ESTUDOS PORTUGUESES
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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
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António Sardinha e os 'Azoríns, Unamunos & Cia.'

José Manuel Quintas

As reflexões de António Sardinha acerca de Unamuno, Ortega y Gasset e Azorín e o destino peninsular
  • Miguel de Unamuno, Ortega y Gasset e Azorín na Perspetiva de António Sardinha. António Sardinha destaca, ao abordar o ambiente intelectual espanhol, a presença marcante de figuras como Miguel de Unamuno (1864-1936), José Ortega y Gasset (1883-1955) e José (Azorín) Martínez Ruiz (1873-1967). Na sua perspectiva, esses autores exemplificam uma tradição cultural espanhola adormecida e submetida a figurinos estrangeiros. Sardinha argumenta que é mais relevante compreender as condições sociais que originam e permitem a aceitação de filosofias estrangeiras em Espanha do que analisar os seus méritos ou defeitos. Sardinha cita Julien Benda ao diagnosticar uma sociedade que relega a inteligência em prol da satisfação das sensações e do impressionismo, fenómeno que reconhece tanto em Espanha como em Portugal.
  • Leonardo Coimbra e o Panorama Intelectual Espanhol. Ao comentar a 'filosofia' de Leonardo [Coimbra (1883-1936)], Sardinha traça um quadro muito crítico dos meios intelectuais espanhóis, onde predominam o “criticismo fossilizado” de Ortega y Gasset e os “paradoxos arlequinescos” de Unamuno. Destacando a crise intelectual contemporânea diagnosticada por Gonzague Truc, Sardinha defende uma restauração do pensamento filosófico tomista na Península e na Europa. Um retorno à Escolástica é o caminho para recuperar uma filosofia sólida e ordenadora, capaz de influenciar positivamente as mentes e as instituições. O fortalecimento das direções intelectuais é fundamental para uma regeneração social e cultural da Europa.
  • ​​A Visão Crítica de Sardinha sobre os "Azoríns, Unamunos & Cia.". Em “A agonia de Agatão Tinoco” (1919), Sardinha contrasta Ángel Ganivet com Unamuno, qualificando este último como um “bufarinheiro das coisas da inteligência”, alguém que à distância reluz como ouro mas que é, de facto, latão sem valor; em “Poemas Castellanos” (1920), Sardinha expressa desdém pelo sucesso das publicações de Antonio de Hoyos y Vinent (1884-1940), considerando que só por uma "avariose bem grave da inteligência e do sentimento" podem as suas publicações ser separadas do terreno da genuína pornografia; no ensaio “Paixão de Espanha” (1921), Sardinha explicita o teor e fundo das suas críticas ao identificar no liberalismo arcaico e caricatural o fator que impede a manifestação da verdadeira nação espanhola. Esse liberalismo, segundo Sardinha, aprisiona a monarquia e permite a propagação de doutrinas derrotistas. Unamuno e Ortega y Gasset são aí qualificados como “genuínos palhaços da Inteligência”, responsáveis por roubar a chama épica da nação espanhola. Estes “invertebrados e desnacionalizados” (aludindo ao recente ensaio "Espanha invertebrada" de Ortega y Gasset) seriam os artífices do abismo moral e social que ameaça a Espanha, cenário agravado pela conjura secreta dos partidos, caracterizada por pompa vazia e mediocridade, à semelhança do que Eça de Queirós criticou no constitucionalismo português.
  • Menéndez Pelayo e a Identidade Peninsular. Em “Madre-Hispânia” (1924), Sardinha exalta Menéndez Pelayo, apresentando-o como o grande mestre que orienta a reflexão sobre as glórias da Península. Ao analisar o papel da Estremadura na expansão marítima e cristianização do Novo Mundo, rejeita as “explicações artificiosas e infantis de um Unamuno”, valorizando antes o fervor coletivo - envolvendo todos os estratos sociais - e heróico, que motivou a aventura ultramarina. 
  • O Destino da Península: Unidade, Patriotismo e Superação de Sofismas. Em “Cabeça de Europa" , capítulo de A Aliança Peninsular (1924), Sardinha recorda as razões expostas por Moniz Barreto após o Ultimatum britânico e argumenta que, para evitar uma catástrofe final dos povos peninsulares, é necessário restaurar um sentimento hispânico de unidade espiritual. Para Sardinha, a Inteligência deve liderar a preparação do futuro, combatendo o “mal da superstição da Europa” que aflige a Península Ibérica, voltando a criticar figuras como Unamuno e Ortega y Gasset por representarem a demissão da autonomia mental peninsular, preferindo o aplauso fácil a valorizar uma verdadeira compreensão do espírito castelhano. Sardinha lamenta uma vez mais a ausência de sucessores do pessimismo heróico de Ángel Ganivet e do nacionalismo de Menéndez Pelayo, vendo nisso a raiz do desarranjo espanhol, refletido tanto no Estado quanto nas almas e vontades. Critica a predominância de sofismas e ficções. Há um divórcio entre o génio peninsular e os regimes políticos vigentes na Península.
 
