[ Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, 1910 ]
Afonso Lopes Vieira (1878-1946) destaca-se como figura central do movimento Neorromântico em Portugal. Ao longo da sua carreira, constrói uma obra poética e cultural que se desenvolve em várias fases, evidenciando sempre uma profunda ligação à identidade nacional, à tradição literária e à espiritualidade do país.
- Formação e primeiras obras (1890-1906). Cresce entre Leiria, Cortes e São Pedro de Moel, onde o mar marca profundamente a sua sensibilidade poética. Durante os anos em Coimbra, aproxima-se da tradição garrettiana, cultivando uma poesia que privilegia a sinceridade e a autenticidade moral. Concilia uma forte influência romântica e tradicionalista com ousadias narrativas e dramatúrgicas inovadoras. Os primeiros livros, como Para Quê? (1897), Náufrago (1898) e O Poeta Saudade (1901), revelam uma poesia de feição decadentista, mas já prenunciando um lirismo patriótico, em que sobressaem o intertexto camoniano e a evocação da pátria. A partir de 1903, Afonso Lopes Vieira inicia uma fase de radicalização estética e ideológica, marcada por uma poesia de intervenção social e política, como em Conto do Natal (1905) e O Encoberto (1905), onde denuncia a miséria, a injustiça e a decadência nacional, associando-se a movimentos de revolta e renovação. Esta etapa inclui ainda incursões na narrativa psicológica e expressionista, como na novela Marques (História dum Perseguido), que antecipa tendências do modernismo literário. Em 1906, com Ar Livre, inicia uma etapa de retorno à poesia popular, sob forte influência do franciscanismo e do panteísmo, enaltecendo a simplicidade, o trabalho e a natureza como fontes de sabedoria e de beleza.
- Maturidade neorromântica (1910-1927). A partir de 1908, com O Pão e as Rosas, inicia-se a fase de maturidade da sua obra, onde o tradicionalismo poético se alia ao franciscanismo, exaltando a beleza da natureza, a humildade e a caridade. Em Canções do Vento e do Sol (1911), Ilhas de Bruma (1917) e País Lilás, Desterro Azul (1922), Afonso Lopes Vieira consolida-se no âmbito do Neorromantismo, movimento que valoriza o espírito nacional, a arte popular e a tradição literária do romanceiro e do cancioneiro. A sua poesia distingue-se pela musicalidade, delicadeza estilística e pela retoma de temas nacionais, como o amor português, a saudade, o sebastianismo e a espiritualidade franciscana. Paralelamente, escreve ensaios e conferências, dedicando-se ainda à edição crítica de clássicos como Os Lusíadas e à produção de literatura para crianças, destinada à educação estética e moral da juventude. Participa em campanhas cívico-culturais, destacando-se na defesa da língua portuguesa, da literatura popular e do teatro de Gil Vicente. O seu lirismo combina o amor e a saudade com a missão profética de reviver e renovar a alma portuguesa, integrando a tradição medievalista na modernidade estética, numa postura simultaneamente aristocrática e popular. A maturidade da sua obra reflete a íntima amizade e as profundas "afinidades de espírito" com os revolucionários da Tradição do Integralismo Lusitano.
- Grandeza e missão da arte. Afonso Lopes Vieira rejeita a conceção de arte pela arte, defendendo uma expressão criativa organicamente integrada na vida e na sociedade. "A poesia é a coisa mais séria que em Portugal existe", escreve. A obra artística é entendida como veículo do espírito nacional e instrumento de renovação cultural, tendo uma função formativa e moralizadora. A tradição literária, o folclore e a língua portuguesa são considerados elementos essenciais da identidade nacional.
- Temas centrais da obra poética: vínculo à alma nacional e primazia do amor. A obra de Afonso Lopes Vieira enfatiza o lirismo amoroso e saudoso da alma portuguesa. O tema do "amor português" constitui o eixo central da sua obra, entendido como força de união e expressão da identidade nacional. Inclui o amor romântico, que retoma em figuras míticas e históricas como D. Pedro e Inês de Castro, Tristão e Isolda, mas também o mito sebástico do Encoberto. A saudade emerge como princípio estruturante que une memória, desejo e esperança, sustentando a missão histórica e espiritual de Portugal. Arauto da tradição portuguesa, promove a revitalização da lusitanidade, defendendo a necessidade de "reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu".
- Afinidades e diferenças com o Saudosismo. Embora partilhe afinidades com o movimento saudosista, Afonso Lopes Vieira evita o misticismo metafísico e o pessimismo trágico. A sua poesia privilegia a experiência individual e coletiva da saudade, mas com um lirismo mais direto e popular, valorizando a infância, a memória afetiva e a busca da identidade nacional sem recorrer aos elementos gnósticos e iniciáticos típicos do Saudosismo.
- Velhos temas e motivos. A sua obra resgata e reinventa "velhos temas" da tradição portuguesa, como as violas de Alcácer-Quibir, a lenda de Santa Iria, a história trágico-marítima e os grandes amores lendários. Revisitados com lirismo e imaginação, reforçam a ligação entre a poesia e a história de Portugal, contribuindo para a construção de um cânone tradicionalista.
- Espiritualidade e ética franciscanas. O franciscanismo é uma influência marcante na obra de Afonso Lopes Vieira, manifesta na valorização da comunhão com a natureza, da humildade e da caridade. A espiritualidade franciscana permeia a sua poesia, conferindo-lhe uma dimensão ética e religiosa que dialoga com a tradição cristã, sobretudo por meio de figuras como São Francisco e Santa Clara.
