ESTUDOS PORTUGUESES
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      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • No dia de Camões
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
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        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
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      • Évora-Monte [ 1834 ]
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      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
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      • O problema da vinculação
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        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
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Os nossos Reis

António Sardinha

Pátria e Monarquia, fundidas uma na outra, dão uma palavra somente: Portugal!  - António Sardinha

RESUMO
Uma análise crítica da evolução da monarquia portuguesa, evidenciando o papel dos reis e rainhas na construção e manutenção da identidade nacional. As reformas, crises políticas e influências externas são vistas como determinantes do destino do país, enquanto a monarquia é defendida como a verdadeira representante e guardiã da continuidade histórica de Portugal.
 
Os nossos Reis e a Formação de Portugal - A continuidade histórica e o papel da monarquia
  • A Monarquia e o Ataque Revolucionário. A Revolução promoveu o individualismo, procurou subverter as instituições tradicionais e questionou a legitimidade do poder monárquico, promovendo o descrédito do passado. As disciplinas que sustentavam a grandeza da sociedade antiga foram vistas como barreiras à liberdade e aos direitos individuais. O conceito de Pátria passou a ser associado a interesses momentâneos de grupos, perdendo a sua continuidade e razão de existir.
  • Pátria: Terra dos Antepassados. Para António Sardinha, a Pátria representa um fato positivo, enraizado na terra dos antepassados, e deve ser respeitada conforme a identidade que os nossos mortos lhe imprimiram. O patriotismo exige acatar as tradições dos maiores, mesmo que não se compartilhe das mesmas crenças.
  • Honrar as Forças Políticas e Ideias Coletivas. Honrar a Pátria implica reconhecer tanto as forças políticas que a originaram quanto as ideias coletivas em que se fixou. Mesmo pensadores que não compartilham da fé religiosa, reconhecem o papel educador da Igreja na formação do subconsciente dos indivíduos e dos povos.
  • O Pseudo-Intelectualismo e a História Sectária. Em Portugal, o liberalismo importou uma negação do passado, deturpando doutrinas para fins partidários. Historiadores como Teófilo Braga e autores panfletários reproduziram críticas à Monarquia e à Religião, promovendo uma campanha contra as verdades tradicionais. A história sectária, iniciada por Pombal, cresceu com o Constitucionalismo, difundindo rancor contra o legado católico e monárquico.
  • Renovação e Defesa da História Nacional. Uma nova geração busca agora restaurar os direitos da história nacional, preservando a unidade moral da Pátria. O espírito monárquico é defendido não por mera nostalgia, mas pela convicção de que os reis foram os responsáveis pela grandeza de Portugal ao longo dos séculos. A identificação entre Pátria e Monarquia é vista como essencial para o desenvolvimento e prosperidade do país.
  • Os Reis e a Consolidação de Portugal. A trajetória dos reis portugueses mostra que, desde D. Afonso Henriques, cada monarca, seja guerreiro ou estadista, contribuiu para a constituição e fortalecimento da Pátria. As fases da história revelam conquistas, estabilizações e reformas, como a garantia da unidade e a superação das crises dinásticas.
  • Crises, Expansão e Dinastias. A crise de 1384 e a subsequente ascensão da Casa de Avis fortaleceram as virtudes sociais. Reis como D. Manuel e D. João III promoveram o desenvolvimento cultural, enquanto D. Sebastião e D. Henrique enfrentaram desafios de identidade e autonomia nacional.
  • A União Ibérica e a Dinastia de Bragança. A união com Espanha foi uma monarquia dualista, tendo provocado um movimento de libertação que culminou com D. João IV e a dinastia de Bragança. D. João IV é destacado como um diplomata habilidoso, fundamental para a independência e reorganização de Portugal.
  • Reformas, Absolutismo e Nacionalismo. D. José, embora fosse influenciado por Pombal, procurou enfrentar os desafios do Absolutismo, enquanto D. Maria I presidiu a reformas que estimularam o desenvolvimento agrícola e educacional. Mesmo na adversidade, a monarquia buscou servir a Pátria.
  • Liberalismo e Disputas Dinásticas. O Liberalismo agravou a crise das instituições aberta pelo despotismo do marquês de Pombal, levando a disputas dinásticas e ao exílio de D. Miguel I, símbolo do desejo nacional pela continuidade histórica. A transmissão da coroa a D. Maria II e os reinados de D. Pedro V, D. Luís e D. Carlos foram marcados por desafios políticos e transformações sociais.
  • A Monarquia como Guardiã Nacional. Ao longo de gerações, Portugal identificou-se com seus monarcas e instituições representativas, vendo na monarquia a virtude primacial capaz de restaurar a unidade e garantir a continuidade da Pátria. A restauração da verdade histórica e da monarquia é apontada como essencial para a unidade e continuidade nacional.​​

