ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA
(Partido Nacional Fascista)
(Partido Nacional Fascista)
Fontes e bibliografia
(Contributo para um estudo sobre o verdadeiro fascismo no Brasil)
(Contributo para um estudo sobre o verdadeiro fascismo no Brasil)
...não se podia atribuir ao Integralismo que surgiu há pouco, uma cor fascista, a menos que para tê-la bastasse usar uma camisa verde ou vermelha.
- Bezerra de Freitas, da Acção Social Brasileira (Partido Nacional Fascista), 2 de Junho de 1933.
- Bezerra de Freitas, da Acção Social Brasileira (Partido Nacional Fascista), 2 de Junho de 1933.
Ao avançarmos para além da literatura capciosa acerca dos Integralismos lusófonos, poderíamos ser tentados a considerar que não existiram fascistas e organizações fascistas em Portugal e no Brasil. Seria uma apreciação errónea. Houve organizações fascistas tanto em Portugal como no Brasil. Tiveram escassa expressão ou impacto popular, mas houve fascistas fazendo prova de vida em Portugal, através do Nacionalismo Lusitano de João de Castro Osório e da Acção Escolar Vanguarda, criada em apoio ao governo de Oliveira Salazar e, no Brasil, através da Legião de Outubro criada por Francisco Campos, Gustavo Capanema e Amaro Lanari, ou da Acção Social Brasileira (Partido Nacional Fascista) de José Fabrino, Bezerra de Freitas e Júlio Barata.
Na década de 1930, os fascistas portugueses e brasileiros revelaram-se incapazes de obter uma mobilização popular equivalente aos Integralismos antitotalitários da lusofonia - o Movimento Nacional Sindicalista (MNS) e a Acção Integralista Brasileira (AIB) - mas obtiveram destacadas posições junto dos ditadores Oliveira Salazar e Getúlio Vargas. Enquanto os dirigentes integralistas Francisco Rolão Preto e Plínio Salgado eram presos e forçados ao exílio, os fascistas portugueses e brasileiros ascendiam a posições de poder através de discretos canais oligárquicos.
No Brasil, são paradigmáticos os casos de Francisco Campos, da Legião de Outubro, de José Fabrino da Ação Social Brasileira (Partido Nacional Fascista) e de Júlio Barata, integrados na ditadura de Getúlio Vargas: Francisco Campos foi Ministro da Educação e Saúde Pública (1930-1932) e Ministro da Justiça (1934-1937) durante o governo de Getúlio Vargas, sendo um dos ideólogos do Estado Novo; José Fabrino lançou o Partido Nacional Fascista em 1933, sendo recontratado em 1934 pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), órgão responsável pela condução da política externa e relações internacionais do país; Júlio Barata, director do jornal A Batalha entre 1932 e 1940, foi sempre contra o Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado; em 1933, porque Plínio não era fascista e Barata queria implantar o fascismo no Brasil; em 1938, Barata teria deixado de ser fascista, acusando Plínio de cultuar o super-homem nietzschiano; Barata foi Diretor da Divisão de Radiodifusão do extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (1940-1942) e, nos Estados Unidos, de 1942 a 1944, Chefe da Seção Brasileira do “Coordinator of Inter-American Affairs”, etc., etc..
Sem conhecer o pensamento e o percurso político das personalidades que integraram as organizações fascistas da lusofonia, e que depois serviram nas respectivas Ditaduras designadas por "Estado Novo", não é possível compreender a História Política de Portugal e do Brasil no século XX. Aqui se reunem fontes e bibliografia sobre a Ação Social Brasileira de José Fabrino, padre Assis Memória, Bezerra de Freitas e Júlio Barata. Merece também um estudo a colaboração de Souza Lima no jornal A Batalha do Rio de Janeiro - elo de ligação jornalística com os círculos republicanos da Salazarquia - e o seu apoio ao Partido Nacional Fascista do Brasil. Em Agosto de 1933, referindo-se ao acto eleitoral de 3 de Maio de 1934, segundo o general Manoel Rabello, a conjugação do voto feminino e do Integralismo representavam uma séria ameaça ao regime político implantado em 1889.
21.12.2025 - J. M. Q.
Na década de 1930, os fascistas portugueses e brasileiros revelaram-se incapazes de obter uma mobilização popular equivalente aos Integralismos antitotalitários da lusofonia - o Movimento Nacional Sindicalista (MNS) e a Acção Integralista Brasileira (AIB) - mas obtiveram destacadas posições junto dos ditadores Oliveira Salazar e Getúlio Vargas. Enquanto os dirigentes integralistas Francisco Rolão Preto e Plínio Salgado eram presos e forçados ao exílio, os fascistas portugueses e brasileiros ascendiam a posições de poder através de discretos canais oligárquicos.
No Brasil, são paradigmáticos os casos de Francisco Campos, da Legião de Outubro, de José Fabrino da Ação Social Brasileira (Partido Nacional Fascista) e de Júlio Barata, integrados na ditadura de Getúlio Vargas: Francisco Campos foi Ministro da Educação e Saúde Pública (1930-1932) e Ministro da Justiça (1934-1937) durante o governo de Getúlio Vargas, sendo um dos ideólogos do Estado Novo; José Fabrino lançou o Partido Nacional Fascista em 1933, sendo recontratado em 1934 pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), órgão responsável pela condução da política externa e relações internacionais do país; Júlio Barata, director do jornal A Batalha entre 1932 e 1940, foi sempre contra o Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado; em 1933, porque Plínio não era fascista e Barata queria implantar o fascismo no Brasil; em 1938, Barata teria deixado de ser fascista, acusando Plínio de cultuar o super-homem nietzschiano; Barata foi Diretor da Divisão de Radiodifusão do extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (1940-1942) e, nos Estados Unidos, de 1942 a 1944, Chefe da Seção Brasileira do “Coordinator of Inter-American Affairs”, etc., etc..
Sem conhecer o pensamento e o percurso político das personalidades que integraram as organizações fascistas da lusofonia, e que depois serviram nas respectivas Ditaduras designadas por "Estado Novo", não é possível compreender a História Política de Portugal e do Brasil no século XX. Aqui se reunem fontes e bibliografia sobre a Ação Social Brasileira de José Fabrino, padre Assis Memória, Bezerra de Freitas e Júlio Barata. Merece também um estudo a colaboração de Souza Lima no jornal A Batalha do Rio de Janeiro - elo de ligação jornalística com os círculos republicanos da Salazarquia - e o seu apoio ao Partido Nacional Fascista do Brasil. Em Agosto de 1933, referindo-se ao acto eleitoral de 3 de Maio de 1934, segundo o general Manoel Rabello, a conjugação do voto feminino e do Integralismo representavam uma séria ameaça ao regime político implantado em 1889.
21.12.2025 - J. M. Q.
