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        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
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        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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José Plácido Machado Barbosa, Para além da Revolução... A Revolução. Entrevistas com Rolão Preto, Porto, 1940.

... a Revolução está para além do fascismo, para além do hitlerismo, para além do comunismo - Pela dignidade da Pessoa Humana!

​- Rolão Preto (1939)

Fotografia

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O Movimento Nacional-Sindicalista surgiu das inquietações e anseios das gerações novas e em face da derrocada liberal-democrática, dos perigos de uma reação estatista, demasiado evidentes no mundo dos nossos dias.
...
Resumindo, pois, o Pensamento Nacional-Sindicalista é...
- É personalista e comunitário. Personalista pelos fins a atingir, comunitário, isto é, sindicalista, pelos meios de que se serve. O seu método resume-se nesta fórmula: realizar primeiro nas almas e depois nas leis.

Rolão Preto (1939)

RESUMO
As entrevistas foram conduzidas por Plácido Barbosa. Rolão Preto não quis sair da sua "atitude de trégua política", motivada pela guerra civil de Espanha, mas passou em revista a breve história e o pensamento que motivou a criação do Movimento Nacional Sindicalista.

Nos anos de 1930, a derrocada liberal-democrática era evidente por toda a Europa - níveis escandalosos de corrupção num sistema político estruturalmente corrupto (partidocracia), forte inflação e desemprego, depauperamento das classes médias, etc., com as soluções estatistas dispondo de um campo fértil para a sedução das massas. Através da violência revolucionária (comunismo) ou através do voto popular em eleições partidocráticas (fascismo e hitlerismo), o estatismo estava a seduzir e a avançar na Europa.

A primeira parte da entrevista é acerca do sentido do Nacional-Sindicalismo. Rolão Preto apresenta o movimento como uma reação ao liberalismo, ao capitalismo e ao estatismo, defendendo uma alternativa centrada na Pessoa Humana, na Nação e no Sindicato.
 
Segundo Rolão Preto, o liberalismo destruiu a verdadeira liberdade ao permitir a exploração dos mais fracos pelos mais fortes; o capitalismo concentra riqueza em poucos e gera injustiça social; o socialismo/comunismo, por sua vez, é uma continuação desse erro, agora sob a forma do Estado dominador.

O Nacional-Sindicalismo surge então como Nacional, porque se baseia na realidade histórica da Nação Portuguesa, sem defender um nacionalismo agressivo ou fechado; Sindicalista, porque vê no sindicato livre a unidade essencial da vida económico-social, capaz de proteger os trabalhadores e garantir justiça na produção.

O seu pensamento é Personalista,
porque afirma que o homem é o fim supremo da organização social; é Comunitário, porque reconhece que a pessoa se realiza em comunidades como a nação e o sindicato.
 
Rolão Preto insiste que o Estado deve ser apenas um instrumento, nunca um fim; as instituições existem para servir o Homem; a vida social deve assentar numa moral social-cristã, que coloca a dignidade da pessoa acima de qualquer forma de estatismo.
 
Rolão Preto valoriza a mística revolucionária, entendida como a força espiritual capaz de mobilizar as pessoas para o sacrifício voluntário em nome de um ideal coletivo, sem anular a liberdade individual.

Ideia Central 

O Nacional-Sindicalismo é apresentado como uma doutrina que procura unir justiça social, liberdade pessoal, solidariedade nacional e organização sindical livre, resumida na fórmula: “Tudo pelo Homem” e na frase-programa: 
“É preciso que os muito ricos sejam menos ricos para que os muito pobres sejam menos pobres.”


​O VERDADEIRO SENTIDO DO NACIONAL-SINDICALISMO. O HOMEM, A NAÇÃO, O SINDICATO. A MÍSTICA QUE MOBILIZA AS ALMAS. UMA FRASE CÉLEBRE PRONUNCIADA NA «LIGA 28 DE MAIO».
 
 
Há muito já que vínhamos ansiando por entrevistar o Dr. Rolão Preto.
 
O senhor Dr. Rolão Preto, formado em Direito pela Universidade de Toulouse, foi um dos criadores do pensamento do Nacionalismo Português.
 
Tem sofrido, por vezes, o pão amargo do exílio. Conta hoje cerca de 40 anos. E um homem forte, simpático e rodeado de uma grande auréola no nosso País, principalmente desde que em 1932, começou a chefiar o Movimento Nacional Sindicalista.
 
A Colónia Portuguesa do Brasil conhece bem o grande idealista, que não precisa que lhe teçam elogios.
 
A firmeza do seu carácter, a constância na defesa do seu ideal político fizeram hoje do Dr. Rolão Preto um homem de honra em Portugal.
 
Acabamos de viver com o ilustre caudilho as mais belas horas espirituais da nossa vida. Em Lisboa e no Estoril conversámos longamente com o Dr. Rolão Preto, cuja fé e energia inquebrantáveis são forte testemunho dos seus anseios, das suas inquietações e do seu grande amor à terra Portuguesa.
 
As suas palavras por nosso intermédio agora gentilmente concedidas à VOZ DE PORTUGAL, são a melhor prova de quanto o belo espírito do Dr. Rolão Preto na sua dupla qualidade de intelectual e de doutrinador político, se tem debruçado sobre os problemas vitais da Nação Portuguesa.
 
