ESTUDOS PORTUGUESES
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia
    • Município
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • No dia de Camões
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • A Rainha Santa
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Quem somos
  • Actualizações
  • PORTugAL
    • 1129 - Palavra-Sinal "Portugal"
    • Pola : lei : e : pola : grei
    • Cruz da Ordem de Cristo
  • Democracia
    • Oligarquia e Corrupção
    • Outra Democracia
    • Município
  • Integralismo Lusitano
    • Os Mestres >
      • Santo Isidoro de Sevilha, c. 560-636
      • São Tomás de Aquino, 1224-1274
      • Francisco Suárez, 1548-1617
      • João Pinto Ribeiro, 1590-1649
      • Francisco Velasco de Gouveia, 1580-1659
      • Visconde de Santarém, 1791-1856
      • Almeida Garrett, 1799-1854
      • Alexandre Herculano, 1810-1877
      • Martins Sarmento, 1833-1899
      • Joaquim Nery Delgado, 1835-1908
      • Alberto Sampaio, 1841-1908
      • Eça de Queirós, 1845-1900
      • Joaquim Pedro de Oliveira Martins, 1845-1894
      • Ferreira Deusdado, 1858-1918
      • Ramalho Ortigão, 1836-1915 >
        • 1910 - Carta a Teófilo Braga, em 16 de Outubro
        • 1914 - Carta de um velho a um novo
      • Moniz Barreto, 1863-1896 >
        • 1892 - Oliveira Martins - Estudo de Psicologia, 2ª edição
      • Rocha Peixoto, 1866-1909
      • António Lino Neto, 1873-1934
    • Publicações aconselhadas, 1914-16
    • Integralismo Lusitano - Periódicos e Editoras
    • Afonso Lopes Vieira, 1878-1946 >
      • 1918 - O Encoberto (Poema)
      • 1922 - Em demanda do Graal
      • 1935 - Éclogas de agora
      • Quatro Cantares
    • Adriano Xavier Cordeiro , 1880-1919
    • Hipólito Raposo, 1885-1953
    • Luís de Almeida Braga, 1886-1970
    • António Sardinha, 1887-1925 >
      • SUPER FLUMINA BABYLONIS
      • No dia de Camões
      • 1916 - A Teoria da Nobreza
      • 1924 - A Teoria das Cortes Gerais >
        • 0. Preâmbulo
        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
        • X. O Papel das Cortes na Monarquia Nova e a Representação dos Corpos Sociais
        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
      • 1924 - A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades >
        • Assentando posições (conversa preliminar)
        • A unidade hispânica
        • O selo da raça
        • Genealogia de uma Ideia
        • A Pátria Portuguesa
        • Sebastianismo e Quixotismo
        • O lenço de Verónica [in "A Aliança Peninsular"]
        • Pecados velhos [in "A Aliança Peninsular"]
        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
        • Estaremos decadentes? [in "A Aliança Peninsular"]
        • Se ainda é tempo! [in "Aliança Peninsular"]
        • "Mare nostrum"
      • Poesia
      • JUXTA CRUCEM
      • A Festa do Trabalho
      • A Rainha Santa
      • O Direito de Revolta
      • Pátria e Monarquia
      • O Sul contra o Norte
      • As quatro onças de oiro
      • Aljubarrota
      • Nun' Álvares
      • Santo António
      • Alcácer-Quibir
      • D. João IV
      • Os Jesuítas e as Letras
      • A "Lenda Negra" [ acerca dos Jesuítas ]
      • Ciência e Democracia
      • A tomada da Bastilha
      • A Monarquia de Julho
      • A retirada para o Brasil
      • Natal
      • O génio peninsular
      • O 'oitavo sacramento'
      • El-Rei D. Miguel
      • A 'Vila-Francada' [ 1823 ]
      • Évora-Monte [ 1834 ]
      • Um romântico esquecido [António Ribeiro Saraiva]
      • 24 de Julho
      • Com João Coutinho
      • 31 de Janeiro
      • Conde de Monsaraz
      • D. João V
      • O espírito universitário [ espírito jurídico ]
      • O problema da vinculação
      • Mouzinho da Silveira
      • A energia nacional
      • A voz dos bispos
      • O 'filósofo' Leonardo
      • Consanguinidade e degenerescência
      • Sobre uma campa
      • O velho Teófilo
    • Alberto Monsaraz, 1889-1959
    • Domingos de Gusmão Araújo, 1889-1959
    • Francisco Rolão Preto, 1893-1977
    • José Pequito Rebelo, 1893-1983
    • Joaquim Mendes Guerra, 1893-1953
    • Fernando Amado, 1899-1968
    • Carlos Proença de Figueiredo, 1901-1990
    • Luís Pastor de Macedo, 1901-1971
    • Leão Ramos Ascensão, 1903-1980
    • António Jacinto Ferreira, 1906-1995
    • José de Campos e Sousa, 1907-1980
    • Guilherme de Faria, 1907-1929
    • Manuel de Bettencourt e Galvão, 1908
    • Mário Saraiva, 1910-1998
    • Afonso Botelho, 1919-1996
    • Henrique Barrilaro Ruas, 1921-2003
    • Gonçalo Ribeiro Telles, 1922-2020
    • Rivera Martins de Carvalho, 1926-1964
    • Teresa Martins de Carvalho, 1928-2017
  • Quem somos
  • Actualizações
Search by typing & pressing enter