OS NOSSOS REIS

Foi o mesmo em toda a parte o ataque da Revolução contra a ordem social constituída. O descrédito do Passado serviu-lhe de arma certeira no seu plano de subverter com as instituições tradicionais a legitimidade do poder e a sua natural hierarquia. A perversão da história facilitou assim o caminho a essa obra metódica de dissolvência e destruição. Proclamado o individualismo nos costumes e nas inteligências, as velhas disciplinas que haviam tornado possível a grandeza e a cultura da sociedade antiga encararam-se de pronto como gargalheiras impostas à nossa liberdade e aos nossos direitos. A Pátria não significou mais que o triunfo momentâneo das nossas opiniões de partido. Pretexto aparatoso para em boa retórica se disfarçar a ambição dos mandarins e dos arrivistas, perdeu-se-lhe a continuidade e a razão eterna de existir, desde que os de hoje se levantaram contra os de ontem, apeando os símbolos e destruindo as realidades, a cuja sombra se tinha com nobreza e segurança vivido e morrido.

Ora a Pátria, no seu sentido concreto, na verdade frisante das suas características, é um facto positivo que se não improvisa nem subjectiva, mas que se reconhece e aceita tal como é, e nunca como a nossa imaginação, ou o nosso capricho desejem que ela fosse. Pátria vem de terra patrum – a terra dos Avós, a terra dos Antepassados. Amar a Pátria é respeitá-la na fisionomia sagrada que os nossos Mortos lhe imprimiram. Nunca é demais falar em Fustel de Coulanges. Sem ser um crente, no seu testamento, Fustel de Coulanges mandou-se enterrar catolicamente. "Eu desejo um enterro conforme o uso dos franceses – escrevia o historiador –, isto é, um enterro religioso. Eu não sou, em verdade, nem praticante nem crente; mas devo-me recordar de que aqueles que me precederam na vida eram católicos". O patriotismo exige que, quando se não pense como os nossos maiores, se acate ao menos o que eles pensaram. Este conceito humaníssimo de Pátria, excluindo o patriotismo revolucionário e romântico, é exactamente o seu conceito científico e experimental.

Sendo assim que a Pátria tangivelmente se nos manifesta, é preciso honrá-la, não só nas forças políticas que a geraram e mantiveram, mas até nas grandes ideias colectivas em que a sua alma secular se fixou e definiu. Talvez um pouco pitorescamente, não era outro o motivo que Jules Soury invocava, ao declarar-se simultaneamente ateu e clerical, materialista e católico romano. A notoriedade de Jules Soury advinha-lhe da teoria célebre dos neurones. Pois os neurones, que, numa tradução barata empurraram entre nós para o livre-pensamento dos comícios certo psiquiatra já falecido – esses mesmos neurones do prof. Miguel Bombarda, dando a Jules Soury as bases fisiológicas do patriotismo, levaram-no a concluir, não pela fé, que a não possuía, mas pelo pensamento que tanto amava, na apologia da Igreja como representando a mais forte e a mais bela educadora do subconsciente dos indivíduos e dos povos.

