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        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
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​POST-WAR NEW WORLD MAP
Fotografia
Maurice Gomberg, Outline of post-war new world map, Philadelphia, 1942.

Library Of Congress Geography And Map Division Washington, D.C. 20540-4650 Usa Dcu Digital

 http://hdl.loc.gov/loc.gmd/g3200.ct001256
​

​Roosevelt, o 77.º Congresso e o Mapa de Maurice Gomberg

Este texto analisa criticamente o mapa Outline of the Post-War New World Map, de Maurice Gomberg, publicado em 1942, comparando-o com o discurso das Quatro Liberdades de Franklin D. Roosevelt e, mais adiante, com a estratégia de segurança nacional dos E.U.A. de 2025.
​
A tese central é que o mapa de Gomberg não foi um plano oficial nem representou uma corrente comprovada de pensamento estratégico, mas sim um panfleto privado e marginal que imaginava uma ordem mundial pós-guerra altamente hierárquica, tutelada pelas grandes potências vencedoras. Embora se apresentasse como defesa da paz, da liberdade e de uma "Nova Ordem Moral Mundial", o manifesto propunha uma reorganização coerciva do planeta, com blocos federados desmilitarizados, controlo das grandes potências, expulsões colectivas e políticas de controlo populacional.

O texto distingue duas dimensões do manifesto: a arquitectura geopolítica de tutela, que pode ser analisada comparativamente, e o programa de engenharia demográfica, que é tratado como matéria extrema e não comparável com a actualidade. Antes de comparar com o presente, o texto situa brevemente essa arquitectura face às linhas de longa duração da política externa americana no pós-guerra imediato e na Guerra Fria — não como digressão autónoma, mas apenas na medida em que essas linhas esclarecem o que, em Gomberg, era antecipação e o que era pura especulação sem correspondência histórica. Na comparação com a estratégia norte-americana de 2025, o documento identifica algumas continuidades formais — sobretudo a centralidade do Hemisfério Ocidental e a hierarquia das alianças — mas também fortes contrastes quanto à África, à Ásia-Pacífico e à ausência de qualquer projecto contemporâneo equivalente de reorganização mundial.
​
Em suma, o valor histórico do mapa de Gomberg está menos na sua influência real e mais no facto de revelar até que ponto uma imaginação geopolítica privada, em plena Segunda Guerra Mundial, podia combinar idealismo internacionalista, tutela tecnocrática, coerção territorial e planeamento social.



I. Introdução

Este documento tem por objecto central o mapa Outline of the Post-War New World Map, de Maurice Gomberg (1942), e o manifesto de 41 pontos que o acompanha: um artefacto privado, autopublicado e pouco estudado, que propõe uma reorganização hierárquica e coerciva do mundo pós-guerra sob tutela das potências vencedoras. O discurso das Quatro Liberdades, pronunciado por Franklin D. Roosevelt perante o 77.º Congresso a 6 de Janeiro de 1941, é aqui utilizado como contraponto cronológico e retórico — o registo oficial, presidencial e universalista de uma imaginação do pós-guerra —, e não como termo simetricamente equivalente de comparação. A diferença de estatuto, autoridade e circulação entre os dois documentos é demasiado grande para que possam ser tratados como duas expressões paralelas de igual peso; são antes dois pontos de referência que, lidos em conjunto, ajudam a delimitar o espectro entre o discurso oficial da liberdade universal e a especulação privada de uma ordem imposta.

A análise segue sete secções. As Secções II e III apresentam os dois documentos e discutem, também, os limites da sua comparabilidade — nomeadamente até que ponto um único panfleto autopublicado pode ser tomado como representativo de uma corrente de pensamento, e até que ponto o próprio discurso roosveltiano continha tensões internas não confessadas. A Secção IV reproduz a tradução integral dos 41 pontos do manifesto de Gomberg, indispensável para qualquer leitura crítica subsequente. A Secção V distingue, deliberadamente, duas dimensões do manifesto que não devem ser tratadas da mesma forma: a arquitectura de tutela hierárquica das grandes potências (V.1) e o programa de engenharia demográfica e controlo populacional (V.2), este último explicitamente excluído de qualquer exercício comparativo com a actualidade. A Secção VI situa essa arquitectura, de forma breve e sempre subordinada ao objecto central do texto, face às linhas de longa duração da política externa americana no pós-guerra imediato e na Guerra Fria — não como digressão autónoma sobre grande estratégia, mas apenas na medida estritamente necessária para distinguir, em Gomberg, o que era antecipação de tendências reais do que era pura especulação sem correspondência histórica. A Secção VII procede à comparação com a National Security Strategy of the United States of America, publicada pela Casa Branca em Novembro de 2025, apoiada directamente no texto primário e organizada em continuidades e contrastes, e não em "paralelos" indiferenciados. A Secção VIII reúne as referências bibliográficas.

Nota metodológica geral: nenhuma das comparações aqui empreendidas — nem a da Secção VI, nem a da Secção VII — estabelece, ou pretende sugerir, qualquer linha de influência directa entre o panfleto de Gomberg, um documento sem estatuto oficial e de autoria obscura, e a política oficial dos Estados Unidos, seja no pós-guerra imediato, seja oito décadas depois. Trata-se, num caso como no outro, de história comparada de estruturas e gramáticas estratégicas — não de genealogia de influências.

II. O discurso de Roosevelt ao 77.º Congresso

O discurso de Franklin D. Roosevelt ao 77.º Congresso, em 6 de Janeiro de 1941, ficou conhecido como o "discurso das Quatro Liberdades". Roosevelt defendeu que o futuro deveria assentar em quatro direitos fundamentais: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade face à necessidade e liberdade face ao medo.

Roosevelt apresentou estas liberdades como princípios universais, válidos "em todo o mundo", e contrapôs essa visão à "nova ordem" de tirania imposta pelos regimes ditatoriais. Para o presidente americano a verdadeira ordem mundial devia basear-se na cooperação entre países livres, na dignidade humana e na supremacia dos direitos humanos.

O discurso foi proferido durante a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos ainda não tinham entrado formalmente no conflito. Nesse contexto, Roosevelt formulou uma defesa moral da ordem internacional que preparava a opinião pública para maior envolvimento norte-americano. Um ano depois, em Janeiro de 1942, após o ataque japonês a Pearl Harbor, a mensagem de Roosevelt ao mesmo Congresso assumiu um tom mobilizador: os Estados Unidos estavam em guerra e deviam responder com unidade, produção massiva e determinação.

Tensões internas do registo universalista

Uma leitura equilibrada da comparação com Gomberg exige reconhecer que o próprio registo oficial roosveltiano não estava isento de tensões entre o princípio proclamado e a prática efectiva. As Forças Armadas norte-americanas mantiveram-se segregadas por raça durante toda a guerra — a desagregação só seria decretada em 1948, pela Ordem Executiva 9981. Poucas semanas depois do discurso de 1942 ao Congresso, e a apenas alguns dias da publicação do mapa de Gomberg, a Ordem Executiva 9066, de 19 de Fevereiro de 1942, autorizou a deslocação forçada e o internamento de mais de 110 mil pessoas de ascendência japonesa residentes no território continental dos E.U.A., muitas delas cidadãs norte-americanas — uma medida de engenharia demográfica doméstica coeva, embora de escala e natureza distintas, do próprio programa que o manifesto de Gomberg propunha aplicar aos vencidos do Eixo. Do mesmo modo, os aliados da coligação anti-Eixo — em particular o Reino Unido e a França — continuavam, durante todo o período em que as Quatro Liberdades eram proclamadas como princípio universal, a administrar vastos impérios coloniais na Ásia e em África, sem que a retórica da autodeterminação lhes fosse aplicada de forma consequente.

