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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
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        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
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        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
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        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
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​Cem anos de António Sardinha

Jaime Nogueira Pinto
Passa hoje, sexta-feira, 10 de Janeiro de 2025, um século sobre a morte de António Sardinha aos 37 anos, em Elvas.

Sardinha foi a figura principal do movimento conhecido por Integralismo Lusitano, nascido de uma fraternidade geracional coimbrã em que a política começara por não ser o mais importante. Sardinha era republicano e Luís de Almeida Braga, Hipólito Raposo e Alberto de Monsaraz eram monárquicos, mas faziam todos parte dos “exotéricos”.

Como acontece com frequência na história das ideias e dos movimentos políticos que triunfam e se institucionalizam, a República desiludiu o jovem António Sardinha, que tão contente ficara com a sua proclamação em Outubro de 1910. E, num par de anos, ei-lo convertido à Monarquia e ao Catolicismo, não só porque a República, afinal, não ressuscitara as liberdades municipais, mas porque a nova classe política não lhe parecia muito diferente da antiga.

Entretanto, com o fracasso das incursões tentadas em 1911-12 por Henrique de Paiva Couceiro, o resistente do 5 de Outubro, a partir do seu exílio na Galiza - iniciativas corajosas, mas sem qualquer viabilidade estratégica -, impunha-se o caminho das ideias.

Por esse tempo, em França, a Action française, movimento que Gramsci definiria como de ideias reaccionárias e métodos revolucionários, estava no topo do seu activismo, com o terceto Charles Maurras, Jacques Bainville e Léon Daudet. A Action française, que tinha como matriz ideológica o nacionalismo contra-revolucionário e como valor primeiro a França, via na Revolução de 1789 e nos princípios do liberalismo democrático e jacobino, anti-monárquico e anti-católico, a decadência da Nação.

Ora no Portugal da Primeira República, governado por Afonso Costa, que seguia a receita da Terceira República francesa no anti-clericalismo e nas perseguições aos monárquicos, a Action française, “uma escola de pensamento reaccionário moderno”, não podia deixar de impressionar aquele grupo a que José Manuel Quintas chamaria os "Filhos de Ramires”, na senda do romance de Eça de Queirós. Na geração de Sardinha há também a marca da Geração de 70, depois da humilhação do Ultimato, quando o quase iberista Oliveira Martins escreve as biografias de Nun’Álvares e dos infantes de Aviz e Eça de Queirós A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires.

Era “na linha recta” de Gonçalo Mendes Ramires, o herói d'A Ilustre Casa de Ramires, que se filiavam Sardinha, em Ao Ritmo da Ampulheta, e os seus companheiros integralistas.

O programa dos integralistas, a sua agenda contra-revolucionária de uma monarquia tradicional ao jeito do miguelismo, profundamente católica e com um municipalismo medievalista que não deixava de lembrar Herculano, está hoje longe dos caminhos da direita nacionalista e populista que, perante o globalismo das elites, passou a ver na comunidade dos cidadãos e no seu livre voto o melhor instrumento de defesa dos valores nacionais, populares e conservadores.

Mas o papel de António Sardinha e dos integralistas - as suas convicções firmemente patrióticas e religiosas, a sua crença nas ideias como fundamento da acção política, a sua revisão histórica da interpretação jacobina - merece ser recordado.

​Jaime Nogueira Pinto - Politólogo e escritor

Fonte: https://www.dn.pt/opiniao/cem-anos-de-ant%C3%B3nio-sardinha [11.01.2025]


[ Este artigo de Jaime Nogueira Pinto suscitou um comentário de José Manuel Quintas, publicado em Estudos Portugueses: 2025 - José Manuel Quintas - Na vanguarda ]

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Democracia, segundo o Integralismo Lusitano
1914-05 - Hipólito Raposo - A voz do profeta [ Alexandre Herculano ]
1983 - Mário Saraiva - Outra Democracia - Uma Alternativa Nacional (ver o capítulo PARTIDOCRACIA)
2014 - José Manuel Quintas - O Integralismo Lusitano para além das etiquetas
2025 - José Manuel Quintas - Na vanguarda
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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