YOUR CART

O 'filósofo' Leonardo

António Sardinha

O 'filósofo' Leonardo: Crítica e Contexto

  • I. Leonardo Coimbra. Não se trata aqui de abordar a figura de Leonardo da Vinci, mas sim de Leonardo Coimbra enquanto «filósofo». A sua obra filosófica, marcada por uma oratória vazia e um fundo teosófico que lhe confere uma aparência de espiritualidade, exige uma análise mais profunda do que os aplausos superficiais ou as críticas risíveis que recebe. Leonardo Coimbra reflete a mentalidade comum de uma sociedade portuguesa em crise, onde a inteligência caiu em decadência, desamparada, levando o país à agonia.
  • A Influência do Bergsonismo e a Crítica de Julien Benda. A produção filosófica de Leonardo Coimbra é vista como uma reminiscência degradada do bergsonismo, apresentando tautologias e podendo ser comparada aos esteticismos de Alfredo Pimenta. Citando Julien Benda, entende-se que o bergsonismo representa o espírito democrático, enquanto o cartesianismo representa a aristocracia do pensamento. Assim, Leonardo Coimbra é visto como expressão clara do desregramento português, refletindo uma sociedade dividida e desorganizada.
  • O Triunfo do Verbo e o Estado da Cultura Portuguesa. Influenciado por Bergson, Leonardo Coimbra destaca-se pela sua facilidade de discurso num país dominado pela retórica e obscuridade lógica. Enquanto Bergson ainda realiza uma análise relevante do racionalismo naturalista, a obra de Leonardo Coimbra é questionada em termos de substância. O seu sucesso é interpretado como sintoma do estado geral da sociedade portuguesa, inserida numa democracia desorganizada e primitiva em sentimentos, acompanhada por um cortejo de sofistas e plutocratas. Julien Benda, ao analisar a sociedade francesa, aponta para o rebaixamento cultural causado, entre outros fatores, pelo acesso de novas classes menos preparadas intelectualmente ao topo social. Embora Benda relute em atribuir tal transformação ao predomínio judaico, a crítica portuguesa amplia essa análise, destacando também a presença de Israel em Portugal.
  • O Declínio da Formação Literária e Intelectual. A música, dança e o convívio teatral substituíram a robusta formação literária das gerações anteriores. O culto do indefinido e do indistinto tomou o lugar de sólidos conceitos religiosos e éticos, dando origem ao utilitarismo e à decadência das faculdades lógicas. A expulsão dos Jesuítas marcou o início da crise moral e intelectual portuguesa, e o retorno do ensino religioso não conseguiu restaurar a antiga vitalidade cultural. Os Jesuítas, ao regressarem, focaram-se nas ciências naturais em detrimento das Humanidades, repetindo em Portugal o que ocorreu em França: uma aproximação epidérmica à religião, sem profundidade intelectual. Eça de Queirós narra, de forma irónica, esse estado da sociedade ultrarromântica portuguesa, que se perpetua na atualidade.
  • Ordem, Inteligência e Decadência Social. Sardinha estabelece uma ligação íntima entre ordem e inteligência, defendendo que a ordem resulta do trabalho intelectual orientado para a unidade, enquanto a sensibilidade deve assumir um papel secundário. A desorganização social portuguesa é reflexo direto da confusão mental dominante, agravada pelas consequências da guerra. Sardinha sugere que o predomínio do judeu na sociedade, com sua influência na busca incessante por sensação, contribui para o estado de decadência cultural e filosófica.
