ESTUDOS PORTUGUESES
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      • 1922 - Em demanda do Graal
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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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        • XI. Crise do Estado, Crítica ao Individualismo e Perspectivas de Renovação
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Fotografia
(1828-1834)

1834 - Declaração de Génova, por Dom Miguel

«CHRONICA

​«Faz hoje precisamente setenta e tres annos que El Rei Dom Miguel I, desembarcando em Genova, protestou à face da Europa contra a violencia da Quadrupla Alliança que se impora á vontade nacional, obrigando-o à custa de traições, de subornos, de toda a opposição no campo da diplomacia e da política, a abandonar a corôa de Seus Maiores e a ir pobre, mas rico de sentimentos generosos, a peregrinar por terras extranhas, comendo o pão do exílio, esmolado pelos seus fieis portugueses e por alguns Principes de generosa e reconhecida amizade. A pobreza não prejudicou a dignidade do Augusto Exilado. O seu procedimento foi o mais brioso, podendo servir de exemplo aos homens de hoje para eventualidades semelhantes, ainda que não sejam revestidas de manto da indigencia.

Transcrevemos o notavel documento:

Em consequencia dos acontecimentos que Me obrigaram a sair de Portugal e abandonar temporariamente o exercicio do Meu poder; a honra da Minha Pessoa, o interesse dos meus Vassallos e finalmente todos os motivos de justiça e de decoro exigem que Eu proteste, como por este faço, à face da Europa, a respeito dos sobreditos acontecimentos e contra quaesquer innovações que o governo que ora existe em Lisboa possa ter introduzido, ou para o futuro procurar introduzir contrarias às Leis fundamentaes do Reino.
D’esta exposição pode-se concluir que o Meu assentimento a todas as condições que Me foram impostas pelas forças preponderantes, confiadas nos generaes dos dois governos de presente existentes em Madrid e Lisboa, de accordo com duas grandes Potencias, foi da Minha parte um mero acto provisorio, com as vistas de salvar os Meus Vassallos de Portugal das desgraças que a justa resistencia que poderia ter feito, lhes não teria poupado, havendo sido surprehendido por um inesperado e indesculpavel ataque de uma Potencia amiga e alliada.
​Por todos estes motivos tinha Eu firmemente resolvido, apenas tivesse liberdade de o praticar, como cumpria à Minha honra e dever, fazer constar a todas as Potencias da Europa a injustiça da aggressão contra Meus direitos e contra a Minha Pessoa; e protestar e declarar, como por este protesto e declaro, agora que me acho livre de coação, contra a capitulação de 26 de maio passado, que Me foi imposta pelo governo ora existente em Lisboa; auto que fui obrigado a assignar, a fim de evitar maiores desgraças e poupar o sangue de Meus Fieis Vassallos. Em consequencia do que deve considerar se a dita capitulação como nulla e de nenhum valor.

Génova, 20 de Junho de 1834

Dom Miguel

Está bem patente o zelo pela Lei, que sempre respeitou, pela soberania nacional que consubstanciava, pelos interesses d’este povo que d’ahi para o futuro lhe forneceu os meios de subsistencia. Não temia a pobreza, abraçava-a certo que cumpria um dever.
Foi para o Exílio espoliado de tudo, tirando se lhe mesmo as roupas do Seu uso.
Não lhe poderam roubar a corôa real do martyrio mais nobre de resignação que o mundo viu, nem essa nobreza de caracter que, entre outras, este documento confirma.
Publicamol-o hoje e bem a proposito.»

(in A Nação, 20 de Junho de 1907)
​ 
1571 - «Palavras do Condestável» por Luís de Camões
1834 - Agostinho José Freire, Relatório do Ministro da Guerra (Excertos)
1860 - A. A. Teixeira de Vasconcelos, A fundação da monarquia portuguesa - narração anti-ibérica
1920 - António Sardinha, Meditação de Aljubarrota
1922 - António Sardinha, 1640 (Portugal Restaurado) 
1922 - Pequito Rebelo, Para além do Integralismo
1924 - António Sardinha, Madre-Hispânia
1932 - Hipólito Raposo, Filología política
1942 - ed., Luís de Almeida Braga, A lição de Bismarck
1972 - Mário Saraiva, A Aliança Peninsular - uma advertência
1972 - Pequito Rebelo, A Aliança Peninsular. Uma Polémica Indesejável e Indesejada 
1985 - Mário Saraiva, Anotação ao Sebastianismo, edição de 1994
1994 - Manuel Vieira da Cruz, A Actualidade de um Exemplo (Alberto Franco Nogueira) 
1996 - Mário Saraiva, Franco Nogueira, a meu vêr 
1999 - Henrique Barrilaro Ruas, O túmulo de Dona Teresa na Sé de Braga 
1999 - José Manuel Quintas, A Castração dos Hispânicos
2001 - Henrique Barrilaro Ruas, Dois imperialismos
2002 - Henrique Barrilaro Ruas, Em que consiste exactamente o perigo espanhol
2002 - José Manuel Quintas, A «Questão Ibérica» no Advento do Integralismo Lusitano
2003 - José Loureiro dos Santos, A Luta pelo Poder na União Europeia 
2005 - Manuel Alves, Portugal ou a Federação Ibérica - Documentos para a História
2005 - Rafael Castela Santos, Contra el Iberismo: apuntes para una epifanía ibérica
2006 - José Adelino Maltez, Este é o meu rei...
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
​
[sugestões, correções e contributos: [email protected]]