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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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Richard Barry O'Brian  - Profumo Affair (1963) e Ballet Rose (1967)
Nas décadas de 60 e 70, um jornalista britânico de escândalos, Richard Barry O'Brian, publicou peças jornalísticas que influenciaram o xadrez político britânico e português.

Este jornalista ficou célebre por obter a entrevista exclusiva com o osteopata Stephen Ward durante o Caso Profumo (Profumo Affair, 1963), um escândalo sexual e de espionagem que abalou os alicerces do governo britânico e levou à queda do gabinete do conservador Harold Macmillan. Também cobriu outros casos de alto perfil político, como o de Jeremy Thorpe (Thorpe affair).
​

Barry O'Brien teve um papel de destaque na cobertura da política portuguesa durante o Estado Novo e no período de transição para a 3ª República. Em 1967, aparentando paralelos com o caso Profumo, deu publicidade no Reino Unido a um escândalo sexual que envolveria membros do governo português - o caso dos Ballet Rose. Mário Soares, mais tarde secretário-geral do Partido Socialista fundado na Alemanha, foi então a sua principal fonte de informação em Portugal.

Profumo Affair (1963)
John Dennis Profumo, Secretário de Estado da Guerra britânico, iniciou uma relação extraconjugal em 1961 com uma jovem modelo, 19 anos, Christine Keeler. Na Primavera de 1963, o drama que levou ao descrédito de John Profumo, secretário de Estado da Guerra começou a desenvolver-se quando o "Affair" chegou aos jornais pela mão de Barry O' Brian. Os serviços secretos britânicos descobriram que a jovem Keeler também se envolvia com Yevgeny Ivanov, um adido naval soviético e espião. Os segredos de Estado podiam ser comprometidos. No Parlamento, Profumo negou qualquer "envolvimento impróprio" com a jovem Keeler. Meses depois, em Junho, admitiu ter mentido à Câmara dos Comuns e demitiu-se. O médico que tinha apresentado Keller a Profumo, Stephen Ward, foi levado a tribunal por viver de rendimentos imorais. Suicidou-se antes da sentença. Uma jovem - Vicky Barret, 20 anos - confessou que tinha mentido a respeito de Stephen Ward. O escândalo desgastou a imagem do primeiro-ministro Harold Macmillan, que se demitiu em Outubro (citando razões de saúde), contribuindo para a derrota dos conservadores nas eleições de 1964. O trabalhista Harold Wilson tornou-se então primeiro-ministro do Reino Unido. Sê-lo-á em dois períodos: de 1964 a 1970 e de 1974 a 1976. 

Em Janeiro de 1963, Charles de Gaulle, presidente francês, tinha vetado a entrada do Reino Unido na Comunidade Económica Europeia (CEE). Em 1967, Harold Wilson irá colocar uma vez mais a candidatura britânica à CEE. De Gaulle voltou a vetar; via no Reino Unido um "cavalo de Troia" dos interesses dos EUA, temendo a perda de independência europeia e a fragilização da Política Agrícola Comum (PAC). A visão de De Gaulle era a de uma Europa independente e forte, construída sobre a soberania nacional. De Gaulle afastou-se da política após o Maio de 68. Em 1974, com Harold Wilson de volta ao poder e, após 12 meses de negociações, foi levado a cabo o referendo de 1975. 
Fotografia
"In a startling new development last night, Miss Vicky Barret, 20, broke down and confessed to me that she had lied to the Old Baily jury..." (R. Barry 0'Brian, "Miss Barrett Says She Lied, SUNDAY TELEGRAPH, nº 131, August 4, 1963, p. 1

Ballet Rose (1967)

O caso Ballet Rose envolveu corrupção e prostituição de menores em Portugal, divulgado no Reino Unido por Richard Barry O'Brien no Sunday Telegraph de 10 de Dezembro de 1967. Uma das suas fontes de informação foi Mário Soares, preso no dia seguinte à publicação do artigo e mais tarde deportado para a ilha de São Tomé, sob a acusação de "espalhar notícias falsas".

Segundo a reportagem de Barry O'Brian, o caso envolveria uma rede que fornecia raparigas menores de idade a figuras da alta sociedade portuguesa, na qual se incluiriam ministros, altas patentes militares, empresários, aristocratas e membros da Igreja. A rede operaria em festas privadas, e o nome "Ballet Rose" terá surgido porque as crianças dançariam à luz de holofotes cor-de-rosa.