Estas tensões não equivalem, evidentemente, à radicalidade explícita do manifesto de Gomberg — não há no discurso de Roosevelt proposta alguma de expulsão étnica ou de controlo populacional. Mas registá-las é metodologicamente necessário: evita opor um registo oficial a um registo privado, como se apenas o segundo comportasse contradição entre princípio e prática. A diferença entre os dois registos é real e substancial: Roosevelt invoca um universalismo liberal atravessado por práticas políticas contraditórias; Gomberg formula, desde logo, uma arquitectura declaradamente tutelar e coerciva.

III. O mapa «Outline of the Post-War New World Map»: autoria, estatuto e limites da representatividade

O mapa Outline of the Post-War New World Map foi concluído antes do ataque a Pearl Harbor — a versão final data de Outubro de 1941 — e autopublicado por Maurice Gomberg, da Filadélfia, em 25 de Fevereiro de 1942. Não se tratava de um plano oficial do governo norte-americano, mas de uma visão especulativa e propagandística de uma ordem internacional dominada pelos Aliados.

Gomberg era um autor e activista pouco conhecido, sobre quem praticamente não há registo biográfico além deste mapa. Nas fontes consultadas não se encontrou qualquer indicação de ligação institucional a organizações ou grupos de pressão organizados, nem prova de circulação alargada, recepção na imprensa da época, ou influência posterior sobre qualquer instância oficial. Este ponto merece ser sublinhado com mais rigor do que habitualmente se faz quando se cita este mapa: a ausência de tais indícios não prova que não existissem, mas, na falta de evidência em contrário, o rigor metodológico obriga a tratar o mapa como um caso-limite — um artefacto idiossincrático — e não como amostra representativa de uma "corrente" de pensamento político-geográfico dos anos 1940. Falar de "correntes de pensamento que imaginavam uma nova ordem mundial" com base num único panfleto autopublicado seria uma generalização indevida; o que se pode afirmar com segurança é mais modesto — e ainda assim historicamente interessante —, a saber, que este documento específico demonstra até onde podia chegar, num extremo, a imaginação geopolítica privada de um cidadão norte-americano nesse momento da guerra, sem que isso implique a existência comprovada de um movimento ou escola de pensamento subjacente.

O que a bibliografia disponível permite dizer sobre Gomberg

Uma pesquisa bibliográfica dedicada a esta questão encontrou um único estudo especificamente centrado na figura de Gomberg: o artigo do sociólogo Aleksander Gella (State University of New York, Buffalo — especialista reconhecido em sociologia da intelligentsia polaca e russa, com publicações arbitradas na Slavic Review e em Studies in Soviet Thought), "Mapa Gomberga", incluído no volume que o próprio Gella editou, Sprawy Polskie w Perspektywie Światowej (Londres: Veritas Foundation Publications, 1985), p. 208. Gella entrevistou antigos conhecidos de Gomberg e conclui que este seria um emigrante da Europa de Leste, relojoeiro de profissão, sem formação académica formal, e simpatizante — não militante — do Partido Comunista dos Estados Unidos. Esta informação deve ser tratada com cautela proporcional à sua natureza: resulta de testemunho oral recolhido mais de quatro décadas após os factos, publicado num volume de diáspora política de orientação anticomunista, e não foi submetida a arbitragem científica no sentido estrito. Não confirma nem infirma a tese central desta secção sobre os limites da representatividade do mapa; acrescenta apenas um perfil biográfico verosímil onde antes não havia nenhum, sem alterar a conclusão de que Gomberg permanece uma figura sem ligação institucional documentada.

É instrutivo notar, por contraste, o que a historiografia arbitrada sabe sobre quem, de facto, integrava os círculos oficiais e semi-oficiais de planeamento do pós-guerra nesse mesmo período. Stephen Wertheim, em Tomorrow, the World: The Birth of U.S. Global Supremacy (Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press, 2020), documenta com rigor os debates internos ao Council on Foreign Relations e ao Departamento de Estado entre 1940 e 1943 — nomeadamente o conceito de "Grand Area" e a discussão sobre defesa hemisférica que viria a informar, por vias muito mais complexas e mediadas, a arquitectura oficial do pós-guerra. Gomberg, relojoeiro autodidacta sem qualquer ligação institucional documentada, situa-se inteiramente fora destes círculos, tal como descritos por Wertheim. A comparação reforça, por omissão, o argumento já feito nesta secção: o mapa de Gomberg é um artefacto de imaginação privada, não uma amostra do pensamento estratégico oficial ou semi-oficial da época — por mais que a linguagem do seu manifesto, por vezes, ecoe categorias (desarmamento, tutela hemisférica, cooperação entre grandes potências) que também circulavam, de forma muito mais elaborada e consequente, nesses círculos oficiais.

Vale ainda notar que a bibliografia consultada não encontrou tratamento do mapa de Gomberg em revistas arbitradas de história da cartografia. Obras de referência da área — como Timothy Barney, Mapping the Cold War: Cartography and the Framing of America's International Power (Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2015), ou Mark Monmonier, No Dig, No Fly, No Go: How Maps Restrict and Control (Chicago: University of Chicago Press, 2010), esta última particularmente relevante por tratar directamente os mapas de exclusão usados no internamento nipo-americano de 1942 referido na Secção II — constituem literatura de contexto genuína sobre a cartografia política e persuasiva do período, mas não foi possível confirmar que discutam o mapa de Gomberg. A ausência de tratamento académico consistente não é uma lacuna desta pesquisa: é, ela própria, um dado que confirma a tese aqui defendida sobre o estatuto marginal e não representativo do documento.

Feita esta ressalva, o conteúdo do mapa continua a merecer análise pelo que revela sobre os limites e contradições de um certo idealismo internacionalista da época, precisamente enquanto caso extremo e não enquanto amostra representativa. O mapa imaginava um mundo pós-guerra dividido em grandes blocos ou zonas de influência. O poder ficaria concentrado nas grandes potências vencedoras — Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e China — vistas como garantes de uma paz futura. Essa arquitectura combinava o desarmamento dos inimigos derrotados, a reorganização de territórios estratégicos e a criação de entidades federadas desmilitarizadas, mas fazia-o a partir de uma lógica de tutela, não de verdadeira autodeterminação universal.

A lógica do mapa reflecte o ambiente de 1941-1942: os Estados Unidos tinham acabado de entrar na guerra após Pearl Harbor, a derrota do Eixo ainda não estava garantida, e muitos pensadores procuravam imaginar como evitar uma nova catástrofe mundial. Ao mesmo tempo, o mapa revela uma contradição estrutural que a análise não deve dissimular: embora invoque a paz e a segurança mundial, e se apresente sob a designação de "Nova Ordem Moral Mundial", a proposta aceita uma divisão hierárquica do planeta, na qual as liberdades locais ficam subordinadas à tutela de governadores nomeados e à vigilância de um directório militar e económico das grandes potências — o oposto exacto da autodeterminação universal dos povos que o vocabulário do manifesto reivindica.

Assim, o valor histórico do mapa de Gomberg não está em ter definido a política oficial do pós-guerra — não a definiu — nem em ser representativo de uma corrente comprovada de opinião, mas em constituir um testemunho, singular mas revelador, de como, no limite, um certo idealismo internacionalista de 1941-1942 podia coexistir com impulsos de planeamento centralizado, sanções colectivas e confiança extrema na capacidade de elites tecnocráticas das grandes potências para redesenhar regiões inteiras à escala planetária.

