ESTUDOS PORTUGUESES
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        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
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A Rainha SantA

António Sardinha
Mãe da Paz e da Pátria – Pacis et patriae mater –, Santa Isabel é ainda para nós o penhor divino da nossa futura ressurreição. 
​- António Sardinha 

Acerca da importância histórica e espiritual de Santa Isabel de Portugal, realçando o seu papel como mediadora da paz, promotora da justiça social e símbolo de caridade. A Rainha Santa foi fundamental para fortalecer alianças dinásticas, evitar guerras civis e aproximar Portugal da Igreja, sendo reconhecida como “Mãe da Paz e da Pátria”. A sua atuação marcou a política peninsular, inspirou assistência aos pobres e deixou um legado duradouro de santidade, venerado pelo povo português e institucionalizado pela canonização.​





​A RAINHA SANTA 
Desça-se da auréola doce dos vitrais essa figura gótica da lenda e vejamos no campo da história qual foi a significação social da sua passagem pelo mundo. Como Rainha e como Bem-aventurada, Santa Isabel de Portugal é o florescimento das virtudes franciscanas da pobreza e da caridade à sombra do trono glorioso das Quinas. Vinha da estirpe real do Aragão, com outra Isabel, também santa – Santa Isabel da Hungria –, a espiritualizar-lhe a ascendência espessa de violentos e de irrequietos. A sua união com el-rei D. Dinis marca o início de uma sábia política peninsular, em que Portugal cresceu em prestígio e em força, reconhecido nas contendas de Castela com Aragão como o medianeiro e o árbitro natural das dissensões que enfraqueciam a unidade católica da Espanha perante o perigo ainda gravíssimo do islamismo. O tratado de Alcanizes e o encontro de Tarazona, se são atos que enobrecem o reinado prudente de D. Dinis, agradeçam-se pela iniciativa e pela condução ao tato habilíssimo de sua esposa, que ia encher o declinar da Meia Idade portuguesa com o perfume castíssimo de uma santidade tão recatada como infatigável.

A Igreja, depondo nos altares a imagem de Santa Isabel, invoca-a e honra-a como intercessora da Paz. Deitada no berço, pequeno ser embrulhado em faixas, ela reconcilia com a família seu avô, o arrebatado Rei Jaime de Aragão. Pela mão frágil dessa criança, Jaime regressa à Igreja e abandona a sua vida desordenada.

Já em Portugal, não só aproxima seu marido e o reino da Santa-Sé, que lançara um interdito sobre nós, como por diligências minuciosas e constantes valoriza a situação externa do nosso país com uma forte aliança dinástica, resultante do casamento de seus filhos, D. Constança e D. Afonso, com Fernando IV de Castela e sua irmã, a infanta D. Beatriz.

Mas o acto mais belo e mais expressivo da influência da Rainha Santa nos negócios da Península é a entrevista de Fuente-Guinaldo entre Isabel de Portugal e D. Maria Molina, da qual resultou a recomposição amigável dos monarcas cristãos de Espanha, divididos e encarniçados numa luta perniciosa para os destinos da Cruz e da civilização.

Também a unidade de Portugal lhe deve um dos mais notáveis e eficazes esforços para a sua estabilização definitiva. «Elisabeth pacis et patriae mater» – eis o título com que a Igreja a decora numa das mais lindas passagens do seu ofício de Santa. Mãe da Paz e da Pátria, não só evita os escolhos exteriores de Portugal, como nas guerras civis de D. Dinis com seu irmão, mais tarde com seu filho, e depois ainda de D. Afonso IV com o príncipe D. Pedro, é Santa Isabel, é a Rainha Santa das Rosas quem apazigua as hostes fratricidas e alimpa o reino do fermento de rebelião que o esfacela e enfraquece.

Mãe da Pátria e mãe da Paz, não o esqueçamos nós diante desse vulto singular de mulher que teve o primado superior do espírito numa corte de costumes soltos, em que a lira de D. Dinis marchava de braço dado com as suas vagabundagens amorosas. A austeridade de Isabel de Aragão trouxe-lhe inimigos e, Santa que era, sofreu até o desterro, imposto por seu marido, para uma das vilas do seu senhorio. D. Dinis reconheceu depressa a verdade respeitosa que lhe merecia a companheira que o Céu lhe dera; e, sob os olhos tranquilos da Santa, ganhou ao fim da vida a tranquilidade de uma consciência repousada no Senhor.