Não chegaram a Portugal tão nobres e insuspeitos exemplos. Apenas a negação se importou numa avidez doentia de suicídio. Tão fundo a avariose liberalista nos corroera, que as próprias doutrinas de Comte, de crítica cerrada e implacável aos falsos dogmas de 89, Teófilo Braga as deturpou e restringiu, adaptando-as às exigências sectárias da sua psicologia farisaica de jacobino! Deste modo, estabelecida a luta contra a estrutura histórica da nossa sociedade, não tardou que um pseudo-intelectualismo reproduzisse contra a Monarquia e contra a Religião as diatribes, às vezes sinceras e iluminadas, de um Michelet ou de um Quinet. É daí que se socorre a mentalidade republicana, quando prega a guerra santa contra as influências do Passado, consideradas obscurantistas pela sua linguagem tatuada e tronitroante.

Auxiliam-lhe o trabalho desorganizador o criticismo agudo de um Oliveira Martins, ou a cegueira ultrarromântica de um Pinheiro Chagas, sem aludir a Herculano naquela parte em que, saindo do domínio dos documentos, se pôs a fazer história para combater, na própria frase, a Reacção. A Pátria, para esses autores, apresentava-se, não no significado objectivo de um património a continuar, em que a tomava Fustel de Coulanges, mas como dirigida e condicionada por um princípio, o princípio herdado da Revolução e expresso nas ideologias anárquicas do Liberalismo. Não foram assim historiadores. Foram antes panfletários. Como panfletários os vemos convocados a depor sempre que seja necessário activar a campanha subversiva contra as grandes verdades tradicionais.

Felizmente, na renovação da inteligência portuguesa, a História é hoje compreendida como o elemento mais decisivo para a vitória do nosso nacionalismo. Como mentiras insubsistentes, esvaem-se as calunias divulgadas a esmo pela Dedução Cronológico-Analítica, quando Pombal entendeu desacreditar pelos processos mais baixos a acção moralizadora e cultural da Companhia de Jesus. É onde começa entre nós a história sectária, a história parcial e criminosa, que Fustel dizia levar à guerra civil. História de guerra civil, efectivamente, a história sectária, inciada por Pombal, aumenta e cresce com o advento do Constitucionalismo. A maneira como os homens se enegreceram sem escrúpulo os seus irmãos vencidos afere-se bem pelo rancor com que a república está difamando tudo quanto represente um reflexo do nosso passado católico e monárquico!

Não irá, porém, longe o seu propósito faccioso! A nova geração dispõe-se a velar pelos direitos da história nacional, que o mesmo é velar pela unidade moral da Pátria. O alarme já se sente nos arraiais inimigos. A eterna exploração contra a Realeza sofreu uma derrota mortal nos últimos episódios parlamentares[1] em que a figura de D. João VI suplantou com toda a sua nitidez a acusação sem consistência que a pretendia toldar. Mal dissimulando o desbarato, ainda insistem os do campo contrário. E insistem afirmando que o espírito monárquico se dedica a levantar agora vultos secundários e poluídos, em porfiado menosprezo por outros que são cumeadas na nossa jornada do povo.
​
Não é difícil atingir o alcance da insinuação. Querem os nossos adversários inculcar com ela que nós, reabilitando os nossos Reis, esquecemos a Pátria, para só nos preocuparmos com a Monarquia. Bem opostamente, porque a Pátria é o princípio e o fim das nossas aspirações é que nós defendemos nos nossos Reis a vontade persistente e enérgica de que Portugal resultou engrandecido, ao longo do exemplo admirável de quase oito séculos de vida. Eis porque, na identificação de Pátria com a Monarquia, a história de Portugal é a história dos nossos Reis. Uns mais dotados, outros mais obscuros, nenhum deles faltou aos deveres pesados do seu ofício, conduzindo sempre o país ao caminho da honra e da prosperidade. Quando erraram, os poucos que erraram!, erraram na ideia de que serviam no prestígio da sua coroa o prestígio da nacionalidade.

