro mais elevado para Portugal e para a Europa.
À margem de um livro
A lição do Brasil (1923)
Interpreta o Brasil como a grande realização histórica do génio português e como prova da força civilizadora da tradição, da Igreja e da Monarquia. A formação do Brasil confirma que a nacionalidade nasce de uma continuidade espiritual, histórica e institucional, e não de abstrações liberais ou cosmopolitas. O Brasil surge como prolongamento de Portugal no Atlântico, preservando a unidade, a cultura católica e a herança lusitana, ao mesmo tempo que adquire identidade própria no contacto com o território americano.
Sardinha defende que Portugal e Brasil devem reconhecer a sua origem comum e fortalecer os laços do lusitanismo, inserindo-os num projeto mais amplo de renovação hispânica e cristã. A “lição” do Brasil consiste, portanto, em mostrar que a grandeza futura de ambos depende do regresso consciente às raízes tradicionais, da superação do liberalismo e do cosmopolitismo revolucionário, e da reconstrução de um universalismo fundado na Latinidade e no Catolicismo.
Sardinha defende que Portugal e Brasil devem reconhecer a sua origem comum e fortalecer os laços do lusitanismo, inserindo-os num projeto mais amplo de renovação hispânica e cristã. A “lição” do Brasil consiste, portanto, em mostrar que a grandeza futura de ambos depende do regresso consciente às raízes tradicionais, da superação do liberalismo e do cosmopolitismo revolucionário, e da reconstrução de um universalismo fundado na Latinidade e no Catolicismo.
As ideias de Duguit (1923)
Analisa criticamente as ideias de Léon Duguit, reconhecendo nelas algum valor renovador por combaterem as ficções do constitucionalismo moderno, em especial a noção de soberania nacional. Contudo, considera que Duguit permanece sobretudo no plano da crítica e não consegue oferecer uma construção doutrinária sólida. Para Sardinha, a sua recusa de um verdadeiro direito de governar, substituída pela ideia de que os governantes apenas exercem poder de facto desde que atuem segundo a solidariedade social, revela uma fragilidade profunda no pensamento jurídico do autor francês.
A principal objeção de Sardinha é que Duguit confunde direito natural com direito positivo e nega a existência de direitos inerentes à pessoa humana fora da sociedade, como mostra o exemplo de Robinson Crusoé. Contra essa posição, defende um direito natural de base comunitária, anterior e superior à lei positiva, inspirado em S. Tomás e na tradição jurídica portuguesa. Assim, embora reconheça a utilidade de Duguit na demolição de mitos jurídicos modernos, conclui que as suas teorias são insuficientes, superficiais e incapazes de fundar uma verdadeira ordem jurídica.
A principal objeção de Sardinha é que Duguit confunde direito natural com direito positivo e nega a existência de direitos inerentes à pessoa humana fora da sociedade, como mostra o exemplo de Robinson Crusoé. Contra essa posição, defende um direito natural de base comunitária, anterior e superior à lei positiva, inspirado em S. Tomás e na tradição jurídica portuguesa. Assim, embora reconheça a utilidade de Duguit na demolição de mitos jurídicos modernos, conclui que as suas teorias são insuficientes, superficiais e incapazes de fundar uma verdadeira ordem jurídica.
Nos átrios da Cidade-Nova (1924)
Em 1924, defende uma aproximação entre Espanha e Itália em resultado de afinidades históricas, geográficas e políticas no contexto do Mediterrâneo. Apresenta Miguel Primo de Rivera e Mussolini como líderes capazes de restaurar a autoridade do Estado, superar a fraqueza liberal e projetar novamente os seus países como potências influentes, em oposição à hegemonia francesa e britânica e à ameaça revolucionária associada ao bolchevismo. Nessa aliança estaria a possiblidade de uma reação contrarrevolucionária e cristã, capaz de inaugurar uma “Cidade-Nova” assente na tradição e na restauração da Cristandade. Não aconteceu. Logo no ano seguinte, em 1925, Mussolini publicou as primeiras leis que viriam a conduzir à criação do Estado Fascista, denunciado pelo papa Pio XI como uma "estatolatria pagã".