  • II. A Crise Espiritual e a Filosofia de Leonardo Coimbra. A crise espiritual portuguesa, manifestada na filosofia de Leonardo Coimbra, está ligada tanto a causas nacionais quanto gerais. O deísmo vago e teosófico do filósofo reflete a febre sensacionista da época, a busca por experiências intensas e superficiais. Apesar do reconhecimento no estrangeiro, Leonardo Coimbra é visto por Sardinha como um intérprete fiel, ainda que patológico, da sociedade portuguesa. O ambiente intelectual espanhol, marcado por tendências estrangeiras e pela aclimatação do kraussismo, serve de paralelo ao contexto português, onde a filosofia de Leonardo Coimbra é recebida sem o devido espírito crítico.
  • A Questão da Cultura e a Necessidade de Restauração. O mais relevante é investigar as condições sociais que permitiram a aceitação da filosofia de Leonardo Coimbra, entendendo-a como sintoma de uma democracia que despreza o primado da inteligência para buscar apenas sensações. O autor defende o regresso a uma «aristocracia do espírito», ou seja, uma sociedade que respeite e valorize os estados de razão, conforme sugerido por Julien Benda (1867-1956). Gonzague Truc (1877- 1972) citado no texto, observa que a indiferença religiosa foi substituída pelo desprezo à filosofia, levando a uma decrepitude mental generalizada. Como solução, propõe-se um retorno à escolástica, entendida como uma filosofia perene, capaz de restaurar o pensamento e a cultura.
  • Neotomismo e a Tradição Filosófica Portuguesa. O texto aponta o neotomismo, herança da tradição filosófica portuguesa e europeia, enriquecido pelas ciências modernas, como caminho para a restauração intelectual. A escolástica, livre de excessos naturalistas, representa a teoria clássica do conhecimento, equilibrando análise e síntese, e promovendo um idealismo objetivo que se contrapõe ao subjetivismo moderno e à anarquia intelectual contemporânea.
  • O Papel da Inteligência na Restauração Nacional. A filosofia de Leonardo Coimbra é, assim, vista como reflexo do «alexandrinismo» que corrói a sociedade portuguesa. A verdadeira renovação nacional passa pela restauração da ordem intelectual, coordenando ideias para reorganizar instituições. O exemplo francês de Descartes e Luís XIV demonstra que grandes épocas são guiadas por direções intelectuais fortes. A restauração do pensamento é, portanto, condição essencial para a restauração da nação. A genealogia da filosofia de Leonardo Coimbra está, assim, esclarecida: não se trata apenas de um caso de excesso verbalista, mas de um sintoma de uma sociedade em decomposição, que só poderá ser superado por um regresso à razão e ao verdadeiro pensamento.




​O "FILÓSOFO" LEONARDO
I

​Não se trata de Messer Leonardo de Vinci, pintor florentino, para quem Péladan pediu um lagar na história da filosofia. Sem entrar nas considerações imediatas da sua personalidade, é do senhor Leonardo Coimbra como «filósofo» que eu me desejo ocupar.

