Espelhos da Revolução
José Manuel Quintas
O MÉTODO MILICIANO DOS ANOS 30 E A DISTINÇÃO ENTRE MÉTODO E DOUTRINA EM ROLÃO PRETO
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[19 de Setembro - versão harmonizada com A Literatura Capciosa [.pdf] e Camisas Azuis ou Camisas Verdes?]
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Este ensaio sustenta que a forma miliciana da política europeia dos anos 20 e 30 — fardas, desfiles, símbolos, disciplina, serviços de ordem, aparelhos de conquista da rua — não permite, por si só, identificar uma doutrina fascista. O ponto de partida é a distinção que Rolão Preto formulou entre método e doutrina: o método militarizado foi património comum da época, adoptado por movimentos de ideologias muito diversas; a doutrina de cada movimento permaneceu distinta.
Duas referências iniciais são confrontadas. A frase atribuída a Lenine sobre Mussolini é tratada como incerta e apenas indiciária; a afirmação de Bukharine no XII Congresso (1923), segundo a qual o fascismo adoptara formalmente técnicas bolcheviques de organização e de combate, é mais sólida e serve de base. Mostra-se depois que Rolão Preto generalizou essa leitura em A Traição Burguesa (1945) e na entrevista a João Medina (1975): não se tratava de identidade ideológica, mas de apropriação técnica de um método de luta política.
Sustenta-se ainda que Rolão Preto demarcou repetidamente o Nacional-Sindicalismo do fascismo, do hitlerismo, do comunismo e do Estado Novo, apresentando-o como uma «quarta via» municipalista, sindicalista, personalista e anti-totalitária. A verificação histórica faz-se por casos externos ao campo nacionalista: os comités de defesa anarco-sindicalistas da CNT, o Reichsbanner social-democrata, as milícias católicas e liberais alemãs, os Biff Boys e os Green Shirts ingleses. Todos confirmam que a militarização política atravessou o espectro inteiro — «esquerda», «centro» e «direita».
Conclui-se que a camisa azul e a organização miliciana não bastam para classificar Rolão Preto como fascista. O erro historiográfico consiste em tomar a aparência exterior do combate político pela substância doutrinária. Entre 1919 e 1936 a militarização foi a gramática comum da política de massas, falada por movimentos antagónicos sem que isso os tornasse ideologicamente equivalentes.
Duas referências iniciais são confrontadas. A frase atribuída a Lenine sobre Mussolini é tratada como incerta e apenas indiciária; a afirmação de Bukharine no XII Congresso (1923), segundo a qual o fascismo adoptara formalmente técnicas bolcheviques de organização e de combate, é mais sólida e serve de base. Mostra-se depois que Rolão Preto generalizou essa leitura em A Traição Burguesa (1945) e na entrevista a João Medina (1975): não se tratava de identidade ideológica, mas de apropriação técnica de um método de luta política.
Sustenta-se ainda que Rolão Preto demarcou repetidamente o Nacional-Sindicalismo do fascismo, do hitlerismo, do comunismo e do Estado Novo, apresentando-o como uma «quarta via» municipalista, sindicalista, personalista e anti-totalitária. A verificação histórica faz-se por casos externos ao campo nacionalista: os comités de defesa anarco-sindicalistas da CNT, o Reichsbanner social-democrata, as milícias católicas e liberais alemãs, os Biff Boys e os Green Shirts ingleses. Todos confirmam que a militarização política atravessou o espectro inteiro — «esquerda», «centro» e «direita».
Conclui-se que a camisa azul e a organização miliciana não bastam para classificar Rolão Preto como fascista. O erro historiográfico consiste em tomar a aparência exterior do combate político pela substância doutrinária. Entre 1919 e 1936 a militarização foi a gramática comum da política de massas, falada por movimentos antagónicos sem que isso os tornasse ideologicamente equivalentes.
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