No lançamento da Acção Integralista Brasileira (AIB), o jornal A Batalha, do Rio de Janeiro, fez uma cobertura limpa do evento, publicando na primeira página uma entrevista com Plínio Salgado:
"Um novo partido que surge em São Paulo - A acção integralista brasileira e seus objectivos - Fala a A BATALHA o sr. Plínio Salgado", A Batalha, Rio de Janeiro, dir. Júlio Barata, 29 de Outubro de 1932, pp. 1-2.
Aí se pode ler, acerca dos objectivos principais do integralismo brasileiro:
... "realizar uma verdadeira mobilização de valores intelectuais, morais e materiais" em torno de um programa que aspira à mais "intima e indestrutível unidade nacional: a justiça social; a integração das Províncias na Pátria Total, das classes produtoras e trabalhadores no Estado; a ideia de um governo central expressivo, não de partidos, mas de forças vivas da Nação."
Plínio dizia ter a adesão e o apoio de várias associações de classe, de centenas de profissionais (médicos, advogados e engenheiros), de correntes de opinião que apoiam o corporativismo, como os Patrianovistas; os leaders social-nacionalistas; revolucionários de 22, 24 e 30, e de uma parte dos "capacetes de aço" - "os moços que batalharam nas trincheiras, durante o último movimento". Plínio Salgado aproveitou para explicar: "os "capacetes de aço", quando foram para as trincheiras tinham um pensamento firme: o de não deixar, em hipótese alguma, que os velhos políticos com os velhos partidos, retornassem aos postos de comando. Foi essa mocidade que transformou o que era manobra política em sentimento de amor a São Paulo; com o fim determinado de se vencesse a revolução paulista, dar o golpe nos políticos e traçar um pensamento nacional."
São Paulo tinha um papel a desempenhar na renovação do regime: "Toda a nossa obra, pois, em S. Paulo, é reatar a actividade Bandeirante do século XVI, da qual nos afastamos, com o século XVII e começo deste. Daí a oportunidade de partir de S. Paulo o integralismo brasileiro."
Não se pretendia o partido único do fascismo ou um corporativismo de Estado, antes se pretendia "sindicalizar as classes, dar-lhes efetiva representação no Estado..." As ideias básicas do Integralismo eram no essencial idênticas às do Integralismo Lusitano, na definição apresentada por Plínio Salgado, e que o jornal sintetizou em maiúsculas: A FAMÍLIA, A CLASSE PROFISSIONAL, O MUNICÍPIO - A PROPRIEDADE, A REPRESENTAÇÃO DE CLASSES, A AUTONOMIA MUNICIPAL.
As três bases do nosso sistema repousam na Família, na Classe Profissional e no Município. Consequentemente: a Propriedade, a Representação Política das Classes e a autonomia municipal. O Brasil é um conjunto de famílias, de classes trabalhadoras e de municípios."
"Um novo partido que surge em São Paulo - A acção integralista brasileira e seus objectivos - Fala a A BATALHA o sr. Plínio Salgado", A Batalha, Rio de Janeiro, dir. Júlio Barata, 29 de Outubro de 1932, pp. 1-2.
Aí se pode ler, acerca dos objectivos principais do integralismo brasileiro:
... "realizar uma verdadeira mobilização de valores intelectuais, morais e materiais" em torno de um programa que aspira à mais "intima e indestrutível unidade nacional: a justiça social; a integração das Províncias na Pátria Total, das classes produtoras e trabalhadores no Estado; a ideia de um governo central expressivo, não de partidos, mas de forças vivas da Nação."
Plínio dizia ter a adesão e o apoio de várias associações de classe, de centenas de profissionais (médicos, advogados e engenheiros), de correntes de opinião que apoiam o corporativismo, como os Patrianovistas; os leaders social-nacionalistas; revolucionários de 22, 24 e 30, e de uma parte dos "capacetes de aço" - "os moços que batalharam nas trincheiras, durante o último movimento". Plínio Salgado aproveitou para explicar: "os "capacetes de aço", quando foram para as trincheiras tinham um pensamento firme: o de não deixar, em hipótese alguma, que os velhos políticos com os velhos partidos, retornassem aos postos de comando. Foi essa mocidade que transformou o que era manobra política em sentimento de amor a São Paulo; com o fim determinado de se vencesse a revolução paulista, dar o golpe nos políticos e traçar um pensamento nacional."
São Paulo tinha um papel a desempenhar na renovação do regime: "Toda a nossa obra, pois, em S. Paulo, é reatar a actividade Bandeirante do século XVI, da qual nos afastamos, com o século XVII e começo deste. Daí a oportunidade de partir de S. Paulo o integralismo brasileiro."
Não se pretendia o partido único do fascismo ou um corporativismo de Estado, antes se pretendia "sindicalizar as classes, dar-lhes efetiva representação no Estado..." As ideias básicas do Integralismo eram no essencial idênticas às do Integralismo Lusitano, na definição apresentada por Plínio Salgado, e que o jornal sintetizou em maiúsculas: A FAMÍLIA, A CLASSE PROFISSIONAL, O MUNICÍPIO - A PROPRIEDADE, A REPRESENTAÇÃO DE CLASSES, A AUTONOMIA MUNICIPAL.
As três bases do nosso sistema repousam na Família, na Classe Profissional e no Município. Consequentemente: a Propriedade, a Representação Política das Classes e a autonomia municipal. O Brasil é um conjunto de famílias, de classes trabalhadoras e de municípios."
Cerca de oito meses após o lançamento da Acção Integralista Brasileira, o jornal A Batalha anuncia a criação da Acção Social Brasileira:
“O Fascismo no Brasil – Em entrevista a A BATALHA o sr. Bezerra de Freitas expõe as finalidades da Ação Social Brasileira”, A Batalha, Rio de Janeiro, dir. Julio Barata, 2 de Junho de 1933, pp. 1, 8.
Neste artigo, o jornalista Bezerra de Freitas anuncia o surgimento da Acção Social Brasileira (ASB), liderada por José Fabrino. Diferenciando-se do Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado, a ASB assume uma inspiração fascista, dizendo focar-se em questões económicas e sociais, promover a ordem, contribuir para o fortalecimento nacional e a evolução moral. Segundo Bezerra de Freitas, o movimento visa criar soluções práticas para a crise do país, mas sem alinhar com o integralismo, o comunismo ou o socialismo. Inspirado no fascismo de Benito Mussolini, pretendia ser uma força moral e cívica no Brasil.
Neste artigo, o jornalista Bezerra de Freitas anuncia o surgimento da Acção Social Brasileira (ASB), liderada por José Fabrino. Diferenciando-se do Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado, a ASB assume uma inspiração fascista, dizendo focar-se em questões económicas e sociais, promover a ordem, contribuir para o fortalecimento nacional e a evolução moral. Segundo Bezerra de Freitas, o movimento visa criar soluções práticas para a crise do país, mas sem alinhar com o integralismo, o comunismo ou o socialismo. Inspirado no fascismo de Benito Mussolini, pretendia ser uma força moral e cívica no Brasil.