Seguramente, a obra filosófica do senhor Leonardo Coimbra, filha da sua espantosa vacuidade oratória, a que um certo fundo teosófico parece conceder atributos de espiritualidade, merece uma atenção mais demorada que os aplausos inconscientes de uns e as gargalhadas não menos imbecis dos outros. Numa sociedade que se dissolve por míngua de ideias medulares, o senhor Leonardo Coimbra é o reflexo exato da mentalidade comum. Portugal agoniza, porque entre nós a Inteligência – dom de Deus – caiu por terra, desamparada e moribunda. «Alguma coisa cheira a podre no reino da Dinamarca», diz-se no Hamlet. Pois no antigo reino de Portugal, cheiram todos a podre – conselheiros da direita e tribunos da esquerda!

Mas nós queremos falar da «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra. Reminiscência bastarda do «bergsonismo», as tautologias filosóficas do senhor Leonardo Coimbra entroncam nas mesmas causas de que derivam os esteticismos estridentes do senhor Alfredo Pimenta. «Si l’on appelle, suivant une dénomination évidemment abusive mais généralement reçue l’aristocratie une société éprise ou du moins révèrent des seuls états de raison, et démocratie une société en quête du seul sentir, qu’elle veut sous toutes ses formes possibles, qu’elle cherche aux voies les plus étranges et que seule elle honore parmi les états de l’âme, on peut dire que, de même que le Cartésianisme aura été la philosophie d’une aristocratie, le Bergsonisme est rigoureusement la philosophie d’une démocratie». Assim se explica algures o crítico Julien Benda.

E porque, segundo Benda, constitui uma democracia, para comodidade de expressão, aquela sociedade que, pondo de parte o prazer intelectual de compreender e raciocinar, procura apenas nas manifestações do espírito saciar a sua avidez de sensação, temos de concordar que o senhor Leonardo Coimbra, como «filósofo», é bem a consciência do desregramento democrático em que vivemos de um extremo ao outro das duas trincheiras que dividem Portugal de alto a baixo, irreconciliavelmente.

«Filosofia da mobilidade» chamou Benda aos belos exercícios de argúcia literária de Henri Bergson. Remotamente influenciado pelas leituras de L’évolution créatrice do interessante filósofo francês (convém não esquecer a costela hebraica de Bergson!), o senhor Leonardo Coimbra, pela sua facilidade do verbo com letra minúscula, num país eivado da mais baixa superstição retórica, ganhou depressa as culminâncias da praça pública por essa espécie de novo «alexandrinismo», que na sua obscuridade e falta de senso lógico encontra o principal motivo do seu rápido triunfo. A Bergson ainda se deve, com o incomparável recorte de um temperamento nada vulgar, uma análise feliz e sensata do racionalismo naturalista do século passado. Mas ao senhor Leonardo Coimbra?

Evidentemente que a pergunta fica sem resposta. Isso mais nos obriga a fixar o significado do seu incontestável sucesso, que resultaria sem justificação, se não o tomássemos como índice do estado geral de uma sociedade, incluída como democracia no tipo definido por Benda. Democracia na sua perfeita desorganização, a Portugal não lhe falta nem o primitivismo de sentimentos e predileções, de que ordinariamente os regimes democráticos se fazem acompanhar com o seu cortejo inevitável de sofistas e plutocratas. Acontece-nos a nós o que sucedeu com o crepúsculo de outras civilizações. «Cette frénésie de la présente société française à faire des ouvrages de l’esprit une occasion d’émoi, à quoi tien-t-elle?» – interroga Julien Benda, naturalmente alarmado. A mesma interrogação nos domina, levando-nos a concluir com Benda que uma das razões primaciais do mal é a deplorável e total ausência de cultura.