Porque o interesse dinástico coincide necessariamente com o interesse nacional, Renan, chamando à Realeza o cérebro de uma nação, não hesitava em proclamar que um chefe electivo é sempre inferior ao soberano, por medíocre que este seja, elevado ao trono pelos acasos da hereditariedade. Se Renan o observava, de olhos postos na França, nós tiramos a prova-real das suas palavras; arripiando a nossa reflexão ao largo das três dinastias, a quem Deus confiou a salvaguarda de Portugal.

Logo ao alto, o que seria das tendências separatistas das gentes de Entre-Douro-e-Minho se, em seguida ao esforço preliminar dos condes portucalenses, D. Afonso Henriques não desposasse na sua ambição a causa de uma pátria que se queria constituir? A sua obra não é apenas uma obra do guerreiro que protege e alarga o território. O político revela-se, procurando na Santa-Sé o apoio externo que à pequena nacionalidade faltava no concerto internacional da Respublica Christiana. Adulterado, quando não diminuído, esse acto do nosso primeiro rei mostra-nos que, ao lado do guerreiro impulsivo, havia o estadista hábil, demandando sanções jurídicas e morais para o reino emancipado pela sua espada de cavaleiro.

Transposta a fase embrionária – o período instintivo –, a Pátria encontra na Realeza o cérebro que, realmente, lhe define as preferências e lhe estabelece a finalidade. Ao longo da dinastia afonsina nós vemos que o desenvolvimento de Portugal é o desenvolvimento do poder dos seus Reis. Há uma directriz que se executa e que se cumpre, ininterruptamente. A D. Afonso Henriques sucede D. Sancho, seu filho. Se um conquista, o outro estabiliza. Se o pai dilata os limites da terra, o filho arroteia-a e povoa-a. Virá D. Afonso II garantir depois a unidade da Pátria sustentando a unidade da soberania. Na dispersão jurisdicional das regalias da Coroa, o seu pulso domina a tentativa feudal que ameaça pulverizar o Estado ainda recente. D. Afonso II evita o escolho, para bem depressa ele reaparecer na menoridade do seu sucessor, durante a fraqueza de uma regência. São as regências a falha das Monarquias. Mas o que é a República senão a regência perpétua?

Neste sentido, a obra da Realeza se desenha e continua. Declara-se a crise de 1384. Mas ainda é a Realeza quem salva a Pátria, corrigindo-se dos defeitos do reinado anterior. Não desprestigiemos D. Fernando! Camões é injusto com ele, quando lhe chama fraco Rei. A sua política de fomento é admirável, Arruinou-nos nas lutas com os vizinhos, é certo. Mas D. Fernando adivinhava a nossa necessidade de expansão, ao mesmo tempo que o perigo absorcionista de Castela. Errou, porém, na rota a escolher. A expansão seria para o mar e só o poder naval nos salvaria da ameaça crescente da unificação castelhana.

Eis que surge a Casa de Avis. A Grei adquire então a plenitude das suas virtudes sociais. Há o desvio da Índia que empobrece e esgota as nossas energias. Que Reis magníficos, no entanto! Aos primeiros não me refiro, tidos e havidos como tal pelos publicistas de todas as cores. O que levanto são as acusações carregadas sobre D. Manuel e D. João III. D. Manuel achou em Luciano Cordeiro um reabilitador consciente nas suas esplêndidas monografias O prémio da Descoberta e A segunda duquesa. Quanto a D. João III, a quem Oliveira Martins chama significativamente o «Rei colonizador», é doloroso declarar que os estrangeiros lhe prestam mais atenção do que nós, nacionais. Ninguém amou como ele o desenvolvimento da nossa cultura, já trazendo para Portugal os mais afamados humanistas, já instituindo lá fora as ‘bolsa-de-estudo’, por cujas expensas os nossos sobressaíram bem alto no festim erudito da Renascença. Repara o escritor espanhol D. Alfonso Danvila y Burguero que entre nós se faz um conceito injusto de D. João III. E assim assevera que «la colonización del Brasil, la reforma de la Universidad y su traslación a Coimbra, el procurar por todos los medios posibles en frenar la orgía de la India y suprimir las mutilaciones y marcas de hierro de los criminales, actos en los cuales tuvo D. Juan III una activa parte, quitan un tanto de valor a la severa afirmación de Pinheiro Chagas y de Herculano».