Em 1964, a revista Jeune Afrique mudara-se de Tunis para Paris, consolidando o seu posicionamento pan-africanista e de apoio às "descolonizações". Em 1967, foi essa revista francesa a levantar uma "ponta do véu" sobre o Ballet Rose, levando o jornalista britânico Barry O'Brian a viajar até Lisboa para entrevistar Mário Soares. No livro Portugal Amordaçado (1974, pp. 541 ss), Soares confirma o encontro com o jornalista britânico e que lhe terá dado o contacto do advogado Joaquim Pires de Lima, filho do então director geral da administração política e civil do Ministério do Interior. Soares tinha acedido a autos de um dos processos num juízo da Boa Hora, mas quem conheceria bem os autos era o seu amigo e colega Pires de Lima, advogado num dos processos. No livro, Soares dá como implicados três ministros de Salazar, precisando logo adiante: "Os meios políticos e diplomáticos de Lisboa tinham já então rumores sobre o assunto, que era motivo de curiosidade e de múltiplos comentários e interpretado como um episódio significativo da luta pelo poder entre os eventuais sucessores (ou delfins) de Salazar. Nisso consistia a sua importância política."

Em 10 de Dezembro de 1967, o jornalista britânico apresentou o caso Ballet Rose como um símbolo da corrupção e da decadência moral escondida sob a fachada de "bons costumes" do regime de Salazar. No dia 17, em News of the World, George Edwards seguia na mesma toada, dando pormenor e cor aos cenários, mas referindo que estaria apenas envolvido um ministro, que não nomeia (ver recorte). No Portugal Socialista do dia 1 de Janeiro de 1968, porém, pode ler-se sob o título "Ballet Rose": "Por Ballet Rose ficou conhecido e foi divulgado o último “escândalo sexual”, ocorrido em Lisboa, na primavera passada, com a participação de alguns “profissionais do vício”, de mistura com destacados membros da nobreza (marquês da Graciosa, condes de Caria e da Covilhã), homens da alta finança (Espírito Santo, Miguel Quina e Teodoro dos Santos) e o portentoso e “atiradiço” Ministro da Economia (Dr. Correia de Oliveira) já apelidado de “Profumosinho português”...

Em Setembro de 1967, Antunes Varela (Ministro da Justiça) teria já sido demitido por causa do escândalo: este teria pretendido que a investigação policial fosse tão longe quanto possível. O principal visado, na versão do Portugal Socialista, era o Ministro Correia de Oliveira, o "Profumosinho português", o destacado negociador da adesão de Portugal à EFTA e o defensor do estabelecimento de uma Comunidade Lusíada, económica e política. 

Em Agosto de 1968, João Dias Rosas é nomeado para a pasta das Finanças e, em Setembro de 1968, Marcelo Caetano sucede a Salazar na Presidência do Conselho de Ministros. Em 27 de Março de 1969, Correia de Oliveira saiu por fim do Governo, juntando-se a pasta da Economia à das Finanças nas mãos de Dias Rosas, um europeísta que irá dar por encerrado o projecto de uma união económica e monetária no Espaço Económico Português. 

A investigação policial dos casos de prostituição infantil foram desdobrados, entre 1966 e 1971, em três processos judiciais. Na imprensa estrangeira os nomes sucederam-se, com pormenores, locais, moradas. Foram nomeados Quintanilha Mendonça Dias, antigo governador do Estado Português da Índia, então ministro da Marinha; Santos Júnior, ministro do Interior; Víctor Emanuel (filho do rei Humberto II, de Itália); D. Henrique de Verda-Bairos, amigo do príncipe; o conde de Monte Real, empresário agrícola, desportista, presidente do Banco Nacional Ultramarino; o conde de Caria, presidente da Associação Comercial de Lisboa e administrador do Banco Pinto & Sotto Mayor; o conde da Covilhã, administrador do Banco Borges & Irmão; Rogério Silva, administrador do Banco Espírito Santo; Teodoro dos Santos, proprietário dos hotéis Embaixador e Estoril Sol e concessionário do Casino do Estoril; Manuel Anselmo, diplomata, observador de Portugal na UNESCO, em Paris; John Kort Right Pringle, director da Companhia Mineira do Lobito; Manuel da Silva Carvalho, corretor da Bolsa e administrador da Companhia Industrial de Portugal e das Colónias; Alípio Antero e João Antero, gerentes da imobiliária Confidente. Da investigação da Polícia Judiciária não resultaram acusações contra os referidos ministros, aristocratas ou "portentosas" figuras do regime. Em tribunal surgiram acusações de atentado ao pudor contra várias mulheres e homens, sendo condenadas três pessoas: uma modista da Avenida de Roma (Lisboa), um administrador bancário (do Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa) e o proprietário hoteleiro. 