O fascismo começa a ensaiar, entre nós, os seus primeiros passos. Até agora, ele era apenas um motivo de palestras à porta das livrarias. Existiam, aqui e ali, fascistas esparsos ou meros simpatizantes do regime, mas todos sem nenhum espírito de organização. Cavaqueavam, apenas. Discutiam. E se dizemos isto, é porque não se podia atribuir ao Integralismo que surgiu há pouco, uma cor fascista, a menos que para tê-la bastasse usar uma camisa verde ou vermelha. Ele cometeu, de início, um erro que talvez ocasione o seu fracasso numa campanha em que a coragem das afirmativas é uma grande virtude: renegou o fascismo, mascarando-o com uma designação que é mais uma fórmula literária do que política.
O mesmo não fez o Sr. J. Fabrino. Com a visão que lhe deu o seu largo tirocínio na imprensa carioca, o antigo diplomata soube melhor compreender o momento. Nesta hora em que se processa a formação de um novo Brasil, quando há lugar para a pregação de todas as ideias compatíveis com as tendências da sociedade, desde que se fale uma linguagem clara e franca, o Sr. J. Fabrino congrega os adeptos do mesmo credo que o seu, consegue novos prosélitos, apanha a bandeira nitidamente fascista que os outros tinham desprezado e como chefe da AÇÃO SOCIAL BRASILEIRA toma o seu posto na trincheira em companhia de um Estado Maior que ele apresenta "como a maior garantia de sucesso". Foi um dos membros desse Estado Maior, o jornalista Bezerra de Freitas, que procurado por nós, deu-nos as suas impressões sobre o novo partido.
- A AÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, — disse-nos o nosso brilhante colega — deve ser encarada, antes de tudo, como um organismo ativo, livre, saudável, inspirado nas realidades da hora presente.
Não estamos diante de um núcleo de metafísicos, de doutrinadores desejosos de louvores fáceis, com os olhos postos na Sibéria, na Manchúria ou na União Sul Africana. A Ação Social Brasileira tem um sentido nitidamente económico pratico, à altura dos dias decisivos que atravessamos. Os observadores políticos e os amantes de sensações novas julgarão certamente que se trata de um partido político disposto a lutas de toda natureza. Errarão, entretanto, os que assim pensarem.
O programa da Ação Social Brasileira envolve o estudo dos grandes interesses coletivos, como o fortalecimento da raça, a educação mental e moral do povo, a paz, a consolidação da ordem política e social, de acordo com as tendências e os sentimentos conservadores da comunhão nacional. Não pretendendo entrar na análise nem sequer tentar uma síntese das realizações da A. S. B., devo acentuar que ela será difundida por todo o país dentro dos moldes que a soberania do seu chefe determinar.
O programa da A.S.B. reveste-se de todos os característicos de uma lição de sociologia e economia moderna. O panorama da vida nacional denuncia a necessidade de trabalhar, de criar, de vencer as dificuldades que nos assaltam nos dias ásperos de crise e aflições em que nos vamos dissolvendo. Ainda há pouco o escritor Luc Durtain assinalava na Revue de France que há apenas cinco países verdadeiramente cósmicos não só pelas suas dimensões, mas pelo número e grandeza dos problemas que neles se propõem: Rússia, China, Índia, América do Norte e Brasil. O pensador francês observa ali que o nosso destino está integralmente dissolvido no espaço: os regimes e os homens atuam, não porque empreendem; mas de modo mais secreto, porque existem. Nestes últimos tempos, tem-se abusado entre nós das expressões "mentalidade nova” e "recuperação económica”.
A mentalidade artística, científica e literária, evoluiu de forma impressionante, não há dúvida, mas a mentalidade política progrediu muito pouco — isso mesmo graças a alguns partidos políticos sem compromissos — e a crise económica continua a bater todos os sectores da vida nacional. O panorama brasileiro é inquietante. Palavras, promessas, ambições. A Ação Social Brasileira não promete outra coisa senão interessar-se pela sorte do Estado, criar, em síntese, uma altitude diante da vaga de intolerância que ameaça as forças uteis da coletividade. É preciso falar com franqueza, dizer toda a verdade que nos cerca e estabelecer a seleção natural das energias criadoras, porque o mundo contemporâneo pertence cada vez mais aos homens que têm coragem para postos arriscados e cada vez menos aos apáticos de belas atitudes. A Ação Social Brasileira não constitui uma simples profissão de fé. Nem integralista, nem comunista, nem socialista. Um dos seus animadores, o escritor José Fabrino, incluiu-a entre as grandes forças morais e cívicas de nossa época — o fascismo —, e da sua capacidade de evolução só se pode esperar benefícios para o Brasil.
O mesmo não fez o Sr. J. Fabrino. Com a visão que lhe deu o seu largo tirocínio na imprensa carioca, o antigo diplomata soube melhor compreender o momento. Nesta hora em que se processa a formação de um novo Brasil, quando há lugar para a pregação de todas as ideias compatíveis com as tendências da sociedade, desde que se fale uma linguagem clara e franca, o Sr. J. Fabrino congrega os adeptos do mesmo credo que o seu, consegue novos prosélitos, apanha a bandeira nitidamente fascista que os outros tinham desprezado e como chefe da AÇÃO SOCIAL BRASILEIRA toma o seu posto na trincheira em companhia de um Estado Maior que ele apresenta "como a maior garantia de sucesso". Foi um dos membros desse Estado Maior, o jornalista Bezerra de Freitas, que procurado por nós, deu-nos as suas impressões sobre o novo partido.
- A AÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, — disse-nos o nosso brilhante colega — deve ser encarada, antes de tudo, como um organismo ativo, livre, saudável, inspirado nas realidades da hora presente.
Não estamos diante de um núcleo de metafísicos, de doutrinadores desejosos de louvores fáceis, com os olhos postos na Sibéria, na Manchúria ou na União Sul Africana. A Ação Social Brasileira tem um sentido nitidamente económico pratico, à altura dos dias decisivos que atravessamos. Os observadores políticos e os amantes de sensações novas julgarão certamente que se trata de um partido político disposto a lutas de toda natureza. Errarão, entretanto, os que assim pensarem.
O programa da Ação Social Brasileira envolve o estudo dos grandes interesses coletivos, como o fortalecimento da raça, a educação mental e moral do povo, a paz, a consolidação da ordem política e social, de acordo com as tendências e os sentimentos conservadores da comunhão nacional. Não pretendendo entrar na análise nem sequer tentar uma síntese das realizações da A. S. B., devo acentuar que ela será difundida por todo o país dentro dos moldes que a soberania do seu chefe determinar.
