ESTUDOS PORTUGUESES
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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
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António Sardinha - A volta do Espírito

José Manuel Quintas

(Texto da intervenção na Sessão de Homenagem a António Sardinha no Grémio Literário de Lisboa, em 10 de Julho de 2025)
António Sardinha foi uma figura central do Integralismo Lusitano, movimento que ganhou importante expressão política após a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial (1916-18). Sardinha desenvolveu três importantes teorias - Teoria da Nobreza (1916), Teoria das Cortes Gerais (1924) e Teoria do Município (1924). Foi deputado e participou ativamente nas iniciativas monárquicas durante o período Sidonista (1917-18), exilando-se após o fracasso da restauração da Monarquia do Norte (1919). Durante o seu desterro em Espanha (1919-21), acentuou-se a sua espiritualidade católica de que resultou a proposta de uma Aliança entre Portugal e Espanha. De regresso a Portugal, Sardinha pugnou por uma monarquia representativa exclusivamente assente em representações municipais e sindicais, diferenciando-se tanto dos regimes oligárquicos das partidocracias como dos emergentes regimes de partido único dos estatismos totalitários de comunistas e de fascistas. Após a sua morte, o seu legado foi alvo de controvérsias e apropriações indevidas, em resultado da deturpação do seu ideário por jovens dissidentes do Integralismo que se tornaram apoiantes do Estado Novo.
Sardinha foi um autor prolífico, tendo escrito, em pouco mais de uma década, textos reunidos em 17 volumes, com um total de mais de 3 mil páginas. Aqui se sublinha o seu papel como poeta, pensador, e líder integralista, cuja obra revela uma evolução ideológica e uma crescente espiritualidade. Em homenagem ao centenário da sua morte, destaca-se ainda o poema “Roubo de Europa”, símbolo da sua visão de Portugal como propagador da civilização cristã do Ocidente.


​A alma de António Sardinha, mais do que nenhuma outra, exemplifica na nossa geração a escravatura e o resgate perfeito da inteligência. – Hipólito Raposo
​
​António Maria de Sousa Sardinha nasceu em Monforte do Alentejo no dia 9 de setembro de 1887. Poeta, historiador e político, destacou-se como ensaísta, polemista e doutrinador, tornando-se um verdadeiro condutor da intelectualidade portuguesa do seu tempo. Sardinha morreu em Elvas, no dia 10 de janeiro de 1925, quando contava apenas 37 anos. Cumprem-se hoje, precisamente, cem anos e seis meses. Por esta razão nos reunimos hoje aqui para homenagear alguém que marcou o seu tempo; que, com razão, continuou a ser recordado ao longo deste último século; e que, se soubermos recolher o melhor do seu legado, poderá ainda inspirar os vindouros.
*
Enquanto estudante em Coimbra, António Sardinha frequentou uma tertúlia literária em casa do Conde de Monsaraz, poeta parnasiano. Por impulso deste ou do seu filho Alberto (ou de ambos), reunia-se em sua casa um grupo de rapazes que adoptaram a designação ‘grupo de exotéricos’ [ * ]. Eram, na sua maioria, condiscípulos de Alberto Monsaraz no curso jurídico de 1906-1911: Hipólito Raposo (mentor do grupo), Luís de Almeida Braga, Simeão Pinto de Mesquita, Veiga Simões, Paulo Merêa, Manuel Eugénio Massa, entre outros. Parodiando as maçonarias, sugeriam ser um grupo iniciático, com hierofantes e pseudónimos – Hipólito Raposo era o ‘Tacitus’, Alberto Monsaraz o ‘Juvenal’, Paulo Mêrea o ‘Rabelais’, Sardinha o ‘César Bórgia’. O propósito seria o de elaborar a ‘doutrina do treze’, sendo mesmo publicada uma revista-manifesto sob o título de Treiskaidekopeia. Era uma alegre tertúlia de estudantes, com tendências literárias, como quase sempre houve nas gerações coimbrãs, onde compareciam figuras como Eugénio de Castro e Manuel da Silva da Gaio, entre outros. Falava-se de literatura, liam-se versos, contavam-se histórias. Segundo Luís Cabral de Moncada, tudo em volta daqueles jovens era "poesia, romance, história, erudição". Luís de Almeida Braga, amigo muito próximo de Sardinha, refere que foi nessa tertúlia que ele recebeu a influência da poesia de Sá de Miranda, do Romanceiro de Garrett, do “lirismo das coisas quotidianas” de Louis Mercier, dos apelos ancestrais de Maurice Barrès, adquirindo então os seus versos uma nítida inflexão clássica. Sardinha não era monárquico tradicionalista como a maioria dos exotéricos – fora seduzido pelo Positivismo de Comte e atraído pelo municipalismo da propaganda republicana. Chegou a admirar e trocar correspondência com Teófilo Braga.
*
Em abril de 1911, culminando uma série de decretos antirreligiosos, o governo da República emite a chamada “Lei de Separação das Igrejas e do Estado”. Em Maio, o Papa Pio X publica uma Encíclica - Iamdudum in Lusitania -  denunciando que o propósito dos governantes não era o de separar a Igreja do Estado, como queriam aparentar, antes o de saquear e oprimir a Igreja portuguesa, separando-a do vigário de Jesus Cristo.[*] Nesse mês de maio, há estudantes católicos interrompendo os estudos e partindo para a Galiza para se juntar às forças que, comandadas por Paiva Couceiro, irão dar a primeira batalha aos novos donos do poder em Lisboa. Entre eles, estão Luís de Almeida Braga, da Universidade de Coimbra, e Domingos de Gusmão Araújo, do Curso Superior de Letras de Lisboa. Em Espanha, não muito depois, estará também o muito jovem Francisco Rolão Preto, estudante no Colégio Liceu Figueirence, na Figueira da Foz.
​*
Concluídos os estudos em Direito, o ainda republicano António Sardinha voltou para junto da sua família em Monforte. E foi nesse Alentejo profundo que, de 1911 para 1912, se desiludiu com o novo regime e se deu nele uma reconversão ao catolicismo e adesão ao ideário monárquico. 