Em Dezembro de 1975, Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite publicou um volume recolhendo algumas peças de três processos judiciais instruídos pela Polícia Judiciária, entre 1966 e 1969, julgados pelo Tribunal de Execução de Penas, e concluído em 1971, com o título O Processo das Virgens. Aventuras, Venturas e Desventuras Sexuais em Lisboa nos últimos anos do Fascismo". A selecção, coordenação e nota prévia dos documentos é atribuída a Marta Castro Alves (pseudónimo de Amadeu Lopes Sabino), complementados por comentários assinados por José Augusto Seabra, José Carlos Ferreira de Almeida, José Martins Garcia e Maria Alzira Seixo. A publicação das referidas peças processuais é apresentada como um contributo para a "elaboração de um mapa dos costumes da burguesia portuguesa". Os quatro comentários finais são documentos a considerar ao estudar-se a cultura e as mentalidades na transição da 2ª para a 3ª República, então a sair do conturbado PREC (Processo Revolucionário em Curso).
​
Em 1998, a televisão portuguesa ( RTP) produziu uma série de ficção histórica intitulada Vidas Proibidas - Ballet Rose. Um dos autores da série, Moita Flores, disse em entrevista ao Sol que se teria tratado de "um caso que começa no início dos anos 60, mais precisamente em 1959, é julgado em 67, e coincide com a guerra colonial e é o corolário com arranque da guerra." (Nuno Ramos de Almeida, 2017). Merece realce que Moita Flores tenha ilibado o ministro Varela, mas não o ministro Correia de Oliveira, que também de nada foi acusado. Ao referir-se ao caso e a Salazar, Moita Flores diz que "no escândalo estava envolvido o seu homem de confiança, que supostamente era o seu sucessor indigitado, o ministro de Estado Correia de Oliveira. Era um homem interessantíssimo, com uma cultura notável, um extraordinário melómano, que até escrevia artigos na revista “Flama”. Ele tinha uma mulher com uma doença incurável e era atraído para estas festas por razões de libertar o espírito, digamos assim. Havia outros homens que frequentavam este circuito, ligados à União Nacional, gente ligada à administração da Companhia Nacional de Navegação e até o dono do Casino do Estoril, que era um ex libris do país."

Tal como o livro de Amadeu Lopes Sabino, a série televisiva de Moita Flores teve os sórdidos ingredientes das histórias do género, esquecendo porém este último de referir na citada entrevista uma crucial 
fonte de informação primária: o artigo de Richard Barry O'Brien. O jornalista que entrevistou Flores, Nuno Ramos de Almeida, acrescentou entre parêntesis: "em algumas biografias de Mário Soares também é referido a ajuda do líder socialista a um jornalista do britânico Sunday Telegraph". Tinha sido esse afinal o ponto de partida da prisão e deportação de Mário Soares para São Tomé e da maior projecção de um escândalo a que se procurou dar projecção política.

Ao ser afastado o Ministro José Correia de Oliveira, Dias Rosas e Marcelo Caetano ascenderam na hierarquia do Estado Novo colocando em marcha o projecto da fragmentação portuguesa e integração europeia.
Fotografia
Excerto do livro de Mário Soares, "Portugal Amordaçado" (1974)
Fotografia
George Edwards, "The Lisbon Story", News of the World, 17.12.1967, p. 7