O programa da A.S.B. reveste-se de todos os característicos de uma lição de sociologia e economia moderna. O panorama da vida nacional denuncia a necessidade de trabalhar, de criar, de vencer as dificuldades que nos assaltam nos dias ásperos de crise e aflições em que nos vamos dissolvendo. Ainda há pouco o escritor Luc Durtain assinalava na Revue de France que há apenas cinco países verdadeiramente cósmicos não só pelas suas dimensões, mas pelo número e grandeza dos problemas que neles se propõem: Rússia, China, Índia, América do Norte e Brasil. O pensador francês observa ali que o nosso destino está integralmente dissolvido no espaço: os regimes e os homens atuam, não porque empreendem; mas de modo mais secreto, porque existem. Nestes últimos tempos, tem-se abusado entre nós das expressões "mentalidade nova” e "recuperação económica”.
A mentalidade artística, científica e literária, evoluiu de forma impressionante, não há dúvida, mas a mentalidade política progrediu muito pouco — isso mesmo graças a alguns partidos políticos sem compromissos — e a crise económica continua a bater todos os sectores da vida nacional. O panorama brasileiro é inquietante. Palavras, promessas, ambições. A Ação Social Brasileira não promete outra coisa senão interessar-se pela sorte do Estado, criar, em síntese, uma altitude diante da vaga de intolerância que ameaça as forças uteis da coletividade. É preciso falar com franqueza, dizer toda a verdade que nos cerca e estabelecer a seleção natural das energias criadoras, porque o mundo contemporâneo pertence cada vez mais aos homens que têm coragem para postos arriscados e cada vez menos aos apáticos de belas atitudes. A Ação Social Brasileira não constitui uma simples profissão de fé. Nem integralista, nem comunista, nem socialista. Um dos seus animadores, o escritor José Fabrino, incluiu-a entre as grandes forças morais e cívicas de nossa época — o fascismo —, e da sua capacidade de evolução só se pode esperar benefícios para o Brasil.
Em 30 de Julho, surge um Manifesto da ASB, pela implantação do Fascismo no Brasil, assinado por 110 jornalistas do Rio de Janeiro:
- Pela implantação do Fascismo no Brasil - Um manifesto assinado por 110 jornalistas cariocas, que apoiam o programa do sr. J. Fabrino, A Batalha, Rio de Janeiro, 1050, 30 de Julho de 1933, p. 1, 8, 12. O Manifesto "Pela implantação do fascismo no Brasil", inclui nomes dos subscritores, na página 12: José Fabrino, Padre Assis Memoria, Sertório de Castro, Luís Moraes, Bezerra de Freitas, Paulo Silveira, Carlos Maul, Ary Pavão, Fernando Costa, Julio Barata, J. Henrique Brauno, Alfredo Sade, Diniz Junior, Edmar Morel, Eratostenes Frazão, Euclides Caldas, Oscar Sayao, Povoas de Siqueira, João Lima, Thomé Reis, Belfort de Oliveira, Mario Nunes, Franklin Jenz, W. Niemeyer, Mercedes Dantas, entre outros.
Fontes
(excertos, resumos e comentários)
(excertos, resumos e comentários)
- Um novo partido político em São Paulo?, A Batalha, 1004, Rio de Janeiro, 7 de Junho de 1933, p. 1. Joaquim Cândido de Azevedo, secretário da Câmara de Comércio Importador de São Paulo, esclarece que foi nomeado por José Fabrino secretário geral da região de São Paulo da Ação Social Brasileira, e que não fundou um novo partido.
O PROGRAMA:
A ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA é um partido político nacionalista que tem por fim pugnar pela realização de todas as medidas favoráveis no fortalecimento moral, intelectual e material do Brasil e, notadamente, pela execução do que se segue.
Para a ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, que põe a disciplina no serviço da vontade a Lei está acima do Homem, a Ordem acima da Lei, o Direito acima da Ordem e a Pátria acima de tudo. A ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA executará, pela razão ou pela força, todos os atos necessários à realização do seu triunfo. A atividade da ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA divide-se em duas demonstrações de energia: vontade e disciplina — vontade para ordenar, disciplina para obedecer.
VONTADE
A) - A ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, para a unidade do Brasil, quer: — A substituição do regime federativo, cuja força dissociadora dividiu o Brasil em 21 pátrias diferentes, por um todo homogéneo que, tendo por base o município, não entrave, como ora acontece, mas, ao contrário, restabeleça e garanta a unidade nacional, dentro do sistema corporativo. Mas, enquanto não for alcançado esse objetivo, que só se torna exequível com a posse do poder, a ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA será pela unificação da justiça e pela nacionalização do ensino primário.
B) - A ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, para honrar o nosso passado, quer: - a modificação da bandeira nacional, de acordo com as tradições do país; e a reorganização das forças armadas para que o Brasil volte a ocupar, no Continente, o lugar que lhe compete, ainda mesmo que tenhamos de fazer para isso os maiores sacrifícios.
C) - A ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, para a prosperidade económica e financeira do Brasil, quer: — a racionalização das tarifas alfandegárias, de modo a fomentar o nosso intercambio comercial e a baratear a vida do povo; a aplicação de uma lei severa contra subornadores e seus cúmplices, os sonegadores de impostos e, principalmente, contra os defraudadores da Fazenda publica; e a consolidação das finanças nacionais por meio de uma ditadura económica que tenha por fim converter, de acordo com os credores, os empréstimos externos em moeda brasileira, proibir o lançamento de novos empréstimos durante o prazo de 20 anos, impedir a emissão de apólices federais, estaduais, municipais e extinguir os impostos de exportação.
d) - A Ação Social Brasileira, para a proteção à lavoura, baluarte sobre o qual repousa a grandeza do país, quer: — um banco de emissão e credito agrícola; a reorganização e financiamento de comércio de café com recursos desse banco, até que possamos eliminar o regime da retenção; o credito hipotecário a longo prazo, de 20 anos, no mínimo, e a juros de 5 %: o reflorestamento das zonas próximas aos grandes centros, mediante prémios compensadores; a policultura em idênticas condições; o monopólio do Estado para os mecanismos e utensílios agrícolas, sacos de transporte, adubos e drogas veterinárias; instituição de uma taxa, paga contra uma cautela provisória sobre a produção de cana e de açúcar, para formar um banco destinado exclusivamente a financiar a lavoura e a industria açucareiras, devendo aquela taxa reverter ao contribuinte em forma de ações e em banco idêntico a este ultimo destinado ao café, com o aproveitamento de uma das taxas já existente.
e) - A Ação Social Brasileira, para defender o Interesse coletivo, quer: — a legalização do jogo feito à margem da loteria; o combate à falsa liberdade do comércio, para evitar a fraude, proteger a saúde do povo e impedir os lucros exagerados; e a nacionalização integral da pesca e da marinha mercante.