«O rebaixamento de cultura na sociedade francesa, ao lado das numerosas causas já denunciadas (desenvolvimento do sport, leitura quase exclusiva de jornais, etc.), permite-nos admitir ainda mais uma: o acesso aos primeiros lugares dessa sociedade de pessoas de uma outra classe e cujo espírito se encontra perfeitamente «à l’état de nature», enriquecidos do comércio, da indústria, da finança, etc. Mas o rebaixamento de cultura não obedecerá às razões indicadas por Julien Benda. De conhecida procedência judaica, não quer Benda aceitar que tão profunda transformação social seja devida ao predomínio dos Judeus.

É certo que Benda, absolvendo-se a si próprio caritativamente, distingue, «à simple titre de symbole, les Hébreux et les Carthaginois, Jahveh et Belphégor, Spinoza et Bergson». Claro exemplo de um judeu ocidentalizado pela cultura latina e católica, as velhas disciplinas clássicas, desde as Humanidades à Filosofia, acharam em Julien Benda um defensor incansável. Só nesse ponto de relevar o factor Semita da responsabilidade que lhe cabe no «alexandrinismo» do pensamento contemporâneo, é que Benda não cortou ainda o cordão umbilical. Cortemo-lo nós por ele. E seja para aplicar à democracia portuguesa, no seu sentido social, o diagnóstico que Julien Benda nos oferece sobre a França, acrescido da apreciação devida à presença indubitável de Israel entre nós.

A religião da música, com o amor da dança, e o convívio da gente do teatro, substitui-se, tanto aqui como além-Pirenéus, à robusta formação literária das gerações preparadas na lição das letras antigas. O culto do indefinido, com a guloseima de tudo o que é indistinto e apenas auditivo, sobrepôs-se numa concepção meramente sensual das relações de vida aos eternos conceitos religiosos e éticos que dantes se possuíam acerca dela. Daí o utilitarismo em todo o campo largo da existência, desde a ignóbil teoria da Arte pela Arte até ao desenfreado jogo cambial dos barões da Finança.

Com a expulsão dos Jesuítas no tempo de Pombal começou verdadeiramente a crise moral e intelectual da nacionalidade. Os Padres do Oratório, paladinos dos métodos cartesianos, sustavam ainda a decaída inevitável, que se consumou ruidosamente em 34, depois de extintas as Ordens Religiosas. A primeira geração romântica, dotada de uma personalidade que não é lícito recusar-lhe, é, por isso, filha da pedagogia tradicional. Afrouxa-se o ensino das Humanidades e, com a retórica invasora do constitucionalismo, o que consegue atenuar a quebra das nossas faculdades lógicas são os estudos experimentais das ciências de observação, que, por seu turno, não tardariam a agravar a enfermidade, criando, principalmente nos médicos, a superstição materialista, de que Bombarda foi o exemplo rematado.

Voltou, é certo, o ensino congreganista. Voltaram em relativa liberdade os Jesuítas. Mas esses mesmos transigindo com o preconceito do século, relegaram as Humanidades para um plano inferior, dispensando a sua atividade às investigações naturalistas de que a Brotéria registou a documentação honrosíssima.

Aconteceu entre nós com os Jesuítas tal como aconteceu em França. «Par malheur la fraction du monde français qui fréquente les Jésuites, qui les aime et qui les défend, est la moins propre de toutes à les comprendre», comenta Louis Dimier no seu livro Souvenirs d’action publique et d’Université. « C’est l’ancienne société du faubourg Saint-Germain, ornée de quantité de vertus, mais en général peu appliquée et sette à de fausses directions.» Precisamente no nosso mundo elegante e aristocrático é que os Jesuítas atuaram também, não conseguindo obter mais do que um devocionismo romântico muito epidérmico, aliado áquela complacência com que nas casas fidalgas se toleravam em algum dia as rabugices do Padre-capelão.

