Carta à Junta de Acção Nacional-Sindicalista, em 1 de Dezembro de 1936
Francisco Rolão Preto
Rolão Preto, em face da Guerra Civil de Espanha, determina "a imediata suspensão de todos os trabalhos de propaganda e de toda actividade partidária nacional-sindicalista".
[ negritos / sublinhados acrescentados ]
[ negritos / sublinhados acrescentados ]
NACIONAL-SINDICALISMO
CARTA DO CHEFE DO NACIONAL-SINDICALISMO À JUNTA DE ACÇÃO
CAMARADAS:
Cumpre-nos hoje tornar pública a importante Carta-Mensagem que o Chefe do Movimento N. S. nos dirigiu em 1 de Dezembro de 36:
CAMARADAS DA JUNTA DE ACÇÃO:
Depois da minha carta, que a vossa nota de Agosto passado tornou pública, carta em que a consciência da gravidade da Hora me aconselhava uma atitude firme em face do Comunismo e a maior prudência no prosseguimento da nossa ação política perante os perigos externos que ameaçam Portugal, - a situação tornou-se a tal ponto incerta e crítica que hoje me sinto no dever indeclinável de vir-vos indicar maiores e mais duros sacrifícios.
Com efeito, os acontecimentos, precipitando-se, suscitaram em sua volta um conflito tão profundo e complexo de aspirações e ideologias irredutíveis, de interesses materiais antagónicos, que a Europa inteira se encontra vivendo os dias supremos de uma vigília de armas, antecâmara provável da maior catástrofe de todos os tempos.
Por outro lado, que preocupações temerosas nos não assaltam a alma ao presenciarmos as circunstâncias bárbaras em que a tragédia de Espanha se completa!
Que ameaças profundas, irrefragáveis, não estão assediando os últimos redutos da inteligência e da sensibilidade humana!
Para onde vai o Homem levado, mergulhado nesse clima duro que promete subverter todas as conquistas da Civilização Cristã, todos os impulsos humanistas da nossa moral social, formados e caldeados pelo sacrifício de tantas gerações extintas!
CAMARADAS:
A vossa nota de Maio, condenando o espírito com que se tentava constituir, entre nós, a chamada "Frente Popular", é, por si só, uma flagrante prova da clarividência política que vos orienta.
Os acontecimentos dos últimos tempos aí estão, palpitantes, a atestar a sem margem a sofismas, como as “Frentes Populares” são exclusivamente inspiradas, norteadas e conduzidas pelo espírito marxista – aquele mesmo que preparou o ambiente de drama em que se debate a França e a atmosfera de tragédia em que a Espanha se convulsiona.
Personalista por essência, o nosso grande Movimento N. S., cujos destinos tem estado à vossa salvaguarda, não poderia deixar de condenar aquele génio de selvática opressão que está na base da tirania comunista, encarnando toda a sobrevivência desta época desorbitada e constituindo a máxima dor, a maior vergonha do mundo.
Expressão suprema da Revolução em marcha, o nosso pensamento não pode, com efeito, aceitar qualquer forma de tirania, antes tem afirmado sempre que, nascendo as liberdades naturais com a pessoa humana, elas têm naturalmente na Comunidade - Família, Sindicato, Município e Nação - a sua natural defesa e nunca o motivo da sua escravidão.
Assim é que:
a) condenamos as consequências fatais do Estatismo moscovita, expressão reacionária de um conformismo servil ao dogmas de Karl Marx, sistema de governo centralizador, burocrático, complexo e opressivo, inimigo forçoso das liberdade públicas, isto é, da própria dignidade humana.
É bem conhecida a fórmula rumorejada na Rússia para retratar o Estalinismo: “Não penses... se pensares, não fales... se falares, não escrevas... se escreveres, não publiques... se publicares, não assines... e, se assinares, reconhece os teus erros!”