J. M. Q.

​25 de Setembro de 2025

Excertos dos textos citados

O 'filósofo' Leonardo [Coimbra]:
 
Quem conheça os meios intelectuais espanhóis, onde pontifica em ar de novidade o criticismo fossilizado de um Ortega y Gasset e se saúdam como superiores manifestações de génio os paradoxos arlequinescos de um Unamuno, não se surpreende em nada com essa jornada gloriosa do «filósofo». Adormecida a tradição da sua antiga cultura e morto quase sem sucessores o insigne Menéndez Pelayo, a Espanha encontra-se subalternizada de tal maneira ao figurino estrangeiro que só aí foi possível aclimatar-se o Kraussismo como doutrina universitária!
Nota lançada à margem da nossa vida colectiva, eis as reflexões que me suscita a «filosofia», do senhor Leonardo Coimbra. Descentrá-la, esquartejá-la, reduzi-la à sua inanidade – é o que menos nos importa. O que nos importa é investigar e salientar as condições sociais da sua génese e da sua aceitação. Afigura-se-me que o diagnostica perfeitamente o crítico Julien Benda quando classifica de democracia toda e qualquer sociedade que, relegando como um fardo incómodo o primado da Inteligência, põe de parte o prazer humano de raciocinar e compreender, para satisfazer apenas a sua avidez animal de sensação e de impressionismo. Não é outra a situação da sociedade portuguesa, ao anoitecer de um mundo que se vai – de um mundo que não tem salvação possível!
 


Em "A agonia de Agatão Tinoco" (1919):

"Foi Ángel Ganivet um dos mais fortes e mais originais pensadores de Espanha nos últimos trinta anos. Há no seu Idearium español – espécie de interessante breviário nacionalista – muita página cuja meditação reflectida se impõe como um dever a nós outros, portugueses. Ganivet, dotado de um rico temperamento literário, escrevia às vésperas do desastre de 98. Já não lhe presenciou a violência do golpe. Levado para a cova em plena mocidade da vida e do talento, nós vemos que a sua obra, feita de bocados e de apontamentos de génio, serve de raiz fecunda a este despertar vigoroso e lento da grande-madre Espanha. Se algum aspecto de patriotismo elevado se nota nos livros de Unamuno, é ainda um eco do belo espírito de Ganivet. Unamuno e Ganivet conviveram juntos numa ocasião de concurso – Ganivet observava e Unamuno estudava a anatomia das rãs. Prouvera a Deus que Unamuno continuasse estudando e que nunca a mentalidade rebuscada e artificial pensasse um dia em se substituir a Ganivet!
Falaremos com mais vagar de semelhante personagem. Hoje não quero perturbar-me com a lembrança desse bufarinheiro das coisas da inteligência que, sendo latão sem preço, fulgura às vezes ao longe como ouro de lei. O que eu desejo é recapitular as minhas impressões acerca de um dos mais significativos trechos de Ganivet no seu 
Idearium."


Em "Poemas Castellanos" (1920):

Ao assinalar o pequeno volume do Marquês de Lozoya, Poemas Castellanos,  Sardinha deplora "os vários Azoríns, Unamunos & Cia.":  "eu não sei se a leitura em Espanha – com os vários Azoríns, Unamunos & Cia. – constitui, realmente, assunto em que valha a pena demorar um pouco a nossa atenção, sedenta de coisas mais humanas e mais elevadas.":

"Desde que Ganivet morreu, e com ele o espírito cívico que no Idearium Español tão largas perspectivas nos deixava entrever, eu não sei se a leitura em Espanha – com os vários Azoríns, Unamunos & Cia. – constitui, realmente, assunto em que valha a pena demorar um pouco a nossa atenção, sedenta de coisas mais humanas e mais elevadas.
Não passa, em verdade, de uma cópia subserviente do que há de pior nos figurinos estrangeiros. Agora é que Oscar Wilde se traduz! E só por uma avariose bem grave da inteligência e do sentimento se explicam os sucessos editoriais de um Hoyos y Vinent, se os quisermos separar do terreno da genuína pornografia.
​Pobre diabo da feira das letras, sem inspiração alguma de talento, Hoyos y Vinent não é mais que um coleccionador de pontas de cigarros, apanhadas gulosamente entre os objectos de um Jean Lorrain ou de um Claude Farrére. E o seu caso nos basta para marcar o grau de consciência artística em que se estagna o mundo literário espanhol.
Neste fundamentado desinteresse que, naturalmente, me suscita a literatura em Espanha, o pequeno volume do Marquês de Lozoya, 
Poemas Castellanos, assinala uma inesperada excepção, digna, por isso, de todo o registo e de todo o aplauso."



