ESTUDOS PORTUGUESES
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        • I. A origem e a natureza da realeza tradicional portuguesa
        • II. O caráter orgânico e democrático da monarquia medieval portuguesa
        • III. A formação das instituições representativas e o papel das Cortes
        • IV. A origem das Cortes e a representação dos Concelhos
        • V. O caráter consultivo das Cortes e a soberania Real
        • VI. O pacto fundamental e a legitimidade da Monarquia
        • VII. Reflexões sobre o Estado, a Nação e o Pacto na Tradição Política Portuguesa
        • VIII. O Absolutismo, o Pombalismo e a Reação Tradicionalista
        • IX. A Legitimidade Dinástica e Institucional na História Portuguesa
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        • Quinas de Portugal [in "A Aliança Peninsular"]
        • Errata necessária [in "A Aliança Peninsular"]
        • A "lenda negra" [In "A Aliança Peninsular"]
        • Cabeça de Europa [in "A Aliança Peninsular"]
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AMARAL, João Mendes do, Alcácer do Sal, 18 de Janeiro de 1893 - Lisboa, 4 de Março de 1981. Dissidente do Integralismo Lusitano.

Conhecido como João do Amaral, participou no lançamento do Integralismo Lusitano, vindo a ser membro da sua primeira Junta Central, em 1916, mantendo-se nas suas primeiras linhas até à conjuntura da restauração da Monarquia no Norte e em Monsanto (Lisboa), em 1919. Entrou em processo de dissidência em torno da questão dinástica, em 1927, consumando a sua dissidência política ao aderir ao Estado Novo de Oliveira Salazar.


Iniciou-se no jornalismo republicano, como colaborador de O Intransigente de Machado Santos, mas foi atraído para o campo monárquico no contacto com Hipólito Raposo e António Sardinha, vindo a publicar, em 1914, sob o patrocínio de Alberto Monsaraz, os folhetos de propaganda Aqui d'El-Rei!..., plataforma criada para o lançamento do movimento político de ideias do Integralismo Lusitano. Naquele folheto, entrevistou os fundadores Hipólito Raposo, 1885-1953 e José Pequito Rebelo, 1893-1983 e publicitou o lançamento da revista Nação Portuguesa. 

Colaborou no jornal Restauração, fundado e dirigido por Francisco Manuel Homem-Cristo (filho), onde se publicou a famosa Carta de um velho a um novo, de Ramalho Ortigão, dirigida a João do Amaral. Colaborou também na revista Ideia Nacional (1915).

Em 1918, licenciou-se em Direito. Após a frustrada tentativa da Monarquia do Norte e de Monsanto, em 1919, exilou-se no Brasil de onde só regressará após o "28 de Maio de 1926" não acompanhando de perto a ruptura do Integralismo Lusitano com D. Manuel II e o reconhecimento do príncipe D. Duarte Nuno de Bragança como herdeiro do trono de Portugal. Em 1927, através do diário monárquico da tarde A Ideia Nacional, tentou estabelecer um novo movimento político em apoio aos dois ramos da Família Real de Bragança, designado Liga de Acção Integralista. A Junta Central do Integralismo Lusitano demarcou-se daquela iniciativa, reafirmando que apenas reconhecia e defendia os direitos de D. Duarte Nuno. Hipólito Raposo criou no seu arquivo particular uma pasta com documentos alusivos ao tema sob um curioso título: "Amaralismo Lusitano", cuja fórmula era "Viva D. Manuel II e Duarte Nuno, seu herdeiro". O integralista Leão Ramos Ascensão viria a considerar aquela iniciativa como uma "obra de aventura e habilidade". O diário A Ideia Nacional, sob a direcção de João do Amaral, publicou-se entre Março e Agosto de 1927.
​

Em Julho de 1926, o general Gomes da Costa tinha sido preso e deportado para os Açores, esfumando-se o seu projecto constitucional, de inspiração e redacção integralista, apontando para uma representação nacional de base municipal e sindical. Iniciou-se ali um período muito conturbado para o Integralismo Lusitano. Não confiando nos propósitos regeneradores do governo do general Óscar Carmona, os fundadores do Integralismo começaram a aconselhar prudência e não colaboração aos seus filiados com a Ditadura Militar (1926-1928). A desvinculação de João do Amaral, para vir a ingressar na "Salazarquia", não foi um caso isolado: em 1927, desvincularam-se também os jovens José Maria Ribeiro da Silva, Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, Rodrigues Cavalheiro, Marcelo Caetano, Pedro de Moura e Sá; em 1928, Manuel Múrias consumou a sua dissidência; em 1929, já durante a Ditadura Nacional (1928-1933), deu-se a ruptura definitiva de Teotónio Pereira e Marcelo Caetano, dissolvendo o Instituto António Sardinha; e foi em 1930 que se consumou formal e definitivamente a dissidência de João do Amaral.

Acabou por aderir plenamente ao Estado Novo, vindo a ser dirigente da União Nacional e deputado na Assembleia Nacional de 1937 a 1969. Foi subdirector do Diário de Notícias (1938-1939), durante a direcção de Eduardo Schwalbach. Tornou-se um colaborador próximo de Oliveira Salazar, sendo envolvido nas negociações para o casamento do duque de Bragança, D. Duarte Nuno, no Brasil (1942) e na recuperação do paquete Santa Maria, tomado por opositores ao regime liderados por Henrique Galvão (1961).
​ 
Pertenceu ao Conselho de Administração da Companhia Nacional de Navegação, ao Conselho Fiscal da Companhia Portuguesa de Tabacos, e integrou o Conselho de Administração da Companhia de Seguros A Mundial.
Fotografia
​​...nós não levantaríamos nem o dedo mínimo, se salvar Portugal fosse salvar o conúbio apertado de plutocratas e arrivistas em que para nós se resumem, à luz da perfeita justiça, as "esquerdas" e as "direitas"!

​​- António Sardinha (1887-1925) - 
Fotografia

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