Santo Isidoro de Sevilha e o Integralismo Lusitano
«Rex eris si recte facias: si non facias, non eris»
Isidoro de Sevilha (Isidorus Hispalensis; c. 560–4 de Abril de 636)
.... a profunda identificação dos destinos de Latinidade com os destinos do Hispanismo demonstra-se e afiança-se ainda mais na Idade-Média, quando as indulgências da Cruzada tanto se ganham na Península como na Terra-Santa. Não só pela Gesta inolvidável da Reconquista nós levantámos uma muralha invencível em que a onda islamita se quebra e desfaz, como oferecemos à Europa os restos da cultura clássica que, através dos árabes, nos chegara do Oriente. São Tomás e Dante recebem desta maneira o influxo sábio da Península, como já antes com Santo Isidoro de Sevilha e com o bracarense Paulo Orósio – discípulo de Santo Agostinho – o resplendor do pensamento antigo se mantivera aqui ininterrupto e brilhante.
- António Sardinha in "O génio peninsular"
- António Sardinha in "O génio peninsular"
E acusam-nos de caricatura arcaica! A nós que já desde os concílios de Toledo submetíamos à disciplina suprema do Espírito a força bruta, enunciando o célebre aforismo, recolhido por Santo Isidoro nas suas Etimologias, «Rex eris recte facias: si non facias, non eris»...?! Caricatura arcaica – nós que nos erguemos como um cerrado baluarte, com os nossos doutores, com os nossos estadistas, contra o Absolutismo que a Renascença engrossara e que a rebeldia protestante ia atirar vitoriosamente para o campo das definições jurídicas?! Ao aforismo de Santo Isidoro, «Rex eris si recte facias», nobremente transitado para as Partidas («Onde Rey serás si facieres derecho, si non facieres non serás Rey»), imprimir-lhe-íamos então uma nova e solene retumbância. Basta recordar o episódio que, numa das suas valiosas Memórias, D. Eduardo de Hinojosa nos evoca. Foi no reinado de Filipe II. Na presença do soberano, um pregador afamado afirmara do púlpito para baixo que «los Reyes tenían poder absoluto sobre las personas de sus vassallos y sobre sus bienes». Processou-o por isso o Santo-Ofício, obrigando-o a retractar-se no mesmo púlpito, com a declaração expressa de que eram erróneas as suas palavras e de que, ao inverso delas e conforme instrução literal dos teólogos inquisitoriais, «los Reyes no tienen más poder sobre sus vassallos del que les permite el derecho divino y humano – y no por su libre y absoluta voluntad».
António Sardinha, in Madre-Hispânia (1924).
António Sardinha, in Madre-Hispânia (1924).
Com o avanço da fé de Cristo, a Península assume o papel de seu baluarte – de seu maior gonfaloneiro. Ligada como está ao Cristianismo a sorte da Europa, é na Península, sobretudo, por influência dos concílios de Toledo, que a barbaria germânica se adoça e latiniza. No espraiar da maré islamita, a Península lhe sofre e lhe detêm o choque avassalador. Entretanto, aproveitada pelos doutores árabes a ciência eclesiástica do Oriente, restos da velha sabedoria clássica –, a Península a transmite à Europa, sedenta de novas luzes. Já Isidoro – o santo arcebispo de Sevilha, redigira uma como que enciclopédia de todos os conhecimentos possuídos pelo estudo e pela indústria do homem. Agora, no desenrolar da Idade Média, os filósofos e pensadores árabes da Península ocidentalizam-se, graças à penetração salutar de Aristóteles. Os materiais que transmitem à síntese de Santo Tomás são importantíssimos, porque ninguém já duvida dos subsídios fornecidos pelas escolas arábigas da Península ao labor intelectual do grande ‘Doutor-Angélico’.
António Sardinha, A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"] 1924.
António Sardinha, A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"] 1924.
Obras de Santo Isidoro de Sevilha
Gramaticais:
Differentiae, sive de proprietate sermonum libri duo.
Históricas:
Chronicon, história universal que descreve os acontecimentos desde os primórdios até o ano de 616
Historia de regibus Gothorum, Vandalorum, Suevorum, continuação da obra anterior, escrita em 624; célebre o prólogo: De laude Spaniae; Liber de viris illustribus.