- Ânsia melancólica. A obra de Afonso Lopes Vieira expressa a melancolia do exilado na própria pátria. Tanto no plano individual como no coletivo, esse sentimento surge articulado com o imaginário da saudade e com a experiência histórica do povo português. Esse é um elemento fundamental do seu lirismo neorromântico.
- Legado. Afonso Lopes Vieira deixa uma obra que coloca em diálogo tradição e inovação, memória coletiva e criação individual, lirismo íntimo e missão social. A sua poesia é marcada pela busca de uma síntese entre identidade nacional, beleza estética e compromisso cívico-cultural. Como poeta e intelectual, foi um defensor da lusitanidade, da língua e da cultura nacionais, atuando em múltiplos campos artísticos e culturais.
Numa casa que está rezando ao mar
e tem Camões coroado
não de loiro celebrado
mas de espinhos a sangrar,
Aí vivi sonhei eu
ao som do mar que tangia;
os sonhos, ele mos deu;
ditava e eu escrevia.
- Afonso Lopes Vieira
Estes revolucionários da Tradição devem a sua gloriosa impopularidade a serem na realidade tão modernistas como anti-políticos, anti-parlamentares e sindicalistas. A eles me prendem afinidades de espírito porque em muitos pontos da batalha nos viemos a encontrar como irmãos de armas. Mas, não tendo a honra de lhe pertencer oficialmente – habituado como estou a manter uma independência que me é indispensável -, posso dizer que este tem sido o mais consciente dos núcleos de pensamento contemporâneo. Reagindo com mística bravura, por mercê de uma crença estabelecida em bases orgânicas, contra a mentira caduca e já arruinada da actual sociedade política e económica, os integralistas são os portugueses que sabem o que querem. E o seu esforço, mesmo quando outros resultados não desse, sempre seria este: ficar como um documento de honra e de coragem.
Afonso Lopes Vieira, Em Demanda do Graal, Lisboa, 1922, p. 298.
Afonso Lopes Vieira, Em Demanda do Graal, Lisboa, 1922, p. 298.
Sou monárquico, mas de um rei da casa de Avis, que escolha para a sua corte os homens bons do Povo e nunca as duquesas beatas e os condes financeiros.
- Afonso Lopes Vieira
- Afonso Lopes Vieira
[1923]
Versos, devem ser lidos com os ouvidos. [...] ...considero-me um autor aristocrático, porque trabalho para os que leram tudo e para os que não sabem ler.
Afonso Lopes Vieira in "Carta Autobiográfica" (1923).
Versos, devem ser lidos com os ouvidos. [...] ...considero-me um autor aristocrático, porque trabalho para os que leram tudo e para os que não sabem ler.
Afonso Lopes Vieira in "Carta Autobiográfica" (1923).
[1924 - "PORTUGAL EXISTE AGORA NA HISTÓRIA, E EM NÓS". ]
Palavras de Afonso Lopes Vieira no banquete oferecido, por um grupo de amigos e admiradores, a António Sardinha, em 25 de Outubro de 1924:
Está reunida aqui uma hoste de espíritos que creem com todas as veras no valor divino do Espírito, numa terra e numa época em que o poderio corruptor do dinheiro afeiçoou grande parte da sociedade ao jeito de uma feira de homens, e onde o chão sagrado de Portugal, - o único da Europa que já no século XIII adquirira a estrutura nacional que possui hoje - se converteu em morgadio de Molocs devoradores, os quais existem em tão variada fauna, que os vemos representados em ídolos feitos de oiro ou de gesso panificado. Esta hoste de espíritos, neste país e nesta época, crê também religiosamente na verdade imortal da nossa Pátria, e de tal crença mística se trespassa, que acredita que «Pátria não morreria, ainda quando a matassem, porque ressuscitaria no sepulcro após haver expirado nesta cruz. ... Dir-se há talvez amanhã que este jantar foi um arcaizante festim de amadores do bri-á-brac da literatura, da política e da história. Entretanto, é curioso como estes antiquários que nós somos bem-dizem o achar-se irremediavelmente isolados entre as mentiras caducas, os preconceitos lastimosos, as burlas arruinadas dos representantes de idêntico passado - jacobinos e conservadores. Somos nós, os antiquários fanáticos, que todavia assistimos, se não com alegria, porque a visão é tremenda, pelo menos com calma satisfação e espiritual firmeza, à inevitável catástrofe desta sociedade condenada. E ninguém vê melhor do que nós como ela foi engendrada, a partir das invasões liberalistas, pelos enredos dos banqueiros e dos vadios, para gozo dos inúteis profissionais e dos financeiros corruptores, que acabaram por triunfar e cujo infernal triunfo nos tem quase obliterada a imagem bela e digna da Pátria. De sorte que hoje, para reencontrarmos a Pátria, havemos de refluir ao ritmo do próprio sangue, onde demora. Portugal existe agora na História, e em nós. Tem uma espécie de existência metafísica, e ao mesmo tempo tão efectiva e poderosa na abstracção em que o vamos guardando e mantendo, que dia a dia a nossa fé aumenta e Portugal heróico vai crescendo nos estudos e nas criações dos seus sábios e artistas, na bondade do seu povo cristão, na parte sã da sua mocidade, na lembrança sempre viva dos que o amam no Brasil. É por isso que nós endereçamos ao futuro o nosso trabalho, a nossa fé, as nossas dores e sacrifícios, de geração cuja tragédia nos fará julgar depois como uma das mais expiatórias gerações da História.