Nota sobre a recepção posterior

Vale a pena registar, para concluir esta secção, que a posteridade documentada do mapa de Gomberg não é académica, mas conspiracionista. Múltiplas fontes independentes confirmam que o mapa é hoje sobretudo citado e recirculado em círculos de teoria da conspiração sobre uma "Nova Ordem Mundial", que o apresentam — erradamente, à luz de tudo o que fica dito nesta secção — como prova de um plano governamental oficial dos Estados Unidos, ignorando ou desconhecendo o seu estatuto de panfleto privado autopublicado por um relojoeiro sem ligação institucional. Este facto não altera a análise do documento em si nem a tese sobre os limites da sua representatividade histórica em 1942; é, antes, um dado relevante sobre a sua trajectória: um artefacto de imaginação privada, praticamente esquecido durante décadas, que ressurgiu muito mais tarde como peça de evidência — fabricada quanto ao estatuto, ainda que não quanto ao conteúdo literal, que é genuíno — numa cultura de desconfiança institucional de natureza inteiramente distinta da que o viu nascer.

IV. Os 41 pontos do manifesto — texto original e tradução literal

Resumo dos 41 pontos

Os 41 pontos do manifesto associado ao mapa de Maurice Gomberg formulam uma proposta de reorganização mundial após a derrota das potências do Eixo. O texto apresenta-se como defesa de uma "Nova Ordem Moral Mundial", orientada para a paz permanente, a liberdade e a segurança colectiva; mas, ao mesmo tempo, revela uma concepção profundamente hierárquica da ordem internacional, na qual grandes potências, instituições supranacionais e autoridades nomeadas teriam poderes extensos sobre territórios, populações e recursos.

A proposta atribui aos Estados Unidos um papel dirigente, em cooperação com a América do Sul, a Comunidade Britânica, a União Soviética e a China. Mais concretamente, os pontos descem ao detalhe geográfico: propõem a reorganização do mundo em blocos federados e desmilitarizados — Estados Unidos da Europa, Estados Unidos da Escandinávia, União das Repúblicas Africanas, Repúblicas Árabes Federadas, Repúblicas Federadas da Índia, Repúblicas Unidas da China, entre outros —, a expansão da influência norte-americana no Hemisfério Ocidental, a incorporação de territórios alemães libertados na U.R.S.S., a expulsão e o confisco de bens de populações de origem alemã, italiana e japonesa, e medidas de nacionalização económica à escala global.

Nota de método: o texto original em inglês é reproduzido para permitir o cotejo directo com a tradução portuguesa. Por se tratar de uma transcrição longa, a tradução procura manter a proximidade literal com a formulação de 1942, mesmo quando essa formulação é hoje estranha, agressiva ou ideologicamente marcada. As opções lexicais preservam, tanto quanto possível, o sentido do original, sem o actualizar nem suavizar retroactivamente.

