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        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
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Nun'Álvares

António Sardinha

António Sardinha defende Nun’Álvares como símbolo máximo da alma portuguesa, exaltando a sua integridade moral, espiritual e patriótica, e rejeitando interpretações que diminuem ou distorcem a sua importância histórica.


Foi ontem dia de Nun’Álvares pela comemoração nacional do seu nascimento. Essa figura erguida, uma das maiores da nossa história, é na sua dupla posição de guerreiro e de santo a encarnação perfeita da alma de Portugal. Ninguém como ele teve o gládio para manter a justiça e para defender a terra. Ninguém como ele soube o poder do espírito quando se recolhe em Deus e não confia senão na força superior de uma aspiração imortal! Entre a Espada e a Cruz decorreu feliz e gloriosa a existência passada da nossa Pátria. À Espada e à Cruz nós agradeceremos ainda o acto de milagre que nos há-de restituir ao caminho perdido da nossa vocação de povo.

Sobre Nun’Álvares pesa a ignorância imperdoável de quanto ele nos merece como herói representativo da nacionalidade. Oliveira Martins surpreendeu-o em acasos brilhantes do seu brilhantíssimo talento. Mas a compreensão total do grande Condestabre não a soube abranger o historiador, enevoada a sua inteligência pelas piores bastardias filosóficas. Um aspeto há, notável, no livro de Oliveira Martins. É aquele em que o carácter do herói se destaca como formado moralmente pela influência mística da Cavalaria nos seus votos permanentes de sacrifício e de castidade. Oliveira Martins subtraiu-se assim, pela visão do que fora a Idade Média, às ideias dominantes no seu tempo, que consideravam os fenómenos místicos, debaixo da influência intelectual de Charcot, como puras manifestações patológicas. De resto, a Vida de Nun’Álvares vale mais como subsídio para a biografia mental do seu autor do que propriamente como o estudo que Portugal deve ao extraordinário patrono da nossa independência.

Nas Crónicas – na singeleza gótica das suas páginas – é que nós podemos sentir bem Nun’Álvares em toda a sua plenitude e em todo o alvoroço do seu coração de Cavaleiro e de Monge. É um compromisso de honra, cujo não cumprimento nos cobre a nós de vexame, redimirmos Nun’Álvares das falsificações literárias em que o seu nome se vê corrompido e corrompida a sua ação virtuosa e salvadora. Junqueiro, num panfleto que é a desforra atávica da sua ascendência israelita contra a nossa disciplina católica e monárquica, serviu-se do Condestabre como do braço de anátema que o ódio político do poeta precisava de armar na indignação retórica dos seus verbalismos truculentos. Depois, numa página vergonhosa, um outro homem de letras tentou reduzir a estatura do Condestabre à craveira deplorável de um impulsivo sem grandeza consciente, quando não de um doido acabado e simples.
​
Era este precisamente o ponto sobre o qual eu desejaria insistir, não só para lavar a memória de Nun’Álvares do sacrilégio que a pretendeu enxovalhar, mas para demonstrar como cientificamente as afirmações do senhor Júlio Dantas – é ao senhor Júlio Dantas que me refiro – são erróneas e em todo indignas de quem conviva as coisas elevadas da inteligência. Sei que não é assunto para o debate rápido de uma pequena nota. Mas enunciando-o, embora de leve, não fujo a declarar – a respeito do famoso libelo que uma fantasia censurável em quem se supõe fazer obra de história colocou na boca do Cardeal Diabo durante o decurso da beatificação de Nun’Álvares – que ele não passa, o referido libelo, de um reflexo cabotino dos ensinamentos da Salpêtrière acerca do misticismo e da natureza das suas personificações. Ora o desenvolvimento dos estudos psicológicos modificou completamente as observações de Charcot. Ninguém como os místicos resolve e domina os conflitos da nossa vida moral, a que num livro recente, L’hérédo, com tanto vigor de expressão Léon Daudet chamou o «drama interior».