Cremos bem sinceramente que da sua longa e persistente análise às condições de vida nacional alguma coisa de útil há-de resultar para o nosso País.
 
E fazendo votos ardentes por um futuro melhor para a Nação Portuguesa, ouçamos o chefe do Nacional-Sindicalismo, que em requintes de amabilidade começou por dizer-nos:
 
- A VOZ DE PORTUGAL cujo esforço patriótico tenho admirado, e cujo brilho jornalístico todos conhecem, honra-me decerto, muito, querendo arquivar nas suas colunas uma entrevista minha. No entanto, circunstâncias especiais, entre as quais, a espontânea declaração de trégua política feita pelos nacionais-sindicalistas portugueses enquanto durou a guerra civil espanhola, obrigam-me a certas reservas, quando me não impeçam totalmente de esclarecer algumas atitudes.
 
No entanto, sem quebrar essa trégua, diante de cuja nobreza patriótica nos curvamos, é evidente que V. Ex.ª nos poderá esclarecer, se não, sobre o que pensa fazer para o futuro, pelo menos, quanto às determinantes da sua posição até ao momento em que a grave situação externa, criada pela revolução espanhola, determinou a sua atual atitude.
 
No Brasil, onde se segue atentamente a marcha das coisas portuguesas, o aparecimento e o caminho do Movimento Nacional Sindicalista vem despertando os sentimentos da mais justa curiosidade. Terá esse movimento sido compreendido? Talvez, nem sempre. Por isso mesmo, nos cumpre trazer à opinião portuguesa do Brasil, o depoimento de V. Ex.ª Assim, por exemplo, poderá V. Ex.ª definir-nos o verdadeiro sentido do Movimento Nacional-Sindicalista?
 
- O Movimento Nacional-Sindicalista surgiu das inquietações e anseios das gerações novas e em face da derrocada liberal-democrática, dos perigos de uma reação estatista, demasiado evidentes no mundo dos nossos dias.
 
O Liberalismo consentindo que os mais fortes escravizassem livremente os mais fracos, sacrificou as liberdades matando a Liberdade. Por sua mão, gerou-se o clima, que tem por signo o lucro como única regra de vida.
 
Ao cabo do liberalismo estava, naturalmente, o triunfo do capitalismo que é, como critério económico, a concentração da riqueza na mão de poucos e a servidão social no coração da maior parte, e que, como regra moral, é a negação da solidariedade cristã, que deve ligar neste mundo todos os homens de boa-vontade.
 
A Democracia conduziu-nos ao socialismo e ao comunismo que é a quinta essência da moral e do critério económico do Capitalismo feito Estado.
 
Contra esse clima reagiu, naturalmente, o sentimento da dignidade humana, humilhada, das gerações novas, procurando a posição que garanta os direitos de homens livres.
 
Em Portugal, a reação contra os erros liberais-democratas no seu especto político, chama-se Integralismo Lusitano, e a reação contra esses mesmos erros no seu especto económico-social, deu origem ao Movimento Nacional-Sindicalista.
 
- Nacional?
 
- Nacional, porque é dentro das fronteiras da Nação Portuguesa que o sentimento Nacional Sindicalista procura, em primeiro lugar, o resgate da pessoa humana. O erro dos que negam a realidade histórica da Nação era demasiado absurdo depois de uma guerra mundial, que foi a morte da II Internacional e a origem da mais viva floração de nacionalismo de que há memória, para que o pragmatismo esclarecido das novas gerações não entendesse a lição que se impunha.
 
No entanto, "Nacional" não quer dizer, para nós "contra, exclusivo", nem isso podia estar na linha de um pensamento verdadeiramente português, que é, naturalmente universalista e humanista, como herdeiro da civilização de Roma.
 
Para nós a Nação Portuguesa não é um fim de si mesmo, mas sim um e meio que deve realizar as condições e as possibilidades especificamente portuguesas ao serviço da civilização.
 
Assim, nós não cometemos o erro dos que opõem ao internacionalismo a ferocidade de um sentimento nacional, sempre em armas e sempre pronto a assaltar e a dominar os outros povos livres.
 
Negamo-nos também, a aceitar o exclusivismo absurdo do chamado nacionalismo económico que, à força de erguer bandeiras alterosas de proteção alfandegária, acaba por tornar escravo o povo que quis libertar e salvar.
 
Pelo contrário, julgamos que a crise de que morre o mundo económico terá em grande parte a sua solução no acordo das nações de produtos idênticos para melhor garantia do seu necessário intercâmbio.
 
- Isso pelo que respeita à característica Nacional. E porque é Sindicalista o Movimento?
 
 - É sindicalista porque considera como unidade económico-social, o Sindicato. O Sindicato, livremente organizado e justamente representativo dos valores da formação técnica, mão de obra e capital. Não o pseudo-sindicato formado à força pelo Estado para efeitos de pura tática política de que usam e abusam o Comunismo soviético e outros estatismos conhecidos.
 
Nessa unidade económico-social assentou o Movimento Nacional Sindicalista a segura força dos direitos sociais-económicos do Homem.
 
Com efeito, a lição do passado mostra-nos como o homem disperso e isolado está à mercê de todos os atropelos e por isso busca na associação o remédio para a sua natural fraqueza.