Texto original (1942) e tradução

  • 1. We, the U.S.A., in cooperation with our allies, for reasons of our national safety and in the interests of international morality, are determined to crush and completely destroy the military power of the Axis aggressors, and their satellites regardless of the cost, effort and time necessary to accomplish this task. Tradução: Nós, os E.U.A., em cooperação com os nossos aliados, por razões da nossa segurança nacional e no interesse da moralidade internacional, estamos determinados a esmagar e destruir completamente o poder militar dos agressores do Eixo e dos seus satélites, independentemente do custo, esforço e tempo necessários para realizar esta tarefa.
  • 2. The old world order of colonial oppression, exploitation of dominions, rival imperialisms and mercenary balance of power diplomacy; of majesties, dictators, privileged minorities, plutocratic monopolists and similar social parasites; the corrupted order responsible for the present world cataclysm, endangering our national safety and peaceful progress, shall never rise again. Tradução: A velha ordem mundial de opressão colonial, exploração de domínios, imperialismo rival e diplomacia mercenária de equilíbrio de poderes; de majestades, ditadores, minorias privilegiadas, monopolistas plutocráticos e parasitas sociais semelhantes; a ordem corrompida responsável pela presente catástrofe mundial, que põe em perigo a nossa segurança nacional e o progresso pacífico, nunca mais se erguerá.
  • 3. A New World Moral Order for permanent peace and freedom shall be established at the successful conclusion of the present war. Tradução: Uma Nova Ordem Moral Mundial para a paz e liberdade permanentes será estabelecida na conclusão bem-sucedida da presente guerra.
  • 4. For reasons of history, economic structure, favorable geography and the welfare of mankind, the U.S.A. must, altruistically, assume the leadership of the newly established democratic world order. Tradução: Por razões de história, estrutura económica, geografia favorável e bem-estar da humanidade, os E.U.A. devem, altruisticamente, assumir a liderança da nova ordem mundial democrática estabelecida.
  • 5. To reduce the burden and criminal waste of armaments expenditures everywhere in the world, the U.S.A., with the cooperation of Latin-America, the British Commonwealth of Nations, and the U.S.S.R. shall undertake to guarantee peace to the nations which will be permanently disarmed and demilitarized after the conclusion of the present war. Tradução: Para reduzir o fardo e o desperdício criminoso das despesas com armamentos em todo o mundo, os E.U.A., com a cooperação da América Latina, da Comunidade Britânica de Nações e da U.R.S.S., deverão comprometer-se a garantir a paz às nações que serão permanentemente desarmadas e desmilitarizadas após a conclusão da presente guerra.
  • 6. In order to be able, in fulfillment of our obligations, to effectively prevent the possibility of recurrence of another world cataclysm, the invincibility of the U.S.A. as a military, naval air power, shall be the major requisite. Tradução: A fim de poder, no cumprimento das nossas obrigações, prevenir eficazmente a possibilidade de repetição de outra catástrofe mundial, a invencibilidade dos E.U.A. como potência militar, naval e aérea será o principal pré-requisito.
  • 7. For realistic considerations of strategy and our invulnerability, it is imperative that the U.S.A. shall obtain relinquishment of controls of their possessions from all foreign Powers in the entire Western Hemisphere, its surrounding waters and the strategic island outposts as outlined on accompanying map. Tradução: Por considerações realistas de estratégia e da nossa invulnerabilidade, é imperativo que os E.U.A. obtenham de todas as potências estrangeiras a renúncia ao controlo das suas possessões em todo o Hemisfério Ocidental, nas águas circundantes e nos postos avançados insulares estratégicos, conforme delineado no mapa anexo.
  • 8. For considerations of hemispheric defense and in the spirit and tradition of the new Monroe Doctrine of hemispheric solidarity and the “Good Neighbor” policy, the U.S.A., with the consent of the Latin-American Republics, shall obtain control and protectorate rights of the relinquished territories. Tradução: Por considerações de defesa hemisférica e no espírito e tradição da nova Doutrina Monroe de solidariedade hemisférica e da política de “Boa Vizinhança”, os E.U.A., com o consentimento das Repúblicas latino-americanas, deverão obter controlo e direitos de protectorado sobre os territórios cedidos.
  • 9. To strengthen our position in the Caribbean area which is of obvious importance to hemispheric defense, all possible inducements shall be offered to our neighbors of Central America and the West Indies to facilitate their entrance as equal states of the U.S.A. as outlined on map. Tradução: Para reforçar a nossa posição na área das Caraíbas, de óbvia importância para a defesa hemisférica, deverão ser oferecidos todos os incentivos possíveis aos nossos vizinhos da América Central e das Antilhas, para facilitar a sua entrada como estados iguais dos E.U.A., conforme delineado no mapa.
  • 10. To fortify the politico-economic unity of the Western Hemisphere, the U.S.A. shall promote and assist the unification of South America into a well organized, democratic, federated “United States of South America.” Tradução: Para consolidar a unidade político-económica do Hemisfério Ocidental, os E.U.A. deverão promover e apoiar a unificação da América do Sul em “Estados Unidos da América do Sul”, bem organizados, democráticos e federados.
  • 11. The liberated British, French, and Netherlands Guianas shall be reorganized as one state of the U.S.S.A. Tradução: As Guianas Britânica, Francesa e Neerlandesa, uma vez libertadas, deverão ser reorganizadas como um único estado da União (U.S.S.A.).
  • 12. All Powers shall relinquish their controls of their colonial, mandate and strategic island possessions everywhere in the world Tradução: Todas as potências deverão renunciar ao controlo das suas possessões coloniais, mandatos e postos avançados insulares estratégicos em todo o mundo.
  • 13. The British Commonwealth of Nations, the second military and naval Power of importance cooperating in a binding compact with the U.S.A. as a Power for freedom, shall retain and acquire control of such territories, peace-security bases and strategic island outposts essential for the maintenance of world peace and freedom of the seas as outlined on map. Tradução: A Comunidade Britânica de Nações, a segunda potência militar e naval de importância, cooperando num pacto vinculativo com os E.U.A. como potência a favor da liberdade, deverá conservar e adquirir o controlo dos territórios, bases de paz e segurança e postos avançados insulares estratégicos essenciais à manutenção da paz mundial e da liberdade dos mares, conforme delineado no mapa.
  • 14. The U.S.S.R., the third military Power of importance cooperating with the U.S.A. as a Power for freedom and the maintenance of world peace, shall acquire control of the liberated, disorganized adjacent areas and those of Germany-Austria to be re-educated and eventually incorporated as equal republics of the U.S.S.R., as appropriately outlined on map. Tradução: A U.R.S.S., a terceira potência militar de importância a cooperar com os E.U.A. como potência a favor da liberdade e da manutenção da paz mundial, deverá adquirir o controlo das áreas adjacentes libertadas e desorganizadas, bem como das da Alemanha-Áustria, a reeducar e a incorporar eventualmente como repúblicas iguais da U.R.S.S., conforme delineado no mapa.
  • 15. A World League of Nationalities with arbitration and supervision powers shall be organized. Tradução: Deverá ser organizada uma “Liga Mundial das Nacionalidades”, com poderes de arbitragem e supervisão.
  • 16. A World Court with punitive powers of absolute boycott, quarantine, blockade, and occupation by international police, against lawbreakers of international morality shall be organized. Tradução: Deverá ser organizado um “Tribunal Mundial”, com poderes punitivos de boicote absoluto, quarentena, bloqueio e ocupação por polícia internacional, contra os infractores da moralidade internacional.
  • 17. The U.S.A. with the close cooperation of the United States of South America, the British Commonwealth of Nations, the U.S.S.R. and the World League of Nationalities, shall promote and assist in the unification of the relinquished territories and the areas at present unsoundly divided into well organized, democratic and absolutely demilitarized federated republics as approximately outlined on the map. Tradução: Os E.U.A., em estreita cooperação com os Estados Unidos da América do Sul, a Comunidade Britânica de Nações, a U.R.S.S. e a Liga Mundial das Nacionalidades, deverão promover e apoiar a unificação dos territórios renunciados e das áreas actualmente mal divididas, em repúblicas federadas, bem organizadas, democráticas e absolutamente desmilitarizadas, tal como aproximadamente delineado no mapa.
  • 18. The areas known as Netherlands, Belgium, Luxemburg, Switzerland, France, Spain, Portugal, the island of Corsica, and eventually Italy and the islands of Sardinia and Sicily shall be unified as a demilitarized, federated “United States of Europe.” Tradução: As áreas conhecidas como Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, França, Espanha, Portugal, a ilha da Córsega e, eventualmente, a Itália e as ilhas da Sardenha e da Sicília, deverão ser unificadas como uns “Estados Unidos da Europa”, desmilitarizados e federados.
  • 19. The areas known as Sweden, Norway, Denmark, and the Spitsbergen islands shall be unified as a demilitarized, federated “United States of Scandinavia.”
  • Tradução: As áreas conhecidas como Suécia, Noruega, Dinamarca e as ilhas Svalbard (Spitsbergen) deverão ser unificadas como uns “Estados Unidos da Escandinávia”, desmilitarizados e federados.
  • 20. The continent of Africa shall be reorganized and unified as a demilitarized, federated “Union of African Republics.”
  • Tradução: O continente africano deverá ser reorganizado e unificado como uma “União das Repúblicas Africanas”, desmilitarizada e federada.
  • 21. The areas known as Saudi Arabia, Syria, Lebanon, Iraq, Hejas, Yemen, Aden and Oman, shall be unified as a demilitarized union of “Arabian Federated Republics.”
  • Tradução: As áreas conhecidas como Arábia Saudita, Síria, Líbano, Iraque, Hejaz, Iémen, Áden e Omã deverão ser unificadas como uma união desmilitarizada de “Repúblicas Árabes Federadas”.
  • 22. The areas known as India, including Afghanistan, Baluchistan, Nepal, Bhutan, and Burma shall be unified as a demilitarized “Federated Republics of India.”
  • Tradução: As áreas conhecidas como Índia, incluindo o Afeganistão, o Baluchistão, o Nepal, o Butão e a Birmânia, deverão ser unificadas como umas “Repúblicas Federadas da Índia”, desmilitarizadas.
  • 23. The areas known as China, Inner Mongolia, Tibet, Thailand, Malaya, Indo-China, and Korea shall be unified as a demilitarized, federated “United Republics of China.”
  • Tradução: As áreas conhecidas como China, Mongólia Interior, Tibete, Tailândia, Malaia, Indochina e Coreia deverão ser unificadas como umas “Repúblicas Unidas da China”, desmilitarizadas e federadas.
  • 24. The areas known as Greece, Macedonia, Albania, Crete, Dodecanese, and adjacent islands in the Aegean sea shall be unified as a demilitarized “Federated Republic of Greece.” Tradução: As áreas conhecidas como Grécia, Macedónia, Albânia, Creta, o Dodecaneso e as ilhas adjacentes do mar Egeu deverão ser unificadas como uma “República Federada da Grécia”, desmilitarizada.
  • 25. The areas known as Eire and Northern Ireland shall be unified as a demilitarized independent republic of “Eire.” Tradução: As áreas conhecidas como Eire e Irlanda do Norte deverão ser unificadas como uma república independente e desmilitarizada da “Eire”.
  • 26. The area of the Holy Land of the ancient Hebrews, at present known as Palestine and Trans-Jordan, and the adjacent requisite regions as outlined on map, for considerations of history and the imperative security to alleviate a post-war refugee problem, shall be unified as a demilitarized independent republic of “Hebrewland.” Tradução: A área da Terra Santa dos antigos hebreus, actualmente conhecida como Palestina e Transjordânia, e as regiões adjacentes necessárias, conforme delineado no mapa, por razões históricas e pela imperiosa necessidade de segurança para aliviar o problema dos refugiados do pós-guerra, deverá ser unificada como uma república independente e desmilitarizada da “Terra Hebraica” (Hebrewland).
  • 27. The area known as European Turkey, adjacent to the Dardanelles, sea of Marmora and Bosporus, for considerations of realistic peace strategy shall be placed under joint control of the U.S.S.R. and Turkey. Tradução: A área conhecida como Turquia Europeia, adjacente aos Dardanelos, ao mar de Mármara e ao Bósforo, por razões de estratégia realista de paz, deverá ser colocada sob controlo conjunto da U.R.S.S. e da Turquia.
  • 28. The area known as Turkey shall be a demilitarized independent republic of “Turkey.” Tradução: A área conhecida como Turquia deverá constituir uma república independente e desmilitarizada da “Turquia”.
  • 29. All problems of exchange, transfer and repatriation of populations shall be administered by the World League of Nationalities. Tradução: Todos os problemas de troca, transferência e repatriamento de populações deverão ser administrados pela Liga Mundial das Nacionalidades.
  • 30. The criminal perpetrators and their partners in guilt of this hideous war shall be brought to justice and unforgettable punishment administered. Tradução: Os autores criminosos e os seus cúmplices nesta hedionda guerra deverão ser levados à justiça e sujeitos a punição inesquecível.
  • 31. All subjects of Japan and all persons of Japanese origin of doubtful loyalty shall be permanently expelled from the entire Western Hemisphere, U.S.A. protectorates and strategic island outposts and their property confiscated for post-war reconstruction needs. Tradução: Todos os súbditos do Japão e todas as pessoas de origem japonesa de lealdade duvidosa deverão ser permanentemente expulsos de todo o Hemisfério Ocidental, dos protectorados dos E.U.A. e dos postos avançados insulares estratégicos, e os seus bens confiscados para as necessidades da reconstrução do pós-guerra.
  • 32. All subjects of Germany and Italy and all persons of German and Italian origin known as active supporters of nazi and fascist ideologies shall be treated similarly. Tradução: Todos os súbditos da Alemanha e da Itália, e todas as pessoas de origem alemã e italiana conhecidas como apoiantes activos das ideologias nazi e fascista, deverão ser tratados da mesma forma.
  • 33. German, Italian, and Japanese immigration to the Western Hemisphere, its protectorates, and island outposts shall be indefinitely stopped. Tradução: A imigração alemã, italiana e japonesa para o Hemisfério Ocidental, os seus protectorados e postos avançados insulares deverá ser suspensa indefinidamente.
  • 34. All persons of German origin in East Prussia and the Rhineland shall be transferred to inner Germany and the regions permanently de-Prussianized. Tradução: Todas as pessoas de origem alemã na Prússia Oriental e na Renânia deverão ser transferidas para o interior da Alemanha, sendo essas regiões permanentemente “desprussianizadas”.
  • 35. All persons of German, Italian, and Japanese origin shall be permanently expelled from their now conquered territories and their property confiscated for post-war reconstruction needs. Tradução: Todas as pessoas de origem alemã, italiana e japonesa deverão ser permanentemente expulsas dos territórios agora conquistados, e os seus bens confiscados para as necessidades da reconstrução do pós-guerra.
  • 36. To cleanse the populations of the defeated Axis aggressors of the intoxication of military chauvinism; to effectuate the removal and destruction of their potential military establishments; to recover accumulated loot and to re-educate them for their eventual membership in the Family of Nations, the areas of Germany-Austria, Italy and Japan shall be hermetically and indefinitely quarantined and administered by appointed Governors subject to supervision by the World League of Nationalities. Tradução: Para purgar as populações dos agressores do Eixo derrotados da intoxicação do chauvinismo militar; para efectuar a remoção e destruição dos seus potenciais estabelecimentos militares; para recuperar o espólio acumulado; e para as reeducar tendo em vista a sua eventual adesão à Família das Nações, as áreas da Alemanha-Áustria, da Itália e do Japão deverão ser hermética e indefinidamente colocadas em quarentena e administradas por Governadores nomeados, sujeitos à supervisão da Liga Mundial das Nacionalidades.
  • 37. All resources, industrial and labor capacity of the quarantined areas shall be employed for the post-war restoration and reconstruction needs. Tradução: Todos os recursos e a capacidade industrial e laboral das áreas em quarentena deverão ser empregues nas necessidades de restauração e reconstrução do pós-guerra.
  • 38. To reduce the numerical power of the aggressor nations, as a potential military advantage, a Population Control Policy shall be elaborated and applied in the quarantined areas. Tradução: Para reduzir o poder numérico das nações agressoras, enquanto potencial vantagem militar, deverá ser elaborada e aplicada, nas áreas em quarentena, uma “Política de Controlo Populacional”.
  • 39. In the New World Moral Order which we seek to establish, besides the essential political freedoms, the following fundamental economic changes are imperative: (a) Nationalization of all natural resources and equitable distribution of same to all nations – everywhere in the world; (b) Nationalization of international banking, foreign investments, railroads and power plants, - everywhere in the world; (c) Nationalization of all armaments producing establishments by all remaining military powers; (d) Federal control of foreign commerce and shipping; (e) The establishment of a world common monetary system; (f) World-wide limitations of interest rates to a maximum of two percent. Tradução: Na Nova Ordem Moral Mundial que procuramos estabelecer, para além das liberdades políticas essenciais, são imperativas as seguintes mudanças económicas fundamentais: (a) nacionalização de todos os recursos naturais e sua distribuição equitativa a todas as nações — em todo o mundo; (b) nacionalização da banca internacional, dos investimentos estrangeiros, dos caminhos-de-ferro e das centrais eléctricas — em todo o mundo; (c) nacionalização de todos os estabelecimentos produtores de armamento por todas as potências militares remanescentes; (d) controlo federal do comércio e da navegação externos; (e) estabelecimento de um sistema monetário mundial comum; (f) limitação mundial das taxas de juro a um máximo de dois por cento.
  • 40. To retain the victory and leadership of our united democratic effort – the aim of which is not vengeance or exploitation, but freedom and security to all nations for peaceful progress – the unified “Supreme War Command of the United Nations” at the conclusion of the present war, shall be reorganized and transformed into a permanent “Supreme Military and Economic Council” collaborating with the World League of Nationalities in post-war reconstruction and to enforce world peace. Tradução: Para preservar a vitória e a liderança do nosso esforço democrático unido — cujo objectivo não é a vingança nem a exploração, mas a liberdade e a segurança de todas as nações para o progresso pacífico — o “Comando Supremo de Guerra das Nações Unidas”, unificado, deverá, na conclusão da presente guerra, ser reorganizado e transformado num permanente “Conselho Militar e Económico Supremo”, em colaboração com a Liga Mundial das Nacionalidades, na reconstrução do pós-guerra e na aplicação da paz mundial.
  • 41. The “Supreme Military and Economic Council” shall appoint the Governors to administer the quarantined areas until their eventual parole. Tradução: O “Conselho Militar e Económico Supremo” deverá nomear os Governadores para administrar as áreas em quarentena até à sua eventual libertação condicional.


