No saguão do Liberalismo
Fernando Campos
Fernando Klautau Campos, 1891-1958
(em 1935, Fernando Campos estava entre os dissidentes do Integralismo Lusitano - ver apontamento biográfico)
(em 1935, Fernando Campos estava entre os dissidentes do Integralismo Lusitano - ver apontamento biográfico)
COMO é sabido, a condenação do Liberalismo não foi apenas formulada pelos doutrinários e expositores do Pensamento contrarrevolucionário no decurso do século passado. Não a elaboraram, unicamente, os panfletários e polemistas do miguelismo, ao defenderem a causa de um Rei que acrescentava aos seus direitos dinásticos a legitimidade dos princípios.
Também numerosos liberais, a quem a superstição democrática não conseguira perturbar, inteiramente, a clarividência do espírito, a formularam em termos claros e precisos, quando apontaram os erros e vícios de um sistema que nunca logrou adaptar se às exigências da vida nacional.
Não é, portanto, só dos escritos políticos de um José Agostinho de Macedo, de um Fr. Fortunato de S. Boaventura, de um José Acúrcio das Neves ou de um Doutor José da Gama e Castro, que podemos recolher a sentença condenatória do grande desvairo liberalista. Poderemos, igualmente, recolhê-la de copiosas páginas que nos legaram alguns dos próprios mentores e figurantes da tragicomédia constitucional, como Garrett, Herculano, Soriano e Aragão Morato, e outros autores ainda, que por certo não se alistavam nas hostes da Reação, como Oliveira Martins, Silva Cordeiro, Fialho de Almeida, Ramalho, Antero, Eça etc.
Ao longo dos seus discursos, das suas críticas e ensaios, no decorrer das suas campanhas e polémicas ruidosas ou no desabafo íntimo das memórias e correspondências particulares, não escasseiam as confissões reveladoras do amargo desengano que os dominava, ao contemplarem as consequências das ideias que haviam perfilhado e propagado, ao atentarem no panorama desolador que à sua volta se desdobrava a proclamar a falência irremediável das doutrinas.
São depoimentos insuspeitos, autorizados, testemunhos eloquentes, que os mais rígidos preceptores da nossa Contrarrevolução não duvidariam subscrever, e tão numerosos que chegavam para formar uma coletânea de leitura saborosa e proveitosa. Escutá-los é abrir uma janela para o saguão do Liberalismo cujo concerto edificante não perde em ser relembrado, pois ouviremos, a respeito do sistema, e dito pelos próprios liberais, aquilo mesmo que disseram, ou mais ainda, se é possível, os seus caluniados adversários.
Eis, em breves palavras, o intuito que presidiu à elaboração destes artigos, só arrancados ao esquecimento pela dedicação do Editor, que assim reuniu em claustro pleno os corifeus do Liberalismo, para condenação unânime do sistema.
A quantos acusem o seu Autor de, em vários passos, haver apenas trilhado, humildemente, aqueles caminhos largos que o espírito de António Sardinha foi o primeiro a desbravar na sua jornada renovadora, responderá ele, com boas autoridades, que a originalidade não reside apenas na crítica erudita ou naquilo a que vulgarmente se chama criação, podendo também verificar-se quando aproveitamos os materiais que outros souberam acumular, e, com plena independência e perfeita honestidade, os empregamos na construção de novo, embora modesto edifício.
Das deficiências que o mesmo Autor se apressa a reconhecer na tentativa, e de algumas repetições involuntárias que no texto tenham passado, sirva-lhes de desculpa, para o Leitor de boa fé, a forma espaçada, mas nem por isso, muitas vezes, menos precipitada, porque estes ensaios foram saindo durante três longos anos na revista Nação Portuguesa.
F. C.
[ negrito acrescentado ]
Também numerosos liberais, a quem a superstição democrática não conseguira perturbar, inteiramente, a clarividência do espírito, a formularam em termos claros e precisos, quando apontaram os erros e vícios de um sistema que nunca logrou adaptar se às exigências da vida nacional.
Não é, portanto, só dos escritos políticos de um José Agostinho de Macedo, de um Fr. Fortunato de S. Boaventura, de um José Acúrcio das Neves ou de um Doutor José da Gama e Castro, que podemos recolher a sentença condenatória do grande desvairo liberalista. Poderemos, igualmente, recolhê-la de copiosas páginas que nos legaram alguns dos próprios mentores e figurantes da tragicomédia constitucional, como Garrett, Herculano, Soriano e Aragão Morato, e outros autores ainda, que por certo não se alistavam nas hostes da Reação, como Oliveira Martins, Silva Cordeiro, Fialho de Almeida, Ramalho, Antero, Eça etc.
Ao longo dos seus discursos, das suas críticas e ensaios, no decorrer das suas campanhas e polémicas ruidosas ou no desabafo íntimo das memórias e correspondências particulares, não escasseiam as confissões reveladoras do amargo desengano que os dominava, ao contemplarem as consequências das ideias que haviam perfilhado e propagado, ao atentarem no panorama desolador que à sua volta se desdobrava a proclamar a falência irremediável das doutrinas.
São depoimentos insuspeitos, autorizados, testemunhos eloquentes, que os mais rígidos preceptores da nossa Contrarrevolução não duvidariam subscrever, e tão numerosos que chegavam para formar uma coletânea de leitura saborosa e proveitosa. Escutá-los é abrir uma janela para o saguão do Liberalismo cujo concerto edificante não perde em ser relembrado, pois ouviremos, a respeito do sistema, e dito pelos próprios liberais, aquilo mesmo que disseram, ou mais ainda, se é possível, os seus caluniados adversários.
Eis, em breves palavras, o intuito que presidiu à elaboração destes artigos, só arrancados ao esquecimento pela dedicação do Editor, que assim reuniu em claustro pleno os corifeus do Liberalismo, para condenação unânime do sistema.
A quantos acusem o seu Autor de, em vários passos, haver apenas trilhado, humildemente, aqueles caminhos largos que o espírito de António Sardinha foi o primeiro a desbravar na sua jornada renovadora, responderá ele, com boas autoridades, que a originalidade não reside apenas na crítica erudita ou naquilo a que vulgarmente se chama criação, podendo também verificar-se quando aproveitamos os materiais que outros souberam acumular, e, com plena independência e perfeita honestidade, os empregamos na construção de novo, embora modesto edifício.
Das deficiências que o mesmo Autor se apressa a reconhecer na tentativa, e de algumas repetições involuntárias que no texto tenham passado, sirva-lhes de desculpa, para o Leitor de boa fé, a forma espaçada, mas nem por isso, muitas vezes, menos precipitada, porque estes ensaios foram saindo durante três longos anos na revista Nação Portuguesa.
F. C.
[ negrito acrescentado ]
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