Desde todos os tempos que assim é, e daí vem também a sua necessidade eterna de se apoiar em unidades espirituais, económicas, cívicas e territoriais que são salvaguarda das suas liberdades e prerrogativas. Nos tempos presentes, o sindicato é na ordem social-económica a unidade base, por excelência. E a única que tem prestígio entre os trabalhadores é a única que tem possibilidades, desde que seja bem compreendida, de lhe servir de apoio.
 
- Que entende V. Ex.ª por "bem compreendida"?...

- Quer dizer que em primeiro lugar o Sindicato como qualquer grupo humano - classe, tribo, nação - constitui, apenas, um meio, de reforçar as possibilidades de livre desenvolvimento da Pessoa Humana. Nunca um fim. O Estado, esse muito menos, pois é apenas um órgão. Desta maneira, nós não concordamos com as fórmulas tudo pelo Estado ou qualquer fórmula equivalente que concretamente queira dizer o mesmo e signifique na prática a mesma estatolatria.
    
Tudo pelo Homem é a única fórmula aceitável, a única que a História da Civilização justifica e que a suprema essência da nossa personalidade, feita à semelhança de Deus, reclama. Todas as instituições são criadas pelo Homem e o Homem não pode, sem negar as próprias leis divinas, ser escravo delas.

O conceito cristão da vida humana tem esse sentido. Cristo nasce, sofre e morre pelo Homem somente. Na dor e paixão divinas jamais transparecem cuidados por qualquer nação. O Homem na sua fraqueza, na sua inquietação, na sua miséria de homem é, pois, um fim em si próprio.

Toda a orgânica social ou política é criada para servir a sua superior grandeza.
 
- Todavia a Nação ...
 
- Sim, decerto, a nação, mesmo considerada apenas como meio merece ser julgada como o mais alto valor na escala dos valores sociais criados pelo Homem. A nação é o supremo grau de comunidade, é a forma mais completa da sua salvaguarda, no espaço e no tempo.
 
Justos são, pois, os sacrifícios que o homem lhe deve, com a condição, porém, de que todas as vantagens que ela comporta, morais e materiais, se reflitam inteiramente e com toda a equidade, em todos aqueles que a constituem: glória, riqueza, segurança. A Nação nega-se a si própria, quando é couto ou privilégio de uns e grilheta de outros.
 
Voltando, porém, ao Sindicato, resumirei a primeira condição da sua eficácia, dizendo que ele deve ser livre associação de trabalhadores com o fim exclusivo de reforçar as possibilidades próprias. O Sindicato será assim a cidadela das liberdades conquistadas e a alavanca das reivindicações justas em marcha.
 
- Disse V. Ex.ª "a livre associação". Porquê "livre"?
 
- Livre porque só na liberdade será possível manter o entusiasmo criador da vida sindical, sem a qual a função do sindicato é letra morta. Quando o sindicato é organizado à força, os trabalhadores recusam-lhe a sua colaboração e ele não passará jamais de um puro artifício como órgão representativo do trabalho. É o que se passa na Rússia e noutros países de não menos abusivo estatismo.
 
- Ora, como se há-de obter a justiça dentro da Produção, faltando a livre representação dos trabalhadores apoiada na força da sua associação sindical? Compreende-se, por exemplo, o valor moral de contratos coletivos de trabalho nos quais a mão de obra não pode reforçar as suas reivindicações, vendo-se obrigada a aceitar o que é imposto? Como assegurar a justiça num contrato em que uma das partes contratantes está sempre em manifesta inferioridade?
 
- Arbitragem...
 
- Arbitragem feita por quem? Pelo Estado ou por Magistratura dependente do Estado?
 
Os resultados dessa arbitragem perante o contrato que não é discutido por duas partes de igual poder, estão à vista.
 
Na Rússia comunista quem prevalece sempre, quem impõe o seu critério é o Estado feito capitalista; outros países há em que é o capitalista feito Estado. Em ambos os casos ao trabalhador só cumpre, com pequenas diferenças, obedecer.
 
- Indicou V. Ex.ª a primeira condição da eficácia do Sindicato, qual a segunda?
 
- A segunda diz respeito ao interesse da comunidade e traduz-se na necessidade de um espírito solidarista entre os diversos elementos da Produção por vantagem própria e vantagem do País.
 
- E como conseguir esse espírito solidarista, tão necessário na verdade, mas tão difícil de obter, conhecida a proporção dos egoísmos humanos?
 
- Esse espírito, condição sinequanon duma transformação da moral social, é daquela ordem de valores que se obtém fazendo apelo à mística revolucionária, criando um clima mercê do qual se obtém milagres de voluntário cumprimento dos deveres individuais em proveito do comum, deveres que não diminuem, antes mais realçam a grandeza da Personalidade.
 
Só assim, por impulso dum grande movimento espiritual se poderá obter a temperatura onde se geram as decisivas transformações coletivas.
 
Erro, e erro trágico, é de quantos julgam poder mudar as condições do mundo que os rodeia, sem primeiro lhes criar um espírito novo.
 
As revoluções não se fazem apenas alinhando decretos nas folhas oficiais, mas sim principiando por erguer em labaredas as almas sedentas de justiça. As revoluções não se fazem a frio, pois que o espírito humano é argila de rara essência que só se molda bem quando aquecida...
 