No testemunho de Hipólito Raposo, ao deixar a Universidade, o pensamento de António Sardinha concretizava-se em dois valores positivos: o culto pelo lar e o regionalismo. [ Hipólito Raposo, Dois nacionalismos, p. 33.] Pela correspondência com sua noiva, Ana Júlia Nunes da Silva – com quem se casará em agosto de 1912 – sabemos que, no Natal de 1911, António Sardinha lamenta que, estando proibido o culto noturno, não haveria decerto a Missa do Galo. [Carta datada em Monforte, 21-12-1911, Correspondência de António Sardinha, p. 437]. Em 6 de Janeiro de 1912, no Dia de Reis, comentando a legislação antirreligiosa dos republicanos, escreveu:

«o Estado em Portugal em vez de um Estado neutral tornou-se num Estado sectário. É uma seita que domina, com todo o espírito fechado, intolerante das seitas. Como eu me envergonho de haver acreditado nestes pantomineiros».

Duas semanas depois, em 23 de janeiro, em carta para Luís de Almeida Braga, era nítida a sua volta do Espírito:

​«A minha alma depurou-se de certas excrescências indignas de mim [...]. Eu hoje, na solidão da minha estepe, vivo a sós comigo, com a brasa inquieta que me devora. Ela me queima as impurezas em que me abafava, não há já ódio nem paixão vil, estreita, que me possa inflamar. Afastei os olhos da vergonha que me cerca e acastelei-me na sagrada religião da Esperança.»