“For this purposeful beginning we must fight until absolute victory.” - “Para este começo deliberado, devemos combater até à vitória absoluta.” — Maurice Gomberg.

Nota sobre as fontes do manifesto: a reprodução e tradução dos 41 pontos assentam, em primeiro lugar, no fac-símile preservado pela Library of
Congress, tratado aqui como fonte primária. A transcrição da Wikisource é usada apenas como instrumento auxiliar de cotejo textual e não substitui o documento digitalizado original.

Nota sobre o ponto 26

O ponto 26 — a proposta de uma república "Hebrewland" sobre a Palestina e a Transjordânia — não é retomado na análise comparativa da Secção VII, apesar de ser, entre os 41 pontos, um dos mais historicamente ressonantes e, ainda hoje, mais directamente ligados a um conflito activo e amplamente contestado. A exclusão é deliberada, não uma omissão: qualquer exercício de comparação estrutural entre este ponto específico e a situação israelo-palestiniana contemporânea exigiria um enquadramento próprio, fontes adicionais e critérios de análise distintos dos usados neste documento. Fica, por isso, registada a existência do ponto, sem prosseguimento analítico.

V. Análise crítica: duas lógicas distintas do manifesto

O manifesto de Gomberg combina duas lógicas que devem ser tratadas separadamente, tanto pela sua diferente natureza quanto pela sua diferente comparabilidade com a actualidade: por um lado, uma arquitectura de tutela hierárquica das grandes potências sobre territórios e blocos regionais (pontos 5 a 28); por outro, um programa explícito de engenharia demográfica, expulsão étnica e controlo populacional (pontos 29 a 38). Só a primeira será retomada, com as devidas cautelas, na comparação da Secção VII.