Contra esse conformismo degradante, contra essa necessidade de pensar na linha, contra a mecanização da inteligência, contra o homem coletivo, enfim, acaba de rebelar-se o grande escritor francês André Gide, comunista por engano, e que regressa agora da Rússia enojado e indignado pelo espetáculo daquele rastejamento moral, daquela nunca igualada podridão.
b) condenamos o Capitalismo de Estado, modalidade de violência mitigada que, por substituir a outra – a comunista 100% - nem por isso deixa, embora às vezes com enriquecimento do Tesouro, de empobrecer o conjunto dos cidadãos, abandonando e entregando cada indivíduo, separadamente, entre as garras da Usura.
c) condenamos a ORDEM, seja qual for, que não se instaure dentro da Justiça e não se exerça dentro da Verdade.
d) condenamos o espírito nascido do método materialista de Marx, que está fomentando e adensando, por toda a parte, o tal “clima duro” da insensibilidade humana, de utilitarismo dissolvente, de destruição bárbara e feroz, tão oposto, não só à lei divina, como à grandeza da missão do Homem sobre a terra.
Assim é, pois, que afirmamos:
a) a nossa fé inabalável nos destinos sagrados e eternos da Nação Portuguesa.
b) a nossa inteira confiança nos princípios de uma moral social inspirada no Cristianismo e interpretada pelo génio, pela sensibilidade particular da Nação.
c) a nossa segurança de sempre nos processos de resgate económico e social criados pelo sindicalismo orgânico.
d) a nossa certeza absoluta na vitória da civilização europeia, refundida à luz da trágica experiência dos tempos atuais.
e) a nossa esperança, finalmente, numa autêntica unidade Nacional, gerada pelo entusiasmo de uma espontânea mística coletiva e fortemente cimentada pela livre adesão de todos os Portugueses à alta causa de um outro novo Portugal, maior e melhor em direitos e em justiça.
CAMARADAS:
Definida uma vez mais a nossa posição doutrinária em face do Marxismo e outros sistemas políticos afins, resta-nos agora, sob o peso das responsabilidades que aos bons Portugueses incumbem neste instante, encarar, bem de frente, no seu sentido mais profundo, toda a extensão do nosso dever.
Dever imperativo!
Ante a ameaça projetada sobre a Europa, nesta hora de crise em que todos os interesses do País estão em jogo, as nossas preocupações de atividade política deverão ser colocadas, sem dúvida em plano secundário.
A Nação Portuguesa reclama de nós outros, Portugueses entre os melhores, todos os indispensáveis sacrifícios.
Saibamos cumprir...
No momento em que a Nação deve surgir, consciente da sua Unidade Interna, serena e firme, em frente dos Perigos Exteriores que a espreitam e aguardam, não seremos nós, decerto, quem se esquecerá, pela palavra e pelo exemplo, de aconselhar e favorecer um apaziguamento necessário, uma pacificação dos espíritos imprescindível.
Qualquer agitação política, mesmo generosa, sincera e justa, só lograria enfraquecer, nas circunstâncias presentes, aos olhos dos portugueses, e, sobretudo, aos dos Estrangeiros, o esforço coletivo de autodefesa que, de si próprio, está reclamando Portugal.
Que, nesta hora crítica da História, não haja ninguém, por incompreensão ou malevolência, que possa desfigurar o nosso pensamento ou pôr em dúvida a retidão dos nossos intuitos!
Para evitar à Pátria sobressaltos, agora prejudiciais, e à nossas consciência o remorso de havermos colocado qualquer anseio, embora justíssimo, acima da urgente defesa da Nação - intendo determinar a imediata suspensão, na altura em que se encontrem, de todos os trabalhos de propaganda e de toda atividade partidária nacional-sindicalista.
Agradeço aos Camaradas a sua fidelidade admirável aos nossos princípios até este momento de evidente perigo comum, que hoje nos força, não a abandonar, mas a adiar, a afastar – como tributo à paz pública, que exige a defesa da Pátria – os últimos esforços para o seu triunfo.
Sem Nação, sem Sociedade, com operários escravizados a teorias anti-humanas, como realizar neste ponto do mundo chamado Portugal, a REVOLUÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES?
Saibamos pôr o Futuro acima do Presente, e antes do Portugueses, Portugal!