Pouco depois, em março desse ano, na revista Dyonisos (Coimbra), António Sardinha publica um artigo intitulado “O Génio Ocidental”, indiciando o sentido da sua profunda mudança espiritual. Baseando-se em Guillaume Dubufe [ La Valeur de l'Art, 1908], Sardinha contesta ali que os ‘mistérios’ medievais sejam “filhos legítimos da representação dionisíaca”, dos mistérios e das tragédias gregas da antiguidade. Nessa perspectiva, os “mistérios” medievais são por natureza cristãos, de fonte eclesiástica, gerados no Ocidente à roda do ano mil, quando – citando Dubufe - “o mundo, sacudindo os seus velhos trapos, quis em toda a parte vestir o manto branco das igrejas”. Sardinha acrescentou: “aos mistérios medievais não era necessária uma iniciação transfiguradora, bastava a força da fé”. Sem ambiguidade, Sardinha diminuía ali os esoterismos iniciáticos das maçonarias e, no mesmo lance, aproveitava para rejeitar a interpretação anticatólica que Teófilo Braga tinha apresentado a respeito dos Autos de Gil Vicente [T. Braga, Gil Vicente e as origens do Teatro nacional, 1898, pp. 8-11]. Escreve Sardinha que Teófilo, “apoiando-se numas decisões conciliares e em certa ordenação de Carlos Magno, as quais feriam de ignomínia os histriões e homens do circo, generaliza logo que a Igreja, de mãos trocadas com a Realeza, combateu de morte o teatro nascente”. Escreve ainda: “Teófilo deixa influenciar-se às vezes por Monsieur Homais, boticário em Ruão. E no caso presente confunde a condenação moral dos restos de uma sociedade que os olhos de todos encaravam como a verdadeira consubstanciação do Pecado, com o alar tímido da crisálida que amanhecia ao bafo morno da lâmpada cristã.”​
*
Os jovens soldados de Paiva Couceiro, derrotados, partem da Galiza para o exílio na Bélgica, juntando-se aos religiosos franceses ali refugiados em resultado da legislação anti religiosa de Émile Combes (1905). Em 28 de outubro do mesmo ano (1912), Almeida Braga envia a Sardinha a sua nova morada em Gand. Em 30 de Dezembro, António Sardinha anuncia-lhe por carta, de forma explicita, a sua conversão à Monarquia e ao Catolicismo:

«Recordas-te, Luís, de um dia me dizeres na tua casa [...] que o erro jacobino havia de morrer em mim, por incompatível com a sinceridade que eu lhe consagrava, e que os meus olhos se abririam para as verdades eternas? Pois, meu amigo, meu Irmão, leste fundo na minha alma e com alegria te conto a minha conversão à Monarquia e ao Catolicismo – as únicas limitações, que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar. E eu abençoo, eu abençoo esta República trágico-cómica que me vacinou a tempo pela lição da experiência, que livrou a minha existência de um desvio fatal.»
*
Em maio de 1913, Luís de Almeida Braga lança a revista Alma Portuguesa, onde cunha a expressão "Integralismo Lusitano". Por carta, Almeida Braga explica a António Sardinha o seu propósito:  «levantar um grito de alarme contra a literatura artificial e desnacionalizada da Renascença de A Águia». A ideia impulsionadora do Integralismo era o “Amor à Terra e à Tradição”, a que não se podia retirar a matriz católica, como pretendiam os republicanos do Porto. Escrevia-lhe antes de publicar o programa do Integralismo Lusitano – surgirá no número de setembro – mas convida-o a participar – “Há uma praça vaga de capitão”. Aceitando o convite, Sardinha responde: «Hoje a Ação reclama-nos», dando-lhe conta de que está a trabalhar naquilo a que chama «A Verdade Portuguesa».
​
Intensifica-se a correspondência entre os amigos de Coimbra em torno do projeto de Luís Braga e combinam um encontro a realizar em setembro de 1913, na Quinta das Olaias (Figueira da Foz). Estão presentes Hipólito Raposo, António Sardinha e Alberto Monsaraz (o anfitrião).  O projeto é financeiramente garantido por Alberto Monsaraz, colocando-se os três de acordo em que será lançada uma revista que se chamará Nação Portuguesa e que o pensamento que os une se denominará “Integralismo Lusitano”. Ao mobilizarem outros jovens, sobressai a inteligência de José Pequito Rebelo, que adere com entusiasmo à ideia. O ‘intransigente’ João do Amaral é aliciado através de um contrato para lançar o folheto Aqui d’El-Rei!, cujo 1.º número sai em fevereiro de 1914.
*
Em abril de 1914, sob a direção de Alberto Monsaraz, surge a revista Nação Portuguesa. A expressão “Integralismo Lusitano” designa ali já um índice de soluções políticas sob o título “monarquia tradicional, orgânica, antiparlamentar”.