Palavras de Afonso Lopes Vieira no banquete oferecido, por um grupo de amigos e admiradores, a António Sardinha, em 25 de Outubro de 1924:
Está reunida aqui uma hoste de espíritos que creem com todas as veras no valor divino do Espírito, numa terra e numa época em que o poderio corruptor do dinheiro afeiçoou grande parte da sociedade ao jeito de uma feira de homens, e onde o chão sagrado de Portugal, - o único da Europa que já no século XIII adquirira a estrutura nacional que possui hoje - se converteu em morgadio de Molocs devoradores, os quais existem em tão variada fauna, que os vemos representados em ídolos feitos de oiro ou de gesso panificado. Esta hoste de espíritos, neste país e nesta época, crê também religiosamente na verdade imortal da nossa Pátria, e de tal crença mística se trespassa, que acredita que «Pátria não morreria, ainda quando a matassem, porque ressuscitaria no sepulcro após haver expirado nesta cruz. ... Dir-se há talvez amanhã que este jantar foi um arcaizante festim de amadores do bri-á-brac da literatura, da política e da história. Entretanto, é curioso como estes antiquários que nós somos bem-dizem o achar-se irremediavelmente isolados entre as mentiras caducas, os preconceitos lastimosos, as burlas arruinadas dos representantes de idêntico passado - jacobinos e conservadores. Somos nós, os antiquários fanáticos, que todavia assistimos, se não com alegria, porque a visão é tremenda, pelo menos com calma satisfação e espiritual firmeza, à inevitável catástrofe desta sociedade condenada. E ninguém vê melhor do que nós como ela foi engendrada, a partir das invasões liberalistas, pelos enredos dos banqueiros e dos vadios, para gozo dos inúteis profissionais e dos financeiros corruptores, que acabaram por triunfar e cujo infernal triunfo nos tem quase obliterada a imagem bela e digna da Pátria. De sorte que hoje, para reencontrarmos a Pátria, havemos de refluir ao ritmo do próprio sangue, onde demora. Portugal existe agora na História, e em nós. Tem uma espécie de existência metafísica, e ao mesmo tempo tão efectiva e poderosa na abstracção em que o vamos guardando e mantendo, que dia a dia a nossa fé aumenta e Portugal heróico vai crescendo nos estudos e nas criações dos seus sábios e artistas, na bondade do seu povo cristão, na parte sã da sua mocidade, na lembrança sempre viva dos que o amam no Brasil. É por isso que nós endereçamos ao futuro o nosso trabalho, a nossa fé, as nossas dores e sacrifícios, de geração cuja tragédia nos fará julgar depois como uma das mais expiatórias gerações da História.
[ in Agostinho de Campos, Afonso Lopes Vieira. Prosa e Verso, Lisboa, Aillaud e Bertrand, 1925, p. XIX-XX ]
[1925]
Garrett é sem dúvida o Avô que nós reconhecemos como quem com mais ternura nos ergueu a alma tão combalida de Portugal. Esse encantador Garrett, que é maior ainda pelo que adivinhou e insuflou do que pelo que escreveu, vir erguer-se na sua mansarda de emigrado, em Londres, a sombra da velha Brízida, que lhe contara os velhos contos de Portugal e as baladas do Romanceiro. Desde esse momento em que os olhos de Garrett se lhe encheram de lágrimas de saudade da Pátria distante além do mar, começa para o Portugal moderno uma consciência e um querer novos.
- Afonso Lopes Vieira, in Diário de Notícias, Lisboa, 28 de Abril de 1920 [in Agostinho de Campos, Afonso Lopes Vieira. Prosa e Verso, Lisboa, Aillaud e Bertrand, 1925, p. XVII]
Garrett é sem dúvida o Avô que nós reconhecemos como quem com mais ternura nos ergueu a alma tão combalida de Portugal. Esse encantador Garrett, que é maior ainda pelo que adivinhou e insuflou do que pelo que escreveu, vir erguer-se na sua mansarda de emigrado, em Londres, a sombra da velha Brízida, que lhe contara os velhos contos de Portugal e as baladas do Romanceiro. Desde esse momento em que os olhos de Garrett se lhe encheram de lágrimas de saudade da Pátria distante além do mar, começa para o Portugal moderno uma consciência e um querer novos.
- Afonso Lopes Vieira, in Diário de Notícias, Lisboa, 28 de Abril de 1920 [in Agostinho de Campos, Afonso Lopes Vieira. Prosa e Verso, Lisboa, Aillaud e Bertrand, 1925, p. XVII]
Eu sou reaccionário, mas misturado com um anti-fascista convicto. Sou monárquico, mas de um rei da casa de Avis, que escolha para a sua corte os homens bons do Povo e nunca as duquesas beatas e os condes financeiros.
- Afonso Lopes Vieira in Alice Ogando, 1935, p. 10)
- Afonso Lopes Vieira in Alice Ogando, 1935, p. 10)
E se não sou republicano é apenas porque julgo que a democracia à portuguesa da nossa monarquia tradicional é o regime que pode precisamente realizar o que os republicanos desejam e a república não realizou até hoje, tendo oscilado classicamente entre a fórmula anárquica e a fórmula tirânica.
(...)