f) - A Ação Social Brasileira, para o desenvolvimento Industrial do Brasil, quer: — a execução de todas as medidas de amparo ao operário, sem prejuízo do apoio devido ao capital numa formula equidistante das tendências plutocráticas e dos exageros da demagogia, dentro de um equilíbrio que vise, principalmente, a estabilidade e a segurança do Estado; a criação de zonas francas para os produtos estrangeiros destinados a reexportação depois de manufaturados pela mão de obra nacional: e a formação de um banco constituído de recursos retirados aos Industriais, que serão acionistas, para fornecer credito barato à indústria.
g) - A Ação Social Brasileira, para o povoamento do solo, quer: - um entendimento com as nações superlotadas de "sem trabalho" para colonizar o Brasil, evitada, porém, não só a aglomeração dos núcleos que ocasionem a formação de focos antinacionais, como a localização de imigrantes nos centros urbanos; convenção com as estradas de ferro para a colonização à margem de suas linhas; e prémio à maternidade.
h) - A Ação Social Brasileira, para o fortalecimento da raça, quer: - o saneamento das zonas insalubres, como o mais premente de todos os problemas nacionais, pois é inconcebível que a 30 minutos do centro da Capital Federal se morra de impaludismo; a difusão de sanatórios contra moléstias infeciosas; a racionalização da indumentária do povo; a modificação do nosso regime alimentar incompatível com o nosso clima; o exame pré-nupcial; a obrigatoriedade da ginástica nas escolas primárias e secundarias; restrição no fabrico, na venda e na importação de bebidas alcoolizadas e proibição do comércio de aguardentes e outros licores altamente espirituosos; a abertura dos portos somente para os imigrantes que tiverem mais de 1m.60 para homens, e 1m.50 para mulheres; e regulamentação de todos os males sociais evitáveis.
i) - A Ação Social Brasileira, para a educação mental do povo, quer: — a nacionalização da imprensa política, a fim de que os grandes órgãos de publicidade, diários e semanários, sejam transformados em elementos de educação do povo mediante compensações que lhe serão dadas; a encampação e suspensão de todos os jornais, publicados nos grandes centros,
quando os mesmos não tenham renda própria; a formação em cada um desses grandes centros, de um conselho, constituído de todos os proprietários de jornais, para deliberar sobre essa encampação; a criação de uma escola de jornalistas; a organização de um quadro de redatores, repórteres e noticiaristas, pagos pelo Estado; a proibição de publicidade de notícias prejudiciais às relações internacionais e à comunhão social; e o estimulo aos intelectuais, artistas o solentistas, por melo de pensões do Estado.
j) - A Ação Social Brasileira, para a educação moral do povo, quer: - a censura do cinema, que está hoje transformado numa escola de depravação: do teatro, a fim de restituir-lhe a sua verdadeira finalidade; o combate à má leitura; a instituição da polícia de costumes para os menores; e o respeito a todas as raças e religiões.
k) - A Ação Social Brasileira, para o combate ao banditismo, quer: - a substituição de júri popular pelo júri técnico; e a prisão perpetua; a instituição da pena de morte, mas somente nos casos em que seja afastada a hipótese de erro judiciário.
DISCIPLINA
l) - Para a execução da sua vontade, a Ação Socia| Brasileira é constituída de um Chefe, que indicará, para seu Estado Maior, 10 nomes. Cada
membro do Estado Maior organizará 10 legiões: cada uma destas legiões se desdobrará em 10 coortes: cada uma destas coortes em 10 centúrias: cada uma destas centúrias em 10 decúrias, compostas cada uma, de 10 patrícios. Os Chefes das legiões, coortes, centúrias e decúrias serão indicadas pelos respetivos organizadores.
m) - O Chefe da Ação Social Brasileira é soberano. Poderá suspender, licenciar, eliminar qualquer dos membros acima citados; nomear os secretários que julgar convenientes aos cumprimentos das suas ordens; vetar qualquer decisão dos seus subordinados; tomar, a seu juízo, qualquer providencia para a defesa dos nacionalistas associados.
n) - Os membros do Estado Maior e os Chefes das legiões, coortes, centúrias e decúrias, serão igualmente soberanos perante os seus subordinados, mas
seus atos podem ser vetados pelo Chefe da Ação Social Brasileira.
o) - Os membros de Estado Maior constituirão o Conselho Consultivo do Chefe, mas a Ação Social Brasileira terá um Conselho Superior, constituído
de homens de notável saber e subdividido em Comissões técnicas.
p) - Para as despesas decorrentes da campanha que a Ação Social Brasileira vai desenvolver, cada um dos nacionalistas dos seus quadros dará, quando puder, o que quiser. Os que desejarem pertencer à Ação Social Brasileira, mas que, por quaisquer motivos, não possam fazer parte da organização acima, serão aceitos como sócios contribuintes.
q) - Aquele que faltar às reuniões, às paradas e ao cumprimento do compromisso assumido, cometerá uma falta que, a juízo do respetivo Chefe, poderá dar motivo da sua eliminação dos quadros da Ação Social Brasileira.
r) - Quem fizer parte dos quadros da Ação Social Brasileira e não concordar com os atos praticados pela mesma, deve demitir-se.
s) - O uniforme constará de camisa azul-celeste com o cruzeiro do Sul todo em branco sobre o coração, gravata azul-marinho, calças cáqui, meias e sapatos pretos e, quando o clima exigir, chapéu escuteiro com 8 centímetros de aba.
t) - O Chefe da Ação Social Brasileira escolherá seu substituto eventual de entre os membros do Estado Maior.
u) - O Cerimonial e o Regimento serão organizados pelo Estado Maior.
v) Para a execução da vontade da Ação Social Brasileira serão criada brigadas de choque.
x) - A Ação Social Brasileira será difundida pelo país inteiro, dentro dos moldes que o seu Chefe determinar.
y) - Os casos omissos serão resolvidos pela Chefe da Acão Social Brasileira.
z) - O Chefe da Ação Social Brasileira poderá, a seu critério, fazer, na organização e nas letras acima, a alteração que entender.
Como Chefe da Ação Social Brasileira investido do mandato que emana não só da minha própria decisão, como da natureza e essência desta iniciativa, elaborou este plano de ação para cuja defesa me invisto de plenos e ilimitados poderes. E de acordo com as letras L e M, supracitadas, indico para membros do Estado Maior, os senhores Assis Memória, Benjamim Lima, Bezerra de Freitas, Carlos Crisci, Carlos Maul, Dinis Junior, Frederico Vilar, José Vieira, Júlio Barata e Luís Moraes – (a) José Fabrino.