Em "Paixão de Espanha" (1921), explicita alguns dos seus motivos: 

"O que apodrece em Espanha, impedindo que a nação verdadeira se manifeste, é o seu liberalismo arcaico e caricatural que aprisiona a monarquia e que permite a um general pregar da sua cadeira de senador uma doutrina de ignominioso derrotismo. São os sofistas de ínfima espécie – genuínos palhaços da Inteligência, como Unamuno e Ortega y Gasset – quem rouba à nação irmã a flama épica em que ela estremece até à medula dos ossos. É um bando de invertebrados e desnacionalizados que preparam para a sua terra o abismo moral e social em que a nossa abala perdida.
É a conjura secreta dos partidos, digladiando-se sem idealidade nem finalidade naquele recorte de pompa sonora e vazia com que Eça de Queiroz estigmatizou as doiradas mediocridades do nosso Constitucionalismo. (...)
 
​
Em Madre-Hispânia (1924), firmando-se em Menéndez Pelayo:

"Sempre que se fala das glórias da Península, o nome de Menéndez Pelayo, o grande mestre, acode tutelarmente a encaminhar-nos e a amparar-nos.".

Ao referir-se à "circunstância de haver sido Estremadura, uma região ou país do interior, quem entre as várias províncias de que se entretecia a coroa católica de Castela se atirou com heróica febre à aventura dos mares e à cristianização do Novo-Mundo, em que parecia ressuscitar, saído dos fundos misteriosos do Oceano, o prestígio fabuloso da Atlântida , dizia isso, sim, mas sem recorrer "às explicações artificiosas e infantis de um Unamuno, quando atribui ao «Amor do risco» (espécie de paixão animal e inferior que poderia conduzir às galés, da mesma maneira que conduzia às esplanadas da fama) o impulso coletivo que em Estremadura atirou, como uma só pessoa, vibrando numa única aspiração, para as terras moças do Poente – para as maravilhosas Índias Ocidentais – fidalgos e frades, labregos e letrados, até crianças e mulheres, trasladando na sua mudança o grão do celeiro e o cortejo ruidoso dos animais domésticos".
 

Em Cabeça de Europa (1924) (in A Aliança Peninsular):
 