- Falou V. Ex.ª em sindicalismo e nos deveres individuais em proveito do comum, falou, no entanto, por outro lado, em direitos sagrados da Pessoa Humana. Não haverá contradição?
 
- De nenhuma maneira. Quando os homens se organizam em grupos sociais fazem-no com intenção de tirar desse grupo vantagens para seu desenvolvimento espiritual e material, garantias novas, em suma: para os seus direitos de Homem. Ora, as vantagens do grupo social como se obtém, se não multiplicando o esforço de cada um pelo esforço de todos?
 
Quer dizer que, as garantias para os direitos de Pessoa, obtidos pelo apoio do grupo, trazem à Pessoa deveres para com esse grupo.
 
Tais deveres estão em relação direta com as garantias obtidas para os direitos, sem o que não interessaria a formação do grupo.
 
O grupo não pode, pois, impor o cumprimento de essenciais deveres quando não garante direitos essenciais.
 
- E quem indica esses direitos?
 
- A Moral Social, base da civilização. Para nós, a Moral Social Cristã. Todos os estatismos modernos e antigos estão fora dela e são por ela condenados. A Moral Social Cristã é o triunfo supremo dos direitos da Pessoa Humana.
 
Houvesse apenas um homem sobre a terra e Cristo viria aqui salvá-lo. Inútil se nos afigura a discussão bizantina de nossos tempos sob a prioridade dos direitos da coletividade. Todo o estatismo marxista ou não marxista, é a negação das possibilidades do livre desenvolvimento do Homem, possibilidades que fizeram a civilização presente. Pôr em discussão as bases da atual civilização é marchar no caminho de bárbaro e de sanguinário regresso, que está à vista das catuais gerações. Ou se aceita, pois, esta civilização procurando desenvolvê-la, realizando os ideais que lhe estão na base, ou se rejeita destruindo-a.
 
O Estatismo seja qual for a sua fórmula, pode querer apoiar-se em tudo menos em CRISTO. Cristo é a Suprema altura a que o Homem um dia se ergueu.
 
- Falou V. Ex.ª, porém nos milagres de que é capaz a mística de um grande Ideal...
 
- Sim, o «grupo social› não pode impor discricionariamente a sua vontade por cima dos direitos essenciais da Pessoa Humana, mas nada pode impedir que o homem faça voluntariamente o sacrifício de si próprio, oferecendo-se, dando-se a altos ideais do grupo, tendentes ao desenvolvimento e perfeição da Personalidade Humana. É aqui que intervém o poder da Mística, motor secreto de tantos movimentos profundos da História. Então o Homem fazendo o dom de si próprio sacrificando-se não se diminui, antes se exalta na suprema expressão da sua vontade, posta por ele, totalmente, ao serviço dum ideal superior.

O Homem nesse caso não renuncia senão em aparência, pois que, de facto se ultrapassa a si próprio na grandeza do esforço que logrou impor-se.
 
O tipo ideal dessa mística realiza-se em certas comunidades religiosas em que o Homem atinge limites de super-Homem à força do saber impor a si mesmo o império do seu próprio domínio.

Quando a Revolução apela para a Mística é, pois, para fazer-se aceitar, ao contrário da tirania que vive impondo-se.
 
- Resumindo, pois, o Pensamento Nacional-Sindicalista é...
 
- E personalista e comunitário. Personalista pelos fins a atingir, comunitário, isto é, sindicalista, pelos meios de que se serve.
 
O seu método resume-se nesta fórmula: realizar primeiro nas almas e depois nas leis.
 
A sua divisa é a minha frase pronunciada pela primeira vez na ‹Liga 28 de Maio› no dia 28 de Maio de 1932: (1) — É preciso que os muito ricos sejam menos ricos para que os muito pobres sejam menos pobres.
​
[ 1. Esta data não é absolutamente certa. Nos últimos meses desse ano essa frase era inscrita nas colunas do jornal «A Revolução» pelo punho do Dr. Rolão Preto.]

- Essa frase de V. Ex.ª é, na verdade, um programa.
 
- Programa que o povo português bem sente por ser a justa interpretação do seu alto sentido de justiça. A prova, com um sentido plebiscitário está-a tirando o acolhimento entusiástico que por toda a parte o público tem feito a essa minha frase, reproduzida na peça teatral de Ramada Curto "A Recompensa", peça que Robles Monteiro e Amélia Rey Colaço estão levando agora mesmo, em tournée pelo País.

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"Em Portugal, a reacção contra os erros liberais-democratas no seu aspecto político, chama-se Integralismo Lusitano, e a reacção contra esses mesmos erros no seu aspecto económico-social, deu origem ao Movimento Nacional-Sindicalista.
- Nacional?
- Nacional, por que é dentro das fronteiras da Nação Portuguesa que o sentimento Nacional-Sindicalista procura, em primeiro lugar, o resgate da pessoa humana. O erro dos que negam a realidade histórica da Nação era demasiado absurdo depois de uma guerra mundial, que foi a morte da II Internacional e a origem da mais viva floração de nacionalismo de que há memória, para que o pragmatismo esclarecido das novas gerações não entendesse a lição que se impunha.
No entanto, "Nacional" não quer dizer, para nós "contra, exclusivo", nem isso podia estar na linha de um pensamento verdadeiramente português, que é, naturalmente "universalista" e "humanista" como herdeiro da civilização de Roma..
Para nós a Nação Portuguesa não é um fim de si mesmo, mas sim um "meio" que deve realizar as condições e as possibilidades especificamente portuguesas ao serviço da civilização.
​Assim, nós não cometemos o erro dos que opõem ao internacionalismo a ferocidade de um sentimento nacional, sempre em armas e sempre pronto a assaltar os outros povos livres.
"

