Como quem cumpre um destino, continuaremos a avançar. Se temos razão, sigam-nos; se não a temos, emendem-nos para nos rendermos à verdade.
- Hipólito Raposo
- Hipólito Raposo
Advogado, escritor, historiador e político, natural de S. Vicente da Beira, foi um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano.
Começou a sua carreira profissional como professor de Geografia no Liceu Passos Manuel (1911-12) e como professor de Filosofia Geral das Artes no Conservatório de Lisboa (1912-). Em 1914, participou na preparação e lançamento da revista Nação Portuguesa e, no ano seguinte, proferiu a conferência A Língua e a Arte no âmbito do ciclo de conferências sobre A Questão Ibérica na Liga Naval de Lisboa, em que apresenta uma profunda análise das diferenças e especificidades culturais, linguísticas, literárias e artísticas de Portugal e Espanha, concluindo que uma união ibérica seria realizar "o absurdo de fundir uma gota de sangue com uma lágrima."
A Hipólito Raposo, mais tarde secretário da organização política do Integralismo Lusitano (1916-1933), se devem as primeiras exposições dos conceitos fundamentais do seu ideário político, em artigos como "A voz do profeta" (acerca do municipalismo de Alexandre Herculano), Natureza da Representação e Conceito Nacional de Soberania.
Em 1919, era director do jornal A Monarquia quando desempenhou destacado papel no pronunciamento monárquico de Monsanto, vindo a ser demitido de todos os cargos públicos, julgado no Tribunal Militar de Santa Clara por "crime de imprensa" e a cumprir pena de prisão em S. Julião da Barra (1920). Afonso Lopes Vieira vestiu então a toga de advogado, pela primeira e única vez, em defesa do seu amigo. Exerceu advocacia em Angola (1922-23).
Reintegrado como professor no Conservatório (1926), defendeu a recusa de colaboração dos monárquicos à União Nacional (partido único) e ao regime do "Estado Novo", acabando por ser de novo demitido de todos os cargos públicos, e deportado para os Açores, na sequência da virulenta denuncia da "Salazarquia" que fez no livro Amar e Servir (1940). Subscreveu a reactualização doutrinária integralista Portugal restaurado pela Monarquia (1950).
Da sua produção como escritor integralista, merece ainda destaque o ensaio que escreveu acerca da distinta matriz doutrinária do Integralismo Lusitano e do nacionalismo francês da Action française (Dois nacionalismos, 1929), bem como a conferência A Reconquista das Liberdades (1930), onde sintetizou o programa político do Integralismo Lusitano e procurou desfazer a miragem de messianismo salazarista que se anunciava.
Ao concluir as suas memórias, escreveu em jeito de balanço: "Vida estéril, inútil para os outros e para mim, resta-me lamentar que estes trabalhos, penas e sacrifícios, de nada tenham servido para bem da comunidade nacional, vendo-me obrigado a reconhecer com melancolia a força de verdade do velho prolóquio: quem serve ao comum, não serve a nenhum."
Outras obras: Sentido do Humanismo, 1914; Aula Régia, 1936; Pátria Morena, 1937; Direito e Doutores na Sucessão Filipina, 1938; Mulheres na Conquista e Navegação, 1938; D. Luísa de Gusmão, 1947; Folhas do Meu Cadastro, 1º Volume (1911-1925), 1940, Idem, 2º Volume (1926-1952), 1986.
José Manuel Quintas
Começou a sua carreira profissional como professor de Geografia no Liceu Passos Manuel (1911-12) e como professor de Filosofia Geral das Artes no Conservatório de Lisboa (1912-). Em 1914, participou na preparação e lançamento da revista Nação Portuguesa e, no ano seguinte, proferiu a conferência A Língua e a Arte no âmbito do ciclo de conferências sobre A Questão Ibérica na Liga Naval de Lisboa, em que apresenta uma profunda análise das diferenças e especificidades culturais, linguísticas, literárias e artísticas de Portugal e Espanha, concluindo que uma união ibérica seria realizar "o absurdo de fundir uma gota de sangue com uma lágrima."