"De modo que as razões invocadas por Moniz Barreto em 91 – logo depois do Ultimatum – subsistem, poderosas como nunca, pelo cortejo incessante de desgraças e humilhações em que o prestígio da Península se afunda cada vez mais. Só a restauração do sentimento perdido da ‘unidade hispânica’ evitará que a catástrofe final se consuma e que tanto Espanha como Portugal, solidários no suicídio comum, rolem sem epitáfio para as criptas anónimas da história! Na preparação do futuro, à Inteligência compete a obra inicial. Enferma a Espanha do mal que Salaverría definiu com acerto ‘superstição da Europa’. O desprezo de um Unamuno, ou de um Ortega y Gasset, pelas linhas estruturais do génio castelhano, representa, em personagens que se reputam de cultos, uma demissão completa de autonomia mental. Títeres da larga feira das ideias, cultivam o aplauso das plebes do pensamento, assumindo posições de dúvida metódica que, perante o rumo do espírito contemporâneo, bastam só por si para caracterizarem quem as usa, como forçados deploráveis das coisas nobres do Entendimento. E, no entanto, ostentam-se como professores de anti espanholismo, não lhes faltando ambiente – não lhes faltando auditório! O pessimismo heróico de Ángel Ganivet e, sobretudo, a formidável labareda nacionalista de Menéndez Pelayo, não encontraram sucessores que de tão salutares incitamentos extraíssem uma teoria de salvação pública. Eis onde buscar a raiz fundamental do desarranjo que a Espanha sofre, como nação, nas suas categorias intelectuais e sentimentais. Espelha-se na desordem do Estado a desordem ainda mais revolta das almas e das vontades. Daí o assistirmos em Espanha a uma incrível preponderância dos sofismas e das ficções que já passaram de moda em toda a Europa que estuda e que age, esforçando-se por opor à mentira torpe do 89 uma errata necessária e inadiável. Porque em Portugal tocámos mais de perto o fundo da taça com que a Democracia empeçonhou as instituições sociais e políticas dos dois povos peninsulares, nós possuímos hoje uma perceção dos destinos da Península que dificilmente se topa em Espanha, entontecida por aquela ‘flutuação de doutrinas’, de que já nos falava Moniz Barreto. Minoria que sejamos, cumpre-nos talvez o começo de um empreendimento, que decerto não procura vazar-se em realizações imediatas sem que se forme e tome consistência primeiro um movimento paralelo e concorde que fortifique as duas pátrias internamente, libertando-as da oligarquia infamante dos banqueiros e dos profissionais da política.
A preparação do patriotismo, tanto espanhol como português, é, desta maneira, condição basilar para que se entre sem vacilações no caminho da aproximação e, consequentemente, da aliança entre Portugal e Espanha. Não o patriotismo romântico e verbalista, bandeira de todas as clientelas, máscara de todos os desígnios, ainda os mais inconfessáveis! Mas o patriotismo que se nutre das lições do Passado, encarado como uma experiência e como uma disciplina, fora de cujo concurso não há para os agregados humanos nem estabilidade nem continuidade aproveitável.
Semeadores portugueses e espanhóis do mesmo tipo de civilização, o seu patriotismo amplia-se e completa-se numa espécie de supernacionalismo, de que participam igualmente as demais nações que da Península tiram a sua origem. Valorizar a sua posição no mundo, corrigirem-se dos erros políticos que nos enfraquecem e desautorizam no concerto das potências, eis o programa que se impõe a Portugal e Espanha, para que não desmereçam das atenções crescentes em que os seus filhos da América não se cansam de envolver o nome sagrado da Península. Compreende-se, pois, que, sobre tudo, há a difundir um estado de espírito que liberte na Península as mentalidades dirigentes dos inconcebíveis fetiches políticos a que não se envergonham de sacrificar ainda. Vítimas do sofisma democrático, como acentuámos, não são outras as causas do isolamento aviltante em que a Espanha se encontra na Europa, nem da dolorosa subalternização internacional que Portugal padece. A chamada ‘decadência dos povos peninsulares’ não existe como motivo que explique o seu declive, longo crepúsculo. O que existe é um divórcio absoluto entre as diretrizes fundamentais do génio peninsular e a noção vigente de Estado – o seu que, em vez de as servir, coordenar e engrandecer, se empenha, por uma degenerescência sem qualificação, em abastardá-las e deprimi-las."

 
 
[negritos acrescentados]

Refs. (externas)
Obras publicadas por Miguel de Unamuno (1864-1936), antes de 1925:
1899 - Contra el purismo [I-II-III] (Revista Nueva, Madrid, 25 de abril de 1899.) → dos versiones · Sobre la dureza del idioma castellano · Contra el purismo II (El Sol, Buenos Aires, 1 de noviembre de 1899.) · El pueblo que habla español
1902 - La Educación
1903 - Contra el purismo (La España Moderna) → dos versiones…
1903 - Literatura hispanoamericana: Miguel Cané
1904 - Alma vasca · Guerra civil · Universidad hispanoamericana
1906 - Sobre la europeización
1908 - Por el Estado a la cultura · El presupuesto de cultura de Barcelona · Su Majestad la Lengua Española
1909 - Carta a Azorín [sobre los papanatas europeos]
1912 - Un postulado de sentido común español · ¡Guerra a la guerra!
1913 - El alma ingenua del público · La Kultura y la Cultura · Eruditos, heruditos y hheruditos
1915 - Hispanofilia · La noluntad nacional · Mis paradojas de antaño
1918 - España protegida
1919 -  El orden y la monarquía
1920 - Galdós en 1901
1923 - Ateología
1924 - Tres conferencias sobre liberalismo español