(pp. 20-21)
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Hoje evoca-nos ele a tentativa de 10 de Setembro de [de 1935] em que alguns dos seus partidários políticos tentavam assaltar a Penha de França ao mesmo tempo que o comandante Mendes Norton, que em 28 de Maio de 1926 tomara o comando das forças navais surtas no Tejo, entrava a bordo do aviso de guerra Bartolomeu Dias.
...
...É cedo, evidentemente, para se falar nessa revolta de 10 de Setembro. Está ainda no presídio de Cabo Verde, sofrendo pena um dos chefes militares desse movimento, o Capitão de Mar e Guerra Mendes Norton, para quem, aliás, nos parecia bem justo e oportuno um acto de clemência da Ditadura que bastante lhe deve.

No entanto, alguma coisa lhe poderia dizer.
 
Em primeiro lugar, a Revolta de 10 de Setembro de 1935 não foi uma revolta especificamente Nacional-Sindicalista. Foi um movimento em que colaboraram alguns elementos nacionais-sindicalistas, mas não um movimento Nacional Sindicalista, quanto a conluios com os comunistas, isso, é fantasia dos jornais. Era moda então, falar em conluios comunistas todas as vezes, que se queria comprometer, perante a opinião nacionalista, algum homem público ou algum agrupamento político: pura tática...
 
Tanto que nas prisões que então se fizeram não apareceu um único comunista comprometido, tanto que as declarações dos presos, foram unânimes em proclamar um sentido transformador dentro da situação criada pelo «Vinte e Oito de Maio».
 
No que respeita aos perigos apontados é preciso fazer-se justiça a todos, mesmo a adversários.
 
Ora, não é de supor que, os responsáveis da Revolta tão tivessem tomado as suas precauções para defender a vitória contra qualquer desordem que tentasse comprometer os seus destinos. Repito: fantasia de jornais a tática partidarista costumada em tais emergências...
 
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 [ No 28 de Maio de 1926 ]

...alinhavam desde os sectores monárquicos-integralistas aos republicanos da esquerda - só não compreendiam - é claro - o partido Democrático então no poder, e o Centro Católico que nas últimas eleições colaborara em vários círculos com os democráticos e que, pelo seu órgão jornalístico "As Novidades" nas próprias vésperas dos acontecimento de Maio condenava, a propósito de boatos de revolução, quaisquer revoltas, visto que ao País o que convinha era a ordem a paz!.

O Chefe do actual Govêrno no seu discurso de 28 de Maio de 1936 em Braga, teve mesmo o desassombro de afirmar que desconhecia inteiramente os preparativos da Revolução Salvadora e, que, se era certo que como bom patriota sofria com os males da Nação, não sabia como ela se salvaria, embora não perdesse a fé nesta salvação.
Por circunstâncias que seria longo inumerar, foi o Dr. Salazar, quem depois veio a governar, ele e os homens do Centro Católico, não a organização oficialmente, mas os seus elementos mais representativos.
Alguns deles vieram a ocupar altas posições na presente situação.
- De maneira que...
- De maneira que as discordâncias têm a origem doutrinária por um lado e circunstâncias por outro.



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... muitos dos responsáveis da derrocada nacional, são hoje esteios do actual Governo, enquanto nacionalistas de relevo, homens que tudo fizeram para arrancar o País à derrocada, continuaram discordando...
- Entre esses?
- Entre esses, por exemplo, estão os homens que criaram o famoso Movimento intitulado "Integralismo-Lusitano", aqueles que, para além do parlamentarismo, deram um sentido à Revolução Nacional, tornando-a possível pelas ideias, pelos métodos, pelos exemplos de sacrifício que puseram ao seu serviço.
- Refiro-me, é claro, aos Integralistas com responsabilidades criadoras. Da antiga Junta Central já sofreram a prisão três dos seus membros e foi castigado disciplinarmente outro, que é funcionário público.

...


- Quais eram os pontos essenciais do Programa do Integralismo-Lusitano?
- O Integralismo-Lusitano era anti-parlamentar, descentralizador, municipalista e corporativo. Visava libertar os cidadãos da tirania das oligarquias politicantes, restaurando as liberdades nacionais; preconizava um Estado forte que tivesse à cabeça o Rei, o Rei que, estando por natureza acima dos partidos fosse o árbitro supremo para quem apelassem com segurança quantos sofressem perseguições e injustiças.
Personalista, o Movimento reclamava-se da História Nacional para mostrar o orgulho com que os portugueses sempre souberam falar a Reis e poderosos; realista, invocava as lições dessa mesma História para provar o valor criador e orientador da realeza posta ao Serviço da Nação.​

- Há muitos pontos de contacto entre o Integralismo Lusitano e o Nacional-Sindicalismo?
- O Nacional-Sindicalismo é na verdade o Integralismo Lusitano que se ultrapassa em todos os seus aspectos formais. É a Contra-Revolução que para além de si própria se torna Revolução. Assim, o Nacional-Sindicalismo é municipalista mas dá ao município o reforço do novo sentido Social-Económico; é descentralizador, mas especificamente orgânico é Sindicalista e cooperativista, antes de ser corporativista; é populista se bem que reconheça o valor das "élites" - Revolução só é eficaz quando tenha por si o povo.