Para se compreender melhor o sentido místico da existência de Santa Isabel é preciso relembrar que o século XIII foi o século do amor dos pobres, na irradiação do admirável exemplo de São Francisco de Assis. Santa Isabel chega cem anos depois, é certo. Mas ela perpetua essa esplêndida herança moral que elevara à beatificação um rei de França e até alguém do seu próprio sangue, a grande, virtuosa duquesa da Turíngia, Santa Isabel da Hungria, que Montalembert fixou para sempre num livro tão doce de meditar. A noção cristã da justiça domina a consciência da época, embora já envenenada pela doutrina nefasta dos Legistas. É por isso que Santa Isabel não abdica dos seus direitos de Rainha e na administração das vilas da sua casa é de um escrúpulo e de uma retidão que ainda agora nos encantam e impressionam duradoiramente. A questão do pão preocupava-a de um modo tal que há documentos a demonstrarem-nos como os povos dependentes dos seus senhorios se viam garantidos dos açambarcadores por medidas especiais, emanadas da Rainha.

Em D. Afonso IV, o Bravo, se verifica como em ninguém, o dedo educador e morigerador de sua mãe. É um rei mal compreendido, esse – alma leal de cavaleiro, que sobre si pesava bem os encargos da realeza cristã. Enegreceu-o o drama sentimental de Inês de Castro, a aventureira poetisada na sua tragédia pelo condão amorável da nossa raça e cuja morte representa, não um assassinato, mas antes uma execução determinada pelo interesse inflexível do Estado. Enuncio apenas esta interpretação do carácter de D. Afonso IV, que tão dirigido foi pelas ideias morais de sua mãe, que nunca lhe conheceram bastardos e foi o combatente desinteressadíssimo da formidável batalha do Salado, chave dos destinos da Cristandade. Se assim na vida doméstica Isabel de Aragão é um milagre vivo e permanente, é ler o seu testamento para que nos possuamos dos tesouros infinitos de caridade que dispendeu à sua custa.

A assistência infantil numa hora recuada em que não se conhecia o neologismo impostor da filantropia, mas em que o amor de Deus queimava os corações – a assistência infantil entre nós pode venerar a Rainha-Santa como a sua mais alta e mais afanosa padroeira. Por morte dela, só ao hospital dos meninos de Santarém lhe deixou mil libras e os seus servidores e as suas religiosas não foram esquecidos. Eis porque tão fundamente gravada na tradição das gerações o povo canonizou a Rainha-Santa bem antes de Roma a inscrever no catálogo sacratíssimo dos Bem-aventurados.

​A jornada do culto da gloriosa Rainha não é para aqui, para um ligeiro esboceto. Reconhecida primeiro como beata para a diocese de Coimbra e para a Capela-Real, o latim elegantíssimo de Mestre André de Rezende lhe compôs um ofício, em que a Renascença se mirava com orgulho na pureza da dicção do nosso humanista. A canonização só se obteve mediante um processo moroso com Urbano VIII, no século XVII, sendo a respetiva bula publicada no século imediato pelo prestigioso pontífice Bento XIV. É um título de glória para Portugal, essa bula.

Aí se invoca todo o passado cristão da nossa terra e na Rainha santificada se considera o prémio do Céu a tanta empresa nobilíssima, empreendida pelos nossos Maiores em honra da Cruz. Mãe da Paz e da Pátria – Pacis et patriae mater –, Santa Isabel é ainda para nós o penhor divino da nossa futura ressurreição. Conta uma lenda piedosa que, à hora funesta em que o nosso sangue refrescava os areais sedentos de Alcácer-Quibir, a imagem da Rainha-Santa em Coimbra se cobria de suores de aflição. Perante Deus, os seus merecimentos – como os merecimentos de Santa Joana Princesa, de Santo António de Lisboa, de São João de Deus – valeram-nos talvez o resgate de 1640.

Os povos coletivamente não têm uma alma que lhes sobreviva. É neste mundo, perante a história, ou que expiam os seus crimes, ou que as suas ações os engrandecem e elevam. Num crepúsculo pior que o cativeiro, velem os nossos Santos por nós!

E agora que lá fora soldados nossos se batem, quem sabe se para mais uma vez se comprovar a letra sagrada das Escrituras – Non fit remissio sine sanguine –, inclinemos as cabeças pecadoras diante da Rainha-Santa e, à voz da Igreja, ajuntemos as nossas vozes, clamando humildemente: «Elisabeth, pacis et patriae mater, donna nobis pacem!»
 

 
In 'A Prol do Comum...' - Doutrina & História, 1934.
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
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