José Ortega y Gasset  1883-1955​
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Entre 1905 y hasta 1907 estudia en Alemania: Leipzig, Nuremberg, Colonia, Berlín y, sobre todo, en Marburgo, en donde tomó contacto con las «musas alemanas» (el neokantismo de Herman Cohen y de Paul Natorp, entre otros) que tanto impresionaron a Ortega (ávido lector de Nietzsche en su juventud), hasta el punto de que llegó a estar toda su vida obsesionado por la grandeza de la filosofía, la ciencia y la técnica alemanas (su hijo Miguel Germán recibió este nombre en recuerdo de su estancia en Alemania a la que consideraba su «segunda patria»).
Defendió un europeísmo (que Unamuno llegó a considerar propio de «papanatas») de corte germanizante que le condujo a dudar de la existencia de una filosofía española e incluso a considerarse la encarnación de esa filosofía, así como a postularse como iniciador de la «verdadera filosofía» (la Biognosis), concebida como «Crítica de la Razón histórica» y entendida como «ciencia de lo humano» («ciencia de la vida» en sentido estricto), en tanto que distinta e irreductible a la razón física y de la razón abstracta. Ortega, en efecto, estaba convencido de que la «raza», la «sustancia» españolas estaban enfermas y proponía – envuelto como estaba por el «mito de la cultura» – como «medicina» la ingestión de grandes dosis de «cultura» (alemana, desde luego).
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El 23 de Marzo de 1914 pronuncia un discurso en el Teatro de la Comedia de Madrid titulado «Vieja y Nueva política» que se considera el acto fundacional de la Liga de Educación Política Española. En él, tomando como principios el liberalismo y la nacionalización, se postulaba como la vanguardia de la «España vital» frente a la «España oficial». En 1917 se ve obligado a interrumpir su colaboración con El Imparcial, pero rápidamente se incorpora a la nómina de colaboradores El Sol, diario fundado por el empresario vasco Nicolás de Urgoiti pero inspirado por Ortega. En este diario se publicaron los «folletones» que anticiparon dos de sus obras más importantes: España invertebrada y La rebelión de las masas. El propio Urgoiti funda, en 1920, la Editorial Calpe (que se unirá más tarde con Espasa) una de cuyas colecciones será dirigida por Ortega: la «Biblioteca de Ideas del Siglo XX». La empresa editorial más importante de Ortega será, no obstante, la Revista de Occidente, fundada en 1923. Desde ella, asimismo, promovió la traducción de las más importantes tendencias filosóficas y científicas de la época: Spengler, Huizinga, Husserl, Simmel, Uexküll, Heimoseth, Brentano, Driesch, Müller, Pfänder, Russell, &c., son algunos de los autores más representativos. 

https://www.filosofia.org/ave/001/a185.htm


Obras publicadas por Ortega y Gasset antes de 1925:
 
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1914 - Meditaciones del Quijote • Vieja y nueva política
1916 - Personas, Obras, Cosas (textos de 1904 a 1912: «Renan», «Adán en el Paraíso», «La pedagogía social como programa político», «Problemas culturales», &c.)
1916-1934 - El Espectador (8 tomos publicados entre 1916 e 1934)
1921 - España Invertebrada
1923 - El tema de nuestro tiempo
1924 - Las Atlántidas

Em 1922, a “Biblioteca de ideas del siglo XX”, dirigida por José Ortega y Gasset, publicou a primeira tradução para castelhano, por Manuel García Morente (1886-1942), da obra La decadencia de Occidente, de Oswald Spengler.

José (Azorín) Martínez Ruiz (1873-1967)

No início da sua juventude, Azorín aproximou-se dos ideais anarquistas e traduziu para o espanhol alguns autores libertários — As Prisões de Kropotkin —. Em 1897 foi expulso do jornal El País por "um artigo sobre o amor livre" e participou em vários protestos – contra o projeto de homenagem a Echegaray, entre eles – juntamente com outros intelectuais. Mais tarde, nos primeiros anos do século XX, aproximou-se das fileiras conservadoras de Antonio Maura e foi deputado por seu partido em cinco ocasiões, além de secretário de Instrução Pública duas vezes, em 1917 e 1919.

fonte: https://www.rae.es/academico/jose-martinez-ruiz-azorin


Antonio de Hoyos y Vinent (1885-1940) publicou, entre outras prosas, antes de 1925:
1904 - Mores in Vita, novela
1905 - Frivolidad, novela.

​1909 - Del huerto del pecado, contos.
1914 - Oro, Seda, Sangre y Sol (las novelas del Toreo)
​
1914 - El horror de morir, novela
​1915 - El monstruo, novela. [epígrafe: "Les monstres!... les monstres!... D'abord, il n'y a pas de monstres!... Ce que tu apelles des monstres ce sont les formes supérieres ou en dehors, simplement, de ta conception... Est-ce que les dieux ne sont pas des monstres?" - Octave Mirbeau. ]
1916 - Las Hetairas Sabias, novela
1918 - Meditaciones, ensaio
1919 - La trayectoria de las revoluciones, ensaio
1920 - La Dolorosa Pasión, novela
​
​1920 - Obscenidad, novela
1920 - El Crimen del Fauno, novela
​1920 - Las Ciudades Malditas (cuentos)
1921 - El Acecho, novela
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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