Inegavelmente, desde que a terceira experiência ou «experiência religiosa» foi instituída pelas necessidades indagadoras da própria psicologia, não é lícito já pensar-se acerca dos Santos como pensaria M. Homais alinhando os boiões da sua botica em Ruão. William James abriu o caminho. E hoje já não têm conta os trabalhos que, sem preocupações apologéticas, nos ajudam – debaixo de um exclusivo critério experimental – a aproximar os Santos, como realidades vivas, da concepção sobre-humana que neles nos apresenta a Teologia.

Nun’Álvares encontra-se psicologicamente dentro desse juízo sereno e reabilitador. Nem ele é o histérico, que um golpe de efeito sobre o público procurou inculcar como tal, nem a sua genealogia, por carregada de estigmas que se nos revelasse, constituiria motivo irremovível para uma condenação. Um médico ilustre, o Dr. Ch. Fiessinger, demonstra-nos que o inconsciente se educa e que a religião é precisamente o seu maior educador. A igual conclusão chegou igualmente Léon Daudet.. De facto, nós não ignoramos que Santo Inácio de Loiola era um colérico, São Francisco Xavier, um ambicioso, e o Poverello de Assis, um gastador. A disciplina religiosa interveio. E do colérico saiu o disciplinador admirável dos Exercícios Espirituais, do ambicioso o evangelizador das Índias e do gastador o esposo amorável da Senhora Pobreza, beijando as chagas dos leprosos e cantando ao Senhor Nosso-Deus o louvor de todas as criaturas.

A Igreja exige para a canonização, mais que os milagres, o «exercício heróico» das virtudes cristãs. O «exercício heróico» das virtudes cristãs pressupõe a afirmação da vontade. Se os Santos realmente não passassem de uma floração hospitalar, de degenerados, mordidos de raivas epilépticas e com hiatos frequentes de personalidade, a vontade desertá-los-ia, como abúlicos inevitáveis que seriam. Escuso de ressaltar a unidade de vida e pensamento característica dos Santos, que são essencialmente gigantes da vontade. A Santidade é assim uma introspeção ativa e constante do soi – como diria Daudet – sobre o moi, isto é, da parte deliberativa e consciente do nosso ser sobre o tumulto de instintos em que a nossa autonomia espiritual quase sempre naufraga.

Enganou-se, pois, o senhor Júlio Dantas, enganou-se, não só como escritor, mas até como médico, ao assegurar a degenerescência de Nun’Álvares. A unidade da sua existência moral é comprovada pelo testemunho das Crónicas. O epilético não se descobre nele, porque a vontade no Condestabre é permanente e robusta. Há uma continuidade de ação e de pensamento em Nun’Álvares que nos enche de assombro e dissipa toda e qualquer suspeita de desequilíbrio. Violento e sanguinário? Mas eu inutilizo, logo que o senhor Júlio Dantas o deseje, a sua acusação. Então, por ser casto? Mas hoje a medicina reconhece na castidade uma virtude higiénica. Talvez porque no desfiar dos anos se recolheu a um convento e vestiu a estamenha carmelita?

Precisamente a isso responde a psicologia com a terceira experiência», verificando no misticismo, quando superior, um poderoso desenvolvimento da nossa individualidade.

Muito gostaria de me alongar com o interesse que a questão legitimamente suscita. Raspando de sobre o Condestabre esse pingo de lama que, afinal, nem o salpicou, os meus votos são para que a Festa a Nun’Álvares se torne um dos objetivos mais ardentes do espírito patriótico. Adoremo-lo nos altares e aclamemo-lo nas praças! Nun’Álvares mostra-nos com a espada terminando na cruz que o patriotismo é uma virtude eminentemente cristã. Como cristãos não consintamos jamais que nos roubem o Condestabre, traindo-o e abastardando-o numa espécie de culto maçónico, tal como o que teima apagar a Camões, o poeta do renascimento católico, fiel à Igreja e ao sentimento ortodoxo emanado do concílio de Trento.
​
Juntemos os nossos esforços para que Nun’Álvares tenha o seu dia, mas o seu dia como Santo e como Herói, não separando nunca as duas faces da sua alma admirável, que só se completam integradas uma na outra.

in Na Feira dos Mitos - Ideias e Factos, 1926
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]