Pão e Justiça
1 de Dezembro de 1936
ROLÃO PRETO
Que todos os N. S. possam compreender o alto significado desta atitude e, sem espírito de transigência, mas com isenção e patriotismo, saibam cumprir o seu dever.
Janeiro de 1937
A JUNTA DE ACÇÃO
Cumpre-nos hoje tornar pública a importante Carta-Mensagem que o Chefe do Movimento N. S. nos dirigiu em 1 de Dezembro de 36:
CAMARADAS DA JUNTA DE ACÇÃO:
Depois da minha carta, que a vossa nota de Agosto passado tornou pública, carta em que a consciência da gravidade da Hora me aconselhava uma atitude firme em face do Comunismo e a maior prudência no prosseguimento da nossa ação política perante os perigos externos que ameaçam Portugal, - a situação tornou-se a tal ponto incerta e crítica que hoje me sinto no dever indeclinável de vir-vos indicar maiores e mais duros sacrifícios.
Com efeito, os acontecimentos, precipitando-se, suscitaram em sua volta um conflito tão profundo e complexo de aspirações e ideologias irredutíveis, de interesses materiais antagónicos, que a Europa inteira se encontra vivendo os dias supremos de uma vigília de armas, antecâmara provável da maior catástrofe de todos os tempos.
Por outro lado, que preocupações temerosas nos não assaltam a alma ao presenciarmos as circunstâncias bárbaras em que a tragédia de Espanha se completa!
Que ameaças profundas, irrefragáveis, não estão assediando os últimos redutos da inteligência e da sensibilidade humana!
Para onde vai o Homem levado, mergulhado nesse clima duro que promete subverter todas as conquistas da Civilização Cristã, todos os impulsos humanistas da nossa moral social, formados e caldeados pelo sacrifício de tantas gerações extintas!
CAMARADAS:
A vossa nota de Maio, condenando o espírito com que se tentava constituir, entre nós, a chamada "Frente Popular", é, por si só, uma flagrante prova da clarividência política que vos orienta.
Os acontecimentos dos últimos tempos aí estão, palpitantes, a atestar a sem margem a sofismas, como as “Frentes Populares” são exclusivamente inspiradas, norteadas e conduzidas pelo espírito marxista – aquele mesmo que preparou o ambiente de drama em que se debate a França e a atmosfera de tragédia em que a Espanha se convulsiona.
Personalista por essência, o nosso grande Movimento N. S., cujos destinos tem estado à vossa salvaguarda, não poderia deixar de condenar aquele génio de selvática opressão que está na base da tirania comunista, encarnando toda a sobrevivência desta época desorbitada e constituindo a máxima dor, a maior vergonha do mundo.
Expressão suprema da Revolução em marcha, o nosso pensamento não pode, com efeito, aceitar qualquer forma de tirania, antes tem afirmado sempre que, nascendo as liberdades naturais com a pessoa humana, elas têm naturalmente na Comunidade - Família, Sindicato, Município e Nação - a sua natural defesa e nunca o motivo da sua escravidão.
Assim é que:
a) condenamos as consequências fatais do Estatismo moscovita, expressão reacionária de um conformismo servil ao dogmas de Karl Marx, sistema de governo centralizador, burocrático, complexo e opressivo, inimigo forçoso das liberdade públicas, isto é, da própria dignidade humana.
É bem conhecida a fórmula rumorejada na Rússia para retratar o Estalinismo: “Não penses... se pensares, não fales... se falares, não escrevas... se escreveres, não publiques... se publicares, não assines... e, se assinares, reconhece os teus erros!”
Contra esse conformismo degradante, contra essa necessidade de pensar na linha, contra a mecanização da inteligência, contra o homem coletivo, enfim, acaba de rebelar-se o grande escritor francês André Gide, comunista por engano, e que regressa agora da Rússia enojado e indignado pelo espetáculo daquele rastejamento moral, daquela nunca igualada podridão.
b) condenamos o Capitalismo de Estado, modalidade de violência mitigada que, por substituir a outra – a comunista 100% - nem por isso deixa, embora às vezes com enriquecimento do Tesouro, de empobrecer o conjunto dos cidadãos, abandonando e entregando cada indivíduo, separadamente, entre as garras da Usura.
c) condenamos a ORDEM, seja qual for, que não se instaure dentro da Justiça e não se exerça dentro da Verdade.
d) condenamos o espírito nascido do método materialista de Marx, que está fomentando e adensando, por toda a parte, o tal “clima duro” da insensibilidade humana, de utilitarismo dissolvente, de destruição bárbara e feroz, tão oposto, não só à lei divina, como à grandeza da missão do Homem sobre a terra.