O mesmo sucede com D. Sebastião e com D. Henrique. De D. Sebastião é já conhecido hoje o espírito profundamente nacionalista de todo o seu reinado. Não é, no entanto, inútil recordar que o exército da Restauração se organizou sobre os regulamentos e reformas militares, decretados pelo Rei-Desejado. Exausto, quase no fim da fim da vida, D. Henrique é o crepúsculo de uma raça. Contudo, Manuel Bento de Sousa apresenta-o como chefe do partido oposto à influência castelhana, traçando dele um retrato que o dignifica. Esse juízo é confirmado pelo insuspeito Danvila y Burguero. Subiu ao trono, teve que aceitar a fatalidade do destino, na certeza, porém, de que não entregava submissamente Portugal à Espanha.

Não foi bem uma incorporação, de resto, o que occorreu. Foi antes uma união, uma especie de monarquia dualista, como a Áustria-Hungria. Provam-no, por exemplo, a introdução das armas de Portugal no escudo espanhol, a vinda de Felipe às côrtes de Tomar e a constituição do Conselho de Portugal em Madrid.

A administração ruinosa dos outros Felipes, tendendo a tornar Portugal numa simples província, é que provocou o nosso arranco libertador. Entretanto, por força do valor que Georges Sorel reconhece aos mitos, governa-nos a «Monarquia-do-Encoberto». Mas o Encoberto apareceu um dia, conforme a lápide da Porta-dos-Nós em Vila Viçosa. Inicia-se então com D. João IV a dinastia de Bragança, sobre a qual desabou um chuveiro de falsidades e de infamações. Diminuído e caricaturado, D. João IV, quando mais não tivesse por si senão a sua entrevista com o Cavalheiro de Jant e o célebre papel que, debaixo da designação de Procurador dos descaminhos do Reino, mandou lançar na caixa das Côrtes, possuía o bastante para se nos impor como um grande monarca. Mas há mais, há mais e muito mais: diplomata habilíssimo, a ele se deve a organização interna e externa que facilitou as vitórias do reinado seguinte, e consequentemente, a independência. Joaquim de Vasconcelos e Edgar Prestage restituíram já, e definitivamente, D. João IV às reais proporções da sua envergadura.

Uma pausa se deprime agora com D. Afonso VI. A sua inferioridade pessoal não enfraquece, em todo o caso, a força unificadora do princípio que representa. É no seu reinado que se ganham as batalhas decisivas da autonomia e é ele que até ao fim aguenta com firmeza o homem que, apesar dos seus defeitos, foi a alma enérgica que supriu a frouxidão natural do monarca. Não me é possível aqui abordar o problema da deposição de D. Afonso VI. Só direi que, no regime de partidos em que o Paço se dividia, o acto que conduz o infante D. Pedro à regência, foi na sua origem um acto da responsabilidade total da Nação.