O propósito é o de trazer de novo à luz do dia os princípios políticos da antiga Monarquia portuguesa. Não queriam voltar à monarquia absolutista do despotismo iluminado do Marquês de Pombal, assente na teoria protestante do “direito divino dos reis”, nem à sucedânea monarquia da Carta, importada pelos liberais no século XIX. Recusavam os vários estrangeirismos políticos que tinham subvertido os princípios democráticos da antiga monarquia portuguesa.

Recusando os estrangeirismos, os integralistas recuperavam a atitude da geração de 70 após o ultimato britânico, defendendo, tal como os "Vencidos da Vida", um “reaportuguesamento de Portugal”. Sublinhavam, porém, um propósito mais audacioso: era necessário recuperar o antigo pensamento político português que, do mesmo passo, reconhecera os foros e liberdades da república (das comunas urbanas, dos concelhos rurais etc.), estabelecera as regras da sua representação em Cortes e definira o conteúdo dos pactos que os reis, sob pena de deposição, juravam respeitar. Para os integralistas, não era possível uma verdadeira regeneração portuguesa sem que fossem retomadas as suas antigas tradições políticas.

E foi em torno desse princípio orientador – reaportuguesar Portugal – e desse programa político tradicionalista que um grupo de monárquicos que não se reconheciam na monarquia deposta (Hipólito Raposo, Luís Braga, Pequito Rebelo) se reuniu com um grupo de republicanos, entretanto convertidos ao ideário monárquico por não se reconhecerem na república recém-implantada (António Sardinha, João do Amaral, Domingos Garcia Pulido, entre outros).

Nos primeiros meses, quem toma a dianteira explicando os conceitos-chave e as fontes inspiradoras do Integralismo, não é o recém-convertido António Sardinha. É Hipólito Raposo, em entrevista a João do Amaral no folheto Aqui d' El-Rei!, prosseguindo ao publicar “A voz do profeta” [Alexandre Herculano] e “Natureza da Representação”.

Em Natureza da Representação, surgiu uma síntese esclarecedora (maiúsculas acrescentadas):

«A moderna representação tem de ser INTEGRAL, abranger todos os interesses, exprimir os direitos e aspirações de quantos trabalham em qualquer ramo de produção ou atividade. Aqui está, em poucas palavras, o que nós pretendemos substituir e opor à MENTIRA DA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA DE AGORA; bastando este simples enunciado para demonstrar aos amigos do progresso, que nós não queremos o regresso ao passado: muito ao contrário, pedimos à experiência do que foi, as normas seguras do que deve ser.»

Na mesma linha explicativa, surge Xavier Cordeiro com «As velhas liberdades e a nova liberdade» e Luís de Almeida Braga, com “Sindicalismo e República” (texto essencial para a compreensão do pensamento dos integralistas, posteriormente desenvolvido e publicado em Paixão e Graça da Terra sob o título A Lei do Trabalho).
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António Sardinha é um recém-convertido que, nos primeiros meses, parece ter assumido sobretudo a missão de recrutar republicanos para a causa do Integralismo Lusitano. É esse um dos propósitos do seu primeiro texto na Nação Portuguesa, que intitula «Teófilo, Mestre da Contra-Revolução». O título é equívoco, denunciando um propósito propagandístico. Demarca-se de Teófilo Braga e demarca-se também, com veemência, do pensamento da Action française, aí considerado um "exotismo de contrabando", introduzindo entre nós categorias mentais "hostis por índole e meio" às tendências do pensamento político português.

António Sardinha converteu-se ao ideário monárquico, mas uma mudança de ideário não se faz de chofre, sem incertezas e hesitações . Por sua expressa decisão, por exemplo, inutilizou um seu primeiro livro em prosa intitulado O Sentido Nacional duma Existência (1913), homenageando o investigador elvense António Tomás Pires. Nesse livro, Sardinha parece querer atrair republicanos para o Integralismo. Ele sabe, melhor do que ninguém, o que está na mente dos republicanos. Mas hesita. O livro apresenta uma epígrafe de Jules Soury - um jacobino que publicara uma "psicopatologia de Jesus", com um diagnóstico de demência (Jesus et les Évangiles, Paris, 1878) - e, no corpo do texto de Sardinha, é possível encontrar expressões de teor racista com um calibre semelhante ao de republicanos da época, como Aquilino Ribeiro ou Raúl Proença. Nos escritos ou nas correspondências de Sardinha, não encontramos - até ao momento -  justificação para a inutilização desse livro. O que sabemos é que Sardinha tomou essa drástica decisão, anulando um trabalho de meses.