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 - E a questão do regime?
- A directriz número 29 do Programa Nacional-Sindicalista publicado em 1935 diz a esse respeito bem claramente: a Revolução Nacional dos Trabalhadores não suscita para a sua efectivação qualquer questão de regime.
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Banquete dos Intelectuais Nacionalistas, em 24 de Fevereiro de 1935 (ao retornar a Portugal após a sua prisão e desterro em Espanha antes da farsa eleitoral de Dezembro de 1934) .
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— Fala-se muito em Império. Que pensa V. Exª sôbre êste assunto?
- A vocação imperial dos portugueses nasce da sua própria condição Atlântica. Para assegurar a nossa posição na Península, tivemos, desde o começo, de nos firmar no mar, buscando nele o apoio das alianças e o impulso para os anseios aventurosos de uma expansão indispensável à nossa Independência.
A lembrança do esforço dos portugueses Além Mar é motivo de justificado orgulho.
No entanto, nada mais vão e inútil do que fazer dessa lembrança um culto absorvente que nos impeça de considerar para lá do saudosismo do passado os deveres imperiosos do presente.
Gôa, Malaca, Ormuz... Os "Fumos da Índia" não devem continuar a ser apenas o tema amargo que nos leva todos os dias ao pranto inútil em frente do Muro das Lamentações da Raça...
Fomos muito, mas somos também muito.
O nosso esforço no passado encheu de gloriosas páginas a História. Escreva o nosso esforço no presente as páginas que lhe cumpre escrever. É tempo de substituir o conceito romântico e tolo de um «Portugal Velho» e «Pequeno› pela afirmação viril e resoluta de um - Portugal Novo, Grande Império.
​- Paiva Couceiro divergiu de V. Ex.ª em tempos por esse espírito que lhe pareceu contrário ao tradicionalismo nacional.
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Foi no ano de 1913, na Bélgica ... (não foi em 1911) e, com os nomes aí indicados, foi em 1914 que surgiu o Integralismo Lusitano.
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O PROGRAMA DO VINTE E OITO DE MAIO, aqui mencionado, refere-se ao manifesto afixado nas paredes de Braga naquele dia, antes do general Gomes da Costa partir para Lisboa com as forças militares revoltosas. O seu programa Constitucional e de Governo, apresentado em Junho no Conselho de Ministros, foi redigido por Henrique Trindade Coelho e por três membros da Junta Central do Integralismo Lusitano - Hipólito Raposo, Pequito Rebelo e Afonso Lucas.


... o nacionalismo português é primeiro personalista, isto é, na ordem espiritual, a segurança prática dos direitos da Pessoa Humana; segundo  comunitário, quer dizer, na ordem social, a garantia segura de uma harmonia dos elementos particulares da sociedade portuguesa, dentro do plano do bem comum e identificados natural e historicamente com a nação, no plano de rigorosa justiça para todos.
- E pelo que respeita à função do Estado?
- Na ordem política, o verdadeiro nacionalismo português implica a certeza, de que ao Estado será marcada a sua estrita missão de orgão ao Serviço do bem geral, que se ordena sempre em função do desenvolvimento espiritual e material do Homem. 
Estas características são, não só aquelas que distinguem através dos tempos a personalidade dos portugueses, como também as únicas onde se pode fundamentar uma esperança de salvação e resgate.

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É tempo (...) de revelar-se aos olhos teimosamente fechados dos autoritaristas de que a Autoridade que não é garantia das liberdades, se chama tirania.

Na luta decisiva com o comunismo avassalador, o Nacionalismo, se quiser triunfar, tem de ser estrictamente, mas fortemente, o advento da Justiça.

A Justiça, eis, na verdade, a razão do clamor que se ergue no mundo. Toda a mística revolucionária está impregnada desse sentimento e é conduzida por esse anseio.
...

Aqueles que, como eu, combatemos os partidos políticos de antes do 28 de Maio fizemo-lo na justa intenção de libertar os portugueses de inglórias peias, vexantes coleiras, que um interesse ou um fanatismo faziam suportar, tornando-as doiradas. Queríamos, assim, uma Nação formada de homens livres que livremente colaborassem, e não um Pais de pobres escravos que cegamente servissem.

A fórmula que realiza praticamente este sentimento da Revolução Nacional é a única que podemos defender com coerência.
​
A fonte e impulso de uma mística nacional tem de ser esta: Justiça!
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Oliveira Salazar, Discursos e notas políticas, II, 1935-1937, 2ª edição, pp. 38- 39. Excerto do discurso de 27 de Abril de 1935, contendo a passagem referida por Rolão Preto.
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 A QUESTÃO DA CENSURA

​- Não seria preferível que esses abusos fossem coibidos como todos os outros o são, vulgarmente, pelos tribunais?
Liberdade - responsabilidade.
- Era isso praticável?
- Decerto, desde que uma forma de processo expedita, com garantias para as duas partes assegurasse rápidas sanções.- O que parece também de essencial justiça evitar, é que a própria censura sirva de reduto a outros abusos, abusos de efeitos sociais tão nocivos como os que pretende impedir - incompetência, corrupção, arbitrariedade.
- É preciso, no entanto, assegurar os direitos da Verdade?
- Mas quem define esses direitos. Três ou quatro censores militares? Os problemas do Espírito têm uma grande transcendência.
- É uma importância de primeira grandeza para os destinos dos povos.
- Evidentemente! Toda a obra do homem é em primeiro lugar espírito, concepção. Toda a civilização é seu reflexo imediato.