Aceitamos os postos para os quais fomos escolhidos e juramos defender, a todo transe, a vontade da Ação Social Brasileira, expressa nas resoluções do Chefe – (a) Padre Assis Memória, Benjamim Lima, Bezerra de Freitas, Carlos Crisci, Carlos Maul, Dinis Junior, Frederico Vilar, José Vieira, Júlio Barata e Luís Moraes
SEMELHANÇAS COM O FASCISMO ITALIANO
Lei acima do Homem, Ordem acima da Lei, Direito acima da Ordem, Pátria acima de tudo
Pela razão ou pela força, todos os atos necessários para triunfar
Pela razão ou pela força, todos os atos necessários para triunfar
1. Nacionalismo Exacerbado. O documento salienta repetidamente a supremacia da pátria, colocando a “Pátria acima de tudo”, o que é um traço do fascismo italiano.
2. Hierarquia e Autoridade. O texto estabelece uma estrutura organizacional fortemente hierarquizada, com um “Chefe” soberano, poderes ilimitados e uma cadeia de comando rígida. O fascismo italiano, sob Mussolini, também era caracterizado por uma liderança centralizada e autoritária, onde o líder detinha poder absoluto.
3. Disciplina e Obediência. A disciplina é apresentada como um valor fundamental, com ênfase na obediência cega à vontade do líder e da organização. O fascismo italiano valorizava igualmente a disciplina, a ordem e a submissão à autoridade do Estado e do partido.
4. Supremacia da Lei e da Ordem. O documento coloca a “Lei acima do Homem, a Ordem acima da Lei”, refletindo uma visão de sociedade onde o indivíduo está completamente subordinado ao coletivo e à ordem imposta pelo Estado, tal como no fascismo italiano.
5. Intervenção Estatal e Corporativismo. Defende a substituição do regime federativo por um sistema centralizado, a nacionalização de setores estratégicos (ensino, imprensa, pesca, marinha mercante), e a intervenção direta do Estado na economia e sociedade. A estatização inclui o ensino e da imprensa. O fascismo italiano implementou um modelo económico e social, abolindo o federalismo e promovendo a centralização do poder.
6. Uso da Força. O programa afirma que os objetivos serão alcançados “pela razão ou pela força”, e prevê a criação de “brigadas de choque”, o que remete para as milícias fascistas (camisas negras) que actuavam como braço armado do partido.
7. Censura e Controlo Social. Propõe censura ao cinema, ao teatro, à imprensa e à “má leitura”, além da criação de uma polícia de costumes. O fascismo italiano também instituiu censura rigorosa e controlo dos meios de comunicação e das artes.
8. Exaltação da Moral e dos Costumes. Há uma preocupação com a “educação moral do povo”, combate ao “banditismo”, defesa da “raça” e regulamentação de costumes, temas recorrentes no discurso fascista, que promovia "valores morais" e políticas de eugenia.
Em síntese, o programa da Ação Social Brasileira apresenta várias características que o aproximam do fascismo italiano: nacionalismo extremo, centralização do poder, culto da autoridade, disciplina, intervenção estatal, uso da força, censura e moralismo. Estas semelhanças sugerem inspiração ou influência direta do modelo fascista europeu, adaptado ao contexto brasileiro.
Um alemão, Hermann Kreh, foi expulso pela polícia. José Fabrino, agradecendo a acção policial, escreveu:
"Como cônsul do Brasil que fui em Berlim - e com o conhecimento que tenho de muitas nações — dou o meu testemunho sobre a consideração de que o nosso País goza na Alemanha. Direi mesmo que, com exceção de Portugal e da Itália (pelas razões já conhecidas), de todos os povos estrangeiros, o alemão é o que mais nos conhece, mais se interessa peia nossa vida, nos estuda melhor e melhor nos trata. Os alemães ilustres, que nos visitam são, invariavelmente, amáveis connosco quando, já em sua casa, dão ou escrevem as suas impressões, o que nem sempre acontece nos outros visitantes. O facto isolado de um indivíduo atacar-nos pela maneira desabrida com que o fez Herman Kreh não deve, pois, diminuir a nossa estima pelos alemães residentes no Brasil, tanto mais quanto a colónia germânica entre nós sempre se distinguiu pelo seu amor à terra brasileira e pela vasta contribuição do seu trabalho e da sua inteligência no nosso desenvolvimento comercial, financeiro, agrícola e científico."
- J. Fabrino, Algumas palavras à Imprensa Brasileira, A Batalha, 1046, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 1933, p. 2. Anúncio do "manifesto dos cento e dez" jornalistas.
- Pela implantação do Fascismo no Brasil, A Batalha, 1050, Rio de Janeiro, 30 de Julho de 1933, p. 1, 8, 12. Este manifesto "Pela implantação do fascismo no Brasil", inclui os nomes dos subscritores.
- J. Fabrino, O Fascismo e o operariado, A Batalha, 1060, Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 1933, p. 3.
O Sr. Costa Rego já admite - o que alguns cegos não querem ver - a existência de um pensamento fascista no Brasil. Já percebeu, também - o que muitos ainda não compreenderam - que o movimento fascista, chefiado por mim, ditatorialmente, não tem nenhuma ligação com a propaganda integralista, dirigida pelos Srs. Drs. Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Madeira de Freitas e outros nomes dignos de apreço. O integralismo é filosofia. O fascismo é só fascismo.
O voto feminino e o Integralismo ameaçam o regime implantado em 1889:
"FORTALEZA, (União) - O general Manoel Rabello, comandante da 7ª Região Militar, pouco antes de embarcar, entrevistado, disse que não sabe se a Constituinte se reunirá. Pensa, porém, acrescentou, que ela não deve reunir-se, pois dos seus trabalhos nada pode esperar o país. Se vier a reunir-se, continuou — duas hipóteses poderão verificar-se: ou será dissolvida antes de concluir os trabalhos ou levará a termo a sua missão. Nesta segunda hipótese - são palavras do citado oficial - teremos uma Constituinte muito inferior à de 1891, por que os elementos escolhidos no pleito de 3 de Maio estão muito aquém, moral e intelectualmente, dos legisladores que elaboraram a primeira carta política republicana. Além de tudo isto, na Constituinte dos nossos dias refletirá a influencia prejudicial do clericalismo, graças ao voto feminino, que dominou em muitos pontos do território nacional, / O general Manuel Rabello, com vivacidade, disse ainda que no seu entender o voto feminino é um grande mal e que todo esforço sincero e bem-intencionado, neste momento, deve ser no sentido da manutenção da separação da Igreja do Estado, pois receia que seja sacrificada esta grande vitória de 89. Se isto acontecer, grandes e nefastos acontecimentos nos estarão reservados. / Falando sobre o Integralismo, declarou que é feita, presentemente, com o rotulo de Integralismo, a propaganda de uma doutrina reaccionária clerical, de que nenhum bem poderá advir, felizmente, para a Nação Brasileira, O Integralismo jamais poderá dominar e contra ele erguer-se-ao a alma liberal do país e o bom senso dos homens de responsabilidade na direcção da causa pública."