Pelo testemunho de Paulo Merêa, e pela correspondência trocada com Luís de Almeida Braga, sabemos que foi à volta de 1913 que Sardinha descobriu os autores legitimistas dos inícios do século XIX e a filosofia e a sociologia política de São Tomás de Aquino, acolhida e renovada pelos doutores da Escolástica Hispânica Seiscentista, com o jesuíta Francisco Suárez à cabeça.

Em julho de 1914, Sardinha começa a afirmar a doutrina integralista no ensaio “Poder Absoluto e Poder Pessoal”, sendo no ano seguinte que atinge maior projeção pública ao publicar O Valor da Raça (1915) e ao abrir as conferências sobre a “Questão Ibérica” na Liga Naval, alertando para o perigo de uma absorção de Portugal por Espanha.

Em O Valor da Raça, Sardinha estuda as origens da nação portuguesa e começa a afastar-se do nacionalismo étnico de Teófilo Braga e dos republicanos da revista Portugália (1899-1908). Onde os republicanos, como Teófilo, viam nos “elementos de diferenciação étnica” a base e o critério político de “um pacto comum consciente”, Sardinha irá, por via da sociologia tomista, colocar as instituições e o espírito que as vivifica: o município e o localismo. Identificando o Município como a célula-mãe da pátria portuguesa, Sardinha identifica também o agente centrípeto que lhe conferiu duração e continuidade: o Rei, a Instituição Real. Na crise do século XIV, em Aljubarrota (1385), o reino de Portugal fizera prova de vida através de uma aliança entre os Municípios e o Rei. Em síntese, como escreveu mais tarde: «O municipalismo me levou à república, o municipalismo me trouxe à verdade monárquica.»​

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A entrada de Portugal na Guerra ditou a transformação do Integralismo Lusitano em organização política. Nesse ano de 1916, Sardinha publica a primeira de três teorias centrais no pensamento integralista: A teoria da Nobreza. Em 1924, surgirão as outras duas: A teoria das Cortes Gerais e a teoria do Município. Com o lançamento do jornal A Monarquia - diário integralista da tarde, em fevereiro de 1917, os integralistas passam a estar na primeira linha da luta política. Em abril de 1918, durante o breve consulado de Sidónio Pais, Sardinha foi eleito deputado na lista da minoria monárquica. Os integralistas têm influencia junto do entourage do presidente Sidónio Pais, ajudando a projetar uma República Nova, mas o presidente Sidónio é assassinado. Em 1919, António Sardinha ficou exilado em Espanha após a sua participação activa na fracassada tentativa restauracionista da Monarquia do Norte e de Monsanto (Lisboa).
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Em 26 de Agosto de 1917, António Sardinha tinha professado como irmão leigo na Ordem Terceira de S. Francisco de Assis. Do seu exílio de dois anos e meio em Espanha, em maior solidão e meditação, resulta um reforço da sua espiritualidade católica. Extingue-se nele a visão negativa da expansão portuguesa, bem como o racismo que colhera nos ambientes republicanos. A decadência peninsular - de Portugal e de Espanha - resultara afinal do seu afastamento do ideal cristão. Ao fazer sobressair a vocação apostólica de Portugal, Sardinha propõe um abraço de reconciliação no qual "O Encoberto, corporizado no milagre sempre vivo de Restauração, é o Encoberto do Quinto-Império pacífico de Espanha e Portugal, fundadores de nacionalidades, pioneiros da única civilização possível". 