Teófilo Braga (1924)
Teófilo Braga foi uma figura muito ativa na cultura portuguesa, mas o valor da sua obra não corresponde à quantidade de livros publicados. Era reconhecido pelo seu radicalismo político e sectarismo, o que gerou controvérsia e críticas, inclusive pela falta de rigor nas fontes utilizadas. O descrédito intelectual de Teófilo Braga tornou-se comum, sendo alvo de críticas de autores como Sílvio Romero e Ricardo Jorge. Apesar de se considerar discípulo de Augusto Comte, Braga distorceu o Positivismo e adotou uma postura hostil à Igreja e à Monarquia, fundamentais para a compreensão da história portuguesa. Procurou introduzir na história de Portugal uma visão revolucionária, defendendo o “povo” como agente central, em oposição às ideias de Alexandre Herculano. Teófilo Braga acabou por se isolar, sendo pouco lido e seguido, inclusive pelos seus alunos na Faculdade de Letras de Lisboa. Apesar das muitas falhas e erratas na sua obra, vítima das superstições racionalistas do seu tempo, tinha potencial para ser um grande nome da cultura portuguesa.
Mais longe ainda! (1923)
(Com um apontamento sobre o significado dos recentes triunfos de Mussolini em Itália e de Miguel Primo de Rivera em Espanha)
António Sardinha faz um balanço do percurso da revista “Nação Portuguesa” ao encerrar a sua segunda série, refletindo sobre o contexto político e social de Portugal e da Europa no início do século XX. O autor destaca o sentimento de crise e decadência que atravessa o país, agravado pela influência das ideias da Revolução Francesa e pela instabilidade política, mas também aponta sinais de esperança e renovação. Define o Integralismo Lusitano como uma doutrina de regeneração nacional, defendendo o regresso à tradição como o caminho para restaurar a dignidade e o destino histórico de Portugal. Vê na recente ascensão de Mussolini em Itália e de Miguel Primo de Rivera em Espanha exemplos de liderança forte e de reação contra a decadência liberal e revolucionária, sugerindo que Portugal deveria seguir um caminho semelhante, mas com uma doutrina mais orgânica e enraizada nas tradições portuguesas.
Sardinha demarca-se tanto das “direitas” quanto das “esquerdas”, considerando-as herdeiras do individualismo revolucionário e de estarem afastadas dos verdadeiros interesses nacionais. Defende que a solução para Portugal não passa pelo retorno a modelos ultrapassados, mas sim por uma renovação profunda baseada na tradição, na ordem e na justiça social, rejeitando tanto o liberalismo burguês quanto o marxismo. Sardinha termina com uma nota de esperança e de missão: acredita que, apesar das dificuldades e da corrupção do presente, há uma semente de renascimento nacional e espiritual que está a germinar. Exorta os seus companheiros a não desanimarem e a continuarem a lutar por um Portugal autêntico, fiel à sua vocação histórica e cristã, indo “mais longe, muito mais longe ainda” na busca desse ideal.
Sardinha demarca-se tanto das “direitas” quanto das “esquerdas”, considerando-as herdeiras do individualismo revolucionário e de estarem afastadas dos verdadeiros interesses nacionais. Defende que a solução para Portugal não passa pelo retorno a modelos ultrapassados, mas sim por uma renovação profunda baseada na tradição, na ordem e na justiça social, rejeitando tanto o liberalismo burguês quanto o marxismo. Sardinha termina com uma nota de esperança e de missão: acredita que, apesar das dificuldades e da corrupção do presente, há uma semente de renascimento nacional e espiritual que está a germinar. Exorta os seus companheiros a não desanimarem e a continuarem a lutar por um Portugal autêntico, fiel à sua vocação histórica e cristã, indo “mais longe, muito mais longe ainda” na busca desse ideal.