V.1. A ilusão da paz sob a tutela das grandes potências (pontos 5-28)

O mapa imaginava um mundo dividido em grandes blocos regionais e esferas de influência, onde o poder ficaria fortemente concentrado nas quatro grandes potências vencedoras — Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e China. A proposta assentava no desmantelamento dos impérios inimigos (Alemanha, Itália e Japão) e na reorganização de territórios estratégicos em blocos federados desmilitarizados.
Embora o manifesto invoque os ideais de uma "Nova Ordem Moral Mundial" e a busca pela paz permanente, a análise atenta dos seus pontos revela uma profunda contradição estrutural. Longe de propor uma ordem baseada na genuína autodeterminação dos povos ou no direito internacional equitativo, Gomberg delineou um modelo hierárquico e autoritário, no qual as liberdades locais ficavam subordinadas à tutela de governadores nomeados e à vigilância de um directório militar e económico das grandes potências. É esta contradição — entre a linguagem de libertação universal e a arquitectura de tutela concreta — que torna o documento analiticamente interessante, independentemente de qualquer paralelo com o presente.

V.2. Engenharia demográfica, expulsão colectiva e controlo populacional (pontos 29-38)

O aspecto mais perturbador do manifesto de Gomberg — e frequentemente secundarizado ao analisar o documento apenas pela sua dimensão cartográfica — reside nas suas propostas radicais de engenharia demográfica e social. Esta secção é apresentada como fecho analítico autónomo do documento de 1942, precisamente porque nada nela deve, ou pode com responsabilidade, ser projectado sobre a actualidade.
  • Limpeza étnica e deslocamento forçado de populações: os pontos 31, 32, 34 e 35 prescrevem a expulsão permanente, o confisco total de bens e a deportação em massa de todas as pessoas de origem alemã, italiana e japonesa nos territórios conquistados e no Hemisfério Ocidental. Propõem expressamente a "desprussianização" forçada de regiões inteiras mediante a transferência de populações para o interior da Alemanha.
  • Quarentena e vigilância hermética: o ponto 36 estabelece que nações inteiras (Alemanha-Áustria, Itália e Japão) devem ser colocadas sob uma "quarentena hermética e indefinida", submetidas a governadores nomeados por um conselho supremo e sujeitas a programas colectivos de "reeducação" e purga ideológica.
  • Política de Controlo Populacional: no ponto 38, o manifesto atinge o seu cume tecnocrático ao defender a elaboração e aplicação explícita de uma "Política de Controlo Populacional" (Population Control Policy) sobre as áreas em quarentena, visando reduzir deliberadamente o "poder numérico das nações agressoras" para lhes anular qualquer potencial vantagem militar futura.
  • Dirigismo económico e colectivização global: o ponto 39 complementa esta engenharia demográfica com um plano de planeamento centralizado global, propondo a nacionalização universal dos recursos naturais, da banca internacional, dos transportes e dos estabelecimentos fabris.
Assim, o mapa de Gomberg revela-se um testemunho complexo e perturbador de uma possibilidade extrema da imaginação geopolítica do início da década de 1940. Sob uma roupagem de idealismo internacionalista e de repúdio pelo imperialismo tradicional do Eixo, a sua proposta fundia o desejo de paz com impulsos radicais de planeamento centralizado, sanções colectivas, transferência forçada de populações e confiança extrema na capacidade das elites tecnocráticas das grandes potências para redesenhar regiões inteiras à escala planetária.

VI. Linhas de longa duração da política externa americana: o que em Gomberg era antecipação e o que era pura especulação

A arquitectura de tutela hierárquica descrita em V.1 ganha maior nitidez quando confrontada, ainda que brevemente, com o que a política externa americana efectivamente fez no pós-guerra imediato e na Guerra Fria. O objectivo aqui não é oferecer uma história dessa política — matéria que excede em muito o âmbito deste ensaio —, mas apenas identificar, com o mínimo de aparato necessário, onde a imaginação de Gomberg antecipava tendências reais de longa duração e onde era pura especulação sem correspondência histórica subsequente.

A continuidade mais nítida é a primazia atribuída ao Hemisfério Ocidental — mas é uma continuidade que precede Gomberg em mais de um século e não depende dele para se explicar: a Doutrina Monroe (1823), o Corolário Roosevelt (1904) e a política de "Boa Vizinhança" dos anos 1930 já tinham consolidado essa centralidade muito antes de 1942. O pós-guerra viria a institucionalizá-la através do Pacto do Rio (1947) e da criação da Organização dos Estados Americanos (1948) — um tratado multilateral entre Estados formalmente soberanos, e não a federação hemisférica tutelada que os pontos 7 a 10 do manifesto propunham. A continuidade está na centralidade estratégica do hemisfério; a ruptura está na arquitectura institucional concreta.

Onde Gomberg imaginava blocos federados permanentemente desmilitarizados, administrados por governadores nomeados e supervisionados por um "Conselho Militar e Económico Supremo" das quatro potências vencedoras, a ordem construída a partir de 1945 — Carta das Nações Unidas (1945), Bretton Woods (1944), GATT (1947), NATO (1949) — preservou a soberania formal dos Estados num quadro multilateral, ainda que sob liderança americana de facto: o que G. John Ikenberry descreveu como "liberal leviathan" (Ikenberry, After Victory, 2001; Liberal Leviathan, 2011). Esta oposição não deve, porém, ser lida como absoluta. Stephen Wertheim, já citado na Secção III, mostra que os próprios círculos oficiais de planeamento debateram, em 1940-1941, ambições de primazia global bem mais expansivas do que a imagem institucional e restringida sugerida pela leitura de Ikenberry — o que aproxima, em grau ainda que não em natureza, a imaginação oficial da imaginação privada de Gomberg nesse preciso momento da guerra.

A estratégia que viria a definir a relação com a União Soviética — a contenção, formulada por George Kennan sob o pseudónimo "X" (Foreign Affairs, Julho de 1947) e doutrinariamente consolidada em NSC-68 (1950) — tratou Moscovo como rival sistémico, não como parceira de uma tutela mundial comum, ao contrário do que Gomberg imaginava ao descrevê-la como "terceira potência" cooperante. A desmilitarização absoluta e permanente que o manifesto propunha para a Europa, o mundo árabe, a Índia e a China foi, na prática, invertida: a Europa Ocidental foi rearmada sob comando da NATO, a Alemanha Ocidental reintegrada como aliado militar em 1955, e o Japão, apesar da constituição pacifista de 1947, tornou-se pilar da presença militar americana no Pacífico através do tratado de segurança de 1951 — inversão que a Secção VII retomará a propósito da NSS de 2025.

A hierarquia entre grandes potências que Gomberg previa no ponto 13 — com a Comunidade Britânica como "segunda potência" associada aos E.U.A. num pacto duradouro — tem, de facto, um paralelo estrutural na prática americana subsequente, mas tornou-se, ao longo de oito décadas de debates sobre repartição de encargos ("burden-sharing"), muito mais condicional e sujeita a renegociação do que a estabilidade quase permanente que o manifesto parecia pressupor. E, por fim, a política de ocupação da Alemanha e do Japão ecoou parcialmente o vocabulário de Gomberg — desnazificação, desmilitarização inicial, administração militar aliada —, mas rejeitou na prática a quarentena hermética e indefinida do ponto 36, a expulsão colectiva dos pontos 31-35 e qualquer equivalente institucional à "Política de Controlo Populacional" do ponto 38: a reintegração dos vencidos, através do Plano Marshall (1948) e da nova Constituição japonesa (1947), foi a escolha dominante e sustentada — distinta, na sua natureza, escala e duração, do precedente doméstico já discutido na Secção II (Ordem Executiva 9066).

VII. Ecos estruturais e contrastes com a estratégia dos E.U.A. (2025-2026)

Nota metodológica: esta comparação restringe-se à matéria de V.1 — a arquitectura de tutela hierárquica e reorganização territorial — e não à engenharia demográfica de V.2. Deve ser lida em conjunto com a Secção VI, que já situou essa arquitectura face às linhas de longa duração da política externa americana no pós-guerra imediato e na Guerra Fria. Não sugere, tal como a comparação anterior, qualquer linha de influência directa entre o panfleto autopublicado de Gomberg em 1942 e a política externa dos Estados Unidos oito décadas depois. Trata-se de um exercício de história comparada: identificar continuidades formais, mas também contrastes e inversões, entre certas lógicas geopolíticas expressas no manifesto de 1942 e a National Security Strategy of the United States of America, publicada pela Casa Branca em Novembro de 2025 — usada aqui directamente como fonte primária, e não através de leituras interpretativas de terceiros. Onde se cita comentário jornalístico ou analítico sobre esse documento, o texto assinala explicitamente que se trata de uma leitura entre outras possíveis, não de facto assente.