Creio que toda a ditadura é entre nós antinacional. E o que me espanta é que homens cultivados, e devemos crê-lo, muitos deles animados do sincero esforço patriótico, hajam cometido o monstruoso erro psicológico de quererem governar este povo com tal método geométrico, coercivo e glacial.
- Afonso Lopes Vieira in João Medina, 1980, p. 35.
(...)
Creio que toda a ditadura é entre nós antinacional. E o que me espanta é que homens cultivados, e devemos crê-lo, muitos deles animados do sincero esforço patriótico, hajam cometido o monstruoso erro psicológico de quererem governar este povo com tal método geométrico, coercivo e glacial.
- Afonso Lopes Vieira in João Medina, 1980, p. 35.
Afonso Lopes-Vieira sabe bem o que faz e por que o faz; e por ventura o que ao crítico pareça defeito o não seja aos olhos dele: e depois, nesta derrocada em que vamos de velhas teorias e de preceitos rançosos, quem sabe mesmo se eu não estarei dando atestado da minha incompetência para julgar, eu que assim protesto pelo alexandrino cesurado e pelo verso septissílabo com sete sílabas bem contadas?
Do que eu estou certo é de que, se Lopes-Vieira se persuadir de que tais defeitos são realmente defeitos, o seu próximo livro há de forçosamente vir isento deles: garante-o extraordinário passo que vai do Para quê? - que foi uma brilhante estreia, onde havia verdadeiros primores como aquela lírica A Fonte do Amor e aqueles sonetos A Dor das Paisagens e Saudades — ao Naufrago que é uma confirmação de todas quantas esperanças aquele nos dera — e mais e muito mais ainda!
Daí também a impaciência com que lhe comecei a leitura, o entusiasmo com que lhe fui saboreando as páginas, a surpresa, a extraordinária surpresa com que cheguei ao fim — e a satisfação pleníssima com que lhe saúdo o aparecimento e a admiração afetuosíssima com que abraço o autor.
Carlos de Lemos, 1899.
Do que eu estou certo é de que, se Lopes-Vieira se persuadir de que tais defeitos são realmente defeitos, o seu próximo livro há de forçosamente vir isento deles: garante-o extraordinário passo que vai do Para quê? - que foi uma brilhante estreia, onde havia verdadeiros primores como aquela lírica A Fonte do Amor e aqueles sonetos A Dor das Paisagens e Saudades — ao Naufrago que é uma confirmação de todas quantas esperanças aquele nos dera — e mais e muito mais ainda!
Daí também a impaciência com que lhe comecei a leitura, o entusiasmo com que lhe fui saboreando as páginas, a surpresa, a extraordinária surpresa com que cheguei ao fim — e a satisfação pleníssima com que lhe saúdo o aparecimento e a admiração afetuosíssima com que abraço o autor.
Carlos de Lemos, 1899.
mestre de portugalidade
- Hipólito Raposo
o mais lusitano de todos os lusitanos, que, no remoçamento da nossa sensibilidade, é um preceptor a seguir-se e um poeta a decorar-se / Preceptor da sensibilidade portuguesa
- António Sardinha
nobre arauto e mantenedor do lirismo da alma portuguesa e evocador das suas mais puras manifestações
- Carolina Michaëlis de Vasconcelos
a carta de guia do sentimento nacional
- João de Deus Ramos
- Hipólito Raposo
o mais lusitano de todos os lusitanos, que, no remoçamento da nossa sensibilidade, é um preceptor a seguir-se e um poeta a decorar-se / Preceptor da sensibilidade portuguesa
- António Sardinha
nobre arauto e mantenedor do lirismo da alma portuguesa e evocador das suas mais puras manifestações
- Carolina Michaëlis de Vasconcelos
a carta de guia do sentimento nacional
- João de Deus Ramos
Poeta da Bruma. Alma Sebastianista.
Gageiro da Nau Catrineta,
no real topo lusíada.
- Augusto Santa Rita
Gageiro da Nau Catrineta,
no real topo lusíada.
- Augusto Santa Rita
Não sei de alguém que mais profundamente haja sentido, ou pelo menos melhor compreendido e expressado a essência do espirito regionalista, e tanto engenho e tão nobre esforço despendesse para criar e alargar o amor pela Província e transforma-lo em escola de fé e de patriotismo onde a alma se tempera para se elevar à finalidade superior e mística do culto da Pátria, da dignificação do homem, da ressurreição dos portugueses.
- J. Vieira Natividade
- J. Vieira Natividade
Affonso Lopes Vieira encontra o segredo da sua poesia na lenda, no rimance amorável que as eras tecem em torno da História, na espuma do Passado que como a das ondas engrinalda de beleza a Vida que a memória dos Tempos nos transmite.
Petrus
Petrus
NA «SELVA ESCURA»
por António Sardinha
(...)
Vejamos sempre na república a consequência última do conúbio imoralíssimo dos banqueiros e dos políticos inaugurada em 1834 sobre a orgia larga dos bens das Ordens Religiosas. Aí se entronca, sobretudo, a causa primária do cancro que está destruindo entre nós as derradeiras fibras do sofisma imposto pelos aventureiros desembarcados no Mindelo. Perfeita «Selva Escura – como num rasgo de alta inspiração dantesca o definiu Afonso Lopes Vieira – é num baile macabro de espectros sem dignidade nem dor que em Portugal se vai afundando o Estado plutocrático e parlamentarista.