Ora o que foi, em carácter e em cultura, a mentira convencional da nossa sociedade ultrarromântica, progenitora da atual, conta-no-lo Eça de Queiroz no final célebre de um dos seus romances. Deu-se o caso no Loreto, perto da estátua de Camões. O conde de Ribamar, apoiado às grades da praça, inchava a sua loquela fácil para as interjeições admirativas do cónego Dias e do padre Amaro. «Vejam, ia dizendo o conde: vejam toda esta paz, esta prosperidade, este contentamento... Meus senhores, não admira realmente que nós sejamos a inveja da Europa!» «E o homem de Estado, os dois homens de religião, todos três em linha, junto às grades do monumento, gozavam de cabeça alta esta certeza gloriosa da grandeza do seu país – ali ao pé daquele pedestal, sob o frio olhar de bronze do velho poeta, ereto e nobre, com os seus largos ombros de cavaleiro forte, a epopeia sobre o coração, a espada firme, cercado dos cronistas e dos poetas heroicos da antiga pátria – pátria para sempre passada, memória quase perdida!»
​
«Pátria para sempre passada – memória quase perdida! E o pessimismo que humedece o comentário do romancista é o gérmen heroico da inflexível atitude rebelde que se torna inglorioso assumir perante a enorme cianose em que se nos mascara o rosto da Pátria» – na palavra justiceira e dolorosa de Afonso Lopes Vieira. Sabe-se que a inspiração rude de Proudhon, nas suas indignações de profeta, contra o ludíbrio sem nome do individualismo político e económico, conduziu a vigorosa ofensiva mental que se condensou nas guerrilhas das Farpas e de que Antero de Quental representou a chefia suprema. Pertence hoje Proudhon ao corpo doutrinário da Contrarrevolução e por esse elo nos ligando aos admiráveis insurretos das Conferências do Casino. Desimpediram eles o terreno, para que nós pudéssemos construir. Já a gargalhada lusitaníssima de Camilo fustigava Calixto Elói e o doutor Libório. Com Eça nós temos a dinastia de Acácio e do poeta Tomás de Alencar. Vê-se como em apertada simbiose se unem o político e o literato. O romantismo na sua dupla significação social foi, evidentemente, um desvio profundo de inteligência, traduzido bem cedo na decadência da cultura e na bastardia da linguagem. Exemplo: o estilo a que Herculano chamava «garabelhos e gregotias» do mais tarde arcebispo de Calcedónia no seu livro A reforma das prisões, aonde o dr. Libório de Meireles se ia abastecer para os jogos florais do Parlamento.

Suponho demonstrada a identidade estreitíssima que há entre a Ordem e a Inteligência. Augusto Comte – anota Alphonse Mortier – emprega uma fórmula cheia de seriedade como de justificação quando nos fala da «imensa questão da ordem». A ordem é uma obra da razão. E, segundo uma definição de Santo Agostinho, a razão humana é uma «força orientada para a unidade». Representa, pois, um trabalho de inteligência chegar à ordem pela unidade.

A sensibilidade tem que ficar no segundo plano. A parte que lhe pertence diz unicamente respeito a essa espécie de exaltação que nos provoca o nosso esforço quando nos libertamos dos sofismas, elevando-nos até à contemplação serena das ideias de expressão perfeita.
​
De modo que se a ordem é uma obra de inteligência orientada para a unidade, não é decididamente numa sociedade que perdeu por inteiro o senso das normas e dos exercícios intelectuais que nós lhe encontraremos o rasto salvador. Às causas enunciadas da depressão do «português representativo» adicionaram-se as consequências mundiais da guerra. E embora M. Julien Benda o não queira assim entender, tanto em França, como em Portugal, o judeu é quem tudo-lo-manda, dispondo do oiro com que o homem se perverte e engendrando, pelo apetite absorvente da «sensação», aquele estado de «alexandrinismo», que, entre nós, depois do bric-à-braquismo literário do senhor Alfredo Pimenta, para encanto das hortências-bleues do nosso caricatural Saint-Germain, conquistou o seu expoente máximo, com consagração oficial da República, na «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra.


​II
Neste sumário, tanto de causas nacionais, como de causas gerais, se filia a crise aguda de espírito que aflora, com primaveril exuberância, na «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra.