O voto feminino e o Integralismo ameaçam o regime implantado em 1889:
"FORTALEZA, (União) - O general Manoel Rabello, comandante da 7ª Região Militar, pouco antes de embarcar, entrevistado, disse que não sabe se a Constituinte se reunirá. Pensa, porém, acrescentou, que ela não deve reunir-se, pois dos seus trabalhos nada pode esperar o país. Se vier a reunir-se, continuou — duas hipóteses poderão verificar-se: ou será dissolvida antes de concluir os trabalhos ou levará a termo a sua missão. Nesta segunda hipótese - são palavras do citado oficial - teremos uma Constituinte muito inferior à de 1891, por que os elementos escolhidos no pleito de 3 de Maio estão muito aquém, moral e intelectualmente, dos legisladores que elaboraram a primeira carta política republicana. Além de tudo isto, na Constituinte dos nossos dias refletirá a influencia prejudicial do clericalismo, graças ao voto feminino, que dominou em muitos pontos do território nacional, / O general Manuel Rabello, com vivacidade, disse ainda que no seu entender o voto feminino é um grande mal e que todo esforço sincero e bem-intencionado, neste momento, deve ser no sentido da manutenção da separação da Igreja do Estado, pois receia que seja sacrificada esta grande vitória de 89. Se isto acontecer, grandes e nefastos acontecimentos nos estarão reservados. / Falando sobre o Integralismo, declarou que é feita, presentemente, com o rotulo de Integralismo, a propaganda de uma doutrina reaccionária clerical, de que nenhum bem poderá advir, felizmente, para a Nação Brasileira, O Integralismo jamais poderá dominar e contra ele erguer-se-ao a alma liberal do país e o bom senso dos homens de responsabilidade na direcção da causa pública."
"Vamos devagar. O homem de quem o Brasil necessita há de surgir. Mas para que isso aconteça precisamos de preparar o terreno. Já disse e repito: o nosso Duce tanto pode sair das fileiras da ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, como dos exilados de Lisboa, dos chefes da União Cívica Nacional, dos membros do Club Três de Outubro ou dos políticos da Primeira República. É ainda muito possível que o nosso futuro Capo esteja, neste momento, dentro de uma fábrica, vestindo a sua blusa de operário, sem pressentir o seu glorioso futuro, como não seria surpresa si víssemos o nosso Messias emergir do meio dos capitães do mundo económico. Quem sabe, também, se não é um universitário de hoje que tem em suas mãos o Brasil de amanhã, que o destino está reservando essa perigosa e nobre missão? E entre os militares, os jornalistas, os advogados, os médicos, os engenheiros, não existem, porventura, mergulhados na obscuridade voluntaria, tantos valores que poderiam vir à tona, desde que se preparasse a atmosfera dentro da qual fossem reveladas as suas qualidades excecionais?"
"Vamos devagar. O homem de quem o Brasil necessita há de surgir. Mas para que isso aconteça precisamos de preparar o terreno. Já disse e repito: o nosso Duce tanto pode sair das fileiras da ACÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, como dos exilados de Lisboa, dos chefes da União Cívica Nacional, dos membros do Club Três de Outubro ou dos políticos da Primeira República. É ainda muito possível que o nosso futuro Capo esteja, neste momento, dentro de uma fábrica, vestindo a sua blusa de operário, sem pressentir o seu glorioso futuro, como não seria surpresa si víssemos o nosso Messias emergir do meio dos capitães do mundo económico. Quem sabe, também, se não é um universitário de hoje que tem em suas mãos o Brasil de amanhã, que o destino está reservando essa perigosa e nobre missão? E entre os militares, os jornalistas, os advogados, os médicos, os engenheiros, não existem, porventura, mergulhados na obscuridade voluntaria, tantos valores que poderiam vir à tona, desde que se preparasse a atmosfera dentro da qual fossem reveladas as suas qualidades excecionais?"
- Souza Lima, "Crer no brasileiro - Eis a palavra de comando!", A Batalha, 1079, Rio de Janeiro, 2 de Setembro de 1933, p. 3 ...existem, sim, os homens do estofo, moral e heróico, de um Mussolini, de um Salazar, de um Hitler, de um Kemal Pachá. [...] O movimento fascista, encabeçado pelo sr. J. Fabrino, é, antes de mais nada, um grito de fé, uma exclamação de confiança no brasileiro. Esse movimento encerra o condão do triunfo - Souza Lima
- Padre Assis Memoria, O novo sopro de Brasilidade, A Batalha, 1080, 3 de Setembro de 1933, p. 3
- Regimento interno da ação social brasileira (Partido Nacional Fascista), A Batalha, 1092, Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 1933, pp. 6 e 8.
Júlio Barata [que assina Júlio Carvalho] é substituído na direcção do jornal A Batalha e a actividade do Partido Nacional Fascista do Brasil deixa de ser notícia. Júlio Barata voltará depois à direcção do jornal, mas fazendo uma viragem de linha editorial. Entre Junho e Setembro de 1933, pertencera ao Estado Maior dos fascistas brasileiros e o jornal que dirigia foi o seu órgão oficioso, combatendo o Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado, porque este não era fascista. Quando volta à direcção do jornal, vai continuar a combater o Integralismo de Plínio Salgado mas, doravante, porque Plínio seria fascista. No início da ditadura de Getúlio Vargas, Júlio Barata estava na direcção do jornal, sendo depois Diretor da Divisão de Radiodifusão do extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (1940-1942) e, nos Estados Unidos, de 1942 a 1944, Chefe da Seção Brasileira do “Coordinator of Inter-American Affairs”, etc.
Júlio Barata [que assina Júlio Carvalho] é substituído na direcção do jornal A Batalha e a actividade do Partido Nacional Fascista do Brasil deixa de ser notícia. Júlio Barata voltará depois à direcção do jornal, mas fazendo uma viragem de linha editorial. Entre Junho e Setembro de 1933, pertencera ao Estado Maior dos fascistas brasileiros e o jornal que dirigia foi o seu órgão oficioso, combatendo o Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado, porque este não era fascista. Quando volta à direcção do jornal, vai continuar a combater o Integralismo de Plínio Salgado mas, doravante, porque Plínio seria fascista. No início da ditadura de Getúlio Vargas, Júlio Barata estava na direcção do jornal, sendo depois Diretor da Divisão de Radiodifusão do extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (1940-1942) e, nos Estados Unidos, de 1942 a 1944, Chefe da Seção Brasileira do “Coordinator of Inter-American Affairs”, etc.