Mas, obra de Deus, porque tudo se apaga como debaixo de uma esponja implacável, o terreno prepara-se magnificamente para aquilo que, na exacta compreensão do momento, nós deveremos chamar a «segunda fundação de Portugal». Na vertigem fatal em que parecemos perdidos, acudamos nós, antes de mais nada, ao que resta ainda da alma colectiva da Raça!
É sobre os alicerces espirituais da Pátria que o nosso esforço carece de se firmar quanto antes, e energicamente. E como, em melhor tempo, quando a disciplina distinguiu os homens, mas os unia a mesma irmandade forte de origem e de pobreza na frase inolvidável de Alberto Sampaio – que o Rei apareça a unificar as nossas vontades e a dar-lhes o destino glorioso que nasce das páginas da História e a elas regressa, em aumento da Grei e seu prestígio imorredouro.
1922.
não posso falar dele sem dizer o nome todo, que é um verso de sete sílabas, isto é, o viático de um destino.
(Alfredo Gândara)
Afonso Lopes Vieira [...] Paladino da Portugalidade, o interprete sensível da alma da grei lusitana, cujas palpitações tinham continua ressonância na sua alma lírica de apóstolo e de profeta
(Alfredo Gândara, As raízes da obra de Afonso Lopes Vieira, 1953, p. 8)
"Afonso Lopes Vieira saía de Coimbra advogado.
Mas a sua carta de curso só a utilizou uma vez, erguendo-a no pretório como bandeira de carácter, ele que, como Petrarca, odiava o Direito, ou antes o forensis strepitus: foi para defender um amigo e firmar uma atitude nada cómoda, por infensa à Autoridade, que pela única vez vestiu a toga. Defendeu Hipólito Raposo, levado ao tribunal de Santa Clara, em 20 de Julho de 1920, por motivos políticos. Com que elegância e poesia o fez!
Parte da imprensa protestava contra o facto de um jornalista (o réu dirigia o diário A Monarquia) ser remetido à jurisdição militar. O acto era geralmente tido por ilegal. Pois, no seu discurso, o advogado falou assim ao presidente do tribunal, o general Encarnação Ribeiro:
- Deixe-me V. Exª. dizer-lhe isto: eu e o meu constituinte temos gosto em que esta causa tenha sido trazida aqui... Por um motivo estético, decorativo, pois este tribunal ´e muito mais artístico do que o da Boa Hora..."
(Alfredo Gândara, As raízes da obra de Afonso Lopes Vieira, 1953, pp. 53-54)
Era ele então um democrata? Era-o por certo no mais belo e mais alto sentido, se com isso se excluía tudo aquilo que tantas vezes estabelece entre homens de boa vontade um dramático equívoco. Se Democracia queria dizer o reinado das virtudes do povo – nobreza, candura e solidariedade – através da conduta das instituições abertas a todos os anseios, seguras contra todos os assaltos em que periga a liberdade humana; se a Democracia para além de qualquer conceito de facção significava como ética-política a equidade no ponto de partida de todos os trabalhadores; se a Democracia, para além de qualquer sistema rígido, podia ser um regime que incessantemente se renovasse, reconhecendo erros para os evitar, confessando os abusos para lhe dar castigo, aceitando as lições do tempo para se rectificar; se, finalmente, a Democracia, repelindo as traições da Burguesia, encontrava enfim o seu caminho de governo do povo – onde estaria o homem livre que não fosse democrata?
Sim, decerto, Afonso Lopes Vieira fazia à Democracia estas exigências.
(Rolão Preto, A mensagem política de Afonso Lopes Vieira, Diário de Lisboa, 20 de Abril de 1946, p. 13)
(Alfredo Gândara)
Afonso Lopes Vieira [...] Paladino da Portugalidade, o interprete sensível da alma da grei lusitana, cujas palpitações tinham continua ressonância na sua alma lírica de apóstolo e de profeta
(Alfredo Gândara, As raízes da obra de Afonso Lopes Vieira, 1953, p. 8)
"Afonso Lopes Vieira saía de Coimbra advogado.
Mas a sua carta de curso só a utilizou uma vez, erguendo-a no pretório como bandeira de carácter, ele que, como Petrarca, odiava o Direito, ou antes o forensis strepitus: foi para defender um amigo e firmar uma atitude nada cómoda, por infensa à Autoridade, que pela única vez vestiu a toga. Defendeu Hipólito Raposo, levado ao tribunal de Santa Clara, em 20 de Julho de 1920, por motivos políticos. Com que elegância e poesia o fez!
Parte da imprensa protestava contra o facto de um jornalista (o réu dirigia o diário A Monarquia) ser remetido à jurisdição militar. O acto era geralmente tido por ilegal. Pois, no seu discurso, o advogado falou assim ao presidente do tribunal, o general Encarnação Ribeiro:
- Deixe-me V. Exª. dizer-lhe isto: eu e o meu constituinte temos gosto em que esta causa tenha sido trazida aqui... Por um motivo estético, decorativo, pois este tribunal ´e muito mais artístico do que o da Boa Hora..."