As primícias da sua proposta de Aliança Peninsular (1924) são enunciadas em Madrid, no dia 4 de abril de 1921, numa conferência intitulada «La Unidad Hispánica». Rejeitando o unitarismo iberista de filiação maçónica e a tese da decadência ocidental de Oswald Spengler, Sardinha afirma o universalismo hispânico como a base da sobrevivência da civilização do Ocidente (tese em parte retomada nos anos de 1930 por Ramiro de Maeztu em Defensa de la Hispanidad). Sardinha inspira-se no “antigo paralelismo de Quinhentos” – dois Estados e duas Dinastias – e defende que essa Aliança propiciará aos povos de origem peninsular a consciência de uma superior finalidade espiritual:  «Hispanismo (de Hispânia e não de Espanha) é a palavra que exprime e coordena todas as aspirações criadoras, não só das pátrias peninsulares como das nacionalidades hispano-americanas. Brasil incluído.»
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Ao regressar a Portugal, em maio de 1921, António Sardinha prosseguiu em defesa da Instituição Real na chefia do Estado, mas doravante sem contemporizar com os defensores do regime oligárquico de partidos derrubado em 1910. Os integralistas, recorde-se, tinham colaborado na restauração da Monarquia da Carta em 1919. Doravante, prevalecerá o seu ideário de uma Monarquia Representativa, entendendo que a República deve ser representada exclusivamente através de delegações diretas dos municípios e sindicatos das profissões e atividades económicas.

Em 1922, a revista Nação Portuguesa foi relançada sob a direção de António Sardinha, adotando o subtítulo de “Revista de Cultura Nacionalista”. Desfazendo equívocos, nas palavras de apresentação do seu último livro de ensaios - Ao princípio era o Verbo - Sardinha demarcou o seu nacionalismo tradicionalista (de matriz católica, universalista) de outros nacionalismos então emergentes (como o Fascismo, que entretanto ascendera ao poder em Itália).

António Sardinha morreu poucos meses antes da publicação das "leggi fascistissime" que, em Itália, abriram caminho ao poder total de um único partido - o Partido Fascista de Mussolini -, e quase uma década antes do estabelecimento, em Portugal, de um regime também assente num único partido - a União Nacional de Oliveira Salazar. Morto António Sardinha, houve figuras do regime, dissidentes do Integralismo que, dizendo-se seus discípulos, tentaram apropriar-se do seu legado. Sardinha estava morto, não podia defender-se. Em 1943, o criador do Integralismo, Luís de Almeida Braga, resumiu assim o problema: "Há entre os textos governamentais [do "Estado Novo"] e os dos doutrinadores integralistas uma diferença essencial, que convém acentuar: e é que as ideias, sendo na origem as mesmas, passavam agora a ser experimentadas dentro de instituições que fundamentalmente lhes são contrárias". Os dissidentes do Integralismo continuaram alimentando equívocos, pelo que Almeida Braga acrescentou, em 1958: “Porque reivindico as responsabilidades na criação e na divulgação da doutrina que alimentou esses que grosseiramente a deturparam para melhor a trair, me insurjo e revolto contra tanta confusão e tanto ludíbrio.”  Desde início, os fundadores do Integralismo Lusitano tinham na verdade declarado o seu combate à "Salazarquia, poder que se exerceria à semelhança do caracol dento da espiral ou do cágado dentro da concha."  [1932-12 - "Salazarquia" in Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses]
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Com esta sessão de homenagem, assinalamos o centenário de um homem de pensamento que foi também homem de ação. Há escassos meses reuni num volume, com Manuel Vieira da Cruz, o essencial da sua obra poética (cinco livros publicados em vida e três publicados postumamente). Num futuro próximo esperamos publicar o essencial da sua obra em prosa. Em pouco mais de dez anos (de abril de 1914 a janeiro de 1925), Sardinha publicou meia dúzia de livros em prosa, a que se somam as recolhas publicadas postumamente pelos seus amigos. No total, 17 volumes, mais de três mil páginas, cerca de um milhão de palavras... Sem contar, naturalmente, com a correspondência (é difícil imaginar as muitas centenas de cartas que Sardinha escreveu ao longo do mesmo período).

A vida de António Sardinha foi cortada subitamente, há cem anos, quando começava a pôr ordem na sua Obra. António Sardinha não era um perfeccionista, mas tinha consciência das imperfeições dos seus escritos. A necessidade de intervenção levava-o a publicar em jornais, revistas e livros os seus artigos antes de poder dar-lhes a forma ‘definitiva’. O seu pensamento esteve sempre em evolução: aprofundava-o constantemente, corrigia-o e reformulava-o; e ambicionava refundir os seus escritos, dar-lhes um dia uma forma ‘definitiva’.