​Até o seu deísmo vago e inconsistente, de pronunciada marca teosófica, corresponde a essa febre sensacionista que leva ao haschich, à cocaína, aos Bailados-Russos, à melomania obsidiante dos concertos numa sociedade como a nossa, «alexandrinizada» na política, na moral, enfim, nas suas predileções artísticas e afetivas. Creio bem que o senhor Leonardo Coimbra comprometeu deveras o sucesso da sua carreira de «filósofo» alardeando inúteis extremismos dentro do regime. Houvesse tomado posição em outro sector do descomunal guignol português, e não lhe faltaria lá a aplaudi-lo o carnet-mondain em peso – desde as Damas de Pé-de-Cabra das Festas de Caridade aos «Moços-Fidalgos com exercício no Paço» das últimas mercês honoríficas do senhor D. Manuel de Bragança!

Festejado, porque orador fácil e teatral, venceria por certo os triunfos do Padre Fernandes de Castro quando Lisboa se despovoa para o ouvir «falar bem». «Fala bem», ao que parece, o senhor Leonardo Coimbra.

Mas reproduzindo na sua conformação mental os estigmas da mais baixa tatuagem verbalista, catalogá-lo-íamos como um caso de pura patologia, com todos os característicos do psitacismo, se, emoldurado no quadro da sociedade portuguesa, não fosse antes um dos seus intérpretes mais justos e melhor proporcionados.

E ninguém suponha que a ida do senhor Leonardo Coimbra a Espanha, ovacionado como pensador notável – ele que é a negação acabada do pensamento –, elimina ou modifica o rigor de apreciação com que o reputo!

Quem conheça os meios intelectuais espanhóis, onde pontifica em ar de novidade o criticismo fossilizado de um Ortega y Gasset e se saúdam como superiores manifestações de génio os paradoxos arlequinescos de um Unamuno, não se surpreende em nada com essa jornada gloriosa do «filósofo». Adormecida a tradição da sua antiga cultura e morto quase sem sucessores o insigne Menéndez Pelayo, a Espanha encontra-se subalternizada de tal maneira ao figurino estrangeiro que só aí foi possível aclimatar-se o Kraussismo como doutrina universitária!

Nota lançada à margem da nossa vida colectiva, eis as reflexões que me suscita a «filosofia», do senhor Leonardo Coimbra. Descentrá-la, esquartejá-la, reduzi-la à sua inanidade – é o que menos nos importa. O que nos importa é investigar e salientar as condições sociais da sua génese e da sua aceitação. Afigura-se-me que o diagnostica perfeitamente o crítico Julien Benda quando classifica de democracia toda e qualquer sociedade que, relegando como um fardo incómodo o primado da Inteligência, põe de parte o prazer humano de raciocinar e compreender, para satisfazer apenas a sua avidez animal de sensação e de impressionismo. Não é outra a situação da sociedade portuguesa, ao anoitecer de um mundo que se vai – de um mundo que não tem salvação possível!

Estabelecida, porém, a identidade do maior ou menor grau de cultura com as formas sociais e políticas, é urgentíssimo regressar da democracia em que nos aviltamos, a uma aristocracia – isto é, no conceito de Julien Benda, a uma sociedade «éprise ou du moins révérente des seuls états de raison». Tal é moralidade da «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra e a sua lição profundíssima.

Trata-se, pois, de uma defesa da Inteligência ameaçada de subversão, não só em Portugal, como por toda a Europa. «À l’indifférence en matière religieuse – observa Gonzague Truc – a succédé le mépris de la philosophie et de l’objet de toute philosophie. Ni le fond ni la fin de la vie n’intéressent plus l’homme : il lui suffit de durer et de jouir, d’une jouissance extérieure et triste, infiniment, dans sa platitude. Il admire encore un peu le passé dans les œuvres d’art qui lui en restent: il ne lui vient pas à l’esprit qu’il en puisse avec fruit pratiquer aussi les idées.»