A Hipólito Raposo, mais tarde secretário da organização política do Integralismo Lusitano (1916-1933), se devem as primeiras exposições dos conceitos fundamentais do seu ideário político, em artigos como "A voz do profeta" (acerca do municipalismo de Alexandre Herculano), Natureza da Representação e Conceito Nacional de Soberania.
Em 1919, era director do jornal A Monarquia quando desempenhou destacado papel no pronunciamento monárquico de Monsanto, vindo a ser demitido de todos os cargos públicos, julgado no Tribunal Militar de Santa Clara por "crime de imprensa" e a cumprir pena de prisão em S. Julião da Barra (1920). Afonso Lopes Vieira vestiu então a toga de advogado, pela primeira e única vez, em defesa do seu amigo. Exerceu advocacia em Angola (1922-23).
Reintegrado como professor no Conservatório (1926), defendeu a recusa de colaboração dos monárquicos à União Nacional (partido único) e ao regime do "Estado Novo", acabando por ser de novo demitido de todos os cargos públicos, e deportado para os Açores, na sequência da virulenta denuncia da "Salazarquia" que fez no livro Amar e Servir (1940). Subscreveu a reactualização doutrinária integralista Portugal restaurado pela Monarquia (1950).
Da sua produção como escritor integralista, merece ainda destaque o ensaio que escreveu acerca da distinta matriz doutrinária do Integralismo Lusitano e do nacionalismo francês da Action française (Dois nacionalismos, 1929), bem como a conferência A Reconquista das Liberdades (1930), onde sintetizou o programa político do Integralismo Lusitano e procurou desfazer a miragem de messianismo salazarista que se anunciava.
Ao concluir as suas memórias, escreveu em jeito de balanço: "Vida estéril, inútil para os outros e para mim, resta-me lamentar que estes trabalhos, penas e sacrifícios, de nada tenham servido para bem da comunidade nacional, vendo-me obrigado a reconhecer com melancolia a força de verdade do velho prolóquio: quem serve ao comum, não serve a nenhum."
Outras obras: Sentido do Humanismo, 1914; Aula Régia, 1936; Pátria Morena, 1937; Direito e Doutores na Sucessão Filipina, 1938; Mulheres na Conquista e Navegação, 1938; D. Luísa de Gusmão, 1947; Folhas do Meu Cadastro, 1º Volume (1911-1925), 1940, Idem, 2º Volume (1926-1952), 1986.
José Manuel Quintas
Para uma bibliografia de José Hipólito Vaz Raposo
1910
1911
1912
1913
1914
1915
1916
1917
1918
1919
1921
1922
1926
1928
1929
1930
1931
1932-1934
1933
1934
1935
1936
1937
1938
1940
1941
1942
1944
1945
1946
1947
1948
1950
- A Benção de Ramalho.
1986
Para uma bibliografia passiva de Hipólito Raposo:
1923 - António Sardinha - Hipólito Raposo
1945 - Joaquim Manso, "Um Livro e um Homem (A Hipólito Raposo)", Diário de Lisboa, 17 de Fevereiro de 1945, pp. 1, 2.
1945 - José Sebastião da Silva Dias, Instantâneo, Novidades - Diário Católico de Lisboa, 3 de Abril de 1945.
1910
- "A tragédia", Pátria Nova - Semanário Monárquico Académico, Coimbra, nº 34, 20 de Janeiro de 1910, p. 1.
- "Mimi Aguglia", Pátria Nova - Semanário Monárquico Académico, Coimbra, nº 34, 20 de Janeiro de 1910, p. 2.
- Coimbra doutora, com prefácio de Júlio Dantas, Coimbra, F. França Amado, 1910.
- Prefácio a Poesias premiadas: jogos floraes de Salamanca, Coimbra, F. França Amado, 1910.
1911
- Boa Gente, Coimbra, F. França Amado, 1911.
1912
- Palavras sobre a expressão no teatro, dissertação para concurso à cadeira de filosofia geral das artes, Lisboa, Universal, 1912.
1913
- Livros de Horas, 1908-1911, Coimbra, F. França Amado, 1913.
- Colaboração, em António Tomás Pires: 1850-1913, Elvas, Comissão Central de Homenagem a A. Tomás Pires, 1913.