Sardinha analisa a crise das democracias ocidentais no pós-guerra, destacando a ascensão de regimes autoritários como o bolchevismo e o fascismo, que desafiaram a legitimidade da parlamentarismo da partidocracia ao privilegiar a liderança de minorias determinadas a tomar o poder. Argumenta que o verdadeiro poder reside sempre numa elite, sendo fundamental que esta seja orientada por valores morais e espirituais para garantir o bem comum. Defende, por fim, que a renovação da civilização ocidental depende da formação dessas elites e da reconciliação com os princípios espirituais e culturais que lhe deram origem.
António Sardinha - "A Prol do Comum..." - Doutrina & História. Lisboa: Ferin, 1934.
Uma breve análise do livro “A Prol do Comum”
1. Contexto e Enquadramento
- António Sardinha defende as doutrinas do Integralismo Lusitano, movimento monárquico tradicionalista e católico, crítico da República e do liberalismo.
- Estes textos refletem especialmente sobre a crise de identidade nacional, o papel da juventude, e a necessidade de restauração dos valores históricos e espirituais de Portugal.
a) Crítica à República e ao Liberalismo
- Sardinha acusa a República de ter afastado a juventude e de não ter conseguido criar estabilidade ou assegurar a preservação da identidade nacional.
- O liberalismo e o individualismo são apresentadas como causas da decadência nacional, defendendo que só a tradição e a continuidade histórica podem restaurar Portugal.
- O tradicionalismo é apresentado como a resposta à crise nacional, defendendo a restauração da monarquia, da religião católica e das estruturas sociais históricas.
- O Integralismo Lusitano é um movimento não só político, mas também intelectual e cultural, agregando figuras de várias áreas (literatura, música, agricultura, etc.).
- Sardinha valoriza a herança dos antepassados, defendendo que a tradição não é um ponto fixo no passado, mas uma continuidade viva que deve ser adaptada às necessidades do presente.
- A identidade nacional é vista como inseparável da fé católica e da monarquia.
- Associa o parlamentarismo dos partidos políticos à corrupção, à plutocracia e à perda de valores espirituais, defendendo que só uma monarquia tradicional, com representação municipal, pode garantir justiça social e ordem.
- Critica a influência do capitalismo financeiro na sociedade portuguesa e europeia.
- Defende a restauração das corporações de ofícios e do regime corporativo como solução para a crise do trabalho e para a dignificação do proletariado.
- Critica o individualismo económico e o industrialismo, propondo uma ordem social inspirada na Doutrina Social da Igreja.
- O nacionalismo defendido por Sardinha é sempre temperado pelo tradicionalismo e pelo universalismo cristão, rejeitando tanto o cosmopolitismo revolucionário como o nacionalismo chauvinista.
- António Sardinha vê Portugal como tendo a missão histórica de restaurar a Cristandade e contribuir para uma civilização cristã maior.
- Critica a visão da história promovida por autores como Teófilo Braga, acusando-os de deturpar a identidade nacional e de promover um laicismo anti-patriótico.
- Valoriza a cultura clássica, o humanismo e a tradição católica como fundamentos da verdadeira cultura portuguesa.
- O texto é fortemente argumentativo, recorrendo a exemplos históricos, citações de autores nacionais e estrangeiros, e à análise crítica de acontecimentos contemporâneos.
- Utiliza uma linguagem rica, por vezes erudita, e um tom de apelo à ação e à mobilização da juventude e das elites.
- “A Prol do Comum” foi publicado em 1934, quando o Estado Novo de Oliveira Salazar executava as últimas acções de repressão do Integralismo Lusitano que, através do Nacional-Sindicalismo, estabeleceu uma firme oposição à Salazarquia e ao estabelecimento de um regime de partido único e de corporativismo de Estado. Os organizadores desta obra póstuma, companheiros de ideário, reuniram aqui um manifesto do pensamento tradicionalista, em defesa da restauração da ordem social, política e espiritual baseada na tradição, na monarquia e na fé católica.
- Este livro reflete as tensões da época, mas também oferece uma visão coerente e articulada de um projeto alternativo ao liberalismo e ao regime republicano, que então iniciava o seu segundo capítulo dominado por uma oligarquia política e financeira.