E Gonzague Truc acrescenta que chegámos a uma decrepitude mental tão grande que já se nos torna difícil tomar cabal consciência dela. «Petit et vulgaire», o homem de hoje «flotte à la surface des choses et des êtres dans l’ignorance de ce forfait inacessible et de cet insaisissable avenir qui recèlent dans leur mystère le vrai de la vie, la raison de vivre». Mas que remédios nos oferece Gonzague Truc para uma possível reação salutar? Nada mais, nada menos que uma volta à Escolástica, que ele considera, como Leibniz, perennis philosophia – uma filosofia de sempre.

Le retour à la Scholastique se intitula mesmo em pequeno ensaio de Gonzague Truc. E não o julguem um publicista bafiento, escrevendo entre o hissope e a caldeirinha! Ele próprio se apressa a declarar: «Je ne suis pas suspect, je pense, de parti-pris confessionnel dans cette apologie de la Scolastique.» E acentuadas com energia as suas circunstâncias pessoais, não só de não-católico, mas também de não-crente, não hesita Gonzague Truc em afirmar «que la pratique de nos docteurs médiévaux, surtout de Saint Thomas, demeure indispensable à une restauration de la pensée, de plus en plus necessaire».

Deponho o livro de Gonzague Truc nas mãos de quantos se hajam de preocupar com a enfermidade, infelizmente tão generalizada, de que a «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra é entre nós o indicador mais categorizado. O que se impõe é a constituição imediata de um grupo de estudiosos e de publicistas que se dediquem, de lâmpada constantemente acesa, à reeducação da nossa mentalidade não só pelo exclusivo lado cultural, que podia conduzir-nos a um infrutífero sibaritismo de inteligência, mas de maneira a promover-se uma autêntica «restauração do pensamento», como quer Gonzague Truc, entre nós. No neotomismo – ou seja, na filosofia tradicional de Igreja – está a solução.

Não é outro também o património filosófico português que, com o Suarismo e os seus glosadores do século XVII, fez tão conhecida na Europa a atividade especulativa dos mestres conimbricenses. Enriquecido hoje pelas valiosas contribuições das ciências psicológicas e das ciências naturais, o neotomismo encontrou em Louvain, e graças ao influxo do Cardeal Mercier, um poderoso centro de irradiação.

Não é para aqui o recordar que São Tomás incorporou na doutrina católica toda a herança antiga da razão humana. Expurgada dos excessos naturalistas, a Escolástica não é senão, como perennis philosophia, a teoria clássica do conhecimento. Usando simultaneamente da análise e da síntese, desenvolve a primeira quanto lhe é possível, enquanto agrupa imediatamente dentro da outra todos os elementos isolados.
​
O seu idealismo é um idealismo objetivo, partindo do domínio pleno do espírito para a plena posse da realidade. Ao contrário do idealismo subjetivo dos contemporâneos, que, descendendo em linha direta do kantismo, não só arruína a autoridade da razão, como nos lança numa floresta densa de erros, onde é necessário filiar a origem de toda a anarquia moderna.
«Travaillons donc à bien penser», já aconselhava Pascal. Ora se a Inteligência é uma força orientada para a unidade e a ordem não é mais que uma obra da Inteligência, suponho bem esclarecida a genealogia lusitana da «filosofia» do senhor Leonardo Coimbra. Enganam-se os que a reputam, num exame superficial e desatento, como uma simples manifestação de hipertrofia verbalista! Retrato fiel do abominável «alexandrinismo» em que a nossa sociedade se decompõe e apodrece, é mais alto, subindo dos efeitos às causas, que nós carecemos de remontar, para, em perfeito juízo, abraçarmos todos os horizontes do problema.

Fundamentalmente a vida nacional é na sua confusão das ruas o reflexo lealíssimo da confusão que vai nas mentes. Coordenemos as ideias, que logo as instituições entrarão em imediato arranjo, como que por acção automática. O grande século francês é o século de Descartes e de Luís XIV. À monarquia da Inteligência nos espíritos correspondia no Estado o governo prestigioso do Rei. Compreende-se assim para a vida social qual seja a importância das direcções intelectuais. Restauremos em Portugal o pensamento – que a nação se restaurará depois por si mesma!

​
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]