D. Pedro, dos menos dotados dos nossos soberanos, revela na sua política externa uma tal firmeza que chegou a desfazer as cabalas de Luís XIV. «Se ele é meu discípulo e os bons discípulos honram os mestres!» – eis como disfarçou o Rei-Sol espirituosamente o seu despeito. Increpam-no pelo tratado de Methuen. Apesar dos encargos que nos trouxe, garantiu-nos as colónias. A subida de Felipe de Anjou ao trono de Espanha mudara a França, de inimiga tradicional, em aliada fiel da côrte de Madrid. Ameaçados de uma nova absorção, sem Paris a secundar-nos, tivemos que nos valer da Inglaterra, como nosso apoio exterior. Depois, o domínio dos mares já não era nosso. Nas mãos da Inglaterra, só a sua aliança nos permitiria a comunicação livre com o Ultramar português.

Morto D. Pedro II, seu filho D. João V é um dos nossos Reis mais propositadamente obscurecidos. De um país depauperado pela guerra em que a Grã-Bretanha nos metera, para nos abandonar em seguida à nossa sorte, D. João V consegue tirar o Portugal que esteve para ser árbitro das contendas europeias, graças a uma neutralidade forte e respeitada. Protector das artes e das ciências, é da época de D. João V não só o estilo que caracterizou o seu reinado, mas um número infinito de construções todas destinadas a servir o bem-comum. A grandeza do Rei valeu, e acertadamente, para D. João V como sendo a grandeza do reino. É este o traço dominante do seu governo e o que melhor o impõe aos agradecimentos de Portugal.

D. José, o herdeiro, veio numa hora em que o Absolutismo corrompera já a estrutura das monarquias tradicionais. Se com D. João V as qualidades próprias do monarca servem ainda de correcção ao vício congestivo que se ia apoderando da Realeza, essas qualidades desertam em D. José, que se abandona por completo à influência do seu valido. «O Rei ao torno e o Marquês no trono», ou então, mais exactamente, o epigrama que afixaram na estátua do Terreiro do Paço: Statua statuae. Tanto basta para que a ditadura de Pombal se aprecie devidamente. A crítica dela está encerrada, julgando-se económica e socialmente prejudicial para a nação. Subscrevo esse juízo, que de hora para hora os factos realçam cada vez mais. Já assim não acontece com D. Maria I, que preside, talvez como reacção contra os geometrismos despóticos do Marquês, a uma verdadeira revivescência nacionalista, de que são principais elementos os eruditos da Academia.

Mas o falso naturalismo do século minava já a sociedade antiga. Não obstante, de D. Maria I data uma série de reformas que libertaram a terra, sem cair nos apriorismos insensatos de Mousinho, e que desenvolveram consideravelmente a agricultura e a instrução especializada. Renovando o pensamento de D. João III, mandam-se lá fora pensionistas que se experimentam nas ciências agronómicas e químicas, então nascentes. A loucura da rainha não invalida o trabalho reparador do seu reinado. Durante a regência do Príncipe do Brasil, cria-se o Conselho do Almirantado que nos dará uma esquadra – inveja e cobiça de Napoleão. Não nos deixaram as invasões ir mais adiante. E hoje sabe-se como, retirando-se para o Rio, D. João VI salvou com a integridade da dinastia a integridade da Pátria. O resto é quase do nosso tempo, para que nos ocupemos a desfiá-lo.

O advento do Liberalismo acabou de desorganizar a natureza histórica das nossas instituições sociais e políticas, complicando a crise que se desencadeara entre nós com uma sanguinolenta disputa dinástica. Encarnação magnífica da raça, a D. Miguel I só no exílio é que lhe consentiram que ele revelasse a firmeza comovente da sua dignidade real. A nação inteira aclamou-o não apenas como rei, mas como o símbolo do seu desejo ardente de voltar àquela continuidade em cujas normas Portugal crescera e se cobrira de glória. Não o permitiram os princípios do século, sustentados de armas na mão pela conjura internacional do Maçonismo.

Na alteração política que transmite a coroa a D. Maria II, o imperador D. Pedro, vítima do figurino romântico de libertador de povos, desmancha em cavalhadas sem perdão a sua linha corajosa, só porque Bolívar lhe subira à cabeça e lhe atravessavam o cérebro de quando em quando uns vagos fumos de napoleanismo de contrabando.