Por isso todos os regimens fortemente estatistas assumem grandes responsabilidades quando para «continuarem» um presente arriscam de lhe sacrificar o futuro, impedindo o livre desenvolvimento dos valores espirituais. Os resultados são já hoje conhecidos. Assim é manifesto que não só não conseguiram criar condições propícias ao aparecimento de melhores e mais frequentes valores entre as novas gerações, como estão longe de ter conseguido sequer os defeitos das gerações que lhe são anteriores.
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O CASO "SCHUSCHNIGG - SALAZAR"
É ver, por exemplo, um Schuschnigg, o chanceler democrata-cristão, tão avesso por ideologia própria, e por temperamento, a ser conduzido pelas ideias e métodos alheios, e, afinal vir a ser, contra a sua vontade, seu escravo. Aí temos um homem que se afasta das massas, que se isola da opinião pública e assim mesmo se vê arrebatado pelo torvelinho que em sua volta se agita. Ei-lo, com efeito, procurando ser fiel ao seu credo social ditado pelas encíclicas e no entanto vai agindo como um fascista.

​Ei-lo aceitando um Estado Totalitário, o partido único, a mocidade enquadrada pelo Poder, as milícias armadas, etc., etc... tudo ideias e métodos dos outros, condenadas no seu foro íntimo, mas impostas à sua vontade de governante por cima da sua repugnância de católico. Não será afinal um Schuschnigg afastado das massas, infinitamente mais um conduzido que aqueles condutores de massas que o temperamento e o espírito de um Schuschnigg desdenham ?


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... a Revolução está "para além do fascismo, para além do hitlerismo, para além do comunismo - Pela dignidade da Pessoa Humana!" (p. 92)
...
​Na política interna proclama Rolão Preto a representação directa dos Municípios junto dos Poderes Centrais.
​Num pensamento seu "restaurar o regionalismo é voltar aos extremos princípios da salvação nacional". (p. 93)
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No jornal a «Revolução» mantive uma longa campanha neste sentido. Na «Carta» entregue ao Chefe de Estado em 1934, em folhetos, discursos e livros, sempre advoguei como essencial a salvação das classes médias, pedindo para elas uma protecção que fosse desde o resgate das dívidas até ao crédito a longo prazo, à remuneração do seu trabalho num coeficiente próprio da sua dignidade, etc.
Hoje, é inútil certas lágrimas sobre a sua desgraça como me parece vão, procurar-lhe a filosofia do seu epitáfio. (p. 97)
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​- O comunismo nada resolve.
- O comunismo é outra tirania que o novo grupo de privilegiados formado pelo secretário do partido, comissários e burocratas, exerce discricionariamente sobre os trabalhadores. Muitos dos que desejam o comunismo julgam não temer essa tirania tão dura pelo menos como todas as outras tiranias, por esperarem intimamente serem eles os tiranos...
No jogo porém, das circunstâncias sabe-se lá porém quem irá comandar. Bem mais prudente lhes será não correrem o trágico risco.
De resto o comunismo é planta exótica que não se aclimata com os nossos costumes.
Para que, com efeito, destruir a família se nós portugueses no fundo, queremos as nossas mulheres e o nosso lar coisas sagradas!
E quanto a religião porque não há de ter cada um a liberdade de a seguir, se assim o entender?
Nem um Estado que nos obrigue a ir à missa, nem um Estado que nos prive de lá pôr os pés.
Pelo que respeita a leis sociais económicas o marxismo está francamente ultrapassando e grande erro será opor à tirania fascista a tirania comunista. (p. 98)
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( Capítulo no qual José Plácido Machado Barbosa faz uma rápida evocação da história do Nacional-Sindicalismo )
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...nós estamos para além do Comunismo, que é a escravidão do homem em proveito do indivíduo; para além do Fascismo que é a escravidão do homem em proveito do Império.
Nós, ao contrário, queremos o indivíduo no quadro da família, em proveito do homem, o indivíduo no quadro do sindicato em proveito e reforço do homem; o indivíduo no quadro da nação em proveito e garantia do homem.
Cada um desses quadros é um círculo de liberdade que protege o homem contra a vontade arbitrária de tiranos."