Por "continuidade formal" entende-se, neste texto, a repetição de uma gramática estratégica — por exemplo, primazia hemisférica, hierarquização de alianças ou leitura externa de regiões como espaços de segurança e recursos — e não a repetição de políticas concretas, programas institucionais ou intenções declaradas. Esta distinção é essencial para evitar que a comparação seja lida como acusação de influência directa ou como equivalência moral entre documentos de natureza muito diferente.

É relevante notar, antes de mais, que a própria NSS 2025 rejeita explicitamente, como princípio, a ambição de "domínio global" que orientações estratégicas anteriores teriam perseguido — um ponto de contraste geral com a arquitectura universalista e totalizante do manifesto de Gomberg, que hierarquizava regiões e potências, mas procurava reorganizar o planeta inteiro numa única arquitectura federativa. A estratégia de 2025 declara-se, pelo contrário, uma escolha deliberada de prioridades, não uma proposta de ordem mundial.

A. Continuidade: primazia hemisférica e a Doutrina Monroe

Os pontos 7 a 10 do manifesto de Gomberg fazem do Hemisfério Ocidental o primeiro espaço de reorganização estratégica, com a renúncia das potências extra-hemisféricas às suas possessões na região e a assunção, pelos E.U.A., de direitos de controlo ou protectorado. A NSS 2025 formula, no seu próprio vocabulário, uma lógica estruturalmente próxima: declara explicitamente a intenção de reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe através daquilo que designa por "Trump Corollary", com o objectivo assumido de impedir que potências extra-hemisféricas posicionem forças ou controlem activos estrategicamente vitais no Hemisfério Ocidental, e de assegurar a preeminência norte-americana na região como condição de segurança nacional.

Como a Secção VI já documentou, esta primazia é um traço de longa duração que antecede Gomberg em mais de um século; a novidade da NSS 2025 está apenas na arquitectura institucional concreta. Gomberg propunha a criação de um "Estados Unidos da América do Sul" federado; a NSS 2025 não propõe qualquer união federativa, mas antes uma rede de parcerias bilaterais condicionadas — "enlist and expand" —, geridas por incentivos comerciais e cooperação de segurança, sem arquitectura supranacional.

B. Contraste parcial: aquisição de territórios específicos

Os pontos 7, 9 e 11 do manifesto propõem a renúncia das potências estrangeiras ao controlo das suas possessões no Hemisfério Ocidental, a eventual incorporação de vizinhos das Caraíbas e da América Central como "estados iguais dos E.U.A." e a reorganização das Guianas libertadas como um único estado da União. Declarações públicas de Janeiro-Março de 2025 sobre a Gronelândia, o Canal do Panamá e o Canadá — incluindo a admissão, pelo Presidente Trump, da possibilidade de recorrer à força militar ou económica para adquirir ou controlar esses territórios — pertencem a um registo político-retórico distinto do texto estratégico formal e devem ser tratadas como material contextual, não como conteúdo programático da NSS 2025.

A diferença, contudo, é decisiva, e deve ser sublinhada com mais força do que habitualmente se faz: estas declarações não constam do texto da NSS 2025 na secção dedicada ao Hemisfério Ocidental, nem existe aí qualquer proposta sistemática de incorporação formal desses territórios como estados da União ou protectorados legalmente definidos, ao contrário da arquitectura explícita do manifesto de 1942. O paralelo reside no vocabulário e nas declarações políticas avulsas, não numa proposta programática equivalente; por isso se classifica como contraste parcial, e não como continuidade plena.

C. Contraste: África, de bloco federado a espaço de investimento em recursos críticos

O ponto 20 do manifesto propõe a reorganização de todo o continente africano numa "União das Repúblicas Africanas", desmilitarizada e federada — uma visão formalmente federativa, ainda que concebida de fora e subordinada à arquitectura global imaginada por Gomberg. A NSS 2025 trata a matéria de forma explicitamente distinta: declara que a política norte-americana em África deve abandonar o paradigma da ajuda externa e da difusão de "ideologia liberal" em favor de um paradigma de investimento e crescimento, centrado no desenvolvimento de recursos minerais críticos e parcerias com estados considerados capazes e fiáveis, e refere expressamente a energia e os minerais críticos como as áreas prioritárias de investimento.

A continuidade não está, portanto, na forma institucional: Gomberg imaginava uma federação continental desmilitarizada e integrada numa ordem mundial única; a NSS 2025 descreve África como espaço de parcerias transaccionais e de acesso a recursos, sem qualquer proposta de reorganização política do continente. O ponto comum é mais limitado — em ambos os casos, o continente é descrito a partir de prioridades estratégicas formuladas fora dele —, mas a diferença de fundo, entre uma visão federativa (ainda que tutelar) e uma lógica puramente transaccional de acesso a recursos, é a que deve ser retida como conclusão principal desta subsecção.

D. Contraste (relação inversa): Ásia-Pacífico, de incorporação federativa a rivalidade estratégica

Os pontos 22 e 23 do manifesto imaginam a Índia e a China, juntamente com territórios adjacentes, integradas em grandes repúblicas federadas e desmilitarizadas sob supervisão da nova ordem internacional liderada pelos E.U.A. A NSS 2025 descreve uma dinâmica praticamente inversa: a China é tratada explicitamente como potência quase-par ("near-peer"), cuja ascensão económica é apresentada como resultado de décadas de políticas americanas mal orientadas; o Indo-Pacífico é descrito como teatro de competição económica e tecnológica, com ênfase na dissuasão militar em torno de Taiwan, na liberdade de navegação no mar do Sul da China e no reforço de alianças regionais — precisamente a lógica de contenção e equilíbrio de poder, e não de incorporação federativa.

Esta inversão replica, na sua estrutura, a que já a Guerra Fria impusera à premissa original de Gomberg, como documentado na Secção VI: a Ásia-Pacífico deixou de ser espaço de incorporação federativa desmilitarizada para se tornar teatro de rivalidade sistémica e de contenção — uma linha de continuidade entre a lógica da Guerra Fria e a NSS de 2025 que atravessa oito décadas sem qualquer necessidade de recurso ao panfleto de Gomberg para se explicar.

Esta subsecção deve ser classificada, sem ambiguidade, como contraste e não como paralelo: onde Gomberg imaginava uma arquitectura federativa desenhada de cima para baixo, a estratégia de 2025 descreve rivalidade sistémica entre potências. Mantê-la sob o rótulo de "paralelo", como sucedia numa versão anterior deste texto, distorceria aquilo que a comparação efectivamente revela.

E. Continuidade transformada: alianças e repartição de encargos

O ponto 13 do manifesto atribui à Comunidade Britânica de Nações o estatuto de "segunda potência militar e naval de importância", associada aos E.U.A. num pacto vinculativo e duradouro. A NSS 2025 mantém o princípio de alianças assimétricas, mas altera-lhe o sentido de forma explícita: dedica um princípio autónomo — "Burden-Sharing and Burden-Shifting" — à ideia de que os E.U.A. deixaram de estar dispostos a sustentar sozinhos a ordem mundial, invoca o compromisso da Haia de elevar a despesa de defesa da NATO para 5% do PIB, e chega a colocar em aberto, no capítulo sobre a Europa, se aliados cuja composição demográfica se torne "maioritariamente não-europeia" nas próximas décadas continuarão a ver a aliança com os E.U.A. da mesma forma que os signatários originais da NATO.