Escândalos sexuais e mudanças políticas
Do ponto de vista historiográfico estes casos apresentam interessantes coincidências: dois escândalos sexuais cujas consequências alteraram a política interna e externa de dois Estados. O primeiro caso - Profumo affair -, leva o trabalhista Harold Wilson ao poder no Reino Unido, num período em que o Reino Unido iniciava a sua caminhada na direcção da Comunidade Económica Europeia (CEE). O segundo - o Ballet Rose - , afasta o Ministro Correia de Oliveira (contra o qual nada se apurou) e Portugal de uma política económica que, em alternativa à integração na CEE, visava a criação de uma Comunidade Económica Portuguesa. A conjugação dos dois escândalos acabou por juntar dois protagonistas da triunfante via europeísta dos anos 70: Harold Wilson e Mário Soares. O regresso de Harold Wilson ao poder em 1974 e o subsequente referendo de 1975 no Reino Unido ocorreram em paralelo com a ascensão de Mário Soares após o 25 de Abril de 1974. O jornalista Richard Barry O’Brien foi uma testemunha privilegiada desses dois mundos.

Harold Wilson negociou novas condições com a CEE para apaziguar as divisões internas do Partido Trabalhista, confirmando o referendo de 5 de Junho de 1975 a permanência britânica. O que parecia ser a consolidação do Reino Unido no bloco europeu, vem a ocorrer na mesma altura em que Portugal procurava um lugar na Europa. Harold Wilson e outros líderes socialistas europeus viam em Mário Soares a figura central para evitar que Portugal caísse sob influência comunista após 1974. O sucesso da via do PS de Mário Soares em Portugal era vital para a estabilidade de uma Europa que os trabalhistas britânicos queriam integrar. Como correspondente do The Telegraph, Barry O’Brien foi um dos jornalistas que deu voz internacional a Mário Soares como protagonista da agenda socialista da integração europeia.

Nos anos seguintes, O’Brien relatou as tensões dentro do Estado Novo e a transição posterior a 1974, servindo de ponte informativa entre a realidade portuguesa e a opinião pública britânica. 
Enquanto Harold Wilson assegurava nas urnas o destino europeu do Reino Unido, Soares lutava para garantir que Portugal seguia o mesmo modelo europeísta. Era um processo que O'Brien vinha documentando desde 1967.
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A relação entre Mário Soares e Harold Wilson foi fundamental para a adesão de Portugal à CEE e para a consolidação da sua 3ª República. Harold Wilson, então Primeiro-Ministro do Reino Unido (Partido Trabalhista), foi um dos aliados internacionais mais próximos de Mário Soares durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Em Maio de 1974, Soares viajou pelas capitais europeias para procurar reconhecimento para o novo regime político. Em 2 de Maio, encontrou-se com Harold Wilson em Londres, sendo o Reino Unido um dos primeiros países a declarar o seu apoio oficial ao novo regime. Wilson e os trabalhistas britânicos deram um importante impulso moral e político ao Partido Socialista (PS) português, que era então ainda uma estrutura jovem, recém criado na Alemanha de Willy Brandt. Esses apoios ajudaram a legitimar Soares como o rosto de uma "democracia pluralista" frente às tensões político-militares internas em Portugal. O apoio de Wilson fez na verdade parte de uma estratégia dos líderes social-democratas europeus para integrar Portugal no bloco ocidental e evitar que, durante o PREC, o país caísse sob influência comunista.

E Mário Soares utilizou as suas ligações europeias para transformar o projeto de adesão à CEE num pilar da III República - "Europa Connosco" foi o slogan de Soares nas primeiras eleições em 1975. Entre outros, o Partido do Progresso, defensor das teses de Correia de Oliveira - as da Comunidade Lusíada ou Lusófona - foi proibido e impedido de concorrer a essas eleições.

A proibição do Partido do Progresso, originalmente fundado como Movimento Federalista Português (MFP), foi um momento decisivo no período pós-25 de Abril, marcando o fim da tentativa de uma organização política ligada ao general António de Spínola. O Partido nasceu em 6 de Maio de 1974, mudando o nome para Partido do Progresso em Julho desse ano, após o discurso de Spínola sobre a autodeterminação das províncias ultramarinas. O Partido defendia soluções federalistas para o problema ultramarino e, opondo-se à rápida descolonização defendida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), foi um dos principais dinamizadores da manifestação convocada para 28 de setembro de 1974 em apoio ao general Spínola. O Partido Comunista Português, e forças afins na chamada "esquerda", montaram barricadas nos acessos a Lisboa, impedindo a concentração da chamada "Maioria Silenciosa". 