(Palavras de Rolão Preto no Teatro de S. Carlos, em Lisboa, em 16 de Julho de 1933, p. 127).
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Em 20 de Junho, Rolão Preto envia ao Chefe de Estado uma representação em que explana a situação espiritual, política e económica do país e em que se lembram as reivindicações nacionais-sindicalistas e o direito da livre organização desse Movimento em face da Constituição. 
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O DIÁRIO DE NOTÍCIAS, O ÓRGÃO DA MOAGEM
-A propósito de Espanha, gostaria que V. Ex.ª nos esclarecesse sobre o ataque de que foi alvo há tempos, pelo Diário de Notícias, o qual o acusou de iberismo.
- Esse ataque foi a maior vilania jornalística que conheço. Acusado de ter publicado na imprensa espanhola um artigo que causava engulhos ao patriotismo do Diário de Notícias, eu vim logo à estacada, pedindo a este jornal que inserisse, ele próprio, o referido artigo a fim de que o País me julgasse.
- 
E o Diário de Notícias recusou-se a fazê-lo...
- 
Ai tem! Depois de uma acusação desta gravidade instado por mim, que me via ofendido na minha dignidade, a publicar o artigo que me incriminava... o Diário de Notícias, recusa-se a fazê-lo alegando esta coisa mirífica: que isso seria propagar a minha tese! A miséria de tais processos salta aos olhos de toda a gente de bem e o Notícias não pode nesse capitulo ter ilusões. No entanto o seu fim era deixar no pensamento do leitor superficial que é em regra, o leitor dos jornais chamados de informação, o lugar de uma dúvida... o motivo de uma suspeita sobre a inteireza do meu patriotismo. Felizmente que obtive de Espanha vários exemplares das gazetas em que o meu artigo aparecera e, graças à boa vontade dos meus amigos, muita gente ficou conhecendo a verdade.
- 
No entanto...
- No entanto, a vilania do jornal lisboeta classificou-o para sempre no conceito dos homens de bem. E quanto à tese condenável, existisse ela no meu artigo, e, em verdade quem acredita que ela não fôsse logo estampada nas colunas do jornal da Moagem, mostrando porque era condenável e lançando-a à execração da opinião pública. Mas não.

Nem uma frase, nem uma palavra do meu artigo foi reproduzida, e, quando indignadamente reclamo a sua publicação, o jornal recusa-se...
- Não se compreende com efeito.
- 
A explicação, é, no entanto, clara. Trata-se de velhas contas. Trata-se de vingar as campanhas que eu sustentei no diário de que fui director, Revolução, contra a Moagem de que o Diário de Notícias é o órgão na imprensa lisboeta.
Nunca como então aquela famosa gente sofreu um tam rude golpe e desassombrado ataque na defesa dos interêsses do povo por-tuguês.
O Notícias não se esqueceu e todas as vezes que lhe parece útil o assalto — vinga-se...
Já quando foi no 10 de Setembro [de 1935 - na tentativa de "golpe Mendes Norton" -] ele inseriu contra mim uma série de diatribes e invencionices que lhe pareciam propícias à minha condenação pela opinião pública:
Conluios com os comunistas, idas repetidas a Espanha, combinar tramas revolucionárias com os emigrados esquerdistas portugueses, planos singulares de mirificos ministérios sem pés nem cabeça e com a colaboração de individualidades com quem não tinha sequer relações pessoais; intenções de Presidência de Ministério a que se opunham os meus pretensos aliados por me julgarem sem qualidades para isso, etc., etc.
A todo esse chorrilho de mentiras e disparatadas fantasias escritas no momento em que sobre mim pesava a ordem de prisão, respondia eu logo com uma carta ao director do Notícias, reclamando um desmentido e esclarecendo devidamente a minha atitude. Nunca a minha carta foi publicada. Processos... A Vendetta  não é exclusivo prazer dos italianos, é planta que viceja tanto nas margens do Tejo como nas do Tibre. O que varia é a envergadura dos homens que lhe prestam culto.(pp. 131-134)

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- E qual é, afinal, a atitude dos nacionais-sindicalistas portugueses em face dos nacionais-sindicalistas espanhois?

- A da mais cordial simpatia pelos seus anseios revolucionários e da mais viva espectativa. Se a Falange conseguir vencer, como espero, todos os embates de certos sectores reacionários, ela terá que realizar a grande obra da Revolução Nacional-Sindicalista no seu país: - conciliação de Liberdade com a Autoridade de conquista do Pão e de Justiça.

Confiamos no valor desses nossos camaradas e vemos na Falange, uma grande esperança de realizações revolucionárias.

- Os nacionais-sindicalistas espanhois são imperialistas também. Qual o sentido do seu imperialismo?

​- O imperialismo da Falange alonga os seus olhos para as terras de além estreito. José António Primo de Rivera, com quem trabalhei muito em 1934, definiu sempre as suas intenções de desdobrar as asas de Espanha sobre um grande império Marroquino, aquele que melhor se casa com o temperamento do povo espanhol.

Yzurdiaga no seu famoso discurso Silêncio e voz da Falange, resume assim esse belo sonho: - Pressinto que este Império da Falange tem a virtude de ser difícil, áspero e doloroso, um império abrasado de sede e de sol nos desertos africanos. - Sim! - Voltaremos com os filhos de Islam irmanados na vitória e com eles saltaremos o Estreito e desceremos imperialmente, em direção do Sul, para procurar nas areias ardentes, aquela cidade de Deus, que Santo Agostinho talhou para à sua sombra levantar a cidade de César.

​(pp. 134-135)
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1935 - Nacional-Sindicalismo - Directrizes
2026 - José Manuel Quintas - Os 'CAMISAS AZUIS' - Vida e morte do '28 de Maio'
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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