Filosóficas:
Liber de natura rerum
Liber de ordine creaturarum.
Teológicas:
Sententiarum libri tres, compêndio de fé (livro I) e de moral (livro II e III); foi um dos mais lidos na Idade Média e, por seu caráter sistemático, preludia a escolástica. Mais tarde, nele inspirar-se-ão outros autores de Sentenças, o mais famoso, Pedro Lombardo, no século XII;
De fide catholica contra judaeos. A verdade do cristianismo como cumprimento do Antigo Testamento;
Exegese:
In libros veteris et novi Testamenti prooemia, introdução aos livros da Escritura;
De ortu et obitu patrum, Qui in Scriptura laudibus efferuntur, descrição biográfica de sessenta e quatro personagens do AT e de vinte e dois do NT;
Liber numerorum, qui in Sanctis Scriptura occurunt, manual mnemotécnico para os pregadores, com interpretação mística dos números;
Allegoriae quaedam sacrae Scripturae;
Quaestiones in Vetus Testamentum. Liturgia: De ecclesiasticis officiis, manual de Liturgia, especialmente importante para o estudo da liturgia visigótica.
Espiritualidade:
Synonimorum de lamentatione animae peccatricis libri II, diálogo de um homem pecador com sua razão.
Regula monachorum.
Direito:
Collectio Canonum Ecclesiae Hispaniae, coleção de cânones que reeu a Igreja na Espanha até a reforma gregoriana.
Obra Enciclopédica:
Originum sive Etymologiarum libri XX, a mais famosa e importante obra de Isidoro, que, em vinte livros resume toda a cultura antiga:
Gramaticais:
Differentiae, sive de proprietate sermonum libri duo.
Históricas:
Chronicon, história universal que descreve os acontecimentos desde os primórdios até o ano de 616
Historia de regibus Gothorum, Vandalorum, Suevorum, continuação da obra anterior, escrita em 624; célebre o prólogo: De laude Spaniae; Liber de viris illustribus.
Filosóficas:
Liber de natura rerum
Liber de ordine creaturarum.
Teológicas:
Sententiarum libri tres, compêndio de fé (livro I) e de moral (livro II e III); foi um dos mais lidos na Idade Média e, por seu caráter sistemático, preludia a escolástica. Mais tarde, nele inspirar-se-ão outros autores de Sentenças, o mais famoso, Pedro Lombardo, no século XII;
De fide catholica contra judaeos. A verdade do cristianismo como cumprimento do Antigo Testamento;
Exegese:
In libros veteris et novi Testamenti prooemia, introdução aos livros da Escritura;
De ortu et obitu patrum, Qui in Scriptura laudibus efferuntur, descrição biográfica de sessenta e quatro personagens do AT e de vinte e dois do NT;
Liber numerorum, qui in Sanctis Scriptura occurunt, manual mnemotécnico para os pregadores, com interpretação mística dos números;
Allegoriae quaedam sacrae Scripturae;
Quaestiones in Vetus Testamentum. Liturgia: De ecclesiasticis officiis, manual de Liturgia, especialmente importante para o estudo da liturgia visigótica.
Espiritualidade:
Synonimorum de lamentatione animae peccatricis libri II, diálogo de um homem pecador com sua razão.
Regula monachorum.
Direito:
Collectio Canonum Ecclesiae Hispaniae, coleção de cânones que reeu a Igreja na Espanha até a reforma gregoriana.
Obra Enciclopédica:
Originum sive Etymologiarum libri XX, a mais famosa e importante obra de Isidoro, que, em vinte livros resume toda a cultura antiga:
- I. Gramática;
- II. Retórica e Dialética;
- III. Matemática, Música e Astronomia;
- IV. Medicina;
- V. Direito e Cronologia;
- VI. Bíblia e outros livros;
- VII. Teologia;
- VIII. A Igreja e as seitas;
- IX. Língua e Povos;
- X. Lexicologia;
- XI. Anatomia;
- XII. Zoologia;
- XIII. Geografia;
- XIV. Geografia;
- XV. Arquitetura e agrimensura;
- XVI. Mineralogia;
- XVII. Agricultura;
- XVIII. Guerra e torneios;
- XIX. Navios e casas;
- XX. Alimentos e ferramentas.