DEmocracia Integral
José Pequito Rebelo
José Pequito Rebelo, "Democracia: a palavra oca à procura do seu sentido próprio - Democracia Integral", Templário, Tomar, 15 de Dezembro de 1978.
Critica a utilização vaga e abusiva do termo “democracia”, defendendo que, em Portugal, a democracia vigente não corresponde ao ideal puro e é frequentemente manipulada para interesses de grupos ou fações. Argumenta que uma verdadeira democracia só existe quando todo o povo, sem exclusões, participa no poder, e denuncia a exclusão da vida política de elementos fundamentais em Portugal como a dimensão religiosa e a instituição real.
DEMOCRACIA INTEGRAL
Como foi dito à Liberdade, também à Democracia se poderia dizer: Quantos crimes se não fizeram em teu nome?...
Nesta perspetiva, sem embargo, seria desejável que, por exceção, a «democracia» vigente em Portugal fosse praticada com todas as regras do jogo para que esta se pudesse considerar a experiência decisiva e conclusiva do seu sucesso ou do seu fracasso; ou até para que porventura governantes excecionais por milagre surgissem, fizessem o milagre de, apesar dela, assegurarem o bem comum!
Mas a verdade é que qualquer democrata sincero a quem perguntarmos se isto que temos é democracia, certamente responderá negativamente, pois não verá na realidade presente senão a prostituição do seu puro sonho ideológico.
Nesta matéria reina uma babélica confusão: democracia é o próprio equívoco vivo que o banditismo politicamente vai explorando sem escrúpulos; defenderia os altos interesses de um Estado uma lei que proibisse o emprego da palavra democracia a quem a não definisse previamente (o mesmo se deveria dizer das palavras Direita e Esquerda, Fascismo e Anti-fascismo, etc.).
Mas o que é a democracia? Um autor moderno nos recorda que Aristóteles classificou a democracia entre as três formas de governo «corrompidas»: tirania (governo de um só para seu interesse); oligarquia (governo de alguns ricos para os ricos); democracia (governo dos pobres para os pobres).
Mas não haverá ainda salvação para esta palavra democracia, como tantas outras inocentes em si mesmas, mas que o abuso corrompeu? Substantivos de essência positiva que a falta do justo adjetivo esterilizou.
Só Deus não precisa de adjetivos! Esquecidos disto, os homens soberbos gritam: Viva a Liberdade!... sem pensarem que só têm direito à liberdade possível, à liberdade com as suas racionais limitações.
Diz-se: Viva a Democracia! E está bem... porque não há-de mandar o Povo?
Mas mal vai se se quer que o povo, não no seu conjunto, mas só numa parte, tenha todo o poder, um poder absoluto ou absolutista, arbitrário e totalitário; a democracia, sim, o poder do povo, sim, mas o que for possível.
E esse povo que manda não pode ser uma parte, uma fação; tem que ser todo o povo, todas as almas que constituem a sociedade sem exceção.
Acontece, porém, que no geral das democracias modernas, e logo a partir das suas preceituações constitucionais, se mutila a sociedade de uma maneira expressa ou implícita, amputando-a do seu elemento ou componente mais precioso e poderoso: falo do homem por excelência, do homem-Deus, de Cristo (da sociedade dos homens não se pode excluir o Deus vivo, o Criador e Pai com seu Filho Jesus).
Depois, mais abaixo deste plano de transcendência divina, mas num plano ainda vital, uma outra mutilação gravíssima tem feito também a conspiração das forças do mal na sociedade moderna: foi expulsa a instituição dinástica, essa criação da sabedoria dos séculos, apeou-se o Rei do seu trono e envenenou-se a inteligência pública com um preconceito anti-monárquico, negativo tabu que fez abortar tantas tentativas de salvação...
Por tudo isto dizemos: Democracia, sim. Mas não democracia fragmentária, parcelar, de uma parte ou fração do povo que reclama para si todo o poder, poder absolutista e arbitrário, aquilo que é na sua mais própria expressão o poder totalitário.
Se nesta hora histórica portuguesa ouvimos alguns proclamar o partido da democracia cristã, logo nos vem a ideia da maior pertinência do que poderia chamar-se o partido da Monarquia Cristã. Mas por outro aspeto, seria ainda inaceitável esta fórmula, porque não se poderia chamar partido aquilo que se integra na Nação não partida, mas inteira, na Nação total.
Por isso dizemos simplesmente: MONARQUIA CRISTÃ.