1914
- Sentido do Humanismo, tese para concurso à Faculdade de Letras de Lisboa no grupo de Filologia Românica, Coimbra, França Amado, 1914.
- "Resposta do Sr. Dr. Hipólito Raposo", in João do Amaral, Aqui d'El-Rei!, nº 2, 20 de Fevereiro de 1914, pp. 22-26.
- Ilustrações, em Primeira lições: contos infantis, de Emília de Sousa Costa, Lisboa, Livraria Clássica de A.M. Teixeira, 1914.
- "A voz do profeta" [Alexandre Herculano], Nação Portuguesa, nº 2, Maio de 1914, pp. 33-37.
- "Natureza da Representação", Nação Portuguesa, nº 5, Novembro de 1914, pp. 133-137.
- "Humanismo e Nacionalidade", Nação Portuguesa, nº 6, Dezembro de 1914, pp. 170-175 (reproduz capítulo do livro Sentido do Humanismo, pp. 31-52).
1915
- A Língua e a Arte (Maio de 1915) in A Questão Ibérica, Lisboa, 1916.
- "Conceito Nacional de Soberania", Nação Portuguesa, nº 9, Outubro de 1915, pp. 274-278.
1916
- "Pensamento político de Eça de Queirós" (Junho de 1916), Nação Portuguesa, nº 12, Novembro de 1916, pp. 377-381.
1917
- Outro mundo, Coimbra, F. França Amado, 1917. Outra edição: Outro mundo: lembranças da terra e dos homens, Fundão, Câmara Municipal, 2003.
1918
- Ana Maria, peça em um acto, Coimbra, F. França Amado, 1918. [Representada pela 1.ª vez no Teatro da República, em Lisboa, em 6 de Abril de 1918.]
1919
1921
- Caras e corações, 1912-1920, Lisboa/Porto/Coimbra, Lumen, 1921.
1922
- "Duas camisas" in Eça de Queiroz - In Memoriam, organizado por Eloy do Amaral e Cardoso Mata. Lisboa: Parceria Pereira, 1922, pp. 155-157.
- "Vivunt mortui tui — Excerto da Seara Nova", Nação Portuguesa, 2ª série, nº 6, Dezembro de 1922.
- Seara Nova, romance, Lisboa/Porto/Coimbra, Lumen, 1922.
1926
- Ana a Kalunga: os filhos do mar, Lisboa, 1926. (Tip. Ottosgráfica.)
- "Sede de absoluto", Nação Portuguesa, 3ª série, 1926, pp. 414-421.
1928
- O berço, drama da serra em três actos, desenhos de Norberto Correia, Lisboa, Livraria Universal de Armando J. Tavares, 1928.
- Prefácio, Labaredas de sonho, de Rodrigo Rodrigues dos Santos, Lisboa, 1928. (Tip. Elite.)
1929
- Colaboração, em Devagar, de António Pedro, Lisboa, 1929.
- Dois nacionalismos. L'Action française e o Integralismo Lusitano, conferência de 1925, Lisboa, Ferin, 1929.
- Um sorriso de Santo António, Lisboa, 1929. (Tip. União Gráfica)
- O Poeta do Amor-Morte, Política, nº 1, 15 de Abril de 1929, p. 13.
1930
- A Reconquista das Liberdades, conferência, Porto, 1930. (Lit. Nacional.)
- Discurso no Luso, 31 de Dezembro de 1930.
1931
- La rebelión del instinto, Acción española (Madrid), nº 1, 15 de Dezembro de 1931, pp. 32-36 (28-36).
- Santo António no Teatro Português, Guimarães, 1931. (Separata da revista Gil Vicente.)
1932-1934
- Direcção de Integralismo lusitano: estudos portugueses, em colaboração com Luís de Almeida Braga.
- Filologia política, Acción Española, Tomo I, nº 4, 1 de Fevereiro de 1932, pp. 408-412.
- Reparos à Constituição
1933
- Pedras para o Templo, Porto, Civilização, 1933.
- "Lusitanidade", Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses, Vol. II, Fasc. IV, Julho de 1933, pp. 218-228.
1934
- Força e Beleza, conferência no Grémio Literário, Lisboa, 1934. (Tip. Ingleza.)
