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OS COMPOSITORES E A POESIA DE ANTÓNIO SARDINHA

 I. 

Francine Benoît (1894-1990) compôs várias peças musicais com poemas de António Sardinha. As três primeiras têm origem no livro A epopeia da planície (1915); a quarta baseia-se num dos poemas em que António Sardinha evoca o seu filho Lopo (morto em 1915 com apenas um ano).

- Deus na planície, Op. 1, n.º 1, para canto e piano (Janeiro de 1916), com versão posterior para canto e orquestra (1925).

- O motivo da planície, Op. 1, n.º 2, para canto e piano (1917). (Aparentemente, Benoît pôs a hipótese de dar a esta composição outro título: «Poente».)

- Sant’Ana, para canto, harpa e piano (1917-1928). [Há notícia de uma gravação desta peça: Londres, Columbia Gramophone, 1930.]

- Queixa, para canto e harpa (1919), com versão posterior para canto e piano (1929). [A composição de Francine Benoît é uma das suas Três canções tristes: para canto e piano (soprano), Lisboa, Valentim de Carvalho, 1919; e foi também publicada no n.º 4 (Maio de 1932) da revista De Música, de estudantes do Conservatório Nacional de Música de Lisboa.]

[Fonte principal: Ana Sofia de Sousa Vieira, Estudio de la actividad musical, compositiva y crítica de Francine Benoît, tese de doutoramento, Universidade de Salamanca, 2011.]

II.

José Pais de Almeida e Silva (1899-1968) musicou em 1925, com o título «Dobadoira», o soneto «Melodia simples», do livro Chuva da tarde (1923). A canção foi divulgada por Armando Goes (1906-1967) e por seu sobrinho Luiz Goes (1933-2012), que a incluiu várias vezes nas suas gravações.

[Fonte: Octávio Sérgio, em: http://guitarradecoimbra.blogspot.com/2006_03_05_archive.html]

III.

Luís de Freitas Branco (1890-1955) compôs três peças a partir de poemas de António Sardinha, a primeira do livro A epopeia da planície (1915) e as duas últimas de Quando as nascentes despertam… (1921): «O motivo da planície», «Minuete» e «Soneto dos repuxos».

[«O motivo da planície» e «Minuete» são duas das suas Quatro melodias: para canto e piano (partitura publicada em Lisboa, Sasssetti, 1920 e 1937). O disco Luís de Freitas Branco: Integral das canções (2006), de Nuno Vieira de Almeida, Elsa Saque e  Nella Maissa, inclui as três composições.]

IV.

Ruy Coelho (1889-1986) integrou «Salomé», do livro Chuva da tarde (1923), na sua composição Seis sonetos portugueses: canto e orquestra. Saüdade (1943). [A partitura manuscrita conserva-se na Biblioteca Nacional, em Lisboa, com a cota: EMUS6 54.] 

V.

Ivo Cruz (1901-1985) incluiu «Soneto de Ávila» nas suas Canções perdidas: para canto e piano. O «Soneto de Ávila» de António Sardinha foi inicialmente publicado na revista Contemporânea, vol. 1, n.º 3 (Julho de 1922), p. 132; e logo depois recolhido no livro Chuva da tarde (1923). [Da partitura de Ivo Cruz há registo de uma edição publicada em Lisboa, Valentim de Carvalho, 1984.]

​VI.

​José Campos e Sousa (n.1947) musicou e interpretou à guitarra os seguintes poemas de António Sardinha:
- «Soneto da casa», de Quando as nascentes despertam… [José Campos e Sousa gravou esta composição, com o título «Fado Joaninha», no disco Nossa Senhora do Carmo (1988); outro intérprete, José da Câmara, incluiu-a no seu disco de estreia (José da Câmara, 1988).]
- «Invocação», de A epopeia da planície. [Foi incluída na cassete Lusitânia em giesta florida (1997).]
- «Nun’Álvares», de Pequena Casa Lusitana. [Foi incluído no disco (CD) São Nuno de Santa Maria – Por Portugal e basta (2009).]
- «Senhora do Ó» de A epopeia da planície.
​
[M.V.C.]
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

​www.estudosportugueses.com​

​2011-2025
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[sugestões, correções e contributos: [email protected]]