(Alfredo Gândara, As raízes da obra de Afonso Lopes Vieira, 1953, pp. 53-54)
Era ele então um democrata? Era-o por certo no mais belo e mais alto sentido, se com isso se excluía tudo aquilo que tantas vezes estabelece entre homens de boa vontade um dramático equívoco. Se Democracia queria dizer o reinado das virtudes do povo – nobreza, candura e solidariedade – através da conduta das instituições abertas a todos os anseios, seguras contra todos os assaltos em que periga a liberdade humana; se a Democracia para além de qualquer conceito de facção significava como ética-política a equidade no ponto de partida de todos os trabalhadores; se a Democracia, para além de qualquer sistema rígido, podia ser um regime que incessantemente se renovasse, reconhecendo erros para os evitar, confessando os abusos para lhe dar castigo, aceitando as lições do tempo para se rectificar; se, finalmente, a Democracia, repelindo as traições da Burguesia, encontrava enfim o seu caminho de governo do povo – onde estaria o homem livre que não fosse democrata?
Sim, decerto, Afonso Lopes Vieira fazia à Democracia estas exigências.
(Rolão Preto, A mensagem política de Afonso Lopes Vieira, Diário de Lisboa, 20 de Abril de 1946, p. 13)
Obras de Afonso Lopes Vieira
- 1897 - Para quê?
- 1899 - Náufrago - versos lusitanos
- 1900 - Auto da Sebenta
- 1900 - Elegia da Cabra
- 1900 - O Meu Adeus (Despedida de Coimbra)
- 1901 - O Poeta Saudade
- 1904 - Marques - História de um Peregrino
- 1905 - Conto do Natal
- 1905 - Poesias Escolhidas
- 1905 - O Encoberto
- 1906 - Ar Livre
- 1910 - O Pão e as Rosas
- 1910 - Gil Vicente - Monólogo do Vaqueiro
- 1911 - O Povo e os Poetas Portugueses
- 1911 - Rosas Bravas
- 1911 - Autozinho da Barca do Inferno (adaptação)
- 1911 - Os Animais Nossos Amigos
- 1911 - Canções do Vento e do Sol
- 1912 - Poesias de Heine
- 1912 - Bartolomeu Marinheiro
- 1913 - Canto Infantil
- 1913 - O Soneto dos Túmulos
- 1914 - Inês de Castro na Poesia e na Lenda
- 1914 - A Campanha Vicentina
- 1915 - A Poesia dos Painéis de São Vicente
- 1916 - Poesias sobre as Cenas Infantis de Schumann
- 1917 - Autos de Gil Vicente
- 1917 - Canções de Saudade e de Amor
- 1917 - Ilhas de Bruma
- 1920 - Cancioneiro de Coimbra
- 1920 - Crisfal
- 1921 - O Livro de Amor de João de Deus
- 1921 - Ao Soldado Desconhecido
- 1922 - Cantos Portugueses
- 1922 - País Lilás, Desterro Azul
- 1923 - O Romance de Amadis, com prefácio de Carolina Michaëlis de Vasconcelos
- 1924 - Da Reintegração dos Primitivos Portugueses
- 1925 - Diana
- 1928 - Os Versos de Afonso Lopes Vieira
- 1929 - Os Lusíadas (colaboração com José Maria Rodrigues)
- 1930 - O Poema do Cid (versão em prosa)
- 1931 - Fátima
- 1931 - Poema da Oratória de Rui Coelho
- 1932 - Animais Nossos Amigos
- 1932 - Santo António
- 1932 - Lírica de Camões (colaboração com José Maria Rodrigues)
- 1935 - Relatório e Contas da Minha Viagem a Angola
- 1935 - Éclogas de Agora
- 1938 - Ao Povo de Lisboa
- 1940 - O Conto de Amadis de Portugal
- 1940 - Poesias de Francisco Rodrigues Lobo
- 1940 - A Paixão de Pedro o Cru (1940)
- 1940 - Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa
- 1940 - O Carácter de Camões (1940)
- 1942 - Cartas de Soror Mariana (tradução)
- 1946 - Camões (filme de 1946) (argumento)
- 1942 - Nova Demanda do Graal (1942)
- 1947 - Branca Flor e Frei Malandro
Diante da linda casa
Que ali está rezando ao mar
A saudade sempre em braza
Pôs meus olhos a chorar.
Excelsas horas passei
Na florida alpendrada,
E olhando-a agora, rezei
Rezei... chorei ... e mais nada...
Há uma casa onde amei, sonhei, sofri...
e, debruçado sobre o mar, envelheci
..............................................................
e, debruçado sobre o mar, envelheci
..............................................................
Lego à Câmara Municipal da Marinha Grande a minha propriedade em S. Pedro de Moel, residência, capela e anexos, sob a condição essencial de na mesma propriedade ser instalada uma colónia balnear infantil, e de ser este o único fim a que a referida propriedade será destinada. As crianças dessa colónia serão filhas de operários da Marinha Grande, às quais este legado é consagrado especialmente; mas seria desejável que este benefício chegasse em certos casos, a crianças filhas de guardas florestais e aquelas por quem a corporação local dos bombeiros se interesse, etc... Ao legar à Câmara Municipal da Marinha Grande, uma propriedade que me é tão querida, recordo que ela me foi ofertada por meu pai como presente de casamento e que é a ele que na realidade se deve este legado.
Marinha Grande, 24 de Outubro de 1938 (a) Afonso Lopes Vieira
...........................................................
Pinhal do Rei, Real sobre o seu mar.
Pinhal de heróicas árvores tão belas,
Foi no teu corpo e na tua alma também,
que nasceram as nossas caravelas...
Marinha Grande, 24 de Outubro de 1938 (a) Afonso Lopes Vieira
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Pinhal do Rei, Real sobre o seu mar.
Pinhal de heróicas árvores tão belas,
Foi no teu corpo e na tua alma também,
que nasceram as nossas caravelas...