Dada a força do seu Verbo, muitos viram em António Sardinha o líder dos Integralistas. Ter sido controverso, ajudou a compor esse perfil. Deverá ter sido o mais lido e convincente autor integralista: era um convertido e tinha uma aguda percepção do erro.

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Amanhã, dia 11 de julho, a comunidade dos católicos celebrará o dia de São Bento, patrono da Europa. A proximidade da data, fez-me pensar no laço entre A Aliança Peninsular e o belíssimo poema Roubo de Europa.

Nele clamava ansiosamente António Sardinha:

“Europa! Europa!.............
........................................
Onde ficou o lábaro de Cristo?
Onde deixaste, Europa, a tua flama?”

Sozinha, nos penhascos do Ocidente,
ouvindo ao mar o ímpeto brutal,
pariste longa e dolorosamente
um moço a quem chamaste Portugal!
 ...............................................
não temas, ó Europa, ................
já tens quem te dilate a Fé e o Império!”


Mário Saraiva, discípulo dedicado, interpretou com rigor o pensamento do Mestre: 

"Império entende-se aqui como o da civilização Ocidental e Cristã, que o materialismo ateu prometia varrer da superfície da terra."

E é com as palavras de Luís de Almeida Braga, ao apresentar o poema Roubo de Europa (1931), que se me impõe rematar: 

«No melhor momento do seu voo, partiu-se a asa do Poeta, a sua voz calou-se. Não importa! Os seus versos, que são a imagem fiel da sua profunda e rica sensibilidade, revelam-nos alguma coisa ainda mais bela do que o sonho de poesia que o alimentou: a ascensão da sua alma!»




​José Manuel Quintas



​[Data desta edição: 20 de Julho de 2025] 
[ * ] ​Nas suas Memórias, Cabral de Moncada designa-os como "esotéricos", e foi assim que os comecei por identificar na tese defendida em 1997 na FCSH da UNL. Mais tarde, ao ler os documentos depositados no Arquivo de Hipólito Raposo, verifiquei que eram "exotéricos", vincando uma intenção jocosa, que Moncada confirma ao escrever que tinham o propósito de "chamar as atenções, dar que falar, irritar a massa amorfa, sempre conformista, mais ou menos burguesa, da opinião pública". Ao publicar Filhos de Ramires, em 2004, corrigi a designação, no corpo do texto, para "exotéricos"  (Cabral de Moncada, Memórias, 1992, p. 77; J. M. Quintas, Filhos de Ramires, 2004, pp. 74-79; pp. 61-64 , na versão em pdf.

Principais referências
  • António Sardinha, 1887-1925
  • 1911 - Pio X - Carta Encíclica "Iamdudum in Lusitania" (24 de Maio de 1911) - Denúncia da grave situação vivida pela Igreja em Portugal
  • 1912 - António Sardinha - O Génio Ocidental
  • 1924 - António Sardinha - A Teoria das Cortes Gerais
  • 1924 - António Sardinha - Ao princípio era o Verbo
  • 1924 - António Sardinha - Teoria do Município 
  • 1925-03-23 - Hipólito Raposo - Dois nacionalismos. L'Action française e o Integralismo Lusitano
  • 1930 - Luís de Almeida Braga, Caridade de Pátria​
  • 1931 - Luís de Almeida Braga - Estudo in Roubo de Europa, Poema de António Sardinha
  • ​1943 - Luís de Almeida Braga - Posição de António Sardinha
  • ​1972 (ed.) - António Sardinha - Aliança Peninsular 
  • ​1997 - José Manuel Quintas - O Integralismo Lusitano e a herança de "Os Vencidos da Vida"
  • 2002 - José Manuel Quintas, O Integralismo Lusitano perante a Salazarquia
  • 2004 - José Manuel Quintas, Filhos de Ramires - As origens do Integralismo Lusitano
  • 2025 - José Manuel Quintas - Integralismo e Salazarismo​
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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