Na sequência do fracasso da manifestação, as sedes do Partido do Progresso (e também do Partido Liberal) foram alvo de buscas e ocupações por forças militares e militantes das "esquerdas". O Partido do Progresso foi oficialmente ilegalizado logo após os eventos de 28 de Setembro, acusado de ser uma força "reacionária" e de estar envolvido numa tentativa de golpe contra o "espírito da revolução".

Obtida a proibição do Partido do Progresso, acelerou-se a chamada "descolonização" nos termos defendidos pelo MFA. Em 30 de Setembro, Spínola renunciou à Presidência da República, sendo substituído por Costa Gomes. C
onsolidado o domínio do MFA e das forças que apoiavam o chamado "PREC", abriu-se um período de maior instabilidade política e social que só viria a terminar em 25 de Novembro de 1975, logo após a entrega dos territórios portugueses do Ultramar aos chamados "movimentos de libertação" (MPLA, em Angola; FRELIMO, em Moçambique; PAIGC, Guiné-Bissau).

Afastado o projecto 
federalista português, o PS de Mário Soares defendia que a entrada na CEE era a única forma de modernizar a economia e garantir que a democracia não seria uma "flor frágil". Foi Mário Soares, enquanto Primeiro-Ministro do primeiro Governo Constitucional, que, em 28 de Março de 1977, formalizou o pedido de adesão de Portugal à CEE. Por coincidência, o processo que tinha sido iniciado com o apoio de Wilson na década de 70 culminou em 12 de junho de 1985, quando Mário Soares assinou o Tratado de Adesão de Portugal à CEE no Mosteiro dos Jerónimos. 


Refs
1967 - George Edwards, "The Lisbon Story", News of the World, 17.12.1967, p. 7
1968 - Ballet Rose, Portugal Socialista, nº 8, 1 de Janeiro de 1968, p. 8. 
1974 - Mário Soares - Portugal Amordaçado. Lisboa, Editora Arcádia. [ pdf ] 
1998 - RTP Arquivos -  ​Vidas Proibidas – Ballet Rose (série televisiva), com guião de Felícia Cabrita e Francisco Moita Flores. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/vidas-proibidas-ballet-rose-ep-01/
2003 - Felícia Cabrita e Francisco Moita Flores - Ballet Rose - Uma Novela (a)moral. Lisboa, Editorial Notícias, Abril de 2003.
2008 - Vasco Silvério Marques e Aníbal Mesquita Borges - Portugal - do Minho a Timor, Lisboa, Nova Vega.
2010 - Profumo - um escândalo de há meio século – (Memória descritiva) - ​https://aventar.eu/2010/03/19/profumo-um-escandalo-de-ha-meio-seculo-memoria-descritiva/
2014 - Joaquim Silva Pinto - Salazar e a Maçonaria - 3 de Maio de 2014 -  https://o-povo.blogspot.com/2014/05/salazar-e-maconaria.html 
2017 - Ana Sá Lopes - O caso 'Ballet Rose', Jornal I, 22 de Dezembro de 2017. [ excerto ]; ​"'Ballet Rose'. E a moral salazarista deportou Soares para São Tomé", Sol, 23 de Dezembro de 2017.
2017 - Nuno Ramos de Almeida, "Moita Flores. 'Para exibir a série tivemos que esperar a morte de um sacerdote', Sol, 23 de Dezembro de 2017; 10.02.2026:  https://sol.iol.pt/2017/12/23/moita-flores-para-exibir-a-serie-tivemos-que-esperar-a-morte-de-um-sacerdote/
2022 - Luís Pedro Cabral - 'Ballet Rose', o escândalo português que passou pelas entrelinhas do tempo, Jornal Contacto, 15 de Janeiro de 2022 [.pdf]   [ https://www.contacto.lu/portugal/ballet-rose-o-escandalo-que-passou-pelas-entrelinhas-do-tempo/489008.html ]
2022 - Rudolph, Joseph R., Jr. - Profumo Affair Rocks British Government - https://www.ebsco.com/research-starters/law/john-profumo-affair-rocks-british-government
2025 - Pat Prentice - Richard Barry O'Brien. Feb 23 1930, Dec 4 2024 - OBITUARY - The Telegraph reporter who always got it right, 1 de Janeiro de 2025. [https://www.dailydrone.co.uk/ 10 Fev 26 : obit_barry_obrien.pdf ]
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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