E perante o perigo totalitário da democracia parcelar, ou facciosa, que mesmo sob a ilusão do princípio da maioria e da lei do número disfarçando o direito da força, será sempre uma usurpação, olhemos como única hipótese de salvação, a Monarquia Cristã, que é afinal a democracia verdadeira e total, a DEMOCRACIA INTEGRAL.
Como foi dito à Liberdade, também à Democracia se poderia dizer: Quantos crimes se não fizeram em teu nome?...
Nesta perspetiva, sem embargo, seria desejável que, por exceção, a «democracia» vigente em Portugal fosse praticada com todas as regras do jogo para que esta se pudesse considerar a experiência decisiva e conclusiva do seu sucesso ou do seu fracasso; ou até para que porventura governantes excecionais por milagre surgissem, fizessem o milagre de, apesar dela, assegurarem o bem comum!
Mas a verdade é que qualquer democrata sincero a quem perguntarmos se isto que temos é democracia, certamente responderá negativamente, pois não verá na realidade presente senão a prostituição do seu puro sonho ideológico.
Nesta matéria reina uma babélica confusão: democracia é o próprio equívoco vivo que o banditismo politicamente vai explorando sem escrúpulos; defenderia os altos interesses de um Estado uma lei que proibisse o emprego da palavra democracia a quem a não definisse previamente (o mesmo se deveria dizer das palavras Direita e Esquerda, Fascismo e Anti-fascismo, etc.).
Mas o que é a democracia? Um autor moderno nos recorda que Aristóteles classificou a democracia entre as três formas de governo «corrompidas»: tirania (governo de um só para seu interesse); oligarquia (governo de alguns ricos para os ricos); democracia (governo dos pobres para os pobres).
Mas não haverá ainda salvação para esta palavra democracia, como tantas outras inocentes em si mesmas, mas que o abuso corrompeu? Substantivos de essência positiva que a falta do justo adjetivo esterilizou.
Só Deus não precisa de adjetivos! Esquecidos disto, os homens soberbos gritam: Viva a Liberdade!... sem pensarem que só têm direito à liberdade possível, à liberdade com as suas racionais limitações.
Diz-se: Viva a Democracia! E está bem... porque não há-de mandar o Povo?
Mas mal vai se se quer que o povo, não no seu conjunto, mas só numa parte, tenha todo o poder, um poder absoluto ou absolutista, arbitrário e totalitário; a democracia, sim, o poder do povo, sim, mas o que for possível.
E esse povo que manda não pode ser uma parte, uma fação; tem que ser todo o povo, todas as almas que constituem a sociedade sem exceção.
Acontece, porém, que no geral das democracias modernas, e logo a partir das suas preceituações constitucionais, se mutila a sociedade de uma maneira expressa ou implícita, amputando-a do seu elemento ou componente mais precioso e poderoso: falo do homem por excelência, do homem-Deus, de Cristo (da sociedade dos homens não se pode excluir o Deus vivo, o Criador e Pai com seu Filho Jesus).
Depois, mais abaixo deste plano de transcendência divina, mas num plano ainda vital, uma outra mutilação gravíssima tem feito também a conspiração das forças do mal na sociedade moderna: foi expulsa a instituição dinástica, essa criação da sabedoria dos séculos, apeou-se o Rei do seu trono e envenenou-se a inteligência pública com um preconceito anti-monárquico, negativo tabu que fez abortar tantas tentativas de salvação...
Por tudo isto dizemos: Democracia, sim. Mas não democracia fragmentária, parcelar, de uma parte ou fração do povo que reclama para si todo o poder, poder absolutista e arbitrário, aquilo que é na sua mais própria expressão o poder totalitário.
Se nesta hora histórica portuguesa ouvimos alguns proclamar o partido da democracia cristã, logo nos vem a ideia da maior pertinência do que poderia chamar-se o partido da Monarquia Cristã. Mas por outro aspeto, seria ainda inaceitável esta fórmula, porque não se poderia chamar partido aquilo que se integra na Nação não partida, mas inteira, na Nação total.
Por isso dizemos simplesmente: MONARQUIA CRISTÃ.
E perante o perigo totalitário da democracia parcelar, ou facciosa, que mesmo sob a ilusão do princípio da maioria e da lei do número disfarçando o direito da força, será sempre uma usurpação, olhemos como única hipótese de salvação, a Monarquia Cristã, que é afinal a democracia verdadeira e total, a DEMOCRACIA INTEGRAL.