1945 - Rolão Preto - A Traição Burguesa
PARA OS
MEUS FILHOS
MEUS FILHOS
INTRODUÇÃO
DUAS PALAVRAS
DE INTRODUÇÃO
DE INTRODUÇÃO
Engana-se todo aquele que julgar ver neste trabalho uma intenção negativa, um desejo de juntar à grande fogueira uma acha a mais, um propósito de aumentar a violência destruidora dos tempos.
Não! Denunciando ao povo os malefícios do espírito «burguês», a sua ganância, o seu egoísmo, a sua vaidade — todas as razões da sua traição, anima-nos tão somente o salutar interesse de lhe mostrar os perigos que o espreitam na medida em que tornando-se massa atuante na economia, na política e no campo das forças do espírito, se propõe desalojar a Burguesia das suas posições, arriscando-se ao mesmo tempo a deixar-se penetrar pelo «clima» que nessas posições habitualmente reina.
Outro equívoco que poderia nascer da crítica desprevenida ou mal-intencionada dos sucintos capítulos que aqui se alinham, teria porventura a sua origem numa má interpretação do processo histórico que o autor teve de evidenciar para que mais facilmente se entendessem as virtudes e os vícios da ação burguesa.
Talvez, que este método, por vezes um pouco linear e cru, possa provocar reparos de caricatural ou intencionalmente desapiedado.
Na verdade, porém, a natureza deste livro, que não se pretende nem se podia desejar fosse uma dissertação de filosofia da História, não consente que se alonguem delineamentos e esbatam conclusões à procura de fórmulas que limem as arestas vivas dos factos e das suas consequências mais evidentes. Há, pois, que atribuir-se-lhe a deselegância de certa sistematização necessária a um critério de síntese que as imposições desta hora de luta inquietadoramente avara de tempo, reclamam.
Estamos numa encruzilhada difícil, onde os destinos se vão decidir para toda uma época da História. Mais do que nunca as palavras surgem armadas e em combate, prontas para servir. No rápido e decisivo lance para que todos se aprestam é justo que se recuse qualquer caminho que não seja o que mais rapidamente conduza aos imperativos da ação.
Este livro visa um mal, um dos grandes inimigos do homem e do mundo, o «mal burguês».
O mal burguês tem corrompido as ideias, os sistemas, os espíritos, hoje como ontem, onde quer que os homens se agrupem e não consigam manter as virtudes naturais de um forte carácter e de um coração puro, verdadeiros pontos de apoio da sua nobreza de homens.
Denunciando esse mal, que corrói através dos tempos sociedades e instituições e que por circunstâncias especiais corrompe de uma maneira particular as sociedades liberais e contemporâneas — denunciando esse mal— não se visa de nenhuma forma combater a Burguesia quando ela se traduz nas características e vantagens das classes médias, base útil da atual civilização.
O «mal burguês» é exatamente a doença das classes médias, a traição que as faz renegar a sua missão de salvaguarda das liberdades públicas e do bem comum. Essa doença bem manifesta no apodrecimento dos povos em decadência, está, porém, sempre grassando por toda a parte, amolecendo e desnaturando uns, tornando duros e soberbos outros, arrastando dia a dia os valores das sociedades humanas por caminhos onde elas se perdem ou desvirtuam para sempre.
Nesta hora sombria que soou para o mundo mercê de tantos erros e loucas intenções dos seres humanos, a traição burguesa não pode esconder-se aos olhos de quantos serenamente perscrutam as responsabilidades que conduziram à catástrofe. Democratas, nacionalistas, comunistas todos foram tocados do espírito deletério e todos, pela mão dos responsáveis, atraiçoaram... Atraiçoaram uns a liberdade, outros o interesse nacional, outros ainda o verdadeiro sentido de comunidade — todos atraiçoaram o Homem, o homem na sua inquietação de justiça e no seu anseio de perfeição ideal, o homem que eternamente sofre e eternamente espera.
Todos, no entanto, — comunistas, nacionalistas, democratas, — foram conduzidos, orientados, inspirados pelos burgueses. A todos, pois, poderá interessar este trabalho, em que se mostra as diferentes maneiras de que se reveste a traição burguesa, fixando-a ao longo dos tempos e dos acontecimentos naqueles pontos de referência essenciais que a denunciam como uma constante inimiga do Homem e da sua grandeza.
Não! Denunciando ao povo os malefícios do espírito «burguês», a sua ganância, o seu egoísmo, a sua vaidade — todas as razões da sua traição, anima-nos tão somente o salutar interesse de lhe mostrar os perigos que o espreitam na medida em que tornando-se massa atuante na economia, na política e no campo das forças do espírito, se propõe desalojar a Burguesia das suas posições, arriscando-se ao mesmo tempo a deixar-se penetrar pelo «clima» que nessas posições habitualmente reina.
Outro equívoco que poderia nascer da crítica desprevenida ou mal-intencionada dos sucintos capítulos que aqui se alinham, teria porventura a sua origem numa má interpretação do processo histórico que o autor teve de evidenciar para que mais facilmente se entendessem as virtudes e os vícios da ação burguesa.
Talvez, que este método, por vezes um pouco linear e cru, possa provocar reparos de caricatural ou intencionalmente desapiedado.
