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DEfensa de la Hispanidad

Ramiro de Maeztu Whitney, 1875-1936
1934_-_ramiro_de_maeztu_-_defensa_de_la_hispanidad_-_madrid.pdf
Fotografia
1934_-_ramiro_de_maeztu_-_defensa_de_la_hispanidad_[2014].pdf
maeztu-defensa-de-la-hispanidad-.pdf

Ramiro de Maeztu, a Acción Española e o Integralismo Lusitano

Acción Española foi o nome dado a uma sociedade cultural constituída em Madrid em outubro de 1931, poucos meses após a proclamação da República em 14 de abril, e foi o nome de uma revista doutrinal católico-monárquica cujo primeiro número surgiu em dezembro de 1931, independente da sociedade cultural, embora promovida pelo mesmo grupo de pessoas.
 
A revista Acción Española foi publicada, primeiro quinzenalmente e depois mensalmente, até o início da guerra civil, exceto por três meses de suspensão do governo, de agosto a novembro de 1932, em retaliação à tentativa fracassada do general Sanjurjo. O último número regular publicado foi em junho de 1936.
 
Nos primeiros meses da guerra, três dos colaboradores mais assíduos da revista foram assassinados: José Calvo Sotelo, Víctor Pradera e Ramiro de Maeztu,  seu diretor, e em março de 1937, pouco antes  da unificação,  o número 89 de mais de quatrocentas páginas foi publicado em Burgos, endossado por um autógrafo do Chefe de Estado e a bênção do Primaz da Espanha,  que oferece uma antologia de textos publicados na revista e um ensaio crítico sobre o seu significado: "Espanha como pensamento",  de José Pemartín (ver também a organização temática que oferece no diagrama que acompanha esse ensaio: "Hispanic anti-revolutionary thought of Acción Española").
 
O projeto desta revista já estava em curso no início de 1931, e envolvia principalmente três pessoas: Ramiro de Maeztu Whitney, Eugenio Vegas Latapie e Fernando Gallego de Chaves Calleja (Marquês de Quintanar e Conde de Santibáñez del Río). Maeztu havia sugerido que a revista se chamasse Hispanidad, mas embora o nome da organização francesa que serviu de modelo fosse preferido, a partir da primeira página da Acción Española Maeztu ("La Hispanidad") começou a expansão da Ideia cuja apropriação pelos católicos havia sido postulada a partir da Argentina pelo presbítero Zacarías de Vizcarra.
 
O primeiro número da revista apareceu em 15 de dezembro de 1931, com "El Conde de Santibañez del Río" como diretor, um título que serviu de pseudónimo literário para Fernando Gallego de Chaves Calleja, mais conhecido em seu ambiente como Marqués de Quintanar, e assim ele aparece na revista até o número 27 (16 de abril de 1933). A partir da edição 28 (1 de maio de 1933) houve uma reorganização, com "El Conde de Santibañez del Río" aparecendo como fundador, e Ramiro de Maeztu aparecendo como diretor.
 
Para acompanhar a história da Acción Española, é essencial ler as memórias políticas de Eugenio Vegas Latapie – três volumes: Planeta, Barcelona 1983; Tebas, Madrid 1987 e Atas, Madrid 1995 – (sempre descontando os excessos de proeminência atribuíveis à subjetividade natural de todo o memorialista)
 
O número 33 (16 de julho de 1933) incorpora três novidades: o redesenho da capa da revista (explicado no número 36: "Nossa capa") com  elementos mais modernos  na linha do cubismo; a incorporação do emblema da cultura espanhola: um  cavaleiro leitor montado em seu cavalo sob a espada cruzada de Santiago, que é invocado da maneira clássica,  "Santiago e fechar Espanha!"; e na contracapa o lema adotado pela revista: "Una manu sua faciebat opus et altera tenebat gaudium".
 

Fonte: "Acción Española":  https://www.filosofia.org/hem/med/m023.htm

Em 1930, Ramiro de Maeztu escreveu o prologo da primeira edição em castelhano de A Aliança Peninsular de António Sardinha. Em 1932 e 1933-34, Hipólito Raposo e Francisco Rolão Preto publicaram artigos na revista Acción Española. Nesses anos, as maiores afinidades do grupo espanhol estavam já porém, e não apenas pelo sugestivo título, com o pensamento de Charles Maurras da Action francaise ou com a Acção Realista portuguesa de Alfredo Pimenta.  Em Fevereiro de 1932, em "Filologia política", Hipólito Raposo esclareceu o seu conceito de Hispanidade: "Hispani omnes sumus (hispanos, somos todos) todavía hoy lo podemos repetir con verdad. Pero, Hispania no es España, ni hispano tiene el mismo valor que español." [...] En resumen: hispanidad, lusitanidad y castellanidad, si quisieren adoptarse estos tres vocablos que las exigencias del rigor crítico aconsejan, en esta hora histórica de confusiones y subversiones, expresan con precisión las empresas comunes o paralelas de las dos naciones libres de la Península y los esfuerzos aislados, particulares o específicos de cada una de ellas, a partir del siglo XVII". Ficou por ali a colaboração de Hipólito Raposo naquela revista. De Outubro de 1933 a Abril de 1934, Rolão Preto ainda ali explicou o propósito do Movimento Nacional-Sindicalista, mas foi pouco depois preso pelo governo de Oliveira Salazar e, em 20 de Julho, desterrado para Espanha.

Em 1933, Oliveira Salazar fizera aprovar a Constituição de uma "república unitária e corporativa" que, nas eleições de Dezembro de 1934, viria a ficar assente num partido único - a União Nacional -, à semelhança do regime fascista de Benito Mussolini referendado em 1929. Nesses anos, a Acción Española revelou maior afinidade com o regime de Oliveira Salazar do que com os mestres integralistas lusitanos. Em 1934, quando Ramiro de Maeztu publicou o livro Defensa de la Hispanidad, acolheu o essencial da proposta de António Sardinha em A Aliança Peninsular (1924), mas sem lhe fazer a mais breve citação, menção ou referência. Em 1937, Ramiro de Maeztu foi fuzilado pelos republicanos espanhóis. A amizade entre os integralistas lusitanos e os hispanistas do tradicionalismo de Espanha irá prosseguir através de, entre outros, o Marquês de Quintanar, conde de Santibañez del Rio, que escreve o prologo à segunda edição espanhola do livro de António Sardinha, publicada em Segóvia, no ano de 1939.


​J.M.Q.

Relacionado
1932-02-01 - Hipólito Raposo - Filologia política
1933-10-16 - 1934-04-01 - Francisco Rolão Preto - El Movimiento Nacional-Sindicalista Portugués
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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