Textos e referências
Bibliografia passiva
Vária
2020 - A cuidar do legado de Afonso Lopes Viera, 74 anos depois, Diário de Leiria, 20 de Novembro de 2020 - https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/a-cuidar-do-legado-de-afonso-lopes-vieira-74-anos-depois
- 1899 - Carlos de Lemos, "Naufrago - Versos Lusitanos de Afonso Lopes Vieira" in Ave-Azul, Viseu, fasc. nº 2, 15 de fevereiro de 1899, pp. 86-91.
- 1935 - Alice Ogando, Novas de Afonso Lopes Vieira, o poeta mais português de Portugal, Portugal feminino, n.º 69, ano VI, Outubro de 1935, pp. 10-11 e excertos republicados in Fradique, semanário literário, ano II, n.º 90, Lisboa, 24 de outubro de 1935.
- 1946 - Rolão Preto, A Mensagem Política de Afonso Lopes Vieira, Diário de Lisboa, ano 26.º, n.º 8404, Lisboa, 20 de Abril, p. 13.
- 1947 - Raul Lino, Afonso Lopes Vieira, separata do Boletim nº XVI da Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa.
- 1949 - Aquilino Ribeiro, Afonso Lopes Vieira e a Evolução do seu Pensamento in Camões, Camilo, Eça e alguns mais. Ensaios de crítica histórico-literária, Lisboa, Bertrand, 3.ª ed., pp. 271-335.
- 1952 - António Arala Pinto, Duas Dívidas. D. Denis e o nacionalismo de Afonso Lopes Vieira, Leiria, Comissão Municipal de Turismo de Leiria.
- 1952 - Pedro Veiga (Petrus) - Affonso Lopes Vieira. Trovador d' El-Rey, Porto.
- 1953 - Alfredo Gândara, As raízes da obra de Afonso Lopes Vieira, Conferência proferida em 7 de Setembro de 1952 na Casa do Poeta, em S. Pedro de Moel, Edição da Comissão Municipal de Turismo da Marinha Grande.
- 1962 - Exposição Bibliográfica de Afonso Lopes Vieira, Grupo "Amigos de Lisboa".
- 1968 - Aníbal Pinto de Castro, A Mensagem de Afonso Lopes Vieira, Leiria, Câmara Municipal.
- 1972 - Luís Amaro, Correspondência inédita de Afonso Lopes Vieira in Colóquio/Letras, n.º 5, Janeiro, pp. 37-43.
- 1974 - João Gaspar Simões, I. Afonso Lopes Vieira in Retratos de Poetas que conheci. Autobiografia, Porto, Brasília ed., pp. 17-29.
- 1979 - David Mourão Ferreira, Dois textos sobre Afonso Lopes Vieira in Lâmpadas no escuro – de Herculano a Torga – ensaios, Lisboa, Arcádia, pp. 103-138.
- 1979 - José Carlos Seabra Pereira, O Conto de Natal de um Lopes Vieira quase esquecido, in Do Fim do Século ao Tempo de Orfeu, Coimbra, Almedina.
- 1980 - João Medina, Afonso Lopes Vieira Anarquista, Lisboa, ed. António Ramos.
- 1986 - Cecília Barreira, Prefácio e notas a Éclogas de Agora de ALV, Lisboa, Heuris.
- 1989 - Cristina Nobre e João Paulo Marques, Afonso Lopes Vieira e Fernando Pessoa: infâncias paralelas.
- 1996 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira, o português de Portugal.
- 1996 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira, poeta de S. Pedro de Moel.
- 1996 - Cristina Nobre, O "espírito literário" da casa de S. Pedro.
- 1996 - Cristina Nobre, O jovem poeta Afonso Lopes Vieira em "O Districto de Leiria"
- 1999 - Cristina Nobre, A obra para a infância e juventude de Afonso Lopes Vieira.
- 2000 - Cristina Nobre, De monóculo a monóculo: Eça visto por Afonso Lopes Vieira.
- 2001 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: de Conto do Natal (1905) a Santo António. Jornada do Centenário (1932) - um percurso do apaziguamento.
- 2001 - Cristina Nobre, O espólio epistolográfico de Afonso Lopes Vieira depositado na Biblioteca Municipal de Leiria Afonso Lopes Vieira. O conjunto documental de Augusto e Leonor de Castro Guedes Rosa.
- 2004 - Cristina Nobre, Os lugares da escrita em Afonso Lopes Vieira.
- 2004 - Cristina Nobre, Passeio nas Terras de Afonso Lopes Vieira.
- 2005 - José Carlos Seabra Pereira, Para Conhecer Afonso Lopes Vieira. Coimbra, CCDRC.
- 2005 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: o esteta de si mesmo, CTT correios – Rev. do Clube do Coleccionador.
- 2005 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira. A Reescrita de Portugal, vol. I e Inéditos, vol. II, Lisboa, INCM.
- 2006 - Cristina Nobre, O Búzio de Moel. Jornal recreativo, 1849 ou a criação de um parlamento privado.
- 2006 - Cristina Nobre, Alvorecer do turismo cultural na primeira metade do séc. XX: Afonso Lopes Vieira e a valorização do património da região de Leiria.
- 2007 - Cristina Nobre, A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira em S. Pedro de Moel: a cultura como serviço?.
- 2008 - Cristina Nobre, A recepção da obra para a infância e juventude de Afonso Lopes Vieira na comunicação social e nos manuais escolares, na 1.ª metade do século XX.