Assim é, pois, que afirmamos:
a) a nossa fé inabalável nos destinos sagrados e eternos da Nação Portuguesa.
b) a nossa inteira confiança nos princípios de uma moral social inspirada no Cristianismo e interpretada pelo génio, pela sensibilidade particular da Nação.
c) a nossa segurança de sempre nos processos de resgate económico e social criados pelo sindicalismo orgânico.
d) a nossa certeza absoluta na vitória da civilização europeia, refundida à luz da trágica experiência dos tempos atuais.
e) a nossa esperança, finalmente, numa autêntica unidade Nacional, gerada pelo entusiasmo de uma espontânea mística coletiva e fortemente cimentada pela livre adesão de todos os Portugueses à alta causa de um outro novo Portugal, maior e melhor em direitos e em justiça.
CAMARADAS:
Definida uma vez mais a nossa posição doutrinária em face do Marxismo e outros sistemas políticos afins, resta-nos agora, sob o peso das responsabilidades que aos bons Portugueses incumbem neste instante, encarar, bem de frente, no seu sentido mais profundo, toda a extensão do nosso dever.
Dever imperativo!
Ante a ameaça projetada sobre a Europa, nesta hora de crise em que todos os interesses do País estão em jogo, as nossas preocupações de atividade política deverão ser colocadas, sem dúvida em plano secundário.
A Nação Portuguesa reclama de nós outros, Portugueses entre os melhores, todos os indispensáveis sacrifícios.
Saibamos cumprir...
No momento em que a Nação deve surgir, consciente da sua Unidade Interna, serena e firme, em frente dos Perigos Exteriores que a espreitam e aguardam, não seremos nós, decerto, quem se esquecerá, pela palavra e pelo exemplo, de aconselhar e favorecer um apaziguamento necessário, uma pacificação dos espíritos imprescindível.
Qualquer agitação política, mesmo generosa, sincera e justa, só lograria enfraquecer, nas circunstâncias presentes, aos olhos dos portugueses, e, sobretudo, aos dos Estrangeiros, o esforço coletivo de autodefesa que, de si próprio, está reclamando Portugal.
Que, nesta hora crítica da História, não haja ninguém, por incompreensão ou malevolência, que possa desfigurar o nosso pensamento ou pôr em dúvida a retidão dos nossos intuitos!
Para evitar à Pátria sobressaltos, agora prejudiciais, e à nossas consciência o remorso de havermos colocado qualquer anseio, embora justíssimo, acima da urgente defesa da Nação - intendo determinar a imediata suspensão, na altura em que se encontrem, de todos os trabalhos de propaganda e de toda atividade partidária nacional-sindicalista.
Agradeço aos Camaradas a sua fidelidade admirável aos nossos princípios até este momento de evidente perigo comum, que hoje nos força, não a abandonar, mas a adiar, a afastar – como tributo à paz pública, que exige a defesa da Pátria – os últimos esforços para o seu triunfo.
Sem Nação, sem Sociedade, com operários escravizados a teorias anti-humanas, como realizar neste ponto do mundo chamado Portugal, a REVOLUÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES?
Saibamos pôr o Futuro acima do Presente, e antes do Portugueses, Portugal!
Pão e Justiça
1 de Dezembro de 1936
ROLÃO PRETO
Que todos os N. S. possam compreender o alto significado desta atitude e, sem espírito de transigência, mas com isenção e patriotismo, saibam cumprir o seu dever.
Janeiro de 1937
A JUNTA DE ACÇÃO
[Fonte: Ephemera - Arquivo de José Pacheco Pereira]
Relacionado