Na verdade, porém, a natureza deste livro, que não se pretende nem se podia desejar fosse uma dissertação de filosofia da História, não consente que se alonguem delineamentos e esbatam conclusões à procura de fórmulas que limem as arestas vivas dos factos e das suas consequências mais evidentes. Há, pois, que atribuir-se-lhe a deselegância de certa sistematização necessária a um critério de síntese que as imposições desta hora de luta inquietadoramente avara de tempo, reclamam.
Estamos numa encruzilhada difícil, onde os destinos se vão decidir para toda uma época da História. Mais do que nunca as palavras surgem armadas e em combate, prontas para servir. No rápido e decisivo lance para que todos se aprestam é justo que se recuse qualquer caminho que não seja o que mais rapidamente conduza aos imperativos da ação.
Este livro visa um mal, um dos grandes inimigos do homem e do mundo, o «mal burguês».
O mal burguês tem corrompido as ideias, os sistemas, os espíritos, hoje como ontem, onde quer que os homens se agrupem e não consigam manter as virtudes naturais de um forte carácter e de um coração puro, verdadeiros pontos de apoio da sua nobreza de homens.
Denunciando esse mal, que corrói através dos tempos sociedades e instituições e que por circunstâncias especiais corrompe de uma maneira particular as sociedades liberais e contemporâneas — denunciando esse mal— não se visa de nenhuma forma combater a Burguesia quando ela se traduz nas características e vantagens das classes médias, base útil da atual civilização.
O «mal burguês» é exatamente a doença das classes médias, a traição que as faz renegar a sua missão de salvaguarda das liberdades públicas e do bem comum. Essa doença bem manifesta no apodrecimento dos povos em decadência, está, porém, sempre grassando por toda a parte, amolecendo e desnaturando uns, tornando duros e soberbos outros, arrastando dia a dia os valores das sociedades humanas por caminhos onde elas se perdem ou desvirtuam para sempre.
Nesta hora sombria que soou para o mundo mercê de tantos erros e loucas intenções dos seres humanos, a traição burguesa não pode esconder-se aos olhos de quantos serenamente perscrutam as responsabilidades que conduziram à catástrofe. Democratas, nacionalistas, comunistas todos foram tocados do espírito deletério e todos, pela mão dos responsáveis, atraiçoaram... Atraiçoaram uns a liberdade, outros o interesse nacional, outros ainda o verdadeiro sentido de comunidade — todos atraiçoaram o Homem, o homem na sua inquietação de justiça e no seu anseio de perfeição ideal, o homem que eternamente sofre e eternamente espera.
Todos, no entanto, — comunistas, nacionalistas, democratas, — foram conduzidos, orientados, inspirados pelos burgueses. A todos, pois, poderá interessar este trabalho, em que se mostra as diferentes maneiras de que se reveste a traição burguesa, fixando-a ao longo dos tempos e dos acontecimentos naqueles pontos de referência essenciais que a denunciam como uma constante inimiga do Homem e da sua grandeza.
*
Sobre a grande noite do mundo sopra o vento renovador que anuncia a madrugada de uma nova era. Está em marcha a mais profunda e mais vasta revolução de todos os tempos... Quem duvidará, porém, que as cidades destruídas, os campos devastados, os milhões de mortos, a agonia e o sangue dos povos — tudo será inútil, se essa revolução que visa as instituições e as sociedades não começar por se realizar dentro do Homem vencendo nele o seu pior inimigo?
É tão grande hoje o poder do Homem que por impulso do seu génio ele faz estremecer a terra até aos próprios fundamentos. Terá ele um dia a temerosa força necessária para dominar seu duro instinto.
As lições do passado e do presente estão aí bem trágicas e bem claras, mostrando o interior que o homem tem de percorrer para encontrar as vias da liberdade e da justiça além do egoísmo, da duplicidade, da soberba — da tirania dos instintos — além de todos os carcomidos fundamentos em que assenta a Traição Burguesa.
R. P.
É tão grande hoje o poder do Homem que por impulso do seu génio ele faz estremecer a terra até aos próprios fundamentos. Terá ele um dia a temerosa força necessária para dominar seu duro instinto.
As lições do passado e do presente estão aí bem trágicas e bem claras, mostrando o interior que o homem tem de percorrer para encontrar as vias da liberdade e da justiça além do egoísmo, da duplicidade, da soberba — da tirania dos instintos — além de todos os carcomidos fundamentos em que assenta a Traição Burguesa.
R. P.
Cap. I - A Traição burguesa nos caminhos da história
- A IDADE MÉDIA
- A IDADE MODERNA
- A REVOLUÇÃO FRANCESA
Cap. II - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- A TERRA
Cap. III - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- A AVENTURA
Cap. IV - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- O ESPÍRITO
- A TRAGÉDIA DA "UNIDADE"
Cap. V - A traição burguesa e as suas alianças
Cap. VI - A traição dos mitos
Cap. VII - Talassocracia
Cap. VIII - No alto da colina da decepção
Cap. IX - Caminhos de Esperança
- A IDADE MÉDIA
- A IDADE MODERNA
- A REVOLUÇÃO FRANCESA
Cap. II - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- A TERRA
Cap. III - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- A AVENTURA
Cap. IV - A Traição burguesa e as linhas de força nacionais
- O ESPÍRITO
- A TRAGÉDIA DA "UNIDADE"
Cap. V - A traição burguesa e as suas alianças
Cap. VI - A traição dos mitos
Cap. VII - Talassocracia
Cap. VIII - No alto da colina da decepção
Cap. IX - Caminhos de Esperança
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