- 2008 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: A Campanha Vicentina e os Serões de Alcobaça na imprensa e na intimidade – ou de como reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu...
- 2008 - Cristina Nobre, Os jornais e a construção da propaganda durante a 1.ª República. O caso da apreensão da poesia de Afonso Lopes Vieira "Ao Soldado Desconhecido (morto em França)", 1921".
- 2009 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 - Fotobiografia.
- 2011 - Cristina Nobre, A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira [CMALV] em S. Pedro de Moel como núcleo de um património cultural.
- 2011 - Cristina Nobre, A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira em S. Pedro de Moel - ninho de artistas.
- 2011 - Cristina Nobre, A construção da figura mediática de Afonso Lopes Vieira (1878-1946).
- 2011 - Cristina Nobre, Apresentação pública do projecto CLL - Criação de um lugar literário: a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira em S. Pedro de Moel.
- 2011 - Cristina Nobre, Percursos pela cidade: percurso poético e literário: Afonso Lopes Vieira (1878-1946).
- 2011 - Cristina Nobre, A construção da figura mediática de Afonso Lopes Vieira (1878-1946), Lisboa, FCSH-UNL, 6 e 7 de Outubro de 2011.
- 2011 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira na correspondência e imprensa da época, Leiria, Imagens & Letras, IPL, FCT.
- 2011 - Cristina Nobre, Inauguração do Circuito Museológico da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira – Lugar Literário.
- 2012 - Cristina Nobre, A evasão oriental de Lopes Vieira.
- 2012 - Cristina Nobre, Um século sobre o projecto de Afonso Lopes Vieira para as crianças e as escolas portuguesas.
- 2012 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: de "O povo e os poetas portugueses" (1910) a "Os cabelos de Inês".
- 2012 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: do homem à CMALV.
- 2013 - Cristina Nobre, O lugar da fé na obra de Afonso Lopes Vieira.
- 2014 - Cristina Nobre, Diálogo entrecortado entre Guilherme de Faria e Afonso Lopes Vieira.
- 2014 - Cristina Nobre, O IPL e a casa museu Afonso Lopes Vieira.
- 2015 - Cristina Nobre, A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira como Lugar Literário.
- 2015 - Cristina Nobre, A experiência industrial de Afonso Lopes Vieira.
- 2015 - Cristina Nobre, O Soldado Desconhecido : o público e o privado em Afonso Lopes Vieira.
- 2016 - Cristina Nobre; Sara Cruz; Vânia Carvalho; Mário Coelho. "Animais nossos Amigos. Dos versos de Afonso Lopes Vieira aos animais de Pedro Anjos Teixeira".
- 2016 – Cristina Nobre, O espólio literário de Afonso Lopes Vieira na Biblioteca Municipal de Leiria.
- 2017 - Cristina Nobre, Acrescentos a … um longo ataque de melancolia mansa… Correspondência e autógrafos (1909-1945) de Afonso Lopes Vieira a Artur Lobo de Campos.
- 2017 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: os Serões de Alcobaça como edificação de um património português e do mundo.
- 2017 - Cristina Nobre, As Três Glórias de Leiria de Afonso Lopes Vieira: a piquena pátria dentro da Pátria grande.
- 2018 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira e o património paisagístico do Pinhal d’el-Rei / Mata Nacional de Leiria.
- 2019 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: dois textos gerados no exílio, Brancaflor e frei Malandro & Éclogas de Agora.
- 2019 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira e a elite universitária.
- 2019 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira e a Ordem de Cristo.
- 2020 - Cristina Nobre, Afonso Lopes Vieira: a sementeira para a infância e juventude – textos esquecidos.
- 2020 - Cristina Nobre, Correspondência de Afonso Lopes Vieira com algumas intelectuais | ‘mulheres de letras'
- 2020 - Cristina Nobre, O Mosteiro da Batalha como plenitude em Afonso Lopes Vieira.
- 2021 - Cristina Nobre, Troca de galhardetes poéticos entre Afonso Lopes Vieira e Alberto Osório de Castro.
- 2021 - Cristina Nobre, Dois textos inéditos, com ideal franciscano, de Afonso Lopes Vieira.
- 2022 - Cristina Nobre, A Exposição Distrital de 1940 e a correspondência entre Afonso Lopes Vieira e Horácio Eliseu, Anais Leirienses. Estudos & documentos 11:381-390.
- 2023 - Cristina Nobre, Introdução a JORNAL DUM POETA de Afonso Lopes Vieira, Anais Leirienses. Estudos & documentos 13: 157-193.
- 2023 - Cristina Nobre, O mosteiro da Batalha como plenitude em Afonso Lopes Vieira.
- 2023 - Cristina Nobre, Cavaqueira entre amigos de férias no lugar literário: 4 postais de Afonso Lopes Vieira para José Custódio de Morais, Anais Leirienses. Estudos & documentos 15: 355-365.
- 2025 - José Carlos Seabra Pereira, "O Trovador de Portugal", in José Manuel Quintas e Manuel Vieira da Cruz (Organização, edição de texto e notas), Afonso Lopes Vieira. Poesia, Lisboa, E-Primatur, 2025, pp. 513-706.
Vária
2020 - A cuidar do legado de Afonso Lopes Viera, 74 anos depois, Diário de Leiria, 20 de Novembro de 2020 - https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/a-cuidar-do-legado-de-afonso-lopes-vieira-74-anos-depois
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