- "O Pombal da Rotunda", Fradique, 15 de Março de 1934.
- "A Paixão de Évora-Monte", A Voz, 26 de Maio de 1934.
1935
- A Beira Baixa ao serviço da Nação, Lisboa, 1935.
- Areias de Portugal: em que se contam alguns cativeiros de almas e outros casos de África, Porto, Civilização, 1935.
1936
- Aula Régia, Porto, Civilização, 1936.
1937
- Pátria Morena, Porto, Civilização, 1937.
1938
- Mulheres na Conquista e Navegação, Porto, 1938. (Separata de Brotéria.)
- Direito e Doutores na Sucessão Filipina, Porto, 1938. (Separata de Brotéria.)
1940
- Amar e Servir - História e doutrina, Porto, Civilização, 1940.
1941
- Painéis Quinhentistas de Santa Cruz da Graciosa, palestra no Museu das Janelas Verdes em 16 de Junho de 1941, Lisboa, Amigos do Museu, 1941.
- Lagoa Escura, Porto, 1941. (Tip. Imprensa Portuguesa.)
1942
- Descobrindo Ilhas Descobertas, Porto, Gama, 1942.
1944
- Insurreição da Carne, Lisboa, Gama, 1944.
- Prefácio, Vento sobre a charneca. Portugal de ontem, de hoje e de amanhã, de Álvaro Maia, Lisboa, Gama, 1944.
1945
- Folhas do meu Cadastro - Volume I (1911-1925), Porto, Edições GAMA, 1945. [Continuado por Folhas do meu Cadastro, vol. 2: 1926-1952, Lisboa, 1986.]
- O Príncipe Real, Lisboa, 1945. (Tip. Portuguesa.)
1946
- Estudo da nova edição de Braquilogia de príncipes, de Jacinto de Deus, Porto, 1946. (Tip. Imprensa Portuguesa.)
1947
- Dona Luísa de Gusmão, Duquesa e Rainha, 1613-1666, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade.
- Modos de ver, Lisboa, Gama, 1947.
- --- xv._a_padroeira_do_reino.pdf
- Palavras de apresentação, Afonso Lopes Vieira: In memoriam, Lisboa, Sá da Costa, 1947.
1948
- Prefácio, Ao serviço d’El-Rei, de Manuel de Bettencourt e Galvão, Lisboa, Gama, 1948.
- Palavras de apresentação, Trincheira de combate, de Manoel de Bettencourt e Galvão, Lisboa, 1948.
1950
- Oferenda, Lisboa, 1950.
- A Benção de Ramalho.
- Heroísmo de caridade, Guimarães, 1950. (Separata da revista Gil Vicente.)
- Jardim suspenso, Guimarães, 1950. (Separata da revista Gil Vicente.)
1986
- Folhas do meu cadastro, Vol. II: 1926-1952 (Integral) [Continuação de: Folhas do meu cadastro, vol. 1: 1911-1925, Porto, 1945.] Em Estatocracia (1926-1932); Em Salazarquia (1933-1939); Em Ilusitânia (1940-1952).
Para uma bibliografia passiva de Hipólito Raposo:
1923 - António Sardinha - Hipólito Raposo
1945 - Joaquim Manso, "Um Livro e um Homem (A Hipólito Raposo)", Diário de Lisboa, 17 de Fevereiro de 1945, pp. 1, 2.
1945 - José Sebastião da Silva Dias, Instantâneo, Novidades - Diário Católico de Lisboa, 3 de Abril de 1945.
"O príncipe (D. Duarte Nuno de Bragança) ficou no "Miguel Couto" e fui vê-lo. Duas horas de conversa. A primeira pergunta: - o senhor conhece em Portugal Hipólito Raposo?"
1972 - Manuel Galvão - "Hipólito Raposo ao Serviço de Portugal", O Debate, Lisboa, 8 de Abril de 1972, p. 2.
1993 - Marcus de Noronha da Costa, Hipólito Raposo, o deportado na Graciosa, Santa Cruz da Graciosa, 1993. [Separata do Boletim do Museu de Etnografia da Ilha Graciosa, 5 (Janeiro de 1993).]