Superiormente conformada, D. Maria II afirma um temperamento de mulher que lhe legitima bem depressa a sua ‘quase legitimidade’, à Luís Felipe. Do que foi como rainha fala a tradição que deixou no povo e ainda as suas cartas, recém-publicadas, em que se marca bem a energia de um carácter nascido para afrontar situações difíceis, como as que D. Maria II por mais de uma ocasião afrontou. Penetrado da nevoeirenta melancolia germânica, D. Pedro V é um rei-filósofo do século XVIII, vindo ao mundo postumamente. A precocidade mental dos Braganças assinalou-o de uma maneira notável. E eu creio que nesse monarca, eivado de um filantropismo inconsistente e dulçuroso, não habitava a personalidade que muitos supõem. O traço que o fixa é o seu idílio com D. Estefânia, idílio que recorda um pouco o de Henrique e Carlota Stilglizt.

Por detrás da sua eça, desponta agora D. Luís. É a dissolvência máxima do Constitucionalismo que o Rei atenua com as claridades do seu coração e da sua inteligência. Resignado à fórmula hipócrita de que «o rei reina e não governa», D. Luís traduz Shakespeare e é do cepticismo do seu primo do Brasil, amigo de Victor Hugo, o tal que ralhava em verso às Coroas e às Tiaras. A sua existência esconde-se na apatia de um órgão sem função – inutilizado pelo monstruoso sofisma em que a majestade da Monarquia se aviltava irreparavelmente, jogada de um lado para o outro na feira dissoluta dos partidos. D. Carlos a levantará, resgatando com o sacrifício do seu sangue a culpa original que manchava o direito da sua dinastia.

Rei bem nacional – até nas suas predilecções de lavrador alentejano –, D. Carlos manifesta-se um Bragança perfeito na sua psicologia de artista exigente, em quem a diplomacia traduzia a qualidade tónica do seu atavismo belamente dotado. Abateram-no como um lobo a uma esquina. Nesse momento Portugal suicidava-se. Olhando à posição que D. Carlos conquistara nas côrtes e chancelarias da Europa, é lícito perguntar o que seríamos hoje, com esse soberano excepcional à nossa frente? A D. Carlos estaria talvez destinado no desenlace da grande guerra o papel que as circuntâncias iam reservando a D. João V.

Através de tantas gerações de monarcas, nós vemos assim Portugal identificando-se sempre pelas responsabilidades do sangue com as instituições que tradicionalmente o representavam. Tal é virtude primacial da Monarquia. Ela que fez a Pátria, ela a restaurará. E, deitando os olhos ao mapa do Passado, nós constatamos como, efectivamente, Portugal é a criação magnífica dos seus Reis!

Deixámo-los insultar e difamar. No dia em que essa conspiração se consumou, consumou-se o maior atentado contra as razões mais sagradas do nosso patriotismo. Restaurar a verdade na história é restaurar a unidade da Pátria. Só a Monarquia a serve e garante como ninguém! Tudo o mais são evasivas, de momento – são mesquinhas soluções provisórias. Contemplemos de frente, sem preconceitos, como homens livres, a face da questão. A toda a nacionalidade corresponde uma dinastia, na qual se consubstânciam o génio e os interesses da nação, pondera Renan; uma conciência nacional não é fixa nem firme senão quando ela contrata aliança indissolúvel com uma família, que por esse contrato se obriga a não ter nenhum interesse distinto do da nação. Não é outro o caso da Monarquia Portuguesa. Eis porque Pátria e Monarquia, fundidas uma na outra, dão uma palavra somente: Portugal!

Agosto, 1918.
 


[1] Alusão à sessão legislativa de 1918 – consulado de Sidónio Pais –, em que o autor, como deputado, defendeu no Parlamento a personalidade política de D. João VI.

[ negritos acrescentados ]
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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