Eis um verdadeiro monumento de perfídia acerca de Plínio Salgado, atribuindo-lhe inspiração no culto do super-homem de Nietzsche, e dando como falsa a sua espiritualidade e fé católica. Júlio Barata não cita Plínio Salgado, citando antes um erro de análise de Gustavo Barroso que, na verdade, chegou a atribuir aos fascismos um personalismo universalista que apenas existia nos integralismos. No mesmo passo, Barata omitiu as "diferenças profundas" entre o Integralismo e os Fascismos que, no livro O Integralismo e o Mundo, Barroso também assinalou:
"O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Império Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
No fundo, o Fascismo, entroncando-se na tradição romana, reveste-se de um carácter cesáreo e pagão. Cultua o super-homem nietzschiano, que é a pianta uomo de Alfieri, prendendo-se à hipertrofia dos grandes tipos do Renascimento. Do mesmo modo, o Nazismo, estatuído sobre a tradição racial nórdica, toma um feitio nitidamente odínico. Rende preito à força bárbara da invasão dos godos antigos. O Integralismo traz em si o idealismo de três raças: o sonho das tribos andejas dos tupis em busca de uma terra feliz, o sonho de libertação dos escravos arrancados aos sertões longínquos, o sonho de gloria e riqueza dos conquistadores e bandeirantes audazes. A bênção do jesuíta uniu todos debaixo da mesma cruz. Dos Guararapes ao Aquidaban, o sangue de todos os uniu no mesmo destino. O seu culto é a cruz que juntou as três raças e os três sonhos.
O Estado Corporativo Brasileiro é uma verdadeira democracia orgânica, pois resulta dos sufrágios dos sindicatos, federações e corporações.
A base do Estado reside na família. Das famílias nasce o município. E os sindicatos se organizam nos municípios. A organização vem de baixo para cima, nasce do próprio povo.
O Estado Corporativo Italiano já não é assim. O impulso parte de cima. É o governo quem tudo organiza até o âmbito familiar, de onde o movimento organizador volta novamente ao Estado, como um reflexo. O mesmo se dá mais ou menos no Estado Corporativo Nazista.
As Corporações na Itália e na Alemanha refletem o Estado; no Brasil, produzem o Estado.
Estudando-se bem as três doutrinas, verificar-se-á que o Integralismo está num ponto em que se não pode aproximar do Fascismo e do Nazismo sem perda de expressão; mas em que ambos podem evoluir até ele."
[ Gustavo Barroso, O Integralismo e o Mundo, 1936, pp. 17-18. ]
A expectativa de uma futura aproximação do Fascismo e do Nazismo ao Integralismo, aqui exposta por G. Barroso, não se concretizou nem podia concretizar-se sem que os lideres fascistas e nazis abjurassem das concepções filosóficas modernistas por via das quais pensavam a Política e por via das quais actuaram, com sucesso, na conquista dos poderes do Estado.
28.12.2025 - J.M.Q.
Eis um verdadeiro monumento de perfídia acerca de Plínio Salgado, atribuindo-lhe inspiração no culto do super-homem de Nietzsche, e dando como falsa a sua espiritualidade e fé católica. Júlio Barata não cita Plínio Salgado, citando antes um erro de análise de Gustavo Barroso que, na verdade, chegou a atribuir aos fascismos um personalismo universalista que apenas existia nos integralismos. No mesmo passo, Barata omitiu as "diferenças profundas" entre o Integralismo e os Fascismos que, no livro O Integralismo e o Mundo, Barroso também assinalou:
"O Fascismo se enraíza na gloriosa tradição do Império Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anticristã. O Estado nazista é também pagão e se baseia na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado neste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutíveis racistas do mundo.
No fundo, o Fascismo, entroncando-se na tradição romana, reveste-se de um carácter cesáreo e pagão. Cultua o super-homem nietzschiano, que é a pianta uomo de Alfieri, prendendo-se à hipertrofia dos grandes tipos do Renascimento. Do mesmo modo, o Nazismo, estatuído sobre a tradição racial nórdica, toma um feitio nitidamente odínico. Rende preito à força bárbara da invasão dos godos antigos. O Integralismo traz em si o idealismo de três raças: o sonho das tribos andejas dos tupis em busca de uma terra feliz, o sonho de libertação dos escravos arrancados aos sertões longínquos, o sonho de gloria e riqueza dos conquistadores e bandeirantes audazes. A bênção do jesuíta uniu todos debaixo da mesma cruz. Dos Guararapes ao Aquidaban, o sangue de todos os uniu no mesmo destino. O seu culto é a cruz que juntou as três raças e os três sonhos.
O Estado Corporativo Brasileiro é uma verdadeira democracia orgânica, pois resulta dos sufrágios dos sindicatos, federações e corporações.
A base do Estado reside na família. Das famílias nasce o município. E os sindicatos se organizam nos municípios. A organização vem de baixo para cima, nasce do próprio povo.
O Estado Corporativo Italiano já não é assim. O impulso parte de cima. É o governo quem tudo organiza até o âmbito familiar, de onde o movimento organizador volta novamente ao Estado, como um reflexo. O mesmo se dá mais ou menos no Estado Corporativo Nazista.
As Corporações na Itália e na Alemanha refletem o Estado; no Brasil, produzem o Estado.
Estudando-se bem as três doutrinas, verificar-se-á que o Integralismo está num ponto em que se não pode aproximar do Fascismo e do Nazismo sem perda de expressão; mas em que ambos podem evoluir até ele."
[ Gustavo Barroso, O Integralismo e o Mundo, 1936, pp. 17-18. ]
A expectativa de uma futura aproximação do Fascismo e do Nazismo ao Integralismo, aqui exposta por G. Barroso, não se concretizou nem podia concretizar-se sem que os lideres fascistas e nazis abjurassem das concepções filosóficas modernistas por via das quais pensavam a Política e por via das quais actuaram, com sucesso, na conquista dos poderes do Estado.
28.12.2025 - J.M.Q.
Bibliografia
- 2019 - Gustavo Binhardi Rocha. A Trajetória política de J. Fabrino, um Fascista Brasileiro (Rio de Janeiro, 1933) [PDF]. 28º Encontro Anual de Iniciação Científica. Paraná, 10 & 11 de outubro de 2019. Disponível em: http://www.eaic.uem.br/eaic2019/anais/artigos/3595.pdf. Acesso em: 10 de junho de 2023. [apesar de ainda incluir a AIB no "fascismo" brasileiro, constitui uma boa resenha do "estado da questão", em 2019, dos estudos acerca do verdadeiro fascismo brasileiro]
- 2023 - J. M. e Matheus Lima - O verdadeiro fascismo à brasileira – Nova Acção (.pdf) / https://novaaccao.com/o-verdadeiro-fascismo-a-brasileira/
J. M. Q.
28.12.2025
28.12.2025
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