Em 24 de Junho de 2028 abrirá o ciclo comemorativo dos 900 anos da Fundação de Portugal. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 149/2026, de 17 de Julho, fá-lo começar em São Mamede e prolonga-o até Ourique, Zamora e a bula Manifestis Probatum (1179). Entre a decisão e a abertura, a efeméride deu lugar a uma discussão pública — sobre a data, sobre a palavra «fundação», sobre quem comemora e o quê — que importa documentar. É esse o propósito dos dois documentos que aqui se apresentam.
O primeiro, As comemorações dos 900 anos de Portugal. Dossier documental — intervenientes, polémicas, acções e planos, reúne, a partir de fontes abertas, o que se discute, o que se decidiu e o que está previsto. A cronologia comanda. Parte dos antecedentes — Herculano (1846), o painel de Acácio Lino para São Bento (1922), a defesa de 1128 por Alfredo Pimenta (1939) contra a data oficial do Duplo Centenário (1140) — e segue a preparação, de 2020 a 2026: a proposta da Sociedade Histórica da Independência de Portugal de um ciclo em quatro marcos, o memorando da Comissão Científica de Guimarães, as resoluções do Governo e da Assembleia da República, a posse do comissário-geral e a constituição da comissão executiva.
O segundo, A polémica dos novecentos anos. Cronologia, contradições e confrontos, reconstitui em três fases o percurso de Florentino Cardoso e da Grã-Ordem Afonsina: o promotor cívico (2018–2024), o combate à Comissão Científica (2025–2026) e o combate ao Governo (Julho–Setembro de 2026). A leitura das fontes mostra que as viragens coincidem com alterações do lugar da associação na arquitectura das comemorações, e não com a publicação de textos novos; a tese do jure hereditario surge depois, como argumento ao serviço de uma data. O documento separa o que as fontes permitem afirmar do que não permitem, e regista também as contradições dos restantes intervenientes. Confronta, por fim, Florentino Cardoso com Mário Jorge Barroca: partilham a data, o lugar e o desejo de uma comemoração nacional, e opõem-se em todos os conceitos que dão sentido à data — a natureza da concessão de 1096, a legitimidade de D. Teresa, o feudalismo, a relação entre Estado e Nação.
Um fio atravessa os dois documentos: a distinção entre a fundação do Estado e a formação da Nação, que António Sardinha deixou escrita — a Nação forma-se, o Estado funda-se. Nenhum dos intervenientes a sustenta até ao fim, e é essa falta comum que alimenta a contenda. Com ela, a data e o processo deixam de se excluir: 1128 abre a fundação do Estado; Ourique, Zamora e a bula são actos de soberania; a Nação que os procura vem de antes e continua depois. É a tese dos textos «Novecentos anos de quê?» e «Quando se formou a nação portuguesa?», publicados nesta página a 22 de Setembro.
Trata-se de documentos de trabalho, datados e sujeitos a revisão à medida que as comemorações avançam e novas fontes se tornam acessíveis. Correcções e acrescentos serão bem-vindos.
23 de Setembro de 2026
J. M. Q.
O primeiro, As comemorações dos 900 anos de Portugal. Dossier documental — intervenientes, polémicas, acções e planos, reúne, a partir de fontes abertas, o que se discute, o que se decidiu e o que está previsto. A cronologia comanda. Parte dos antecedentes — Herculano (1846), o painel de Acácio Lino para São Bento (1922), a defesa de 1128 por Alfredo Pimenta (1939) contra a data oficial do Duplo Centenário (1140) — e segue a preparação, de 2020 a 2026: a proposta da Sociedade Histórica da Independência de Portugal de um ciclo em quatro marcos, o memorando da Comissão Científica de Guimarães, as resoluções do Governo e da Assembleia da República, a posse do comissário-geral e a constituição da comissão executiva.
O segundo, A polémica dos novecentos anos. Cronologia, contradições e confrontos, reconstitui em três fases o percurso de Florentino Cardoso e da Grã-Ordem Afonsina: o promotor cívico (2018–2024), o combate à Comissão Científica (2025–2026) e o combate ao Governo (Julho–Setembro de 2026). A leitura das fontes mostra que as viragens coincidem com alterações do lugar da associação na arquitectura das comemorações, e não com a publicação de textos novos; a tese do jure hereditario surge depois, como argumento ao serviço de uma data. O documento separa o que as fontes permitem afirmar do que não permitem, e regista também as contradições dos restantes intervenientes. Confronta, por fim, Florentino Cardoso com Mário Jorge Barroca: partilham a data, o lugar e o desejo de uma comemoração nacional, e opõem-se em todos os conceitos que dão sentido à data — a natureza da concessão de 1096, a legitimidade de D. Teresa, o feudalismo, a relação entre Estado e Nação.
Um fio atravessa os dois documentos: a distinção entre a fundação do Estado e a formação da Nação, que António Sardinha deixou escrita — a Nação forma-se, o Estado funda-se. Nenhum dos intervenientes a sustenta até ao fim, e é essa falta comum que alimenta a contenda. Com ela, a data e o processo deixam de se excluir: 1128 abre a fundação do Estado; Ourique, Zamora e a bula são actos de soberania; a Nação que os procura vem de antes e continua depois. É a tese dos textos «Novecentos anos de quê?» e «Quando se formou a nação portuguesa?», publicados nesta página a 22 de Setembro.
Trata-se de documentos de trabalho, datados e sujeitos a revisão à medida que as comemorações avançam e novas fontes se tornam acessíveis. Correcções e acrescentos serão bem-vindos.
23 de Setembro de 2026
J. M. Q.
- As comemorações dos 900 anos de Portugal. Dossier documental — intervenientes, polémicas, acções e planos [dossier_900_anos.pdf] - 2026.09.25
- A polémica dos novecentos anos. Cronologia, contradições e confrontos [ a_polémica_dos_900_anos.pdf ] - 2026.09.26
- 2026 09 22 - José Manuel Quintas - Novecentos anos de quê? [2026_09_22_-_j_m_quintas_-_novecentos_anos_de_que.pdf ] 2026.09.22
- 2026.09.23 - José Manuel Quintas - José Mattoso, «A PRIMEIRA TARDE PORTUGUESA» (1978) 2026_-_j_m_quintas_-_mattoso_1978_resumo_sardinha_merea_pimenta-2.pdf - Sintra, 23-25 de Setembro de 2026.
- 2026.10.09 - Fontes e Teses sobre a origem de Portugal - 2026-10-08_-_josé_manuel_quintas_-_fontes_e_teses_origem_de_portugal_actualizado.pdf
- 2026 09 30 - José Manuel Quintas - Teófilo Braga e António Sardinha. A questão lusitana, as origens de Portugal e a teoria da história (1867–1925), Estudos Portugueses.