A hierarquia em si já foi documentada, com maior estabilidade institucional, ao longo de toda a Guerra Fria (Secção VI). A diferença decisiva está noutro plano: Gomberg pressupunha uma aliança duradoura, quase permanente, entre grandes potências vencedoras; a NSS 2025 acentua condicionalidade, custos, negociação bilateral e — de forma nova em relação ao vocabulário de 1942 — dúvida explícita sobre a durabilidade cultural e identitária da própria aliança.

Nota final

Os pontos aqui identificados são estruturais, não genealógicos, e nem todos apontam no mesmo sentido: A e E revelam continuidade real, ainda que transformada; B é um contraste parcial, apoiado mais em declarações públicas avulsas do que no texto estratégico formal; C e D são, na prática, contrastes ou mesmo inversões da lógica de 1942. Não há prova de que o panfleto de Gomberg tenha influenciado, directa ou indirectamente, a formulação de qualquer estratégia oficial norte-americana. O que subsiste, quando subsiste, é um padrão mais geral e menos específico do que uma simetria de subsecções indiferenciadas sugeriria: a centralidade recorrente do Hemisfério Ocidental na definição da segurança nacional norte-americana, e a organização de alianças em termos hierárquicos — ambos, de resto, traços de longa duração da cultura estratégica dos Estados Unidos que a Secção VI documentou de forma mais alargada para o período que vai do pós-guerra imediato ao fim da Guerra Fria.

A comparação alargada não altera a tese central: o mapa de Gomberg permanece um artefacto privado e marginal, sem influência real sobre a política oficial dos Estados Unidos, no pós-guerra imediato ou depois. O que a comparação com as Secções VI e VII revela com maior nitidez é que certas gramáticas da política externa norte-americana — primazia hemisférica, hierarquia de alianças, preferência por uma ordem sob liderança americana — têm longa duração. Ao mesmo tempo, a arquitectura concreta proposta por Gomberg — blocos federados permanentemente desmilitarizados, tutela de governadores nomeados, cooperação estável e virtualmente permanente entre as quatro grandes potências vencedoras — foi rejeitada pela prática oficial do pós-guerra imediato e invertida pela lógica da contenção e da Guerra Fria, como documentado na Secção VI. A National Security Strategy de 2025 recupera e transforma alguns elementos dessa gramática de longa duração — sobretudo a primazia hemisférica —, mas fá-lo num quadro de prioridades selectivas e de rejeição explícita do universalismo totalizante que caracterizava tanto o discurso oficial de Roosevelt como, de forma muito mais coerciva e sistemática, o panfleto de Gomberg.

​VIII. Referências bibliográficas
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  • GOMBERG, Maurice — Outline of Post-War New World Map. Filadélfia, 1942. Library of Congress, Geography and Map Division. Disponível em: https://www.loc.gov/item/gm70005331/ — fonte primária principal: fac-símile digitalizado do mapa e do texto que o acompanha.
  • GOMBERG, Maurice — Outline of the Post-War New World Map. Transcrição integral. Wikisource. Disponível em: https://en.wikisource.org/wiki/Outline_of_the_Post-War_New_World_Map — usada apenas como transcrição auxiliar, subordinada ao fac-símile da Library of Congress.
  • GELLA, Aleksander — «Mapa Gomberga». In Sprawy Polskie w Perspektywie Światowej. Londres: Veritas Foundation Publications, 1985, p. 208. — único estudo dedicado especificamente à figura de Gomberg, citado na Secção III; baseado em testemunho oral recolhido décadas após os factos, não arbitrado no sentido estrito — usado com a devida cautela metodológica, explicitada no corpo do texto.
  • WERTHEIM, Stephen — Tomorrow, the World: The Birth of U.S. Global Supremacy. Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press, 2020. — literatura de contexto sobre os círculos oficiais e semi-oficiais de planeamento do pós-guerra (Council on Foreign Relations, Departamento de Estado, 1940-1943), citada nas Secções III e VI; usada em VI para qualificar a leitura institucional de Ikenberry, não apenas para distanciar Gomberg dos círculos oficiais.
  • BARNEY, Timothy — Mapping the Cold War: Cartography and the Framing of America's International Power. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2015. — literatura de contexto sobre cartografia política americana, citada na Secção III; não foi possível confirmar que trate do mapa de Gomberg especificamente.
  • MONMONIER, Mark — No Dig, No Fly, No Go: How Maps Restrict and Control. Chicago: University of Chicago Press, 2010. — literatura de contexto sobre cartografia de exclusão, incluindo os mapas de exclusão usados no internamento nipo-americano de 1942 referido na Secção II; não foi possível confirmar que trate do mapa de Gomberg especificamente.
  • thegombergmap.net — sítio de investigação independente e não arbitrada sobre Maurice Gomberg, incluindo pesquisa genealógica (registo de embarque em Liverpool). Disponível em: https://thegombergmap.net/ — citado apenas como investigação independente, nunca como fonte académica.
  • ROOSEVELT, Franklin D. — «Annual Message to Congress, January 6, 1941» / «The Four Freedoms». National Archives. Disponível em: https://www.archives.gov/milestone-documents/president-franklin-roosevelts-annual-message-to-congress — URL verificado.
  • ROOSEVELT, Franklin D. — «January 6, 1941: State of the Union Address (“Four Freedoms”)». Miller Center, University of Virginia. Disponível em: https://millercenter.org/the-presidency/presidential-speeches/january-6-1941-state-union-four-freedoms — URL verificado.
  • FRANKLIN D. ROOSEVELT PRESIDENTIAL LIBRARY AND MUSEUM — «FDR and the Four Freedoms Speech». Disponível em: https://www.fdrlibrary.org/four-freedoms — domínio e instituição verificados; não foi possível confirmar de forma independente o caminho exacto desta página.
  • KENNAN, George F. (“X”) — «The Sources of Soviet Conduct». Foreign Affairs, vol. 25, n.º 4, Julho de 1947, pp. 566-582. — verificado; formulação doutrinária clássica da estratégia de contenção, citada na Secção VI.
  • GADDIS, John Lewis — Strategies of Containment: A Critical Appraisal of American National Security Policy during the Cold War. Nova Iorque: Oxford University Press, edição revista e alargada, 2005. — verificado; síntese de referência sobre a evolução da doutrina da contenção, citada na Secção VI.
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  • DOYLE, Katherine; HILLYARD, Vaughn — «Trump suggests he could use military force to acquire Panama Canal and Greenland and 'economic force' to annex Canada». NBC News, 7 de Janeiro de 2025. — autoria verificada directamente no artigo original; declarações públicas citadas na Secção VII.B, distintas do texto da NSS 2025.
  • OTT, Haley; PICCHI, Aimee; AKSOY, Ibrahim — «Why does Trump want Greenland and the Panama Canal? Here's what's behind U.S. interest». CBS News, actualizado em 28 de Março de 2025. — autoria verificada directamente no artigo original; fonte complementar para a mesma matéria contextual referida na Secção VII.B.
  • WEISSERT, Will; MILLER, Zeke — «Trump refuses to rule out use of military force to take control of Greenland and the Panama Canal». Associated Press, 7 de Janeiro de 2025. — autoria verificada em múltiplas republicações do despacho; segunda fonte noticiosa independente para a formulação sobre força militar.
  • ELLYATT, Holly — «NATO allies agree to higher 5% defense spending target». CNBC, 25 de Junho de 2025. — autoria verificada directamente no artigo original.
  • NATO — «The Hague Summit Declaration». 25 de Junho de 2025; NATO — «Defence investment and NATO's 5% commitment». — contexto factual do compromisso da Haia referido na Secção VII.E; a declaração oficial da NATO é a fonte primária.
22 de Agosto de 2026
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